Literatura
A terra não é suja como a nossa vida
E vocês tratam a morte como se ela fosse algo ruim.
Mas ela não é.
A Nossa vida aqui que é ruim.
A morte é só a despedida desta vida insone
Balda e degregada
E o que dói
Não foi em quem morre ou parte
Dói em quem fica.
A morte não é ruim porque a saudades
e o egoísmo existem.
Quando todos partirem,
Não espero que nenhum de vocês volte,
Muito menos espero voltar também.
Deixem a vida para trás, para baixo e para a Terra.
Deixe a vida para os animais que realmente a merecem.
A morte é a sustentabilidade da vida pelo seu inverso
tentando restabelecer a ordem
deste mundo quase perdido.
O Homem é humos
E não precisa ser mais.
Já plantou uma semente no corpo para ver como nasce?
O homem é melhor que esterco só isso.
Não conheço outro jeito de salvar o mundo
Se não, não estando aqui.
Volte também
Ao título deste poema
Não insista
A Vida não é sobre nós.
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Poetisa Contemporânea Atual | Novos Poetas Brasileiros
PINGAM AS ROSAS AZUIS
No criado-mudo repousam rosas azuis respeitando a neblina do silêncio.
Um Relógio pendula o tempo, debatendo-se
Oscilam-se os lados,
hora-esquerda,
hora-direita.
Uma rósa chóve outrá balançá
Desprende-se
e píngá ´´´´´´´´´´:
E cai nos azulejos
Pétalas deslizam como lágrimas regando de azul a superfície.
Então paro, me pergunto
E desabo-tou:
Quantás-batídás-até-que-se-caule?_ _ _ _ _
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A Parte e o Todo
Ela estava nua, e com ela todas as suas cicatrizes. Estava só, e com ela todos os pensamentos que nela moravam.
Puxou a noite e sua negritude para cobrir sua nudez e bafos da madrugada para perfumar sua embriaguez de desejos e ainda continuava nua.
A noite era passageira e o silêncio que nela morava, parecia indefinidamente profundo, como um “segredo apaixonado".
Onde guardaria a caixa dos segredos apaixonados, que se debatiam, querendo sair a toda hora?
Eram apenas segredos e segredos divididos não eram mais segredos e de companhia também guardou o silencio na mesma caixa.
Guardava todos na gaveta do lado esquerdo, no alto do armário que pertencia ao quarto, onde ninguém revirava seus devaneios.
Amanhecia, anoitecia e, dentro da caixa, o segredo e o silêncio começaram a se desentender e faziam a caixa vibrar e o armário começou a reclamar que não havia paz para que continuasse ereto, firme em sua envergadura.
Ela abriu a caixa do lado esquerdo dos seus seios, tirou a paixão e a guardou junto com o silêncio e o segredo.
Eles ficaram extasiados com a sua magia!
A paixão era morna seus cabelos sedosos e suas mãos mágicas, suaves e sua boca desenhada, seu olhar era uma viagem ao desconhecido.
Por dias a caixa se acomodou. Mas, lá dentro uma guerra se anunciava: o segredo e o silêncio disputavam a paixão.
Um dia, o armário novamente reclamou. Ela o abriu e ele rangeu e pediu que olhasse a caixa dos segredos apaixonados.
Deles, soava uma música triste, partida, como se os acordes vibrassem o último Si Bemol de um final de melodia.
Pegou a caixa dos segredos apaixonados, foi até ao rio, onde as águas navegam e passam somente uma vez. Abriu a caixa e lá estavam: o segredo apaixonado partido, o silêncio irritado e inconformado e a paixão mendiga e maltrapilha.
Despejou todos no rio e viu que a paixão é descortinada e encachoeirada, o segredo partiu em confissão e o silêncio se despediu em tranqüilidade, descobrindo que a paixão não é amor, mas simplesmente o lado partido e a parcialidade.
Ela somente conhecera e se apaixonara por uma parte de um todo desconhecido.
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury
Alguém dissera um dia que se podia viver sem tudo, menos água e comida, mas que viver sem livros e sem música não seria o mesmo que viver.
Quanto mais silêncio houver num livro, melhor ele é. Porque nos permite escrever o livro melhor, como leitor.
A escrita é, e não é, pensar. A palavra que me ocorre é "auditivo". A partir de certa altura é como se ouvisse vozes.
Escrever um romance sem que ninguém o peça se parece um pouco com ter um bebê quando você não tem onde morar.
Ser convidado a ler o rascunho de outro escritor é o equivalente literário de ser convidado para ajudar um amigo a mudar o sofá para um novo local.
Você sabe o que eu fiz depois que escrevi meu primeiro romance? Calei a boca e escrevi mais vinte e três.
O tempo da escrita é um processo interior. O escritor escreve o tempo todo, mesmo quando não está escrevendo. Quando caminho, escrevo muito.
