Lobos
Tem os lobos, os cães e as ovelhas.
Os cães protegem as ovelhas dos lobos. Só que, quem são "os donos destes cães" ?Os mesmos que alimentam os lobos com as ovelhas para justificar os cães. E os mesmos a quem as ovelhas custeam, sustentam e ainda, agradecem.
LOBOS
Na única doce visão que eu trago na lembrança, ela caminha numa manhã ensolarada, entre rosas, acácias e gardênias, aquela ingenuidade e castidade me seduzira, todavia, isso, foi algo que ficou bem distante, muito longe, quase inalcançável como o horizonte. Caminho hoje sob neblinas frias, ou chuvas torrenciais, sentindo a fúria desta natureza implacável e insaciável, neste inverno que habita em mim; mas só essa lembrança, essa única lembrança, acalma os lobos. Procuro ainda entender o que eu sou nessa alcatéia, o que não se perde nessa vereda, nesse labirinto, o que pode persistir em mim depois das trevas; uivar é próprio dos lobos, dos solitários, mas isso não faz de mim um lupino. Eu sei que a lua me fascina, e lá no meu intimo, lá no côncavo do meu ego, eu sou um predador, nos meus delírios crescem dentes caninos proeminentes, pelos em abundancia e um pântano com árvores altas de copas espessas, mas é um delírio ou um pesadelo, aquele adolescente ainda procura no jardim, aquela candura, a castidade entre as flores; isso é um raio de luz num horizonte cinzento, espantando esta alcatéia, este lobo; o meu temor pelo desconhecido. A luz persiste á escuridão, aliás, há um elo entre ambas, um equilíbrio, e, este equilíbrio traz o alvorecer, trazendo as luzes e campos imensos, deixando o pântano pra trás, então percebo um rio caudaloso com águas cristalinas, ali está ela, à margem do rio, agora uma mulher feita, curvas generosas, adorno à uma natureza profícua e cheia de luz. Sabemos o que queremos, caminhamos juntos, sei que nos conhecemos de outros tempos... muito antes das tranças e das flores. O silencio é cúmplice de algum enigma. Na tarde , afora o barulho da correnteza das águas e seus movimentos graciosos na praia, tudo é muito silente. Ela caminha à margem do rio, altiva como uma princesa, soberana como uma diva, depois de uma manhã cheia de êxtases e prazeres quando ela se entregou como uma loba, na casinha de palha entre os coqueirais, nas proximidades do rio... mas, agora o silencio... e, o silencio é cúmplice de algum enigma. Ela caminha soberba pela praia, imagino um rastro de sangue a cada passada sua; ela não explicou aquela cova cheia de ossos no quintal da cabana. Vejo uma alcatéia ao seu redor; acho que deveria pegar a canoa e descer o rio, aproveitar o crepúsculo e fugir; mas, longe os lobos uivam, a lua se insinua com os primeiros raios, denunciando uma lua cheia; espero, impassível, lembrando momentos de prazer durante a tarde, esqueço fêmures e crânios que eu vi na cova, esqueço evidências incontestáveis; a lua cheia desponta no horizonte com promessas de sangue e muito prazer...
L
O MEDO
O que me conduz é o medo...
Os lobos uivam e os poetas
Colhem flores numa pedreira,
Os pensadores repousam
E meditam sobre trilhos,
Eu sei que do outro lado do rio,
Que sou eu mesmo,
Tem um dragão, uma fera um vulcão...
É o meu melhor lado,
Deste lado tem um sorriso,
Tem a sensualidade e a escuridão...
As vezes os lobos comem os poetas,
Mas as flores colorem penhascos
E os pensadores continuam suas meditações...
As vezes o trem dilaceram os pensadores
Mas os poetas escrevem e florescem a vida...
Deste lado tem um sorriso
Que não passa de um disfarçe
Tem a sensualidade,
Que não deixa de ser uma armadilha...
E tem a escuridão que nos tira a noção do perigo...
E o que me conduz é o medo...
ESQUARTEJADOS
Ao longe ouvia-se o uivar dos lobos, abafado pelo barulho da chuva torrencial que varria e lavava o solo dos vestígios de pecados e sujeira dos ímpios. O casebre de pau-a-pique clareava e sacudia-se com relâmpagos e trovões; a tênue luz do lampião refletia nas goteiras dando-lhes a dimensão de estrelas cadentes. Não era nada além de uma daquelas costumeiras chuvas de final de inverno, que sacudia o sopé da colina. Zuíla fazia uma oração e cantava o ofício de Nossa Senhora e se tranquilizava; seu maior temor era o vento; o vento que um dia levara seu primeiro e único amor. Aquela neblina inconsequente no final daquela tarde remota quando fazia sua caminhada vespertina contemplando a beleza do final de tarde ali no vale, tornara-se um vendaval; protegera-se atrás de uma rocha mas ouvira os gritos de Regis e pode observar sua blusa subindo com o vento para nunca mais vê-lo novamente; depois de alguns anos decidira-se mudar para o casebre próximo a colina que pertencera a seu avô para ter bem vivas as lembranças e por muitos anos viveu tão unicamente das recordações que sobreviveram à debilidade que tempo e ostracismo lhe impuseram, até que surgiu Osmar que vivia da caça e da pesca e do que a mina já desativada pudesse oferecer. Por alguns anos tudo percorreu em perfeita harmonia até começarem os passeios de Osmar pelo açude e o cansaço causado por tais passeios; Zuíla espionou e descobriu a traição, mas sabia que a vingança é um prato que se come frio. ficou por instantes observando o que agitava as águas do açude; agora compreendia perfeitamente o cansaço noturno que derrubava Osmar; mas dessa vez o vento não o levaria, pensaria em algo bem romântico; um banho na cachoeira, por exemplo, aquelas pedras lodosas e escorregadias... levaria o facão; seria tudo bem pensado bem premeditado e assim foi feito; bem semelhante a Benedito, sádico espancador de mulheres, cuja cabeça foi encontrada a vinte quilômetros levada pela correnteza do rio; o resto do seu corpo alimentou a alcateia que se protegia das tempestades na gruta; parecia uma situação cruel, uma atitude cruel, mas as lembranças mais doces habitavam o vazio da noite e ficava a imaginação daquela silhueta cavalgando em contraste com o verdor das colinas; a noite era fácil ouvir seus passos sobre as folhas secas do quintal ou o cantarolar melancólico de canções ao longo das madrugadas que marcaram nossos momentos. Não, não era cruel imaginar a alcateia rasgando suas carnes ou quebrando com mandíbulas vigorosas, suas mãos que jamais acenariam nenhum adeus. Suas cabeças estariam sob alguma jaqueira ou mangueira que quanto mais crescessem, mais empurrariam-nas para um abismo subterrâneo, ou desceriam com a correnteza do rio, desfigurando-se em cascalhos para se perderem feito pó na brisa de alguma praia fluvial onde algum casal apaixonado estaria se amando e pactuando amor eterno, sem perceber ao longe como uma ameaça à infidelidade, o uivar ameaçador dos lobos.
MUNDO CÃO
Num mundo dos lobos aí das ovelhas que não reconhecem a natureza dos lobos! Só a sua identificação poderá levar a domesticá-los de modo a tornarem-se seus cães de guarda!
O ENVIO DAS OVELHAS ENTRE LOBOS SOB A ÓTICA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A passagem Jesus vos envia como ovelhas entre lobos, presente em Mateus 10:16 e retomada em Lucas 10:3, adquire no estudo espírita uma densidade ética e psicológica particular, sobretudo quando interpretada à luz da Codificação, tomando como referenciais fundamentais O Evangelho segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos nas traduções de José Herculano Pires, além do aprofundamento moral proposto por Léon Denis e pelas análises de Joana de Ângelis.
A imagem das ovelhas não representa passividade, mas moralidade ativa, conceito que Allan Kardec sublinha ao tratar da Lei de Justiça, Amor e Caridade em O Livro dos Espíritos, questões 873 a 879. Ali, a orientação central é a de que a verdadeira força espiritual se expressa pela retidão de consciência, pela superioridade moral e pela capacidade de resistir ao mal sem pactuar com ele. A vulnerabilidade da ovelha, portanto, não é fraqueza; é coerência ética.
Os lobos, nesta leitura, figuram as estruturas sociais e psicológicas que ainda se encontram dominadas pelo egoísmo e pelo orgulho, os dois vícios que, segundo Kardec (E.S.E., cap. XII), constituem a raiz das violências humanas. O mundo em que o discípulo se move é marcado por descompassos morais, pela tendência à agressividade e pela dificuldade de assimilação da mensagem do bem. Não se trata de demonização do outro, mas de diagnóstico ético.
É nesse ponto que a orientação prudentes como as serpentes e simples como as pombas assume seu lugar. No Espiritismo, essa recomendação harmoniza discernimento e pureza de intenções.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIII, Kardec explica que a prudência não é artifício malicioso, mas sagacidade moral, isto é, a capacidade de ler as circunstâncias e não se expor inutilmente às ações daqueles que ainda operam sob o impulso da inferioridade espiritual. Prudência equivale a equilíbrio, autocontrole e avaliação responsável.
A simplicidade das pombas, por sua vez, ecoa o princípio da autenticidade moral: agir sem duplicidade, sem cálculo egoísta, mantendo a pureza de propósito. Léon Denis, em O Problema do Ser, do Destino e da Dor (edição de 1909), reforça que a pureza da intenção é o definidor da grandeza espiritual, pois é dela que nasce a força real do espírito em missão.
Quanto à promessa do " Espírito Santo" fornecendo as palavras certas no momento devido, o Espiritismo interpreta essa assistência não como revelação mística, mas como inspiração espiritual compatível com a vigilância moral do indivíduo. Kardec descreve este fenômeno em O Livro dos Médiuns, capítulo XXXI, ao explicar que os bons Espíritos inspiram, sugerem e orientam, mas não anulam a liberdade nem substituem o esforço pessoal. Joana de Ângelis, na obra Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda, esclarece que essa inspiração encontra eco apenas em consciências treinadas no bem e na disciplina interior.
Assim, a metáfora bíblica, na ótica espírita, pode ser sintetizada em quatro princípios estruturantes:
Primeiro, a missão moral exige firmeza sem violência, coerência sem agressividade.
Segundo, o mundo social ainda é terreno de tensões éticas, exigindo do discípulo vigilância e discernimento.
Terceiro, a prudência é uma virtude estratégica, sem jamais descambar para a dissimulação.
Quarto, a inspiração dos Espíritos superiores é proporcional à elevação do pensamento e à retidão da conduta.
Enquanto você fica “ain, não julgueis... ain, Jesus disse para amar o próximo”... os lobos se divertem fazendo a festa.
(Mt 7.15-20; Jo 7.24; Lc 12.57; Ef 5.11; 1° Jo 4.1; 2° Tm 4.2-3; 1° Co 1.15; 2° Pd 2.1).
Devemos amar? Sim! Se omitir diante o pecado? Não!
O sexo e o amor são parecidos com uma briga de lobos,enquanto um vagueia na superfície da pele do outro,o outro crava as garras no coração desprevenido.
Quando me lançaram entre aos lobos,
Entre eles me tornei um bonzinho.
Um que observou,
e aprendeu tudo certinho.
"Se o pastor não matar os lobos, não haverá mais ovelhas."
A quantidade de lobos está aumentando e lobos não pastoreiam.
Obs: Há pastores que criam ovelhas e há pastores que criam LOUCOS.
Seja forte
Se te jogarem aos lobos ruja feito leoa
Você tem duas opções
Ou ser a vitima ou ser forte!
Seja forte
mas ao mesmo tempo não perca sua sensibilidade
Que essa força te fortifique nos momentos necessários, mas não te impeça de ver o belo, de amar, de viver a vida intensamente.
Seja forte, mas nunca perca a delicadeza para as coisas mais importantes da vida.
Seja feliz
