Logo ali na Proxima Esquina

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[Allana]


Destoava suplicante
Na saleta dos excluídos,
Ali, jaziam fustigantes
Os descartáveis, defeituosos,


Espaço do refugo,
Destinado aos inferiores;
Na xepa,
Somente o que é abaixo da média,
Teria a descuidada intenção.


Entretudo, Allana adivinha
De terras longínquas,
Concebida no velho mundo


Descendia das clássicas,
Entre Ilíadas-e-lusíadas,


Os argumentos irrefutáveis
E a caligrafia ilegível,
Em última instância,
Épica epopeia inexprimível.


Tua impaciência como qualidade
Beirava o descuido espatifante,
Dum equilíbrio fino, sem igual,
Na desconcertante lateralidade do bambolê.


Conheci Allana na segunda ou na quarta,
Não me lembro ao certo do dia,
O fato é que na sexta,
Allana já era poesia.


Quando ela compreendeu
Que poderia ser o que quisesse,
Ela se tornou
Tudo o que podia.


Allana, em última instância,
Épica epopeia inexprimível,
Os argumentos irrefutáveis
E a caligrafia ilegível.


(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

[Maroto]


aonde você vai?!
eu vou ali.
ali onde?!
onde não é aqui,
é ali.


13/12/23


Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni

Mas ali, no silêncio do meu arrependimento,
ouço passos de misericórdia se aproximando.
Não são passos de acusação,
mas de um Pastor que conhece cada ferida minha.


Ele não desvia o olhar da minha vergonha,
Ele a atravessa com amor.
E, com mãos marcadas por pregos,
não me aponta o dedo —
me ergue.

“No quarto de oração ninguém busca fama, mas é ali que nascem os vencedores invisíveis que o céu conhece pelo nome.”

O improvável é o ambiente preferido de Deus, porque ali a glória não se divide.
miriamleal

Poesia Universal


Tudo existe


Tudo sempre existiu


Está tudo ali


Está tudo aqui


Nada é feito por ninguém


Tudo é descoberto


A poesia


A paixão, o que ainda não se sabe o que é


O amor, a paz, tudo sempre existiu


Um dia iremos encontrar, só não se sabe quando


E não importa quem descobriu


Porque na verdade ele sempre soube


Só havia esquecido.


Bernardes Silvério

A Beleza da Inocência

Ali, onde o verde abraça o chão macio,
e o branco dos dentes‑de‑leão flutua leve,
vive o tempo que não conhece o receio:
a infância, pura, inteira e sem reservas.

Olhos que brilham como manhã sem nuvem,
mãos pequenas que tocam sem medo nem mal;
ao lado de penas amarelas e suaves,
nasce uma amizade de coração natural.

Não há segredos, nem muros, nem desconfiança,
apenas o sorriso que brota sem esforço:
é a inocência, a flor mais bela e verdadeira,
o primeiro tesouro que o mundo recebeu.

Nesse encontro entre criança e natureza,
vemos a vida como ela deve ser:
simples, serena, repleta de doçura
e livre para, apenas, saber viver.

O paradoxo do vazio que me habita é como um quarto com janelas abertas para o nada, ali encontro solidão e liberdade, medo e um estranho alívio que me sussurra para ficar.

A vida vai te empurrar ao limite, e é ali que você vai descobrir que os seus limites eram apenas ilusões construídas.

A vida me empurrou contra o chão, mas foi ali que aprendi a conversar com Deus.

Deus me achou onde eu já tinha desistido de mim. Deus me encontrou no ponto mais frágil e ali plantar-se foi milagre e novo um começo.

A solidão me apresentou a mim mesmo e eu fiquei. A solidão pode ser espelho, quem ali nos visita pode ser o próprio eu que ainda havia de nascer.

Deus deu-me o deserto para ensinar o valor da sombra, é ali que a alma aprende a esperar e a poupar forças.

Quando o coração teme, abra a porta da fé, ali mora a paz que cura.

Olhe para a luz que nasce de uma entrega, ali se refaz o coração.

A fé que me move não nasceu em templos, mas nas noites em que chorei até não restar voz, foi ali que descobri o Deus que me reconstrói em silêncio, não preciso vê-lo para saber que Ele me sustenta, sinto-o no lugar exato onde a dor tentava me matar.

A poesia mora nas frestas de silêncio entre duas frases. Ali se empilham sentidos que o discurso não alcança. Quem lê com pressa perde o sustento do verso. Por isso, aprendo a esperar onde a pontuação respira. E descubro que o mundo cabe melhor no recuo da palavra.

A dor não me destruiu, ela me desfez em mil pedaços e foi ali que eu aprendi a me reconstruir de formas que jamais imaginei.

Existe uma esperança que não salva, ela não acende luz alguma. Não guia, não aquece, fica ali, mínima, quase ausente, como a fresta estreita por onde o ar insiste em entrar quando tudo já deveria ter sufocado. É estranha, silenciosa, não promete futuro, nem redenção, apenas suspende o fim. Há dias em que ela pesa mais que o próprio desespero, porque continuar, mesmo sem horizonte, exige um tipo de coragem que ninguém celebra, um tipo de fé que não se nomeia. Ainda assim, ela permanece, como um resto de pulso sob a pele fria, como um corpo que não sabe mais viver, mas também não aprende a desaparecer, não é luz, mas também não deixa escurecer.


- Tiago Scheimann

Olhe para o espelho e peça desculpas à pessoa que você vê ali por todas as vezes que a obrigou a caber em molduras pequenas demais para a sua imensidão. A imperfeição é o que nos torna conectáveis, é através das nossas rachaduras que a humanidade do outro encontra morada e sentido. O caos não é o presságio do fim, é o estado vibrante que precede qualquer ato de criação verdadeiramente sólido e transformador.


- Tiago Scheimann