Coleção pessoal de antoniojusto

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CLARIVIDÊNCIA

Só o recuo do tempo transforma o ruído do presente na música que não soubemos ouvir.

MIOPIA DO QUOTIDIANO


Vivemos a epopeia com olhos de rotina, porque o quotidiano é a cortina que esconde o palco da história.




HUMOR


Vivemos de reflexos, de ecos de nós mesmos e do eco ampliado na sociedade num jogo de câmaras onde a imagem original se perde na repetição. Mas nesse salão de espelhos, resta sempre uma porta aberta: o humor, que não desfaz o engano, mas o tempera com a luz dourada do crepúsculo, lembrando-nos que, mesmo na mais sombria paisagem, o sol se põe para que possamos, ao menos, rir da nossa própria sombra.
António da Cunha Duarte Justo

POESIA




Poesia é a harpa dos poetas a tanger o visível e o invisível

GLOBALISMO

Globalismo é o poder que, dissolvendo o orgânico, desconstrói a pessoa e as sociedades na exacta medida da sua inversão.
António da Cunha Duarte Justo

GEOGRAFIA


A geografia é uma consciência silenciosa.


A Europa desorientou-se das suas raízes eurasiáticas,


esquecendo que a ortodoxia russa é sua gémea civilizacional.


E o discurso do ódio, selectivo,


revela apenas a hipocrisia de quem escolhe o que recordar.


António da Cunha Duarte Justo




UCRÂNIA
Há nações que morrem duas vezes: uma ao lado dos seus inimigos, outra ao lado dos seus amigos. Havia um terceiro caminho, chamava-se neutralidade, mas ninguém lhes disse.
António da Cunha Duarte Justo

NEUTRALIDADE
Neutralidade não é fraqueza, é a única arte de não herdar as guerras dos outros. Sim, porque o neutro não turba os ventos. Quem escolhe a tempestade alheia, esquece que a sua própria casa não tem tecto.
António da Cunha Duarte Justo

AMBIÇÃO
A ambição de pertencer a quem nos corteja custa, por vezes, o preço de deixar de existir.

LUZ

A mesma luz que glorifica o teu lado lança sombra sobre o outro, mas a sombra não é a realidade inteira.
António da Cunha Duarte Justo

HERÓI
O herói que veneras tem falhas que não vês e o vilão que condenas tem virtudes que não queres ver.

PACIÊNCIA


O coração é a caverna onde a realidade como semente se demora para aprender a ser relação.




PARA LÁ DA ESPUMA DA ONDA

A verdadeira felicidade nasce da transparência. Nasce de sabermos quem somos, o que nos envolve e o que nos condiciona. Mas não basta conhecer esses limites, é preciso tentar ir além deles, com a lupa dos sentidos, da intuição e da alma. Só assim poderemos intuir a luminosidade que, como um véu, ainda os encobre. E só então trilharemos um caminho verdadeiramente nosso.
António da Cunha Duarte Justo

⁠POLÍTICA-MORAL-JUTIÇA


Na política, a justiça e a moral obedecem ao Estado e às elites que o forjam. A regra é dura; mas a única brandura possível é que os homens bons ascendam aos cimos do mando.

Sem o mal não existiria o bem, sem o bem não existiria Deus, sem Deus não existiria demônios, sem demônios não existiria forças de vontade de não ir para o desconhecido inferno..

⁠CULTURA DE PAZ

Numa cultura de paz, os conflitos resolvem-se como no desporto: vence-se, mas não se aniquila o adversário.

DISFUNÇÃO POLÍTICA
Um Estado que vive sobretudo de serviços (turismo, hotelaria, beleza) está condenado à subserviência face a países com indústria de ponta e a ver os seus governantes reduzidos a meros administradores de diretrizes e agendas externas.

DECLÍNIO
A sociedade arde e os especialistas procuram nas cinzas os fósforos já queimados.

⁠PROPAGANDA

A melhor propaganda é aquela que nos faz esquecer que estamos a ser convencidos. A TV torna-se no próprio écran.

LEITURA


Quem lê só por um livro, ou só livros de que goste, depende demasiado da própria convicção.