Lago
"Antes de sair de um lago cheio de pererecas, certifique-se que vai conseguir manter a princesa e o castelo."
"O sapo que troca o lago cheio de pererecas para ser um príncipe, corre o risco de ir para o brejo se não manter o luxo do castelo."
Às vezes penso que
o meu continente
está mergulhando
lentamente no lago
parado da morte.
Na América Latina
não tem sido nenhum
pouco diferente,
E imparável só penso
a cada dia mais
em resistir porque
junto eu não
vou e não quero ir.
O atraso processual
anda castigando
os presos e as paredes
das prisões e existe
um oceano de gente
que finge não ver.
O velho tupamaro
originário segue
em martírio há
mais de vinte dias,
E a Comandante n°2
em situação infernal:
(países diferentes
num pesadelo igual
com ideologias
e tragédias coincidentes).
Não é segredo que
corações maus levam
qualquer ideologia
à total deriva e tudo
o quê leva na vida
tempo para conquistar.
Em Fuerte Tiuna
estou entre aquilo
que muito machuca
e tudo aquilo que
é muito impossível
de compreender.
No meio desta
gente que precisa
de paz para se entender,
todo o santo dia
quero saber da tropa,
do General e do mapa.
No Guadacapiapu-tepui
do Esequibo Venezuelano
por todos e tudo isso
insisto nos meus versos
latino-americanos com a intimidade
que todos ali transitam
(contando tudo isso e mais um pouco)
e nos outros onze tepuis habitam.
Lidando com os mitos
dos amores impossíveis,
Mergulhando no lago
de tédio neste domingo
E tendo as belezas
do Vale Europeu Catarinense
para beijar os meus
olhos enquanto o amor
dos meus sonhos,
Revisito a "La Sarneghera"
em busca do perfeito poema,
Dou graças que moro
em Rodeio no Médio Vale do Itajaí
E agradeço a ancestralidade
por ter chegado até aqui.
Porque o amor tem
o seu próprio tempo,
e o melhor mesmo
é não ter pressa e nem medo
para evitar qualquer contratempo.
Quando olhei a minha
própria imagem
no lago cor de Jade,
Gostaria mesmo estar
olhando no fundo
dos seus lindos olhos
e entregar o meu
amor com profundidade,
Espero que comigo
um dia você se encontre
e sinta o mesmo de verdade,
Quero o seu embalo sem compromisso com a sanidade.
Metapoema
Num lago de letras
o metapoema está
para o poeta como
o espelho d'água
está para a imagem,
Não existe nenhum
poeta que nunca
tenha feito ao menos
um metapoema
na vida sem saber,
Um metapoema é bem
simples de entender:
é quando um poeta
explica o porquê
escreve um poema dentro
de um poema para você.
Meu coração é feito
de mar, de lago ou de rio,
em dia de cortejo
de São Pedro e São Paulo
passar para agradecer,
e a gente festejar.
Bonito mesmo
é o seu coração
todo feito de amor
e maior do que o mar,
só ele tem a chave
para nele eu morar.
Vamos nos encontrar
em pleno cortejo,
ninguém vai nos parar,
porque vai além do desejo,
é imenso e verdadeiro,
e nada irá nos segurar.
Seja de manhã, de tarde,
de noite ou de madrugada,
no lago do teu pensamento
a tal Naiá transformada
em flor do seu sentimento
e Jaci com todo o amor,
além do nosso tempo
dentro do peito embalador.
(O sentimento encantador).
"Eu acho que o amor é mergulhar
num lago azul, cair num buraco,
querer sair, e não conseguir..."
Um sufoco!
☆Haredita Angel
05.12.2017
Espelho d'água
À beira do lago,
espelho d’água...
vejo o homem que sou,
recordo o homem que fui
e contemplo o que estou me tornando.
Sobre a vida, ainda respiro.
Sobre o passado,
caminho sem volta...
Sobre meus erros... lamento,
mas não me arrependo.
Não vou negar a mim mesmo.
Não vou fingir que não fiz.
Não vou fugir do que sou.
Nem vou negar quem eu era.
O que fiz me ensinou o que sei.
Foi o caminho que andei
e que me trouxe até aqui...
Espelho d’água,
mirante da vida,
donde olho para o vale
da minha existência.
Ali, com cuidado, carinho e paciência,
semeio memórias antigas,
despejadas em terras áridas,
em forma de versos, trovas e prosas.
Ao relento,
no vento
e contra o tempo,
tento...
manter desperto
o homem que vive em mim.
espelho d'água
começo, meio e fim...!!
𝓙𝓾𝓻𝓾𝓷𝓪j
De Goiás a Brasília –
Memórias de Minas Gerais
[J.W.Papa]
E como se eu carpisse três quartos de chão duro de terra vermelha numa empreitada só, e ensimesmado olhando para o sol visse meu futuro por entre as folhas já quase secas de um abacateiro - sem abacates.
E a lua antes da hora de costume, já fosse se aproximando e se antecipasse a mim, feito os beijos quando são roubados.
E as estrelas raivosas não me alumiassem e desconjurando-me negassem seu pisco aos meus olhos, já marejados de tanta tristeza e solidão.
Feito se eu fosse de pedra, dos pés ao fio de cabelo mais encravado do couro cabeludo ou se eu fosse de veludo, feito o fundo mais profundo de uma caixinha dessas de guardar segredos e quinquilharias.
Feito se eu olhasse mudo a transição de mundos e a patifaria que ocorre todos os dias e em silêncio, tivesse de permanecer até que se secasse a última gota de suor de minha testa escaldada pelo calor dos raios deste sol enorme posto no céu de Minas Gerais.
E visse o vento ligeiro soprando ainda tímido por entre as frestas das coisas, trazendo-me a brisa, que me aliviaria por hora deste meu sofrimento.
Se pudesse, veria o vento, se curvando a todo tempo para não se chocar com a montanha avermelhada - do pó da terra que eu carpia logo ali perto!
Mesmo que topasse com onça brava no caminho ou outro bicho grande, destes que habitam as matas selvagens.
Mesmo se topasse de frente com bicho bravo, seguiria a pé pelas trilhas e pelos caminhos de terra por mais distantes que fossem, seguiria ereto e rijo até o ponto mais alto do vale.
E desceria o abismo escuro enrolado em cipó de macaco numa queda só, até a cachoeira d'alça d'água, só para me refrescar desta quentura toda.
E se eu fechasse a janela às três horas da manhã sem um pingo de sono sequer e me deitasse na cama de olhos abertos e ficasse olhando o escuro e tateasse o mundo, o meu mundo...
E pontilhasse no ar constelações inteiras de insetos luminescentes ponderando acerca de conferir ou não o incômodo do Xixixi... Das formigas e cupins desfazendo minha porta, transformando-a em minúsculas esferas de madeira marrom.
E eu acordasse todas as manhãs bem cedo desejando do fundo de minha alma que já fosse de noite, só para recomeçar tudo de novo.
Desejando que fosse esse, o meu mundo; que fossem esses, os meus sonhos; que fosse esse, o meu futuro!
E mesmo que esta terra nunca mais me quisesse, nem eu a quisesse, e mesmo que ambos não se quisessem - (E mesmo que eu não fosse daqui, e nessa terra não tivesse nascido) – só desejaria carpir um quarto desse chão de terra fértil, plantar uma roça inteira de pés descalços pisando o chão quente aquecido pelo sol.
Mesmo que o chão fosse duro e a terra fosse vermelha e a colheita não fosse assim tão farta, mesmo se a terra fosse arrendada do patrão, e os impostos para explorá-la fossem muito caros acima de minhas possibilidades, mesmo assim!
Mesmo que este chão não se tornasse meu um dia, mesmo que não se tornassem meus os sete palmos de terra prometidos a mim. Mesmo assim, seria um sonho!
Se deste sonho um dia me despertasse e nada me adviesse, mudar-me-ia para Goiás, mudar-me-ia para Brasília.
Quem sabe lá não encontrasse as minhas origens, as tais raízes... Que nos fazem querer retornar à nossa terra natal.
Que nos faz enxergar os traços em comum com gente que a gente nunca viu, mas se sente bem ao ver pela primeira vez, e é como se as conhecesse desde sempre.
E neste caso, voltaria para Goiás Velho, iria revisitar as memórias de Cora Coralina e quem sabe não escrevesse algum verso sentado em sua cozinha!
E perto do fogão a lenha, sentindo o calor do tacho quente a me aquecer no inverno sorriria, saboreando as delícias feitas pela poetiza. Com um pedaço generoso de bolo de milho com queijo às mãos e rodeado por vários cães e gatos manhosos, por todos os lados que olhasse me lembraria de Minas!
Dada toda essa alegoria política, talvez eu seja mesmo de Brasília, talvez seja um filho bastardo de Juscelino!
Pensava ser de Minas... Mas agora não tenho tanta certeza se sou. Se fosse de Goiás não me importaria.
Pensando bem... Vou para o Planalto Central tocar viola caipira, comer arroz feito com pequi e falar de política ao largo do Lago Paranoá.
Em meio as lágrimas, fecho os olhos, vejo um campo de flores amarelas, uma árvore e um banco de frente para o lago, outrora congelado e sem vida, posso ver os peixes pulando e se alegrando ao som do velho violão.
Além da vida, imenso céu azul,
já não existe mais saudade
para os dois cisnes, agora juntos,
ao lado até a eternidade.
(Meu pai falecido em 1971 portava constantemente a poesia Lago dos Cisnes.
Ele e Lia
Para Sempre Bailarina!
Sophia antes de qualquer descrição, antes de ser um ser humano, é uma bailarina, característica que ela mais valoriza em si.
Não tinha pernas altas, colo de pé, não era alongada, muito menos tinha pernas em "x". Tinha seios grandes, talvez menores só que o próprio sonho, o de vestir um “tutu”.
Por mais que às vezes ela ficasse perdida nas aulas, lá era onde se encontrava, só queria se sentir bailarina, bailava para si.
Mas todos os meninos da sala a olhavam com olhar se desprezo. O mesmo olhar que ela se esforçava tanto para conseguir fazer uma pirueta dupla, era o que facilmente escapavam lágrimas quando se encontrava sozinha. Mas por mais que às vezes ficasse triste pelo ballet, nada a proporcionava alegria igual ao de preparar uma quinta posição e começar a dançar.
Chegado o final do ano, era dia de apresentação, ela chegou ao camarim faltando meia hora para a apresentação, sua mãe já estava na plateia com uma câmera fotográfica pronta para registrar o momento de sua entrada, mas ela não entrou.
A mãe, preocupada, foi até o camarim e lá estava Sophia, de "tutu" em frente ao espelho, e a mesma perguntou indignada o porquê de ela não ter entrado, e Sophia respondeu: "Mamãe, eu já realizei meu sonho, eu não preciso de fotos, não preciso de aplausos, eu só preciso desse momento registrado na minha memória, o dia que me senti bailarina".
Sophia cresceu, é dentista mas sempre faz um "grand jeté" ao pular uma poça d’água, imaginando estar vestindo aquele "tutu", mas na verdade está se calça jeans no corpo e um sonho realizado no coração.
A noitinha no Ermida...
E num belo fim de tarde ganhei uma pintura, nela o sol se pôs, sua cor laranja predominava a cidade negra compunha o que via num horizonte, senti algumas gotas de chuvas, um frescor do lago, um vento sutil surrupiava e ao meu lado num vôo bem baixinho um feroz quero quero com um bonito canto piava.
Nesse momento percebi o quão geminiana eu sou, fico escolhendo qual personagem adotar na hora de lhe escrever: romântica ou engraçada...aí lembro de você dizendo que ama todas as minhas versão e isso facilita muito minha vida e me assusta também, porque eu sei que nem sempre to um anjo de delicadeza, mas você me mostra todos os dias um jeito de amar incondicional, acima de defeitos e qualidades, TPM's e euforias, risadas e choros, mazelas e... mazelas rsrs
Você me fazer querer ser uma pessoa melhor, me faz sutilmente acreditar que as pessoas podem mudar (sim...la dentro da minha alma eu quero acreditar que é possível para algumas pessoas), só não quero sofrer por uma ilusão. Você é um companheiro maravilhoso, talvez não seja o melhor embalador de compras mas com treinamento e supervisão você já ta conseguindo e eu amo seu esforço :)
Você é um pai que dá vontade de ter outro filho, mas logo passa essa vontade quando lembro do côco kkkkkkk e te amo mais quando vejo que isso não impede de um dia sermos uma família, porque eu sei que o que é importante para nós Deus nos concede...e temos filhos maravilhosos, veremos no futuro se a Luana é um projeto de Deus. Quando penso em tudo que vivemos não me orgulho de nada pois ainda não me libertei de toda culpa que carrego, mas todo dia eu jogo um tijolinho fora colocando na minha mente que temos o direito de sermos felizes e que merecemos nosso próprio perdão. Eu não sou uma pessoa fácil, eu sei... mas eu prometo pra você que só tenho boas intenções no coração...se um dia eu te olhar atravessado, apenas sorria e acene ... logo estarei bem :) no final das contas você está sempre eu meu coração como alguém que me faz muito feliz, que vejo mover o mundo por apenas um sorriso meu...por se tornar um poeta de espelho de carro apenas pra ganhar um beijo ente sinais de trânsito... por ter a paciência de esperar a tempestade passar e me amar como se tivesse nos encontrado ontem... eu sou muitas versões de mim com certeza.... mas a melhor delas você conquista todos os dias com seu jeitinho amável de ser...
Obrigada por tudo isso!
Eu te amo muito Rômulo e isso eu quero dizer a vida inteira até sentados num banco na frente de um lago!
Ficaram pra trás muitos meses e anos, marcados no rosto dos homens da pedra, da faina que hoje vai indo e não medra, por causa das guerras dos mais desumanos... Sentados num banco qualquer do jardim, ouve-se o silêncio das suas apostas, e a Fonte das Bicas, voltada de costas, lhes diz que a canção não é bem assim... Passam os gaiatos, fregueses do Lago que outrora banhou o calor do concelho, não sabem que um homem depois de ser velho não sabe banhar num espaço tão vago... E a Fonte das Bicas, olhada no rosto, encanta quem passa pra baixo e pra cima, com a pedra que a veste, distingue e sublima, nas horas que encetam os dias de Agosto.
Obra Prima
Olhar Distante, coração apertado, saudades dos voos descontrolados, vivo no olho de um furacão perdida em um mundo cheio de ilusão, Alegria está em algum lugar não sei como encontrar.
Sonhos constantes acorrentados no levantar, bem longe deles eu consegui chegar sendo induzida pelo medo de acordar
Uma obra prima no caminhar, mais as forças começam a faltar, crescer é complicado para uma menina que se encontra no meio de um lago, grande é a imensidão das águas quando estou despreparado
JARDIM DOS PINHEIROS – Proeza da Mãe Natureza
Quando chegamos a este lugar,
contornamos a orla magnética do seu lago anfitrião,
que pintado de verde pelas incontáveis bonitezas que o abraçam,
nos dias de sol cintila orgulhoso.
Chegamos aqui acolhidos pelas sombras das crescidas árvores
de flores caprichosamente rústicas,
que benzem também o seu nome de jardim.
Sabe, por aqui é bom dormir com a janela aberta,
só pra acordar vendo as copas dos pinheiros.
Nas fotos elas são bonitas,
mas pessoalmente muito mais!
Porque ouvindo tantas toadas passarinhescas,
bailam sua coreografia princesa,
ensinada pelos ventos daqui.
- Relacionados
- Frases de Mário Lago
- Frases sobre o Lago
- Poemas de Mário Lago
