Literatura de Cordel
“A alegria vai embora com a infância
O choro silencioso
Com a vida criamos relutância
O escuro impiedoso.”
“Qual o sentido do viver?
Eu não podia enxergar
Qual o motivo de nascer?
É um presente que Deus dá!”
“Ser professor é somar expectativas
É subtrair as dúvidas
Multiplicar os conhecimentos
Dividir com o próximo a esperança”.
“Seus olhos são azuis como o céu
Sua pele é branca como a neve
Seus lábios são vermelhos como uma flor.
Essas são as cores
Da bandeira de seu país.”
“Um amor separado
Pelo infinito oceano.
Eu não entendo sua Língua
Apenas a que fala o seu coração.”
“E me dói que desconheça
Minha existência.
O seu coração pertence
À outra mademoiselle
Não a mim, Roselle.”
“Tu já tens uma aliança no dedo
E um Palácio com requintes
De ouro como lar
Eu não tenho nada,
Nada para poder lhe dar.”
“Se me for concedida a graça de te ver
Com meu olhar te direi o que quero
Que nos teus braços é o meu lugar
E onde quero estar.”
“Mostre-me sua língua monsieur
E deixe-a dentro de minha boca
Desate os nós de meu cabelo
Enquanto eu desabotoo os botões
Do colete de seu terno.”
“És este um amor proibido
Um sonho que sonho acordada
Aos pés do Cristo Redentor
Sonhando que no Arco do Triunfo
Possamos triunfar.”
“Dizem que só se ama uma vez
E uma vez eu amei
Mas tanto esse homem amei,
Que a mim mesma deixei de amar.”
“Eu era apenas uma criança carente
Sem esperança à minha frente
Eu queria amar e ser amada
Uma paixão por Deus amaldiçoada.”
“Lembro-me dela na escola
Chorando de decepção
Com uma xícara de café na mão
Uma senhora ao seu lado lhe dizia:
- Fique calma!
Foi naquele instante que
Partiu-se minha doce alma.”
“Meu coração encheu-se de dor
O ódio delicadamente matou o amor.
O Inferno instaurou-se na Terra
Em meu interior havia uma silenciosa guerra.”
“Ajoelhava-me pedindo para ser poupada
Sentir-me-ia viva
Se não houvesse mais nada.
Hoje o que me resta é o que já não há
Perdoa-me, ó Senhor, por amar.
Eu tinha tão poucos anos...
Esses tempos, ó Senhor, eram insanos.”
Ela...poesia
Um dia, olhou ao seu redor
desatou os nós
se refez a sós...
já não tolera mais conversas vazias!
nem pessoas de duas caras...
até gosta de sorrir, mas não de zombar,
gosta do que é engraçado, do que lhe tira o ar... daquele olhar!
tem dias que só quer um beijo, tem outros que quer o corpo inteiro...
tem dias que é uma garrafa de vinho gelada e lacrada...
tem dias que é desejo...
se ela quer, ela quer!
se não quer, não quer!
ela diz não, ela diz sim!
gosta de um chamego, um cheiro...
beijos pelo corpo
mãos,
lábios,
apertos e
dedos...
ela...poesia
em acerto e desacerto!
A moldura da obra de arte era sempre a parede do quarto. Sempre não. Às vezes dividia espaço com o teto.
O quarto pequeno, com duas caminhas de solteiro e um guarda-roupas, dava espaço para o sol, todos os dias de manhã, quando ele entrava pelas frestas da janela sem cortinas e refletia na parede (e não muito raro, também no teto) o mundo lá fora.
Algumas vezes o colorido se fazia presente. Outras, só a sombra desenhava a pintura.
A planta encostada na parede de fora, a cachorra deitada no sol, e a mãe passando com o cesto de roupas sujas para pôr na máquina de lavar.
Raios de sol que entravam despretensiosamente pelos buraquinhos pequeninos da janela, faziam o dia daquela criança começar com mais imaginação.
O quarto pequeno ficava grande.
O sol era o pintor. A parede era a tela. A vida lá fora era a inspiração.
A criança que enrolava a sair do quarto para apreciar mais um pouquinho daquela pintura singular, feita sob medida na sua parede, se descobria, ainda pequena, amante da arte, mesmo sem imaginar que a arte poderia simplesmente, entrar pela sua janela enquanto ela dormia.
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(Eu sempre amei observar os desenhos que o sol faz dentro de casa. Hoje, deitada na cama e mais uma vez, apreciando a luz natural entrar pela minha janela, resolvi resgatar - e registrar aqui - a memória de quando eu comecei a admirar essas pinturas)
