Infinito
Há quem diga que se tornou banal
Que já não existe, é algo que se perdeu
Há quem duvide da sua existência
Na fala de quem prometeu
Mas quando se é de verdade
As juras se tornam sinceras
No coração da pessoa certa
Ele floresce nas primaveras
O amor é real
Você pode acreditar
Se ainda não o encontrou
Por favor, jamais canse de procurar.
Sempre há aqueles se prendem a esperança de um futuro melhor... Mas não devemos jugá-los, pois todos nós nos prendemos a algo que nos trás conforto, seja uma verdade ou uma mentira, está lá... Sempre há algo, ou alguém, para lembrarmos quando fechamos os olhos e suspiramos naquilo que causa anseio em nossa alma... Somos todos iguais de maneiras diferentes...
O que te faz se sentir tão especial? O dono da verdade, o maioral, o grande... O que te faz se sentir o melhor?
É seu dinheiro? Seu estilo de vida? Sua experiência? Sabedoria? Conhecimento? Influência? Sua cor? Seu carro? Sua casa? Ter superado dificuldades? Ter saído do nada e se tornado alguém reconhecido?
É isso? É suficiente pra você? Isso é tudo? O que mais?
Vamos... Pensa um pouco, deve ter algo que te faça se sentir melhor que alguém...
Infelizmente tenho uma notícia pra você. Isso não vale nada... No final você não vai ficar com nada disso...
Quando estiver vestindo um terno de madeira, tudo que você era ou fez irá ser reduzido a um grande e eterno nada...
Somos poeira cósmica diante da vastidão do espaço... Reles mortais com um tempo de vida limitado nesta terra...
Tenho andado em silêncio. Falar não tem sido o bastante, apesar de já ter falado muito.
O observar tem me parecido mais atrativo.
Deixar as coisas tomarem seu rumo sozinhas, como quando observamos aquela gota de chuva escorrendo pela janela... Ou quando vemos alguma presa prestes a ser devorada por seu predador que está ali parado, aguardando o momento certo, pronto pra dar o bote...
Certamente sabemos como será o desfecho da história, mas observamos com um certo fascínio...
Quem consegue calcular a infinidade dos mistérios que carregamos em nossa alma? Cada ser com um universo inteiro no olhar, no falar, no pensar... Não subestime nem o menor deles, pois pode carregar uma imensidão dentro de si...
Somos uma complexa infinitude. Um labirinto de sentimentos reais e verdadeiros.
Um profundo abismo cheio de pensamentos que vem e vão como ondas.
Ser poeta é não ter medo de abrir a alma, é ser um livro aberto em cujas páginas podem ser lidas realidades e fantasias quase infindas. Quem poderá, realmente, traduzir o que é um Ser poeta? O que eles dizem e porque essa ânsia em dizer, em nunca calar a voz interior ? Não querem respostas, talvez elas não existam. Ser poeta é transcender a própria existência sempre em busca do Infinito.
Ainda há lindas e verdes montanhas
ao longe, sob luzes de primavera,
por trás delas, certamente
há belezas e se tecem quimeras
Há tempestades de intenso pó
nos desertos onde reina o estio,
mas há o céu profundo bem acima,
enfeitando de azul o infinito vazio
Há noites sombrias em florestas
d'alma, ali murmuram brisas em sentimentos,
sorrisos, lágrimas, abraços e descompassos
nos laços de todos os reais momentos
Em sintonia com todo o belo universo
reina em cada um a verdade concreta,
a eterna procura pelo melhor de si e do outro,
porque amar, do ser humano é a meta !
É noite plena, misteriosa, envolvida em sombras,
a lua sem dono, vaga lentamente, distante,
imponente, nos leva a ter alguns sonhos,
Já é a hora do descanso do corpo
e da mente que precisa um certo abandono
entre lençóis, envolvendo-se docemente
Lá na amplidão tudo é silêncio profundo,
há um vazio e promessas de infinito,
ao dormir nada somos, apenas pausa da vida
numa canção que nem percebemos, tocamos...
em notas de amor afinado ou de saudade, um grito...
"Tem dia que o mundo cai. As flores murcham as folhas secam, a vida cessa sem cessar. Por quê os sonhos azuis são tão cinzas?"
Se teu coração partiu, junte e faça dele um par de asas e voe o mais alto que puder, e saibas que pássaros são livres para voar...
Chá com os Poetas e a Moça Bonita
Quando ainda não vinha a noite,
Camões adentrou sobressaltado.
Tinha visto na Caravela,
O mar inteiro lamuriar-se.
Deixavam, pois, como aferira,
restos de tudo a enturvar as águas.
Logo em frente estava Quintana,
vindo de longe no vagão de um trem,
a confabular com uma andorinha,
que em frase pausada silabava:
- No ar há tanta fumaça,
que nem se pode mais voar sozinha.
Enquanto se aguardava o Mia
a descrever Um Rio Chamado Tempo,
perceberam Shakespeare acomodar-se,
frente ao sol que já não se via,
proclamando sem muito assombro:
- Falta humano no divino, mais virtude no humano.
O saber não deve destruir a vida,
feito punhal a ferir o coração dos homens.
Escutaram-se ruídos vários, ao ouvir-se o abrir de portas.
Era Pessoa com Ricardo junto com os demais heterônimos.
Todos apóstolos frente ao pão, resolveram recitar Drummond,
que bem se diga, já havia previamente antecipado:
- Saí cedo de Itabira, vou embora para Pasárgada.
Quem sabe acho Bandeira, coberto num trono de palavras.
Neste instante chegou Vinícius e sua elegante diplomacia.
Asseverou solenemente. Trouxe-lhes taças e o vinho.
Não lhes privei do chá inglês, mas devem considerar com atenção.
Melhor é sorver o sentir com um espumante entre as mãos.
Já não se sabia mais as horas. O ar estava em cantoria.
A moça junto à janela que as primeiras letras fazia,
das palavras guardava afeto para se doar em cada livro.
Foi dela a sugestão que cada um deixasse de si, apenas um verso transcrito.
Eu, mero assistente, por obra de atrevimento, também fiz provocação.
Por que não escrever os poemas em simples folhas de pipas.
Soltaríamos as Pandorgas em cada um dos cantos do mundo.
E poderiam as mesmas se irem a procurar um novo dia.
Prontamente Camões assinalou:
"...Da alma e de quanto tiver,
quero que me despojeis,
contanto que me deixeis,
os olhos para vos ver.."
Em seguida chegou-se Mia a sentenciar num repente:
"... Deixo a paciência dos rios,
mas não levo,
mapa nem bússola,
porque andei sempre,
sobre meus pés,
e doeu-me às vezes viver.
Hei de inventar,
um verso que vos faça justiça".
Quintana com seu sotaque ergueu-se com voz doce e macia, a reverberar clarividente:
" ... Porque o tempo é uma invenção da morte:
Não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia,
para nos dar a eternidade inteira..."
Vinicius após servir o vinho, pediu um aparte.
Moça com perfume de flor, por favor, escreva para mim:
"... A coisa mais bonita,
que há no mundo,
é viver cada segundo,
como se não fosse o fim..."
Alberto, ao lado de Pessoa, também se pronunciou:
"...Mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena,
sei que a vida vale a pena,
quando a alma não é pequena.."
Já se adentrava a noite alta e as pandorgas versos partiam.
Foi quando fitei a moça que de olhos gris se vestia.
Então clamei a ela, antes que também se retirasse:
Agora que a lua cheia chegou,
como teus olhos em ternura,
borda-me entre o céu e a tua boca,
numa indelével tecitura.
A moça nada me disse, repousou na minha face.
Por ali ficamos embebidos de poetamento,
como se por um breve instante,
tivéssemos tocado o infinito.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas Para Crianças Crescidas
"...Já se adentrava a noite alta e as pandorgas versos partiam.
Foi quando fitei a moça que de olhos gris se vestia.
Então clamei a ela, antes que também se retirasse:
Agora que a lua cheia chegou,
Como teus olhos em ternura,
Borda-me entre o céu e a tua boca,
Numa indelével tecitura.
A moça nada me disse, tão só repousou em minha face.
Por ali ficamos embebidos de um ser poetamento,
Como se por um breve instante,
Tivéssemos tocado uma fração do infinito..."
In Fragmento Poema Chá com os Poetas e a Moça Bonita
De olhos fechados
Ainda consigo vê-la
Um minuto ou a eternidade
Temos para todos nós um amor na vida
Ore, tenha fé e acredite no seu amor
Pois ele(a) jamais vai te deixar
Quando nós desprendemos dos olhos do rosto, aquele que nos deixa limitados e do tamanho de um humano, passamos a enxergar o universo como ele realmente é, infinito.
A alma
muito além da cronologia numérica.
A alma
Sem denominação ou conceito.
O que são os anos que me preenche a carne, perto de uma alma infinita ?
Pela janela denominada " olhos" só enxergam aqueles que sabem o valor infinito da vida.
Ser livre é amar sem sentir dor. É querer e ser o que se sente, sem negar, sem camuflar, sem medir. É transbordar o que sentir e sentir mais por ter o que dar. É como deixar a água seguir o fluxo sem se importar com os obstáculos. É o reflexo no espelho da alma. É olhar pro universo e ser infinito. É nao se limitar no outro, porque nao se estreita. É infidavél. É um estado de ser sem platéia. É consciência. É o despertar. É único. Não oferece vaga em fila, nem distribui senha, muito menos se faz de fortaleza. Amar é abrir mão do ego e se libertar do que impede o amor. Como falar de amor se causa mortis doar sem sentir dor? Amar é renascer.
