Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum
“Sou amiga do silêncio, companheira da solidão,
Caminho repleta de sonhos,
Negando dor e ilusão.
Escolho viver mil vidas a ser única nessa imensidão.”
Das curvas que me trouxeram até aqui, não dispensaria qualquer. Sou produto dessa caminhada. Sou o que sou porque me permiti ser...
Sou intenso de mais, gosto de mais, me preocupo de mais. Minha intensidade não se encaixa em ninguém...
Sou um mundo cheinho de cor, criatividade e amor. Ser artesã é distribuir amor em cada peça produzida.
Sou a visão do achado,
e roubada me perdi...
E fiquei no tempo
a procurar um lugar entre a sorte
e o documento de identidade!
ERVA DA FOME -
Sou Erva da Fome
que nasce da terra
da solidão que nos come
à morte que enterra!
Sou Erva da Fome
não sou Erva ruim
na esperança que dorme
tão perto de mim!
Sou Erva da Fome
que nasce e persiste
na dor que consome
faz de mim um ser triste!
Sou Erva da Fome
correndo vales e montes
e afogo o meu Nome
no silêncio das Fontes!
Mergulhei em mim
Para te encontrar
E lá no fundo da alma
Você gritava:
"Sou apenas lembranças, meu amor"
Bem sei que não sou nobre
O valor do que trago se encobre
Dos que não me veem por dentro
Duas moedas de cobre
Oferta da viúva pobre
O meu tudo ofereço
Sou um leão sem medo de nada,
Tenho Deus e bato de frente com tudo,
Sem ele não sou nada,
Com ele tenho tudo,
E nunca faltará nada, AMÉM🙏.
Olá !
Sou a soma de todas as coisas que deram errado
O fim nunca é numa queda , mas sempre em uma desistência.
Os dias cinzas costumam mentir sobre quem somos e o que vamos ser;
EU QUERO A VIDA E TUDO OQUE HÁ NELA
Sou o soldado que nunca desertou
Alma rebelde, espírito contraventor
Só perdeu a luta quem abandonou
Não sou de me doar pra qualquer pessoa,mais quando sinto algo diferente tenho anseio em mergulhar e isso talvez assuste pessoas rasas...
Sou poeta do interior
Sou poeta da vida
Sou poeta do amor
Entre Campo e Poesia
Escrevo minha vida
Transformando em rimas
A alegria e a dor.
CHUVEIRO DE LÁGRIMAS
Sei que a razão pela qual você me quer do seu lado, não é pelo que sou, mas pelo que posso ser! isso ao mesmo tempo que me entristece profundamente, prova-me do quanto sou benéfico; embora, somente esporadicamente consiga enxergar.
Não serei eu que te acordarei da ilusão que você mesmo(a) criou em mim; quem sabe isso não encerre no último segundo em que a gota do chuveiro que se nomeia por utilidade, chegue ao fim! restando somente a marca d'água no chão, que com o passar do tempo, perece completamente em silêncio.
POR QUE SOU LADRÃO
.
.
Por que sou ladrão?
Esta pergunta me fez
O fiscal da transgressão
.
Senhor, porque estudei...
Como porque estudaste?
Retruca-me o bom fiscal,
Pedindo explicação.
O que estudaste que justifica
Que tu sejas um ladrão?
.
Respondi-lhe, a contragosto:
Economia, História, Meteorologia,
Religião...
Apatetado, sem pouco crer,
Volta-me o fiscal
– Bom fiscal da transgressão:
.
Até a Religião?
Principalmente
A de todo o bom cristão...
Afinal, não esteve junto a Cristo
O bom ladrão?
.
A questão, meu bom fiscal,
Não é se tu és ladrão
Mas se és um bom ladrão
.
Deixemos então em paz
A ciência da religião
Em que a Economia te autoriza
A ser um bom ladrão?
.
Vá lá, meu bom fiscal...
Já ouviste falar
Que a propriedade é um roubo?
Quem o disse foi Proudhon
Mas quem sentiu pela vez primeira:
Foi operário, camponês, escravo
Ou qualquer trabalhador
Sob a clave da exploração.
E ainda acrescento o dito de Lenin,
Profeta da Revolução:
O que é o roubo de um banco
Diante da fundação?
.
Incorrigível Ladrão,
Deixemos a Economia...
Estudaste também a História?
Em que te ajuda, na questão?
.
Ah, meu caro fiscal
Estudei todos os temas
Das guerras ao comércio,
Da realeza à escravidão
Da livre empresa
À colonização.
Seria possível chegar
Partindo-se de um ponto da História
A qualquer outra conclusão?
.
Para! Sinto que não há fim
Se adentrarmos esta ciência.
Também disseste algures,
em teu relatório confuso,
Que foi a Meteorologia
Que te ensinou a ser ladrão?
.
Senhor bom fiscal,
Estudei, como aprendiz,
As propriedades do ar
Cruciais para a respiração
.
Se fosse sólido
Não passava pelo pulmão
Se fosse líquido
Derramava-se no chão
Se tivesse cheiro
Rescendia a poluição
Se fosse visível (preto, talvez)
Virava tudo escuridão
O ar é desse jeito
Porque, segundo creio,
Assim o fez a Criação
.
O ar, no corpo,
Diz algo
Mas espalhado no mundo diz tudo
Fala-nos de tempestades
Explica-nos o tempo bom.
Concentrado ou diluído
Difunde-se enquanto gera
Sua própria distribuição
.
Sim, mas e daí com isso?
Disseste que as propriedades do ar
– Ou compreendê-las –
Fizeram de ti ladrão?
.
É que a certa altura, meu bom fiscal,
Eu flexionei a questão.
Pus-me a perguntar, a certo clarão,
E a certa altura do diapasão,
Não pelas propriedades do ar
Mas pela propriedade do mesmo
Dita no singular
.
Imagina um meliante
Este sim,
O verdadeiro ladrão
(Não como estes, que apenas roubaram
Um litro de leite,
A passagem de um trem,
Uma bala de açúcar,
ou um pedaço de pão)
.
Nosso meliante inventa uma máquina
Capaz de sugar todo ar
E depois o começa a vender
Todo o ar do planeta
A dois reais a ração
.
E a partir daí tem cada vivente
Ao comando de sua mão
Subjugado e indefeso
– Revertido à escravidão!
Diante da propriedade do ar
Não acharias justa e necessária
Uma boa rebelião?
.
E se esta ainda não vem
Não acharias mais justo
Que lhe invadissem a mansão
Para respirar da cruel máquina
O ar roubado pelo mau ladrão?
.
Agora, meu bom fiscal,
Troca o ar pela terra que pisamos,
Pelo tempo de nossas vidas,
Pela saúde arrancada
Ao camponês, de antemão
– Aquele que é explorado de sol a pique
Condenado à velhice, ainda jovem,
Se não morrer de insolação
.
Troca o ar pela própria vida
Do soldado condenado à morte
(Sua e de seus irmãos)
Aquele soldado infeliz
Que ao contrário do General
Não espia a guerra do alto
De um posto de observação
Ali está ele, dormindo em pé,
Condenado a desarmar minas
Quando não é bucha de canhão
.
Ou, por fim, troca o ar
Pelo teu trabalho digno
Já que te fizeram aceitar
(Para não ficar do outro lado)
Ser um fiscal de transgressão
.
Para, chega!! Vai-te embora
Sinto que, se ficas mais um pouco,
Vais me roubar o coração!
A propósito, por curiosidade,
Qual foi mesmo o teu delito?
Dize-me com precisão.
.
E antes de sair,
Olharam-se o bom fiscal
E, claro,
Este que vos fala,
um simples bom ladrão:
.
Roubei
Um pedaço de chão
[publicado em Transgressões, vol.9, nº1]
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