Juízo
Pensamento II
A sombra do juízo
"Sendo o homem mal capaz de julgar a si mesmo, que pretensão lhe cabe, então, ao julgar outrem?
Somente sobre fundamentos morais que não foram forjados por suas próprias mãos — alicerçados em princípios e verdades transcendentes — pode o homem aspirar a julgar com justiça."
ESSÊNCIA
A loucura é um privilégio
dos românticos dos poetas...
o meu juízo cuida de um arado,
a minha essência pega o firmamento,
empacota com papel presente
e guarda na gaveta...
eu me alimento
do que o meu juÍzo rima,
as minhas palavras fabricam sereias...
o que aprendi com a noite
é o que me ensina
a desfazer-me sob a lua cheia...
Duas cidades distantes,
Dois corações tão próximos,
Duas almas a perder o juízo,
Um pensamento a ser vivido.
O PÊNDULO DA SAUDADE
De: Carlos Silva
Eu sinto o cheiro da saudade permear-me o juízo, sinto o toque da vontade pulsante em meu coração, mendigando um segundo do teu olhar, feito faíscas elevadas das brasas que estalam e aquecem o ar.
Lanço-me nas covas solitárias dos escombros mais remotos, para fugir do tanto que em te penso. Meu pensamento vaga feito pendulo de relógio de parede cuja função é ir e vir, ir e vir em ritmado e preguiçoso compasso que só serve para avançar o tempo que não mais terá tempo de voltar.
Preso estou na ampulheta do passado, escorregando para outro espaço até que possa completar o ciclo e ser retornado à posição repetitiva do marcar um precioso tempo. Passo e compasso, espera que se confunde com a demora e isso só aumenta a saudade imposta pelo sentir que pulsa do coração como se fosse o pêndulo do relógio que insiste em bater no ritmado de um saudoso coração.
Suportaria eu um só dia sem esta caridade de minha loucura que, diariamente, me promete o Juízo Final para o dia seguinte?
Do latim proba, de probare (demonstrar, reconhecer, formar juízo de valor, entende-se, assim, no sentido jurídico, a demonstração, que se faz, pelos meios legais, da existência ou veracidade de um fato material ou de um ato jurídico, em virtude da qual se conclui pela existência do fato ou do ato demonstrado.
A prova consiste, pois, na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta.
E, nesta razão, no sentido processual, designa também os meios, indicados em lei, para realização dessa demonstração, isto é, a soma de meios para constituição da própria prova, ou seja, para conclusão ou produção da certeza.
A prova pode fundar-se na afirmação ou na negação de fatos, sobre que se pretende tenha nascido ou originado direito. Assim, orienta-se na afirmação positiva ou na afirmação negativa do fato contestado, de cuja demonstração decorrerá a certeza da afirmação.
A prova, por isso, constitui, em matéria processual, a própria alma do processo ou a luz, que vem esclarecer a dúvida a respeito dos direitos disputados.
Mas, tomada num duplo sentido, objetivo e subjetivo, não se mostra somente a demonstração material, revelada pelo conjunto de meios utilizados para a demonstração da existência dos fatos (sentido objetivo), como também a própria certeza ou convicção a respeito da veracidade da afirmação feita (sentido subjetivo).
E, assim sendo, juridicamente compreendida, a prova é a própria convicção acerca da existência dos fatos alegados, nos quais se fundam os próprios direitos, objetos da discussão ou do litígio.
Em consequência, somente há prova quando, pela demonstração, se produz uma luz suficiente para achar a verdade, ou quando os elementos componentes da demonstração estabeleceram uma força suficiente para produzir a certeza ou convicção.
A força da prova objetiva ou da prova material produzindo a prova subjetiva ou convicção, é que forma integralmente a prova jurídica, gerando os efeitos pretendidos, isto é, os de estabelecer uma demonstração inequívoca acerca dos fatos alegados ou afirmados.
Nesta acepção, incluem-se, especialmente, as provas propriamente ditas, decorrentes da materialidade de fatos, de que se formou a certeza. São as provas diretas, preparadas pelos próprios interessados ou demonstradas por eles, no que diferem das provas indiretas, constituídas pelos indícios e presunções.
O maior problema dos que alugam o próprio juízo é seguir acreditando que ainda pensam com as próprias cabeças.
Há um silêncio curioso na mente de quem terceiriza o próprio juízo: o da ilusão de autonomia.
Acreditam pensar por conta própria, quando apenas repetem ideias decoradas, opiniões emprestadas, certezas embaladas para consumo rápido.
Alugar o juízo não exige contrato nem assinatura — basta abrir mão da dúvida, do desconforto de refletir e da coragem de discordar sem desrespeitar.
Em troca, recebe-se o conforto de pertencer, a sensação enganosa de clareza e um discurso pronto para qualquer ocasião.
O maior problema, porém, não é a dependência intelectual em si, mas a convicção de independência.
Pois, quem reconhece que não pensa, ainda pode reaprender.
Mas quem se julga livre enquanto ecoa vozes alheias, já não percebe as correntes que carrega.
Pensar de verdade cansa, isola e, às vezes, até dói.
Talvez por isso tantos prefiram alugar a própria cabeça — desde que possam continuar acreditando que ela ainda lhes pertence.
A sabedoria não se resume a um curso sobre como acumular riqueza, mas a não perder o juízo diante da complexidade da vida.
Não brinque com o meu fogo,
Sei brincar com a tua fantasia,
Não intente com o meu juízo,
Sei assumir com a grandeza
De ser diferente: sou poesia.
Não evite os meus beijos,
Sei buscar o melhor de ti,
Não invente [escapar...,
Sei farejar-te e irei atrás
Do aroma que eu senti.
Não disperso o desejo,
Sei salsear com a tua alegria
Não experimente esquecer,
Sei abraçar-te com jeito
De causar toda a energia.
No meu corpo tenho a sina,
Serei a tua sublime alcova,
Sou muito mais [alma
Do que você imagina:
Sou a loucura que fascina.
Sou gemido, sussurro e grito,
O incêndio mais elevado.
Eia, vulcão atrevido!
O meu corpo bem macio
É que te faz ainda menino.
Danço e rasgo o verbo,
A liberdade que me deste,
Peguei como um [laço,
Abraço com a vontade
De ter qualquer possibilidade.
Darei o meu melhor riso,
O meu inefável paraíso,
A liberdade que recebi;
O teu corpo terei a qualquer custo,
Na intensidade que me [atrevi].
Beleza é conceito,
ter ou não ter 'defeito'
é convenção,
Ter ou não ter 'juízo'
é relativo,
O quê te falta ou sobra
pode ser ou não
motivo de admiração.
O importante é você
não se perder de você,
Deixar que falem
sem deixar de viver
e não cultivar
o vício da sofreguidão
e o hábito do conflito.
Na verdade o quê
realmente importa
e preenche uma vida
toda é a bondade
e a amorosidade
existentes no coração.
E não se esqueça: Tudo o que aqui se faz aqui mesmo se paga. Até podemos ter um juízo final, mas tire da sua cabeça a hipótese que será lá onde pagarás por seus maus atos. Se fizeres coisas ruins não espere por vitórias e sucesso, porque, verdadeiramente, frutos bons não virão até você.
Nesse jogo de amor a gente sempre perde.
Perde o sono, o juízo e a razão.
Perde a cabeça, o tempo e o dinheiro.
Perde a paciência e as vezes até a respiração.
Só não perdemos a fé com a esperança de no fim do jogo jogarmos nossa última ficha, quebrar a banca e ganhar a felicidade.
