Isso Ja Nao me Pertence mais
A eleição já acabou, o candidato já perdeu (ou já ganhou), já viajou, nem lembra mais do eleitor e você aí, firme e forte, fiscalizando o voto alheio no grupo do WhatsApp. Força, guerreiro, vamos pagar as nossas contas porque o boleto não quer saber de partido político.
Benê Morais
Correndo há quem voe mais alto e rápido, mas o mínimo que consigo voar já é o bastante para me tirar do chão.
O silêncio dói.
Mais vocês já tacaram o cotovelo na quina da mesa e sentiu aquela dor junto com aquele choque da desgraça?
Tenho sentido inveja. E talvez essa seja uma das confissões mais difíceis que já fiz a mim mesma.
Não invejo qualquer pessoa que seja amada. Invejo aquelas que, mesmo depois de terem causado dores, machucado pessoas e desejado o mal, continuam cercadas de afeto. É difícil compreender como algumas pessoas parecem receber tanto amor enquanto outras, que nunca desejaram tanto mal a ninguém, experimentam uma solidão tão profunda.
Não me sinto inferior a elas. O que sinto é uma revolta diante de uma injustiça que não consigo explicar. Como se o mundo tivesse esquecido de fazer alguma distinção entre quem é bom e quem é ruim.
Mas talvez minha inveja esconda uma tristeza ainda maior: a vontade de também ser escolhida.
Tenho família, tenho pessoas que me amam, mas sinto falta de amigos. Daquelas amizades em que não precisamos medir palavras, calcular disponibilidade ou disputar espaço. Pessoas que simplesmente queiram estar conosco. Que se lembrem de nós. Que sintam nossa falta.
E o mais contraditório é que, quando essas oportunidades aparecem, muitas vezes não tenho energia para aproveitá-las. Quero ir, quero viver, quero conhecer lugares, mas alguma coisa em mim parece sempre cansada demais.
Tenho passado tanto tempo administrando as necessidades dos outros que, às vezes, já não sei muito bem o que fazer com as minhas.
Não consigo assistir a uma série, ir ao cinema, ouvir minhas músicas preferidas ou encontrar prazer nas pequenas coisas. Tudo parece ter perdido um pouco da cor. Sinto tristeza, um vazio que não sei explicar e uma saudade de uma versão de mim que parece ter ficado em algum lugar do caminho.
Há pouco mais de um mês, perdi uma amiga. E talvez tenha perdido também uma das poucas pessoas com quem eu conseguia compartilhar a vida de uma maneira leve.
Alguém com quem tomar café, ouvir rock, sair, levar as meninas ao teatro. Alguém com quem os pequenos programas não precisavam de grandes explicações.
Agora, quando penso em fazer essas coisas, percebo o quanto gostaria de ter alguém ao meu lado.
Tenho uma lista de pequenas promessas que fiz a mim mesma. Quero fazer uma trilha ouvindo minhas músicas preferidas, tomar um café na Confeitaria Colombo, comprar uma roupa bonita e terminar a noite em um barzinho de rock, ouvindo música e tomando uma taça de vinho.
Não são grandes sonhos. São pequenos pedaços de vida que gostaria de experimentar.
Mas até esses desejos parecem perder um pouco do encanto quando penso que não tenho com quem compartilhá-los.
Talvez eu não queira uma multidão. Talvez queira apenas algumas pessoas. Duas ou três presenças verdadeiras. Gente com quem eu possa ser inteira, sem precisar ser forte, útil, disponível ou necessária.
Quero ter amigos, mas estou cansada de tentar. Quero companhia, mas me falta energia para construir vínculos. Quero viver coisas bonitas, mas sinto falta de alguém que também queira vivê-las comigo.
E, no meio de tudo isso, existe uma pergunta que volta silenciosamente:
Em que momento deixei de viver a minha própria vida para me tornar alguém que apenas administra a vida de todo mundo?
Não sei responder.
Só sei que sinto falta de mim. Sinto falta de rir sem motivo, de ouvir uma música e sentir alguma coisa, de me arrumar porque quero sair, de ter histórias para contar e de esperar ansiosamente por um encontro.
Sinto falta de sentir.
E, apesar de toda essa tristeza, ainda existe em mim uma mulher que deseja conhecer lugares, tomar café, ouvir rock, caminhar por uma trilha e brindar à vida.
Espero que ela não tenha se perdido.
Espero que esteja apenas cansada.
E que, em algum momento, eu consiga encontrá-la novamente.
“Quando os outros já decidiram quem você é, às vezes o mais inteligente é deixar que continuem acreditando.”
Você é o sonho mais bonito que meus olhos já viram. Se amar você for fantasia, prefiro viver no mundo da lua do que com os pés no chão sem você.
Às vezes, a gente cansa de ser forte porque o mundo exige uma versão nossa que já nem existe mais. Só que desistir de você agora é dar razão para cada ferida que te disse que você não era capaz. Aquela sua versão de dez anos atrás ficaria orgulhosa de ver o quanto você aguentou para chegar até aqui. Respeite o seu limite, chore se precisar, mas não vire as costas para a única pessoa que esteve contigo em todas as madrugadas em claro: você mesmo.
Eu já te conhecia muito antes de te ver, pois no meu sonho mais lindo era você que eu via aparecer. Agora que te encontrei neste lindo amanhecer, meu maior desejo é nunca mais acordar, pois não quero jamais te perder.
Hoje eu sou feio. Mas já fui o menino mais desejado da escola. Uns desejavam me bater, outros me matar.
Noutros tempos, eu também já tropecei em vários infortúnios: o mais desonesto deles era me preocupar com opiniões alheias.
Alguns vinham disfarçados de acaso, outros de destino.
Mas o maior deles não caiu do céu nem brotou do chão:
nasceu do excesso de atenção às opiniões alheias.
Enquanto eu media meus passos pelo olhar dos outros, perdia o ritmo do que realmente era meu.
Cada julgamento externo virava régua,
cada expectativa alheia, uma pedra a mais nos ombros…
Mas não era o mundo que me limitava — era eu, entregando minha autonomia à aprovação de quem não podia caminhar meus passos, ainda que suportasse o peso das minhas sandálias.
É curioso perceber que o medo de desapontar
quase sempre nos faz abandonar a nós mesmos.
E, nessa tentativa constante de agradar,
vamos nos desencontrando do que sentimos, pensamos e somos.
O dia em que compreendi isso foi muito menos Libertador do que Honesto.
Doeu admitir que muitas quedas não foram empurrões,
mas escolhas deliberadas feitas para caber em opiniões que nunca me pertenceram.
Hoje, quando tropeço, sei diferenciar:
há infortúnios que ensinam,
e há distrações que aprisionam.
Preocupar-se demais com o que pensam de nós
é uma das mais silenciosas —
porque parece prudência,
mas cobra o preço da própria liberdade.
Definitivamente, é impossível bancar um aluguel tão caro por um imóvel sem a menor condição de habitar: a aprovação alheia.
Todo bom Político-influencer já sabe que a moeda de troca mais forte na Economia da Atenção é o ruído,
só faltam os apaixonados pela Política do Espetáculo assimilarem isso.
O ruído não precisa ser verdadeiro, nem consistente — basta ser alto, constante e emocionalmente carregado.
Ele ocupa espaço, desloca debates mais complexos e cria a sensação de urgência permanente.
Nesse ambiente, a reflexão perde terreno para a reação, e o pensamento crítico cede lugar ao impulso.
O que se consome não são exatamente informações, mas estímulos.
Há uma lógica quase industrial por trás disso: quanto mais simples a mensagem, maior sua capacidade de circulação; quanto mais polarizadora, maior seu alcance; quanto mais indignação provoca, mais engajamento gera.
O resultado é um ciclo perverso que se retroalimenta — o público reage, o algoritmo amplifica, o emissor intensifica…
E assim, pouco a pouco, o conteúdo vai sendo moldado não pelo que é relevante, mas pelo que reverbera.
O problema não está apenas em quem produz esse ruído, mas também em quem o consome.
Existe um conforto deveras estranho nas certezas rápidas e inquestionáveis, nas respostas prontas e bem empacotadas, nas narrativas que dispensam nuances.
A complexidade exige muito esforço; o ruído, nenhum.
Ele oferece pertencimento imediato, ainda que superficial, e transforma a discordância em espetáculo.
Nesse cenário, a política deixa de ser um espaço de construção coletiva e passa a operar como palco.
Personagens substituem propostas, frases de efeito ocupam o lugar de argumentos, e a performance se torna mais importante que o conteúdo.
A atenção, disputada a cada segundo, já não premia a consistência, mas a capacidade de capturar olhares — ainda que por meio da distorção e encenação.
Talvez o desafio maior esteja em reaprender a escutar o silêncio entre os ruídos.
Em desacelerar o consumo, questionar a forma antes de aceitar o conteúdo — e resistir à tentação de reagir imediatamente a tudo.
Porque, no fim, o ruído só se sustenta enquanto encontra eco dos asseclas ou rivais igualmente apaixonados.
Já percebeu que, as dúvidas do amor e por amor são as mais marcantes e dolorosas?! Talvez porque o amor sugira algo eterno, interminável, infinito... Assim mesmo, o mesmo sentido dito por várias palavras.
Ilusão e outras realidades
Já me chamaram de fria, louca e tudo mais que se pode dizer de alguém que não sabe o que deve sentir. Era tão estranho que me perdia entre todos os sentimentos que me preenchiam por dentro. Eu já cheguei ao ponto de desejar não sentir mais nada. Como se adiantasse. A realidade faz questão de jogar na nossa cara o quanto nos iludimos com tudo. Finalmente eu passei da fase de me importar. Eu nunca esqueci a forma como você me fez sentir coisas que eu nunca pensei que fossem possíveis de se sentir. E foi tentando fugir de tudo isso que eu encontrei o maior de todos os sentimentos. Só negamos até quando conseguimos suportar.
- Nessa vida já tive muitos motivos pra me sentir viva mais uns dos meus maiores motivos é o VENTO , pois só de sentir o vento passando e minha pele tocando já vale apena estar viva , vale a pena ter nascido ‘
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