Instantes
É necessário em alguns instantes da vida
Parar e descansar
Para depois continuar.
O cansaço é a exaustão
Que abala tudo,
Ficamos sem condições de prosseguir
E se nao tiver descanso nessa intensa jornada,
Não suportarmos.
Aproveite o hoje para abraçar.
Deixe o coração falar, ao amor se entregar.
Somos instantes.
E em instante já não somos mais nada.
Aproveite o hoje para sorrir.
Deixe o coração sentir, seguir.
Quando minha mente se perde, ainda que por breves instantes, os pensamentos se tornam lâminas que cortam por dentro. No silêncio que a noite veste, o tribunal interno desperta, cada lembrança de derrota, uma acusação sussurrada, condenando meu valor, pedindo que me renda à sombra. É um ciclo que me aprisiona, uma dança de espectros onde a vigilância torna-se escudo e lança, uma vigília eterna para deter o veneno antes que ele corrompa o último lampejo de luz.
Mistérios Infinitos de Ser
Somos instantes
preenchidos de sentires refletidos
na infinitude busca
de ser.
Assim,
somos sempre,
mesmo quando a distância
ancorada na dúvida,
não diz nada
da nossa (im)perfeição.
BANAL
Daqui a alguns instantes,
Ao som da tua voz ou do teu sorriso,
Ao som do teu pranto...
Ao som do teu silencio,
Vou te contar
Como se fosse a coisa mais banal...
Sem que você perceba toda esta ansiedade,
Que fervilha nas minhas veias...
Daí então andorinhas farão tantos verões...
Quantas manhãs relutarão
Com seus raios dourados
A se entregarem calmas, fagueiras
Às tardes silenciosas e preguiçosas,
Até que você perceba a dimensão exata,
Então algum dia depois de todas andorinhas
E todos verões, numa manhã ensolarada
Ou numa tarde quase noite, cinzenta,
Fria e monótona de algum inverno,
Admirando o orvalhar nas plantas,
Sob uma neblina fria e constante
O olhar perdido na luz tênue
De alguma estrela teimosa,
Entre nuvens grafites,
Ouvindo a voz assustadora da realidade,
Dando-te a dimensão exata
Do daqui a alguns instantes...
Daqui a alguns instantes...
Nesse esvair-se...
Nesse dissolver-se...
Nesse descompor-se...
De uma forma assim inapelável e quase imperceptível..
Como açúcar na água ou como sal.
Como se fosse a coisa mais banal...
Você percebe que as tulipas murcharam
E que as auroras se foram...
OLHAR ESTRELAS
Quando chegar a noite,
Deixa-me sozinho por instantes
A olhar estrelas, incrédulo e abobalhado
Como se eu fosse um espantalho
E o universo fosse plantações...
Deixa me olhar estrelas,
Como se eu fosse um pirilampo
Diante de tanta luz,
Deixa me olhar estrelas,
Como se eu fosse poeta
Buscando a rima certa,
Quando chegar a noite,
Deixa-me sozinho,
A olhar estrelas
Como se eu fosse o jumento,
Que conduzia Jesus,
Deixa me tentar entender tanta luz,
Quando chegar a noite,
Deixa eu entender ursas,
Capricórnio, cruzeiro do sul...
Deixa me pensar que protejo
Aquele que semeou com seu arado...
Todos os astros que pontilham as tuas pupilas...
O silêncio apavora quando grita.
Aconchega nos instantes de calmaria.
Entristece quando caminha junto à solidão.
Encanta quando chega carregado de lembranças e sorrisos.
E torna-se indescritível quando envolve em um abraço de amor.
Eu cometi a loucura de ser normal por alguns instantes, não gostei,voltei a ser quem sou,por isso danço sozinho,a música que eu ouço, e ninguém escuta.
A Flor Sombria que Desperta na Fenda da Existência.
Há instantes em que a alma, surpreendida por um fulgor íntimo, compreende que a dor essa matéria austera e indomável não é apenas ruína, mas semente oculta em territórios onde a luz parece inapreensível. Nesse reconhecimento silencioso, o espírito percebe que o sofrimento, longe de ser mero martírio, opera como lapidário inexorável, desvelando zonas adormecidas da sensibilidade e convocando energias morais que, sem a fricção do padecimento, jamais emergiriam.
A angústia, quando atravessada com lucidez, gera uma espécie de clarividência crepuscular. Ela não redime por si mesma; contudo, instiga o sujeito a perscrutar regiões profundas do próprio ser, onde repousam conflitos ancestrais, expectativas mortas, culpas silenciosas e afetos soterrados. Nesse mergulho introspectivo, a consciência experimenta um choque ontológico: descobre que nenhuma dor é totalmente estéril quando o indivíduo se permite interpretá-la, enfrentá-la e integrá-la ao seu itinerário de aperfeiçoamento.
A dor, assim compreendida, não é finalidade, mas catalisadora. Ela convoca a renúncia do orgulho, a diluição das ilusões, a revisão dos apegos e a refundação das crenças que sustentam a identidade. Por vezes, aquele que sofre percebe que a existência não se estrutura sobre garantias, mas sobre travessias. A vida floresce precisamente no ponto em que o coração dilacerado renuncia ao desespero, mesmo que ainda sangrando, e aceita a possibilidade de uma nova tessitura interior.
O florescimento advindo da dor é discreto, quase clandestino. Ele se insinua no recolhimento, na maturação silenciosa, na sobriedade de quem já olhou o abismo sem ceder ao aniquilamento. A beleza desse processo não reside no sofrimento em si, mas na metamorfose ética que dele pode brotar: uma consciência mais compassiva, uma visão mais ampla do drama humano, uma humildade que não se submete à fragilidade, mas a transcende com extrema dignidade.
Assim, quando o espírito reconhece que algo vivo brota da zona sombria da experiência, não celebra a desventura, mas a capacidade humana de transmutar o indizível em significação. É nesse instante lúgubre e luminoso que a existência revela seu paradoxo mais profundo: o de permitir que, mesmo entre escombros emocionais, surja uma flor silenciosa, feita de resistência, entendimento e serenidade moral.
Busco a quietude da alma no vazio de uma mente confusa onde a natureza me acalma e por instantes o meu olhar perdido consegue ver esse mundo que desconheço.
