Janela
INTIMIDADE
É manter a porta e a janela aberta, para quem desejas
Que tenha livremente, o acesso ao teu domicilio
Partilhar do melhor que conservas nas tuas prateleiras interiores
Apresentar cada detalhe especial e indiferente do mesmo
Dos móveis novos aos velhos, da grama às escovas de dentes
Permitir que se sentem no chão, cama, esteira e papeiem
Repartindo planos a curto, médio e longo prazos
Incluindo pastos e prantos
Intimidade
É algo pessoal ou alguém muito especial e, (in)transmissível
Cujo partilhas feelings, abertamente e com mente aberta
Colhidos do imo, ambos trajados com a sua natureza
Concordando que se dispam as almas, trocando nomes
Feios que naquele instante são lindos, porém, carinhosos
Rindo alto e falando baixo, diante do segredo dos segredos
Revelando o amor com sinais simples e vitais, sem esforço
Com direito ao PIN e ao PUK do que vos faz resguardar
A intimidade
É criar conversas curtas, longas e profundas pejadas de loucura
À vista de quem está de fora, sem proferir uma palavra sequer
Com troca de olhares, ao som de alguma melodia que algo vos diz
Ao olor de alguma fragrância, que algo vos faz rememorar
Depositando total confiança através de desafogos d’alma
Expressados pelo corpo, dirigidos a quem seleccionas à dedo
Sem temer que dali saia o que ali acontece, pois o que por ali passa
Por ali fica, na vossa inteira e plena intimidade.
Opoetadafogueira 🔥
Muitas vezes abrimos a janela da nossa vida para o mundo que nos rodeia e, num instante somos odiados por muitos por se aperceberem que temos uma vida pautada pela honestidade.
LOBISOMEM E O AMOR
Da minha janela eu vi o lobisomem
Com os olhos vermelhos
Ele olhou em minha direção
Eu com muito medo
Não tinha muito o que fazer
Então li o mais belo poema sobre o amor
Que tudo supera, que tudo superou
Então o lobisomem com seus olhos vermelhos sorriu
E dançando e cantando ele partiu
Borboleta singela
Voas na minha janela
Um sinal ou uma aventura?
Pequenina e frágil
Vens até mim
Mesmo com sol escaldante
Perdendo-se no horizonte
Com seus ocultos segredos
Voas alegremente
Pelas flores do jardim...
"Assim como todas as manhãs, acordei com aquela imensa vontade de abrir a janela e sentir o sol bater no meu rosto. Porém, bem antes de abrir os olhos senti um calor estranho que se acomodava por todo meu corpo. Algo incomum, e que não era incômodo, pelo contrário, me aquecia, confortava. Era tão límpido, tão puro, que me impedia de ver, mas apenas sentir. Nesse momento percebi que bastava deixar ele nascer dentro de mim. Levantei, vesti-me e saí; era minha caminhada de todo dia... As mesmas pessoas, o mesmo local, e as atividades de sempre... Numa visão diferente de tudo que eu já tinha experimentado ali, comecei a ver com os olhos de um cego, ouvir com os ouvidos de um surdo, falar com a voz dos mudos... E a partir desse instante, em todos os dias os sorrisos que eu retribuía tomaram sentido também pra mim."
-Aline Lopes
Um dia , olhando pela janela ou sentado em qualquer lugar, estarei pensando no tempo que passou e o que passou, tudo será lembrança e saudade .
Até mesmo o que eu reclamava será saudade.
O grande aprimoramento pessoal se dá quando fechamos a porta do corpo para abrirmos a janela da alma
O Soldado à Espera de Seu Rei
A janela permanecia aberta, por sua fenda quadrada, ele continuava a observar o mundo lá fora.
“Muitos anos passaram, desde então, tolos fizeram suas falsas profecias, outros continuaram vivendo em seus próprios interesses, outros ainda, afogando-se no cálice de seus próprios pecados, rejeitaram o Rei”, o soldado pensava consigo mesmo.
O sol estava à levantar-se, os primeiros raios de luz beijavam o céu.
Ele continuava sem dormir, seus olhos pesavam como cargas de ferro.
“Eu não posso descansar nem por um instante, minha vigília deve continuar, um flash de momento perdido, e toda a minha vida perder-se-á, afinal, quem dorme se torna vulnerável aos inimigos”.
Abriu uma gaveta de um móvel simples de madeira, pegou um livro de capa velha, verde, abriu-o e começou a observar palavras, enquanto sua mão divagava em sua barba escura.
“Porque nos dias que antecederam ao Dilúvio, o povo levava a vida comendo e bebendo, casando-se e oferecendo-se em matrimônio, até o dia em que Noé entrou na arca, e as pessoas nem notaram, até que chegou o Dilúvio e levou a todos. Assim ocorrerá na vinda do Filho do Homem...”,ele fitava aqueles dizeres com temor profundo no coração.
Seus olhos voltaram-se a fenda da janela, todo o mundo continuava como sempre foi, lá fora, nada mudava, corações como montanhas prevaleciam, alguns de carne continuavam em busca de algo maior, algo transcendente.
“Eu não posso voltar a dormir, eu continuo em minha grande e profunda espera, não posso parar ou descansar, sem retroceder ou olhar para trás, senão nunca se agradarás de mim; mantenha os meus olhos despertos em você mesmo, meu Rei, eis aqui um de seus soldados, neste caído campo de batalha, em sua espera, sempre nela, toda a minha esperança está no seu retorno e reinado, no dia em que a sua mão enxugará a lágrima em minha face e a justiça e honra prevalecerão como duas colunas eternas...
"Pus meus sapatos na janela alta, sobre o rebordo.
Céu é o que lhes falta pra suportarem a existência rude.
E lá, imóveis eles sonham
Que são dois velhos barcos abandonados
À margem tranquila de um açude."
Não adianta ficar olhando pela janela a felicidade do vizinho, enquanto a porta da sua casa deixa fechada.
Na janela as flores brotavam, porque eram regradas com lágrimas de saudade, de tanto ele olhar o cruzamento da rua quando acordava.
