Inverno

Cerca de 2114 frases e pensamentos: Inverno

as vezes , a alma precisa atravessar o próprio inverno para descobrir que carrega em seu âmago , um sol que jamais se apaga; você não é apenas o sobrevivente das tempestades , mas a própria prova de que a luz mais bonita nasce da resistência entre a fenda e o abismo .


Márcio José ⁠

EXPRESSÕES


Chegastes na penumbra do grave inverno, que sem timidez se aproximava.
A princípio não te vi: também não soube que ias comigo.


Foi quando senti o florescer de tuas raízes atravessarem o meu caminho, ocupando espaço, sem licença e sem ruídos.


Era o vento da vida ali, reproduzindo junto ao meu sangue a centelha do amor divino.


E como no inverno, invadiu em meu peito um frio de estremecer o corpo. No medo me deleito e o incerto aceito.


A semente se propaga, germina, me faz rir e me faz viver, mesmo sem entender.

Assim como o orvalho gélido de uma manhã de inverno, a dúvida se instalou em meu coração, fria, silenciosa e com o poder sutil de congelar toda a esperança. O cristal, que parecia belo e puro à primeira vista, era, na verdade, a evidência de uma noite rigorosa que ainda não havia chegado ao fim. Não era um prelúdio de sol, mas a prova de que a vida, por vezes, se detém em sua forma mais dura e intocável.

O inverno da alma é necessário para que a primavera das novas forças floresça sem pressa.

O desemprego é o inverno que congela a primavera dos planos de uma família.

O teu riso é o sol de inverno que tem a força de descongelar qualquer mágoa.

Se a chuva de inverno promete não durar para sempre, é porque há um ciclo implacável de renovação em curso. A escuridão, embora vasta, é apenas uma ausência temporária, não é preciso ignorá-la, mas usá-la como a tela nítida para o desenho exato da luz que o amanhã trará.

Amar é, por vezes, aceitar o outro como inverno. Sabemos que virá friagem, talvez geada, talvez neve. Mas também há a claridade cortante dos dias limpos. Aceitar é vestir-se de fibra para enfrentar o frio. E ainda assim, entregar-se ao calor raro é risco necessário.

Sou o inventário de versões minhas que não sobreviveram ao inverno, carrego os restos como quem guarda relíquias de um incêndio.

A depressão é um inverno que se instala na sala de estar e decide que não haverá primavera este ano, nem no próximo. A gente aprende a estocar lenha de poesia e a se cobrir com cobertores de memórias mornas, torcendo para que o gelo não alcance o coração.

​Viver é vagar por um inverno sem margens, onde os pés descalços tateiam o abismo sob o manto de uma chuva que não lava, mas petrifica. Sob o negrume de noites sem fim e dias de um cinza estéril, o horizonte se dissolve, e a jornada deixa de ser sobre o destino para se tornar a pura resistência da matéria contra o nada.


- Tiago Scheimann

Há dias em que caminho como quem atravessa um inverno sem fim. Dentro de mim, tudo parece frio, pesado, quase irreconhecível. Cada passo é menos coragem do que insistência em não cair. E sigo, não porque a dor diminuiu,
mas porque me recuso a deixar que ela escreva o fim da minha história.

Já fui inverno, hoje sou primavera em reconstrução.

Uma pessoa verdadeiramente calculista é aquela que só oferece flores no inverno enquanto anuncia a morte da primavera.

LÁGRIMAS ESCURAS ESTRANHAS.
“Camille Marie Monfort caminhava como quem carregava um inverno dentro do peito. Não eram lágrimas comuns. Eram precipícios líquidos escorrendo silenciosamente pela face de alguém que compreendeu cedo demais o peso das despedidas.”
Ela não chorava apenas por um amor perdido. Chorava pelas múltiplas mortes invisíveis que a existência impõe lentamente à alma humana. Chorava pela infância que lhe arrancaram antes da hora. Pelos corredores vazios das antigas casas aristocráticas onde o silêncio parecia observar cada passo. Pelos retratos antigos que conservavam sorrisos de pessoas já devoradas pelo tempo.
Camille descobriu algo terrível. Algumas pessoas não enlouquecem por excesso de dor. Enlouquecem por excesso de lucidez.
As tristezas escuras nasceram quando ela percebeu que muitos afetos humanos são frágeis demais para sobreviver ao desgaste do egoísmo, da vaidade e das conveniências sociais. Desde então, seus olhos passaram a carregar aquela melancolia semelhante às catedrais abandonadas após a chuva.
Existia também outra ferida. Mais profunda. Mais metafísica.
Camille sentia-se deslocada do próprio século. Como se sua alma pertencesse a algum salão antigo iluminado por velas mortiças, música fúnebre e cartas jamais enviadas. O mundo moderno lhe parecia excessivamente rápido para compreender sentimentos profundos. Via pessoas sorrindo enquanto apodreciam emocionalmente por dentro. Via corpos vivos habitados por espíritos fatigados.
Por isso suas lágrimas eram escuras.
Não porque amasse a escuridão. Mas porque a escuridão havia aprendido a morar nela.
Ainda assim, havia beleza em sua tragédia. Uma beleza austera. Quase litúrgica. Camille transformava sofrimento em contemplação filosófica. Enquanto muitos endureciam diante das perdas, ela tornava-se mais sensível, mais introspectiva, mais perigosa para si mesma. Certas almas possuem esse destino. Não nasceram para atravessar a vida superficialmente. Vieram para sentir tudo até o último abismo.
E quando a noite caía, Camille permanecia diante da janela observando o mundo como quem esperava algo impossível retornar das sombras. Talvez um amor. Talvez uma vida que nunca viveu. Talvez apenas a parte de si mesma que morreu silenciosamente sem que ninguém percebesse.”

A voz de Deus troveja o ano todo, mas no inverno ela troveja mais força.

⁠Vida é ciclo.
Cair, levantar, recomeçar...
cair, levantar, recomeçar... verão, outono, inverno, primavera, verão...
É esta a beleza da vida!

O calendário diz inverno; a imaginação anda de sandálias.

O amor tem algo
de primavera:
regressa sem explicar
como venceu o
inverno da alma.

O inverno da mágoa chegou no sul do meu coração. O sol morreu e meu amor se pôs.

Inserida por danilogutofeli