Linhas
Para elas,
As flores,
Há sempre encontros,
Ainda que seus caminhos
Desertores,
Sigam linhas
Paralelas,
Nos descaminhos
Da vida.
Enfim,
Nada pára elas!
(Paralelas)
Há sempre manchas
Manchas nos tetos das nossas casas
Casas imperfeitas
Com suas linhas retas
Dessas, que na pressa do prazo estipulado
São quase perfeitas
Pois o "quase"
Quase sempre existe
E liga os fatos por linhas tortas.
Triste enredo!
Inimigo do atraso
O retrato em 3 por 4
De erros esquecidos nos desvãos da vida
Entra a luz pelas janelas
Basta olhar de perto
Retratados na memória
Guardando em segredo a tudo
O certo e também o errado
Todas, por obra do acaso, tem paredes tortas
Onde penduramos nossas redes
Onde perduramos a tanta preguiça
Vendo a vida passar por ali
Eu, daqui de onde estou
Vejo que há sempre uma volta
Uma volta no voo dos pássaros
Uma volta a mais no linho da rede
Um inseto preso na teia de aranha
Dando voltas e mais voltas
E só isso
Pois tudo que importa é o resultado
Oculto atrás da porta
Findos prazos, cumpridos a todos os compromissos
Porque "sempre" é muito tempo
E o tempo não volta
Justamente aquele que sempre sobrava
Agora falta
Não há mais lugar pra folhas mortas no quintal
Todas elas já foram varridas
Não há mais lugar pra belas folhas novas
As árvores já se encontram abarrotadas
Não há vagas para flores em nenhum jardim
Não há mais lugar pra água em nossos jarros
Não há mais lugar pra erro em nossas vidas.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tanto pensava em colher em vida
Um espaço entre quatro linhas
Linhas tortas, quiça tivesse
Uma horta de flores que Deus me desse
Regadas da dor doída, ao longo de uma jornada
Eu tanto quis, de querer
Um querer que me foi verdadeiro e existe ainda
Um simples canteiro de céu
Daqueles que nos ensinaram que existia
Desses, que eu tanto ensino a quem puder
Que eles existem
Um pedaço qualquer entre algumas linhas
Daqueles, com nome da gente escrito
Que ao longo do tempo é que se descobre
O quanto era pobre esse nosso pensar
Sobre dor doída ou de sofrimento
Não era, essas coisas não eram minhas
Era apenas sobre toda raiva
Que não fosse devolvida
Era sobre deixar aqui, quando voltar
A todo pedido de desculpas
Que devia ter pedido e que não foi pedida
Era sobre aprender a enxergar
Uma grande conquista
Um tanto assim de céu que já temos
Todo dia sobre as nossas cabeças vazias
Repletas de atmosferas
Era sobre saber ver apenas
Pequenas coisas que estão bem diante das nossas vistas
Pouco importa as flores que cresçam lá
Que nem cresçam, que nasçam mortas
Gira sobre a complexidade das coisas simples
Que tanto nos esforçamos em torná-las complicadas
E, no final, o mais nos interessa
Não passa de um monte de nada, de todo sinceras
É a surpresa de perceber
Que agora, quase nada mais nos surpreende
São as dores que não mais queremos
É o amor que nos ensina a não querer deixar elas aqui
Pra que outros também as sintam
E essa forma sucinta e profunda de viver a vida
É que haverá de regar ou não
Os jardins da outra vida
Porque tudo sempre recomeça
No lugar exato onde termina
Esquecer a pressa de sentir-se
Triste ou feliz
Essas coisas vem
E são sempre mais pesadas para quem não quis
Quando tudo volta e se mistura
E nada mais se encontra
É ali que se acha o segredo
As flores, canteiros, os medos da vida
Uma orquestra de letras e notas misturadas
Volta tudo pro universo enorme
Com o nome da gente escrito
Onde tudo é mais pleno e bonito
Quanto mais pequeno
E sereno é o pranto
Se eu pensar menos em mim
A vida é mais simples assim.
Edson Ricardo Paiva.
Rabiscando a vida.
Rabiscando
Sobre as linhas retas
Que não posso ver
Vindas lá da luz do céu
Encobrindo o breu, que nos convida
Com palavras que não posso ouvir
Nada é incrível, no entanto
Elas são tão claras
Quanto a cara imprecisa
De sorriso obscuro
Escondida, atrás do muro da vida
Quanto o brilho do ouro, que não tenho
Mas eu sei quanto estão lá
Vou rabiscando em desenhos
Solução pra tantos medos
Quantos enredos mirabolantes
Entretanto, nada inverossímeis
Pois eu sei o quanto estão elas
Sob a luz das velas
Sob o malho de cinzéis
Prontas pra se revelar
Talvez como simples rascunhos
Sob a força dos punhos
e a constãncia da vontade
Essas, em linhas não tão retas
Pois a verdade se curva
Pra se alinhar com o horizonte
Azulado e verdejante
Cujo limite do olhar não alcança
Não alcança de olhar aberto
É preciso um pensar mais longe
Pra poder enxergar
O que esteve tão perto
Mas oculto sob o malho dos cinzéis
Quantos céus e quantos outonos
Verão teus olhares mornos
Teus ouvidos vitrificados
Quantos vasos queimarão teus fornos
Carentes de um olhar mais puro
De enxergar no escuro
Encobertas pelo breu que te convida
A enxergar de forma assim, tão clara
A cara da vida?
Edson Ricardo Paiva
... a consistência
que tanto buscamos
virá de toda a inconsistência
que - como linhas tortas, segundo
os antigos -nos desafiam;
tentando obstruir tão marcante
e libertadora solidez
de espírito!
Meus pensamentos são pequenos rabiscos, letras soltas em linhas incertas. Talvez ninguém nunca os leia, talvez seja uma forma de ajuda, para quem ler e entender esses rabiscos.
30 de abril
“Escrevo-te estas mal traçadas linhas meu amor porque veio a saudades visitar meu coração”. É assim que Erasmo Carlos começa a música A carta, a qual compôs com Renato Russo, mas eu acredito que eles não iriam se ofender com o fato de eu dedicar essa música para você. Eu dedicaria toda poesia do mundo a você se pudesse. Eu escreveria cartas e mais cartas se isso trouxesse você para mim. Seria tão lindo, tão épico se eu lhe mandasse uma carta e você de repente respondesse docemente e dissesse que sempre me amou, dissesse que foi um idiota e que fez isso só para se achar para os seus amigos, mas que seu coração conta outra história. Dissesse que seu olhar conta outra história. É difícil entender a complexidade de meus sentimentos, meu amor sem fim e o ódio que inflama. Eu já não me conheço e me vejo fazendo coisas idiotas que eu mesma condenaria ano passado. Por exemplo ontem depois da aula eu te liguei. Eu liguei para sua casa e você atendeu. Meu mundo inteiro parou naquele momento e eu ouvi você repetir “alô” diversas vezes quando o que eu queria era dizer “eu te amo” quando eu queria que você dissesse que me amava. E isso foi ridículo, ridículo, ridículo! Depois eu liguei para Sandra e contei o que tinha feito e ouvi ela me chamar de idiota sem parar pensando que merecia um sermão da minha amiga pois eu havia sido louca. Imagina se você descobre se sou eu? Imagina se você nem descobre que sou eu. O Luís do segundo ano contou ontem no recreio que você falou de mim para ele e ele disse que quando você falava de mim era diferente. Disse que pelo jeito que você falava parecia que você gostava de mim. Meu coração se inflamou com essa informação- que eu nem sei se é verdade- e eu fiquei toda agitada. Frejat canta “eu não sei dizer te amo” e traduz tudo o que eu sinto. “Se você fosse calmaria eu seria temporal”. “Eu não se dizer te amo”. Eu aprenderia mil línguas- até mandarim- para dizer que eu te amo se isso tornasse tudo mais fácil, se você fosse rir e me puxar em direção a seus lábios. Será que você também não sabe dizer “te amo”? Eu sei que eu não sei. Eu nunca disse pessoalmente, de verdade, olhando para a pessoa face a face. Eu ficaria pálida, desmaiaria e faria o maior papelão. Se eu tivesse certeza de seu amor eu gritaria, eu arriscaria pular, arriscaria passar vergonha e falaria, cantaria, gritaria com toda força de meus pulmões como eu te amo. Como eu ardentemente te amo. Eu tenho vergonha de dizer que eu decorei seu número- só para se precisar- mas sejamos realistas, quando é que eu precisaria? Nós não fazemos trabalhos juntos nem nada na escola. Na verdade, quando a professora começa a falar “trabalho” a Lola gruda em mim como uma sanguessuga e não deixa ninguém chegar perto. Eu deveria te dar um gelo, eu sei- se isso fosse fazer você correr atrás de mim- mas eu não sei porque é tão fácil ignorar outros garotos e não você. Você tornou o mundo um lugar bem difícil para mim, sabe? Eu não consigo amar mais ninguém. Eu penso- com muita integridade- muitas vezes em tentar descobrir se você ama alguém para assim ajudá-lo a ficar com ela talvez, mas a quem estou querendo enganar? Eu não sou tão evoluída assim, nada disso. Eu quero que qualquer garota que olhar para você arda no mármore do inferno e eu quero ser a única e dizer te amo, te amo, te amo, te amo!
As Linhas de Hartmann não são apenas redes invisíveis na Terra, mas caminhos invisíveis de energia que moldam o equilíbrio entre a saúde e a harmonia, lembrando-nos de que a conexão com o solo também é uma dança cósmica de forças.
Nas linhas da vida, hora encontramos verdadeiros dramas que devemos no mínimo tirar alguma lição de como não escrever histórias iguais.
Assim como há aquelas poesias sem nenhuma necessidade de rima, que lhe toca a alma, e que lhe inspira, e mesmo virando a página, deixa uma sensação de elevação.
Adivinha, as linhas que hoje escrevo, são livres, não estão mais ligadas ao passado.
São apenas relatos soltos de momentos ao vento.
Não carregam as sombras do passado, nem tampouco relatos de você.
Então, pare, apenas pare de tentar decifrar o que nunca foi capaz; pare de querer decifrar minha vida!
Cuide de seu palácio, porque do meu, cuido eu!
Estas linhas eternizadas
São pedaços de nós em fruição.
Por onde andas?... bem sei...
Não tem problema;
Acabarás caindo
Na palma da minha mão.
Olhe para dentro,
Não adianta escapar,
Sou a alazã vontade,
Batendo no teu peito;
Sou o teu maior sentimento,
Não apago nem com o [tempo]...
Sou o teu doce tormento,
A inquietude acariciando,
Você foi embora,
Mas acabará voltando,
Sou o teu absinto,
O mais doce veneno,
Que te coloca em rebento...
Você está brincando de amar,
Cuidado!...
Quem brinca sempre
Acaba machucado,
Amor é como o fogo:
É preciso tomar cuidado.
Cuide bem do meu coração
Por ti apaixonado...
Soberana da Bahia,
Nem a Estrela D’alva duvida,
Desenhada por linhas auriverdes,
Lindas montanhas esmeraldinas,
Loucura de amor que fascina,
Até o firmamento declina.
Das sorrisadas das tuas gentes,
Por tuas violas afinadas,
Pelas tuas vozes,
Por todos os amores
Dos teus namorados,
Resolvi esperar por nós dois,
Assim sigo esperando
Por tudo de bom que o destino
Nos tem reservado,
Todo dia é um motivo para fazeres
O meu coração apaixonado.
Diante de rara beleza,
Que faz a noite mais enluarada,
Olhos negros e boca doce,
Nascida de versos intimistas,
Que seduzem e encantam,
Não canso de cantar o teu nome,
Canto nos quatro cantos do mundo,
O amor que só você me inspira.
Está ali no sertão predestinada,
Para ser por muitos artistas escolhida.
E ser amada por muitas estações,
Jacobina, terra sertaneja e de seduções,
Basta chamar-me, que eu irei correndo,
Não importa o tempo, está guardado o sentimento,
Irei para matar a minha sede nas tuas cascatas,
Abraçar as tuas gentes e me entregar às tuas emoções,
E deleitar-me nas tuas amorosíssimas tentações...
