Lili Inventa o Mundo - Mario Quintana
Não é possível que meio mundo esteja surtando ao mesmo tempo por uma simples questão psicológica.
Deve ter alguma coisa na água que andam distribuindo por aí.
Não se apegue ao mundo e aos interesses do que é perecível em você como o ser que coexiste aqui.
E no momento em que você aprender a se desapegar dessas coisas que o prendem e o limitam, você se libertará dessa condição de que medos e vícios que criam distrações o prendem.
Quando você se libertar de tudo isso, perceberá instantaneamente que existe, mesmo que por um certo período de tempo.
E quando você se reconhecer nesta vida, encontrará os caminhos da sua existência que o apontarão em uma direção em sua jornada e isso o guiará à sua fonte geradora, "DEUS".
Senhor,
lança Tua luz sobre as sombras do mundo.
Que todo plano de maldade se desfaça diante da Tua presença.
Purifica os corações endurecidos,
derrama compaixão onde há frieza,
e amor onde há indiferença.
Faz de nós portadores da Tua paz.
Amém.
Teus olhos, meu abrigo
Teus olhos são meu mundo, meu sossego,
me perco neles sem querer voltar.
É só olhar e já me desintegro,
num fogo manso, só pra te amar.
Têm cor de café forte, madrugada,
quentinhos como abraço em dia frio.
Me olham e eu esqueço da estrada,
só quero o teu olhar como meu guia.
Tu nem precisa dizer uma palavra,
teu jeito de me ver já me desfaz.
Acende em mim a chama mais suave.
Se eu pudesse, amor, sem mais demora,
vivia em teu olhar, ficava em paz...
Perdido ali, pra sempre, sem ter hora.
O filho vem.
O tempo passa.
Ele nasceu pro mundo —
do ventre pra fora,
de dentro do peito.
A vida pulsa na rua.
Preparar, educar,
deixar voar,
ensinando a abrir as asas
e a entender a direção do vento.
Todo filhote tem seu próprio destino.
Todo pai tem seus dias contados —
na vida e na tutela.
É tempo de deixar crescer.
É tempo de deixar que ele
faça seu próprio caminho.
No mundo que eu vivo também vive minha alma
Ela chora, ri e exala
Exausta ela disfarça
Calada ela ezala
Não é flor mas ezala
Não é visível mas tem uma cara
Um rosto
Sofre porque ama
Acredita porque vê
Sente porque têm sentimento
Se alguns pedaços já não lhe são tão bons
Realizo a poda
Se pétalas estão caindo outras novas estão nascendo
Minha alma vive
Minha alma respira.
Quem trilha o óbvio caminha entre sombras, só quem ousa o improvável acende luzes no olhar do mundo.
"Amor em Tempos Ásperos"
O mundo anda áspero,
com os dias esfarelando nas mãos,
feito pão dormido de sentimentos.
Falta o gesto suave,
o olhar que acolhe,
o toque que não fere.
As palavras estão doentes,
gritam verdades sem ternura
e esquecem que o amor é também
silêncio que entende,
pausa que cura.
O mundo precisa de mais amor —
não aquele escrito em cartões,
mas o que mora nas entrelinhas,
nos atos pequenos e invisíveis
que fazem o coração pulsar em paz.
Talvez, se nos olhássemos com menos pressa,
se sentíssemos mais do que julgássemos,
o amor brotaria como flor teimosa no asfalto...
E, quem sabe, o mundo, enfim, lembraria
do que realmente o sustenta:
a delicadeza de amar.
Direitos autorais reservados Autora/Escritora/ Devidamente registrado no Recanto das Letras.
Rô Montano__________ ✍
Então fica!
Fica só mais um pouco
Não me deixa nesse mundo tão louco
Eu juro que agora eu mudo
Fica, nem que seja por alguns minutos
Esquece todos os absurdos...
...fica!
Descobrindo o mundo.
A chuva caia na rua silenciosa. Faróis brilhantes. São quase 18h, o dia interminável chega ao fim. Mais um dia, mais uma semana passava e o sentimento de que a vida se esvaia me acompanhava por todos os lugares.
_Roger, onde você está?
_Ainda no trabalho, e você?
_Indo para casa nesse momento. A fim de fazer alguma coisa à noite?
_Preciso! Veja as opções e me fala o que decidir.
A roda da vida sempre girando. Um dia em cima, outro dia embaixo. As mesmas cenas repetidas me fazem crer que não somente os ratinhos estão presos em suas gaiolas, correndo para girar sua roda de felicidade, sem sair do mesmo lugar.
Quando o mundo se tornou tão chato? Será somente isso? O que não daria para, um dia, embarcar em uma nova Vera Cruz em busca de uma nova terra. Embora, o mais importante é saber, caso este dia chegue, se teria a coragem suficiente para embarcar.
Cada ano que passa o mundo se torna mais sombrio e obscuro, então torne-se a luz que ilumina a escuridão, e transformará o inferno em paraíso.
(...) Engoli o mundo a seco, sangrei em silêncio, afundei no abismo das dotes até encontrar o fundo da minha essência - ali percebi que renascer não é florescer, é suportar a escuridão até que ela se curve diante da vontade de levantar do inferno sem permissão, cuspi nos fracassos e calar o barulho que me atormentava...
A promessa e o ponto final
No começo,
o mundo era um sim.
Um sim com emojis,
respostas rápidas
e uma sede de futuro
tão doce que até o tempo queria parar pra assistir.
Vendia-se o amor a prazo,
com entrada emocional e juros de reciprocidade.
Falava-se em planos,
como quem monta uma casa
antes de saber se o terreno é firme.
E eu, ingênuo comprador de ilusões,
assinei com o coração.
Mas veio o silêncio.
Não o poético, o denso,
mas o silêncio burocrático das desculpas,
dos "hoje não",
dos "tá corrido",
dos "não posso nem no primeiro encontro".
E eu pensei:
como é possível construir castelos
sem ao menos visitar o terreno?
Era indisponível.
Mas isso,
só depois.
Depois da propaganda afetiva,
de um trailer bonito de nós dois
que nunca virou filme.
Fiquei com os créditos
e nenhuma história.
No fim,
não houve começo.
Houve só vontade vendida
sem entrega.
E eu aprendi:
há quem diga "vamos",
mas vive parado no "não posso".
O Último Homem Desperta
Despertei tarde — não do sono, mas do mundo.
Acordei no exato instante em que já não havia o que fazer.
Tão lúcido quanto a lâmina da faca que corta o pão seco dos esquecidos.
Não há mais guerra: apenas consumo e propaganda.
Não há mais fé: apenas autoajuda e tutorial.
E eu, cansado de não ter lutas justas para lutar,
me arrasto como quem guarda o último fósforo aceso numa cidade sem luz.
Sou o último homem.
Não porque sou o último a morrer,
mas o último a perceber que estamos mortos há muito tempo.
