Inverno
Estamos no inverno
com o céu cinzento,
e você aqui não veio.
Talvez seja o porquê
está fazendo muito
mais frio em Rodeio.
Na beleza das linhas
dos teus olhos leio
o igual desejo escrito
por Edda Falzolgher;
Algo entre nós
está por acontecer.
Tudo depende mais
de você do que de mim,
Não preciso nem
mesmo explicar o porquê:
Não nasceste ontem,
e eu também não.
Com poesia e paixão,
e com o que há de mais
belo no Médio Vale do Itajaí,
Estou à espera da estação
que o amor florescerá
de vez com a aproximação.
A depressão, chamada “doença do século”, é um inverno interno que se instala sem aviso, abafando cores e silenciando risos. Vem como neblina devagar, transformando rotinas em paisagens distantes e tornando o simples esforço de respirar um ato de coragem. Lutar contra esse mal é caminhar por trilhas escuras com a esperança como lanterna: às vezes vacila, mas não se apaga. Há dias em que o avanço é quase imperceptível; outros, o retrocesso dói como fim de tarde chuvoso. Ainda assim, resistir importa. Buscar ajuda profissional, aceitar apoio, dizer as palavras que tremem na garganta são pétalas lançadas contra o vento do isolamento. A cura não é linha reta: é mosaico de pequenos sinais — uma conversa que acolhe, um remédio que estabiliza, um gesto que repõe calor humano.Escutar sem julgar, ofertar presença e derreter o estigma. Não deixe que o silêncio seja refúgio permanente. Cada tentativa é resignificação, cada mão estendida, promessa de amanhecer. A depressão é real e dura; com empatia, cuidado e persistência, é possível reencontrar a luz.
A FACE DA LUZ E O INVERNO DA ALMA.
Como pode a Luz tocar-me a face
e, em seu fulgor, despertar a escuridão?
Como pode o horizonte, em sua ampla beleza,
reerguer-se em ouro e morrer no coração?
São-me estranhos os dias, estranhas as horas,
como sombras que se alongam sob o olhar da razão;
e as auroras, outrora jovens e promissoras,
parecem velhas senhoras fatigadas da estação.
Nela habitam as quatro estações da existência:
a Primavera, fecunda em perfumes e alegria;
o Verão, ardendo em solar magnificência;
o Outono, dourado em serena melancolia.
Mas em mim, onde deveria florescer a esperança,
reina um vento sem pátria, austero e desolador;
e o Inverno, com sua lenta perseverança,
estende sobre a alma seus domínios de torpor.
Em seus olhos florescem jardins de existência;
em seus gestos repousa a ternura sem fim.
Há primavera em sua simples presença,
enquanto o gelo aprofunda seus silêncios em mim.
E há distância nas formas, nos tempos, nos rumos;
distância entre os sonhos, os risos e o olhar;
distância até nos mais delicados perfumes
que as mãos da memória tentam, em vão, conservar.
Que estranho cálculo rege a geometria da vida,
em que duas almas se encontram sem se possuir?
Que força aproxima aquilo que, em seguida, distancia,
como se amar fosse aprender a perder e prosseguir?
Como permitis, ó Deus, semelhante paradoxo?
Que teorema oculto governa esta severa equação?
Por que a vida aproxima, com mãos de conforto,
aquilo que permanece além do alcance da mão?
Talvez a dor possua uma matemática secreta,
e o sofrimento, uma lógica que não sabemos decifrar;
talvez aquilo que julgamos ruptura completa
seja apenas outra forma de aprender a amar.
Neste instante derradeiro, entre a prece e o pranto,
ergo a voz vacilante à altura da minha cruz;
e recordo Bach, quando seu sublime canto
parece implorar ao Eterno a permanência da Luz.
Não aparteis de mim a Vossa santa face,
nem me deixeis sozinho nos desertos do ser.
Se a noite me envolver em sua lenta voracidade,
ensinai-me, mesmo nela, novamente a viver.
Não permitais que eu confunda ausência com abandono,
nem silêncio com a negação de Vossa presença.
Há estrelas que somente revelam o próprio brilho
quando a noite se torna suficientemente imensa.
Se o Inverno é o caminho que hoje devo atravessar,
que eu encontre em seu gelo uma secreta razão;
pois a neve, antes de desaparecer, ao se calar,
guarda sob sua brancura a semente da estação.
Nada floresce sem antes enfrentar alguma obscuridade.
A semente conhece a noite antes de conhecer o jardim.
O rio atravessa a pedra por força da continuidade,
e o espírito amadurece quando deixa de fugir de si.
Talvez a Luz não tenha deixado o meu caminho.
Talvez eu apenas tenha aprendido a procurá-la fora.
Talvez Deus permaneça exatamente onde imagino o vazio,
silencioso como a madrugada que antecede a aurora.
Há momentos em que a alma contempla a Luz
e, justamente por contemplá-la, percebe suas próprias sombras.
O fulgor não cria a escuridão: revela-a.
E aquilo que a consciência vê com maior nitidez
é precisamente aquilo que, antes, permanecia oculto.
Nenhuma noite, porém, possui autoridade sobre o amanhecer.
Nenhum Inverno é eterno.
Nenhuma ausência é capaz de abolir aquilo que o amor verdadeiramente edificou.
Talvez a vida não esteja me castigando.
Talvez esteja apenas me ensinando a distinguir
a posse da presença,
a presença da aparência,
e a aparência daquilo que permanece.
Porque há amores que não foram feitos para permanecer ao alcance das mãos.
Foram feitos para permanecer na consciência.
E talvez seja essa a mais severa lição do Inverno da alma:
compreender que a Luz não desaparece quando já não podemos tocá-la.
Ela apenas se torna mais profunda.
E, quando a última folha cair,
quando o vento cessar sobre os campos interiores,
quando a alma, cansada de lutar contra a própria noite,
finalmente silenciar,
talvez descubra, sob o gelo,
aquilo que nunca morreu:
a semente invisível do Verão.
as vezes , a alma precisa atravessar o próprio inverno para descobrir que carrega em seu âmago , um sol que jamais se apaga; você não é apenas o sobrevivente das tempestades , mas a própria prova de que a luz mais bonita nasce da resistência entre a fenda e o abismo .
Márcio José
As estações estão perplexas...
A Primavera, no calendário
acabou de chegar
mas, o Inverno com o seu cenário,
não parece querer passar...
A paisagem cinéria na Região Oceânica
me convida à introspecção
enquanto a névoa vai envolvendo a litorânea
escrevendo seus versos cinzas
entre os rochedos e o mar...
A Primavera anuncia-se no calendário,
mas o Inverno ainda resiste,
com sua sombra fria,
tecendo um silêncio persistente
sobre a pele do tempo...
A Serra da Tiririca veste-se de cinza,
a névoa rasteja e sufoca o horizonte,
como se o mar respirasse em versos apagados
e os rochedos guardassem segredos
de um poema que tarda a florescer...
A Primavera sorri no calendário,
mas ao meu redor,
ainda sopra o vento do Inverno,
delineando restos de silêncio
entre um céu turvo e uma lembrança antiga...
Na Região Oceânica, a paisagem cinéria
me acolhe em sua bruma,
e a névoa, delicada, borda poemas invisíveis
sobre as pedras e o mar,
como se traduzisse a estação inspiradora
da minha alma...
✍©️ @MiriamDaCosta
A religião é como um cobertor miseravelmente curto diante do inverno eterno da alma humana — cobre uma parte insignificante do corpo, enquanto o que realmente importa permanece nu, exposto ao gelo cruel da solidão que nada, nem mesmo a fé, consegue aquecer.
2695 📜 Sempre li e ouvi que 'Uma Andorinha não faz Verão'. Mas dezenas delas fazem o Inverno, sem dúvida! Aqui está cheio delas, as Andorinhas. Venham ver!
Eu comigo
Meus amigos se foram.
Voaram como pássaros,
que se dispersam no inverno;
E eu fiquei só,
Só comigo,
E com os comigos que habitam em mim.
E neste vai e vem de ficar só,
Encontrei-me comigo um dia
E descobri em mim
Um motivo para ser feliz.
As vezes até falo comigo
E acho engraçado como eu me respondo,
Parece patético,
Mas é tão bom estar comigo
Que já não sei viver sem mim.
Tu me fases sentir:
-o sabor doce e amargo
-calor e o frio
-o inverno e o verão
-paraiso e inferno
E me amostraste o amor selvagem.
Inverno, costumo dizer que é inverno é a estação do amor, já que neles as pessoas ficam mais românticas, mas carentes, muitas vezes é no inverno que a pessoa percebe, que todas as noites mal dormidas no verão, festando, bebendo pegando várias em uma noite só, bom nada disso é valido, quando se chega uma estação fria, e você podia ter alguém ali do seu lado, para assistir filminho, pra esquentar! Afinal quem prefere a solidão a uma boa companhia? É claro que não é tão fácil, não é assim se entregar aos primeiros pares de olhos que piscar, deve ter um mistério na pessoa, uma coisa que te chame atenção, uma vontade louca de querer... é a partir dai que se começa uma historia e quem sabe esse amor de estação, supere a estação, dure o verão todo, dure a vida toda.
Paz, amor, humor, sabedoria, amizade, cumplicidade, primavera, verão, outono, inverno, respeito, sucesso, esperança, paixão, gentileza, natureza, liberdade, segurança, fantasia, igualdade, sorte, família, alegria, surpresas, brincadeiras, loucuras, verdades, simplicidade, diversão, sonhos, musicas, desejo, atitude, beijo, igualdade..
É só dessas coisas que eu preciso pra hoje..
Amanhã a gente enfeita, incrementa, conta uma piada idiota para todos rirem da sua cara, qualquer coisa, faça "aquilo" que te faça se sentir bem e que se dane o resto, não vivemos nesse mundo para dar um sentido a palavra "monotonia", nós não fazemos só o que é certo nas horas certas do jeito certo, somos humanos e com falhas "óbvio", mas tem mais por traz disso, DEUS nos deu a vida para ser feliz, e todos nós temos a capacidade de conseguir. Vamos olhar pra frente, não vai acontecer nada se eu ficar só aqui parada o dia todo pensando em como minha vida poderia ser, bom se não foi daquele jeito, pelo menos não se esgotaram as tentativas. eu sei que posso ser melhor, melhor que ontem, melhor que semana passada, melhor em casa com a minha família, melhor com meus amigos, melhor no meu trabalho ou na escola.. a tipica frase que nunca perde o sentido "Eu posso, Eu quero e eu CONSIGO".
Ahaiodokahama
Não sei te dizer como as coisas ficaram assim
se foi os ventos fortes do inverno,
ou a triste solidão da noite quente
mas eu sei que tudo está fora do lugar.
O veneno que só o coração poderia suportar
lavou e congelou toda a razão
O seu gosto doce e exótico
Enfeitiçou os sonhos e os exterminou.
Um bravo soldado passou pedalando pela estrada
Atravessando o arco-íris atrás de grandes potes de ouro
Porém de nada o treinamento e a graduação servirão
Quando descobrir que um duende forte e perigoso trabalha como guardião
O campo não é mais tão verde,
As folhas das roseiras foram devoradas
Larvas gordas e pegajosas
Que ali se transformam em lindas borboletas.
Me sinto como tudo que está fora do lugar,
Os sonhos que o veneno destrói
O soldado que logo morrerá nas garras de um duende
E as larvas que se transformam em borboletas coloridas
Não importa por quanto tempo estive perdida,
quantos sonhos que foram corrompidos
e nem quantas vezes por você eu morri, não irei desistir
Porque eu sei que no final, o mundo ainda irá sorrir para mim.
O verão foi embora, chegou o inverno e você não esta aqui pra me abraçar, agora estou com frio não sei o que fazer, o coberto não pode me esquentar porque além do corpo meu coração também esta gelado, e sei que só você pode me aqueçer, querida chega mais, venha me esquentar estou afim de você.
“O frio lá fora… ‘E cá estamos, juntos no começo do inverno. A neve cai e os pássaros estão dormindo. A ventania está atrapalhando a miragem da lua, ou melhor, apagando-a brevemente; E então aquela cama que no verão chorava de solidão hoje sorri enquanto nos chama.
-Vamos, venha! Deite-se comigo!
E então você caminha levemente e se deita, te puxo e te aconchego. Em conchinha então, ficamos…
- Seu cheiro me lembra o frio. É suave e ao mesmo tempo gelado, me fazendo sentir o coração gelar de panico: -O que eu faço? - Grita meu pobre coração…!
Enquanto miro a janela, minhas narinas se abrem e me drogo com seu cheiro, ou melhor, me vicio cada vez mais. - E agora? E se você partir? É doloroso sabia, sentir seu cheiro a cada pano e lembrar que você não pode estar comigo… não mais…
- Dito e feito, você se tornou má! Você me deixou aqui no frio sob as lagrimas de minha cama novamente; e partira assim, sem mais e nem menos. Volte para o alcance de meus braços.
- Oh! Sinto sua falta, minha amada… Deixe-me sentir seu cheiro mais uma vez, nessa noite escura e gelada. Oh! Minha amada, volte…!’”
