Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Esse Ă© mais um post em estado agatolĂłgico, brindando com este post e, dentro dele, vĂĄrios posts nĂŁo publicados isoladamente, como antologias de posts, onde nos fazemos porta-vozes de nĂłs mesmos, nos louvando no emĂ©rito post, revelando por meio deles um retrato da nossa terra e da nossa gente, que reparando bem Ă© mais ou menos como Schoppenhauer testemunharia as misĂ©rias e as dores do mundo. MilhĂ”es de posts inspirados nos saraus das nossas vidas, ou do que pensamos dela. Em dado momento o post jĂĄ nĂŁo cabe dentro desta janelinha, jĂĄ quer romper as peias dos versos. E "pĂșblico" como o post deve ser para tambĂ©m ser livre, canta tambĂ©m as saudades das coisas futuras. Um desfile de posts santos da nossa corte celestial particular. Se pudĂ©ssemos definir os posts, subtraindo do internauta o prazer de fazĂȘ-lo, dirĂamos ser este um repositĂłrio de censura. Os posts sĂŁo de todos os tipos. Bons sĂŁo os nĂŁo laboratoriais. Ao contrĂĄrio da afirmação do internauta, sĂŁo posts espontĂąneos e coloridos, trazendo uns o crepe da dor, outros o violĂĄceo das recordaçÔes saudosas, outros o rĂłseo das primaveras saboreadas vida afora, sem nos esquecermos dos posts verdes, chamados espiritualistas (pensei nisso agora mas lembrei do meio ambiente, vai dar confusĂŁo). Indo mais longe, faremos dos posts, no fundo, retratos de nĂłs mesmos, uma encarnação de posts, a materialização do colĂłquio, a histĂłria viva do nosso tempo, dos nossos contemporĂąneos, incluindo os pregĂ”es das nossas ruas, dos lugares onde vivemos, das coisas vistas e dos fatos testemunhados como um memorialista digno dos tempos atuais. Que tenham pena quando sumirem os posts, que sejam removidos ou aplacados em saudades que pese qualquer processo, por serem eles os meios que utilizamos para buscarmos, na profundeza dos nossos eus, aqueles tesouros lĂĄ escondidos. Posts que fazem aflorar aqueles complexos filosĂłficos e princĂpios religiosos que nem nossos posts tĂȘm consciĂȘncia possuir. Basta ficar um mĂȘs sem internet, uma semana, um dia, para a maioria sentir a perda fĂsica da tecnologia e da comunicação para experimentar em seu espĂrito o efeito dessa mutilação e buscar, no prĂłximo acesso ao Facebook, rsrs, o novo post Ă libertação digital, dando arras aos seus pendores de memorialista, de historiador, psicĂłlogo, advogado, mĂ©dico, jornalista, tem de tudo. Aqui cantam posts e despertam deuses, em pleno facebook... Sim, em pleno Facebook...
Minha avĂł uma vez pediu-me para comprar uma tesoura, um escorredor de macarrĂŁo e um vidro de azeite no mercado, em NiterĂłi, quando eu tinha 12 anos. A rua era Cel. Gomes Machado. Quando eu saĂ de casa, lembro que tambĂ©m ficaram aguardando duas tias, que ajudavam ela naquele sĂĄbado, na cozinha. Esse pedido caĂa do cĂ©u para mim que estava de castigo. A casa ficava na Rua Coronel Senador Vergueiro da Cruz, ao lado do escadĂŁo que sobe para o morro do CavalĂŁo. A razĂŁo do castigo jĂĄ nĂŁo lembro. Lembro-me, sim, que sĂł poderia sair para comprar as coisas e voltar. Fiquei feliz com a tarefa libertadora. E mais feliz fiquei quando, ao dobrar a esquina da Rua SĂŁo Pedro com Visconde de ItaboraĂ, verifiquei que se tirava âpar ou Ămparâ para jogar uma âpeladaâ, no trecho compreendido entre a Rua de SĂŁo Pedro e a Cel. Gomes Machado, justo no caminho do mercado. Entrei no pĂĄreo e fui escolhido para jogar em um dos times. A galera era sempre a mesma; os amigos da rua que moravam por ali. SĂł quando a partida acabou lembrei-me da encomenda e fui correndo para o mercado. LĂĄ chegando peguei as coisas e, ao procurar o dinheiro que vovĂł tinha deixado comigo nĂŁo o encontrei no bolso. O dono do mercado, Milton Duarte de Castro, percebendo o meu embaraço, perguntou onde eu morava e de qual famĂlia eu pertencia. Por minha sorte, dispensou-me do pagamento, nĂŁo sem antes puxar a minha orelha, com bom humor, para que eu tivesse noção da responsabilidade que um menino deveria ter na execução de um mandado. E que o bom negociante alĂ©m de ser amigo da famĂlia, percebera, tambĂ©m, que suado como estava e com os pĂ©s imundos, sĂł podia ser em razĂŁo dos folguedos da prĂłpria idade. O dinheiro, certamente, caĂra na rua.
Agora, a história avança vinte anos...
O mercado jĂĄ nĂŁo existe mais. HĂĄ agora, na Rua JosĂ© Clemente, uma loja de instrumentos musicais. Lembrei desses momentos quando era garoto e resolvi entrar naquele lugar fazendo uma pauta para O GLOBO-NITERĂI que foi capa daquela edição de sĂĄbado, e que falava sobre a diversidade musical da cidade. Ao olhar para o balcĂŁo, fiquei surpreso: JĂĄ mais velho, âseu Duarteâ, o responsĂĄvel pela loja, era o mesmo bom homem que, hĂĄ vinte anos atrĂĄs, me desembaraçara de uma dĂvida de poucos cruzeiros na Ă©poca. Pedi licença e resolvi me apresentar novamente, depois dos vinte anos, para contar-lhe esta histĂłria da qual, como nĂŁo poderia deixar de ser, ele jĂĄ nĂŁo se lembrava. Foi um encontro agradĂĄvel e, da minha parte, muito comovente. Eis a razĂŁo desse texto relacionar-se Ă amizade. âSeu Duarteâ sĂł lembrou de mim depois que falei o nome do meu avĂŽ. Ao perguntar se eram amigos, ele ficou com os olhos cheios dÂŽĂĄgua e respondeu: âfomos grandes amigosâ. NĂŁo entrei na questĂŁo, apenas retribuĂ o sorriso e lembrei que, hĂĄ vinte anos, ele nĂŁo me cobrou o dinheiro quando falei o nome do meu avĂŽ. Disso tudo ficou uma lição: o importante numa amizade nĂŁo Ă© reconhecer somente o amigo, mas tambĂ©m o que Ă© parte dele.
2014 foi pra mim um ano de observação. NĂŁo fiz muitos amigos, nĂŁo vivi grandes relacionamentos, mas vivi intensamente com a minha filha. Agora, no Ășltimo dia do ano, naquela reflexĂŁo normal que fazemos da nossa vida, vejo que memorizei algumas pessoas que impressionaram-me pelo exemplo que deram e dĂŁo em suas vidas. A minha reflexĂŁo neste final de ano Ă©, em sĂntese, uma homenagem que presto Ă probidade, Ă inteligĂȘncia, Ă educação e dedicação ao trabalho motivado, enfim, ao exemplo de vida que me dĂŁo os que tive o prazer de conhecer este ano.Todos que, sem dĂșvida, nĂŁo passaram apenas pela minha vida. Mais do que isso, viveram comigo a minha vida em todas as suas incertezas e angĂșstias. Foram amizades sinceras que construĂ e que nesta reflexĂŁo vejo que deixaram uma rĂ©stea de luz em minha vida, pelos caminhos que trilharam em suas vidas. Ă claro que muitos mais poderiam ser alinhados, sob esse aspecto, nesta reflexĂŁo. Parentes, amigos de infĂąncia, dezenas de pessoas com as quais mantive relacionamento Ă vida toda, mas que nĂŁo tiveram espaços em suas agendas nem para uma ligação em 2014... Fixei-me entĂŁo, neste Ășltimo dia do ano, nesses poucos pinçados da memĂłria, sem preocupação com a posição ou graduação maior ou menor que obtiveram na sociedade em que viveram e vivem.Reflito tambĂ©m sobre gente indiferente... Percebi que hĂĄ muita similitude do farol na escuridĂŁo com quem nĂŁo dĂĄ Ă juventude, ou que nĂŁo Ă© capaz de dar Ă juventude, todo o brilho da instrução. Espero para 2015 que o meu ambiente continue sendo a vida. A vida de alguĂ©m que perdeu as ilusĂ”es mas nĂŁo os gestos necessĂĄrios, que nĂŁo reza e fala pouco, mas que continuarĂĄ desejando que o Amazonas continue desaguando no AtlĂąntico, que algum presidente realmente apareça querendo governar o paĂs, que o Ministro da Fazenda um dia fale que a inflação vai cair de verdade, que a Funai nĂŁo vai mais desconhecer as reais necessidades dos Ăndios, que os gĂȘneros de primeira necessidade no mercado vĂŁo parar de sofrer aumento nos preços, que os supermercados vĂŁo parar de, impunemente, furtar o povo com seu engodo de promoçÔes, que a corrupção vai deixar de ser intocĂĄvel, que o comĂ©rcio do ensino deixarĂĄ de engordar com suas taxas de mensalidades escolares e universitĂĄrias cada vez maiores, que as mordomias deixarĂŁo de obedecer as ordens dissimuladas que vem do Planalto, que se tenha cada vez menos espaço para polĂticos demagogos que continuam dando entrevistas sobre soluçÔes que nunca irĂŁo fazer sair do papel, que a poluição deixe de contaminar os mares e rios, que os americanos deixem de pregar a paz fornecendo armas para as guerras que eles mesmos fomentam por razĂ”es polĂticas e econĂŽmicas, que os Ărabes e Judeus deixem de construir novas guerras, apesar dos acordos de paz que vivem rasgando, que os negros e homossexuais possam ser cada vez mais respeitados numa sociedade ainda racista e preconceituosa. E que tambĂ©m, em compensação, as sementes continuem virando flores, que o amanhecer e anoitecer no Rio continue lindo do jeito que Ă©, que a lua da minha serra continue inspirando os poetas, que a grande torcida do Fluminense continue cabendo dentro de uma Kombe e que Valentina, Hanna e Cacau continuem sendo as trĂȘs mulheres da minha vida. âȘ#âAnoNovoâŹ
Tome a beleza da rosa vermelha e junte a seguir: o perfume de todas as flores, o gosto do mel, a cor do sapoti, a ternura de um afago, a pureza do amor fraterno, a envolvĂȘncia da neblina, o frescor da brisa, a fidelidade do cĂŁo, a inocĂȘncia da criança, a aderĂȘncia do visgo, a humildade da violeta, e adicione depois:
O calor do sol, o veneno da cascavel, a violĂȘncia de um coice, a astĂșcia de uma raposa, a traição de Judas, a instabilidade do tempo, a indolĂȘncia da preguiça, a intranquilidade de um peixe, a atração de um ĂmĂŁ e o choro da carpideira.
Misture bem, acrescente futilidade a seu gosto pulverizando amor e carinho e deixe a massa em repouso durante vinte anos. Passado o tempo, use em pequenas doses, com muita, muita cautela: Ă© a ex-mulher.
A definição dos grupos estĂĄ nos dicionĂĄrios. Nada mais Ă© do que uma reuniĂŁo de pessoas. Objetivos sĂŁo dois: um imediato, conversar e "bater papo" sobre os mais variados assuntos; outro mediato, o de divulgar pontos de vista pessoais resultantes de conversas mantidas e, nĂŁo sĂł isso, passar para o papel ou apenas difundir por qualquer meio de divulgação, o que se assimilou ou se vem assimilando na vida. NĂŁo Ă© necessĂĄrio escrever um livro para ser considerado um componente de grupo. HĂĄ pessoas que nunca escreveram um livro, e se escreveram, nĂŁo foram editados por causas que nĂŁo vem a furo citar. Mas nem por isso deixam de ser considerados como eminentes divulgadores de cultura, pelas palavras, pelas atitudes e comportamentos exemplares. SĂŁo mestres por Ăndole e por finalidade de vida. Cultura pode ser divulgada no verso de um soneto, na sĂntese de uma quadrinha, num haicai ou num simples bilhete. HĂĄ um livro sobre os bilhetes de JĂąnio Quadros que pode ser considerado como aulas de administração e de gramĂĄtica. A experiĂȘncia de vida de um homem cultuado pela admiração dos seus contemporĂąneos, vale mais do que uma biblioteca. Ă claro que o livro fixa no tempo o estado de alma de quem o escreve, Ă© consagrado ou nĂŁo na Ă©poca do lançamento, pode resistir ao tempo ou morrer ao nascer. O certo Ă© que, inexoravelmente, como na vida, sofrem os efeitos da velhice e acabam sendo enfileirados numa estante sem o manuseio dos leitores do futuro que, certamente, dispensarĂŁo suas informaçÔes, na melhor das hipĂłteses, transformados em disquetes de computador.PorĂ©m, em importĂąncia cultural, nĂŁo hĂĄ como desconsiderar o que jĂĄ foi considerado. Ao mesmo tempo, no passado, livros convergiram escritores e poetas, criando o hĂĄbito da leitura. Obviamente, com a convergĂȘncia digital, a Ă©poca digital vai divulgando, cada vez mais atuante, atraindo gente nova e da terceira idade, nos mantendo numa vida de difusĂŁo cultural no nosso meio tĂŁo carente disso. E a polĂtica tambĂ©m estĂĄ diretamente ligada a essa questĂŁo. Nossas mudanças nĂŁo podem ser imunes Ă polĂtica. Ă com a polĂtica que, atravĂ©s dos desnĂveis sociais e culturais que, naturalmente, com todas as diferenças, conseguimos nos nivelar e nos estruturar nessa vida caĂłtica. Isso porque o cĂąmbio de amizades supera qualquer forma de desnĂvel. Aqui sĂŁo aplicadas regras de matemĂĄtica, relacionadas com a obtenção do mĂĄximo e do mĂnimo de divisores comuns. E como na matemĂĄtica, o resultado Ă© perfeito e exato, como nĂŁo podia deixar de ser.
Caroços cresceram sob o piso que ele caminhava. Eles incomodam o seu caminhar, porque atingiam a palma dos seus pés. Como desviar de tantos, pequenos, mas em grande quantidade, aglomerados por todos os lados... O solado que ele usa é forte, mas não pode ser macio. Precisa ser duro. E onde ele busca encontrå-lo, respondem que estå em falta. Mas é preciso seguir, e por isso ele continua caminhando, mesmo sem o solado ideal, mesmo que descalço.
NĂŁo mais verĂĄ o manacĂĄ em flor, plantado no jardim, perto do quarto, envolvendo em perfume nossa alegria de carinhos fartos. TambĂ©m o ipĂȘ florido nĂŁo verĂĄs, porque antecedeste a primavera... Ora, saudade, para mim, Ă© um doce-amargo-enlevo, o que vale dizer que atĂ© o fim dos meus dias estarei alternando, o doce enlevo da lembrança, com pitada amarga de saudade. Suave Ă© a pena...
Antigamente, eu tinha um teatro de marionetes. Bonequinhos de pano, presos por cordĂ”es, dançavam e pulavam na minha cama, controlados por meus dedos. Eram bonecos de pano, mas riam, choravam e atĂ© sofriam porque eu lhes dava movimento e alma. E, aos olhos de todos, passava por ser um grande artista. Aplaudiam-me. Um dia, nĂŁo sei como explicar, dei alma demais a uma boneca miudinha e ela passou a cantar, chorar e rir por si mesma. E fez mais, puxou os cordĂ”es de baixo para cima, guiando primeiro, meus dedos, depois, meus olhos, e, finalmente, meu cĂ©rebro. Com o tempo, empolgou tambĂ©m, a minha alma. Hoje, no teatro da vida, sou um boneco de carne e osso, controlado por uma boneca miĂșda que dirige minha vontade e a prĂłpria vida
Vem-me, às vezes, um sonho fugitivo e estranho ao pensamento perturbado; Sonho sem medo as sombras do passado, e o futuro me torna pensativo. Por que me faço ao riso alheio esquivo? De onde me vem este ar desalentado? Este fundo pesar inexplicado, esta grande tristeza sem motivo? Não sei... A mågoa obscura que me invade talvez seja somente uma saudade que o mundo vil não pode compreender... Saudade de outra gente e de outra vida, que inda vibra e palpita, dolorida, na imperfeição do meu ser
Se eu tirasse de uma estrela sua luz de chama inquieta e em mim pudesse contĂȘ-la, diria, entĂŁo, sou poeta...
Mas, a marcha inexoråvel do tempo foi nos tornando velhos, e o meu amigo, de tanto fazer o bem, cansou. Seu coração parou.
Um post entĂŁo sobre amizade: quisera ser seu homem. Todavia, ainda que irracional, a paixĂŁo aconteceu. Ă, diferenças de idade. AlguĂ©m jĂĄ disse que a paixĂŁo Ă© ciumenta e exigente; digo mais, ela Ă© tambĂ©m egoĂsta, assimiladora de decepçÔes e cheia de altos e baixos. Na oportunidade de um arrefecimento, te dominaria conseguindo transformĂĄ-la em amor constante. Depois, graças ao bom senso que recupero a cada ano de vida, sublimei esse amor, agora ternura, bem-querer e admiração profunda. Sofrido de um amor jĂĄ ido, por paradoxo, vivificou na saudade, oco revoltado e de mal com o mundo, faltando a crença em alguma coisa para justificar e alentar a vida tediosa. Foi entĂŁo, que a expressĂŁo do seu rosto, da meiguice do seu sorriso, a inteligĂȘncia e mais a atração do seu olhar falante, converteram-me. Passei, por isso, a praticar uma espĂ©cie de culto, surgindo, entĂŁo, a fĂ© inabalĂĄvel que nela deposito. Hoje, no claustro das dĂșvidas, passei a venerar sua imagem distante, vivo a orar pelo seu contĂnuo sucesso e recebo a graça de continuar nossa amizade.
Das conversas mantidas na redação... NĂŁo se trata de um resumo do que ali foi cogitado. Tomei parte em vĂĄrias dessas conversas. Em alguns casos, concordei; em outros, discordei; por maioria de vezes, apenas ouvi. Depois, com calma, reflito, anoto no papel. De diferentes pessoas a conversas, cada um contribui com o que pode e cada qual aprende o que julga interessante. HĂĄ, obviamente, paralelismo de opiniĂ”es, discordĂąncias e, tambĂ©m, como disse, os que apenas ouvem para avaliar, depois, o que de Ăștil extraĂram ou fixaram. Em que pesem as diferenças econĂŽmicas, culturais ou estĂ©ticas, o que se pode afirmar Ă© que, numa redação, todos se nivelam. Assim, seja visitando a redação ou indo trabalhar, governadores, desembargadores, mĂ©dicos, bancĂĄrios, jornalistas, escritores, independente da pauta que irĂĄ receber, vocĂȘ poderĂĄ cambiar amizades, trocar informaçÔes e avaliaçÔes, de modo que, em verdade, todos saem lucrando; uns, pelo prazer de ensinar ou atualizar seus brilhantes mĂ©todos jornalĂsticos, outros pelo gosto de aprender em escola gratuita e aberta. Estou sempre neste Ășltimo grupo. Os mais velhos vĂŁo compreendendo novos hĂĄbitos, dando em troca a experiĂȘncia de vida e de profissĂŁo que, certamente, sem ela nenhum jovem sairia do lugar. Conclui-se, pois, que nĂŁo basta ler bons livros ou ouvir notĂĄveis conferĂȘncias, o importante, tambĂ©m, Ă© conversar. Trocar ideias, transmitir, assimilar e, mais importante ainda, passar para o papel e mostrar as outras pessoas seus conceitos, suas colocaçÔes e crĂticas, , ou seja, o jeito que cada um tem de interpretar a Ă©poca em que vivemos. Isto sem timidez ou modĂ©stia exagerada. Mas, tambĂ©m, sem postura de doutrinar. NinguĂ©m mais tem paciĂȘncia com isso ou gente assim. Ă, de se lembrar, sobretudo, que nĂŁo hĂĄ sĂĄbio que nĂŁo tenha algo a aprender e que. em contrapartida, ninguĂ©m Ă© tĂŁo ignorante que nĂŁo tenha qualquer coisa interessante para mostrar, contar e transmitir. A assimilação e a reflexĂŁo sobre as experiĂȘncias da vida, por vezes, independem do grau de cultura de que as pratica. Como conversamos sobre polĂtica, fisiologismo, segurança, mĂșsica, religiĂŁo, artes, situaçÔes cĂŽmicas, anedotas, dieta, saĂșde, doenças, vida conjugal, traição, felicidade, enfim, como trocamos ideias sobre o cotidiano, segundo a interpretação que cada um dĂĄ ou expĂ”e, qualquer coisa que se passa para o papel sobre esses assuntos tem validade no que tange ao objetivo visado pelo jornal. Sobre mim, sou aluno assĂduo e, embora sem muita aplicação e nenhum prestĂgio, tento mostrar aos mestres de verdade que ali dĂŁo aula, que, pelo menos, sou atento. Como os jornalistas de de alma, Vivo sob efeito latente da perda. Qualquer matĂ©ria publicada Ă© um morto vivendo em minha saudade. Ah, se eu fosse um cronista ou um poeta, e nĂŁo um jornalista. AĂ sim... as mais belas pĂĄginas de louvação ao que vai de encontro com tudo o que falo. Pretensiosamente, ombreei-me a eles no que tange a inspiração. Afinal, nenhum amor pode ser maior do que o nosso, para gente. Afinal, nenhum amor pode ser maior do que o meu, que estĂĄ vencendo a morte. DaĂ, a cada dia, a tentativa de mostrar, em dizer poĂ©tico, o que ainda sinto pela profissĂŁo. Mas, o que vale, ao fim de tudo, Ă© aceitar a correção dos que sabem mais ou deles colher a concordĂąncia sempre benĂ©fica, agradĂĄvel e animadora.
Sentado aqui na minha varanda, sozinho, olhando as luzes de tantas janelas em tantos prĂ©dios, e jĂĄ na segunda taça de vinho, penso que a felicidade Ă© uma palavra de difĂcil qualificação Comparada com uma cor, certamente teria vĂĄrias nuanças. Pode significar o estado de um ser ditoso, contente, alegre, de sorte, enfim, um indivĂduo satisfeito com a vida por vĂĄrios motivos. E, nesta variedade de motivos, cabem vĂĄrias reflexĂ”es. Sem dĂșvida, a felicidade Ă© um estado de espĂrito e, por isso, muito pessoal e variĂĄvel. De modo que a razĂŁo da felicidade de um, pode ser por outro Ăąngulo, ainda que contrariamente, a razĂŁo da felicidade de outro. Exemplo: o portador da boa saĂșde, forte, belo, econĂŽmica e financeiramente bem, Ă© feliz por estas circunstĂąncias; outro, doente, feio, fraco e pobre, por motivos de crença kardecista, pode se sentir satisfeito e feliz, por admitir pelo que crĂȘ, que ao reencarnar ele mesmo escolheu uma vida de sacrifĂcios, para purgar erros e faltas cometidas em vidas anteriores e, com isso, atingir a perfeição espiritual, para ele mais valiosa que tudo. Ă feliz por isso. Um outro catĂłlico praticamente por viver bem e agraciado por pedir e receber dĂĄdivas celestiais que lhe sĂŁo proporcionadas por seu deus e seus santos de devoção, vive deitado no armarinho da gratidĂŁo e felicidade; outro, da mesma crença, levando vida de cĂŁo, sofrendo agruras; julga-se, tambĂ©m, conformado e feliz por considerar que tudo que sofre Ă© um desĂgnio da divina providĂȘncia e como tal deve entender como justo e aceita conformado e atĂ© agradecido. Ă feliz tambĂ©m a seu modo. Em outras palavras, o que Ă© Ăłtimo para uns pode ser ainda que em sentido completamente oposto, tambĂ©m aceitĂĄvel para outro. Uma espĂ©cie de felicidade pelo avesso. O interessante Ă© que este estado de espĂrito pode ser sentido, em certas circunstĂąncias, por uma coletividade inteira, ora sob o aspecto positivo, ora sob o aspecto negativo. Assim, a chuva diluvial que atingiu inĂșmeras vezes o Rio de Janeiro e, principalmente a RegiĂŁo Serrana, destruindo barracos nos morros e atingindo, tambĂ©m bairros elegantes da zona sul do rio; essa chuva que levou um prefeito a apelar para oração para que nĂŁo mais chovesse, pois nĂŁo tinha meios para socorrer os desabrigados, Ă©, sob outro aspecto, a mesma chuva salvadora de vidas em todo o Rio, que poderĂĄ salvar os reservatĂłrios, mais uma vez que, sob um terceiro aspecto, vivemos hĂĄ dĂ©cadas dos eternos polĂticos que assentam as nĂĄdegas nas cadeiras do congresso. O furacĂŁo que arrasta cidades, derruba torres, afunda barcos e mata muita gente nos EUA, considerado dos mais adiantados locais de progresso do mundo Ă© o mesmo vento forte que no Saara, com o nome de Simum, refresca a atmosfera tĂłrrida do Norte da Ăfrica, estendendo sopro quente atravĂ©s do MediterrĂąneo, temperando o clima de todo sul da Europa, considerado o ideal para o turismo da regiĂŁo. Como se vĂȘ, a felicidade nĂŁo Ă© facilmente definĂvel. Tudo depende das circunstĂąncias. Enfim, as luzes acesas de cada janela desses prĂ©dios, tĂŁo distantes, continuam iluminando o que estou vendo agora. Tim Tim.
Das crianças... agora comecei a ter contato com uma figurassa. O filho de 4 anos do sĂndico do meu prĂ©dio, o Gabriel, que vai jogar bola numa parte do terraço que Ă© colada na minha varanda. Ă o filho do meio de uma famĂlia bem situada na sociedade e, como natural, muito mimado pelos pais e um outro irmĂŁo. Goza de perfeita saĂșde e leva uma vida normal das crianças da sua idade. EstĂĄ sempre aqui no terraço brincando sozinho, jogando bola, tentando, pelo o quĂȘ eu escuto, imitar os craques da seleção. AĂ começo a me identificar com ele. Como eu, ele tambĂ©m Ă©, pelo que percebo, controlado por uma necessidade de fazer gol que lhe acompanha, diariamente, atĂ© o momento de dormir. Como eu fui um dia, apesar do carinho dos pais e do irmĂŁo mais velho, deve-se sentir sozinho nos perĂodos escolares, sem parceiros para as traquinadas da idade. A nĂŁo ser nos dias de domingo, quando reparo que o levam para uma vila aqui atrĂĄs, onde ganha a rua para brincar com alguns garotos da sua idade, mas jamais afastando-se do local. CĂłpia do que eu fui, tambĂ©m ele joga sua bola imaginando dribles impossĂveis e gols inimaginĂĄveis dos craques de hoje. AĂ que entra a questĂŁo, quando ele dĂĄ um gritinho Vai "NIUMĂ" (Neymar) e a bola cai aqui na minha varanda hahaha. Como os chutes estĂŁo frequentes nos finais de semana, ele jĂĄ me chama na intimidade, com uma ousadia impressionante: "XIĂĂ (tio), "QUĂ" PANHĂ BĂIA". E lĂĄ vou eu devolver a bola para que o jogo nĂŁo pare por incompetĂȘncia do gandula. E daĂ, talvez, a gratidĂŁo manifestada pelos cumprimentos e acenos de mĂŁo com que me agracia ao passar por mim agora na portaria. Tentando avaliar o peso da cruz que cada um carrega e, sobretudo, vendo o Gabriel, nos finais de semana me posicionando como gandula na varanda, e nunca deixando de me cumprimentar ao me encontrar na portaria ou na rua, espero que ele possa crescer sem encontrar maiores obstĂĄculos no mundo cĂŁo em que vivemos, e que este sĂ©culo que ele irĂĄ enfrentar adulto seja menos violento e ofereça Ă s pessoas maiores possibilidades de realização dos sonhos de vida. Sinceramente Ă© o que eu desejo ao meu "amigo" Gabriel...
Renunciar... Ă© sufocar com os olhos rasos dÂŽĂĄgua um sofrimento atroz, e a tanta mĂĄgoa, poder dar as nuances da ventura; Ă© conseguir introverter o pranto e transformĂĄ-lo em mavioso canto, dando Ă lĂĄgrima a forma da ternura. Renunciar... Ă© calcar toda angĂșstia dentro da alma, aparentar tranquilidade e calma, desditoso, fazer feliz alguĂ©m; Ă© transbordar, ingenuamente, a vida num sorriso e dar de si tudo o que for preciso dessa alegria que nĂŁo mais se tem. Renunciar... Ă© ir vibrando num desejo louco de ganhar um pouquinho, ainda que pouco, quase nada e de tudo o que se quis. Ă trancar os soluços na garganta, e a si prĂłprio dizer: "gargalha, canta, para que o mundo pense que Ă©s feliz". Renunciar... Ă© resistir, sereno e sem queixume a uma ausĂȘncia que o tĂ©dio, Ă© dor, voz da saudade, famĂlia, cachorros, vozes da saudade que uivam solidĂŁo. Ă percorrer tĂŁo ĂĄsperos caminhos, transformando em mil rosas e espinhos, abrindo a toda gente o coração. Renunciar... Ă© pressentir uma canção dolente, das que chegam Ă alma, de repente, e extasiado, nĂŁo pode falar. Ă sentir nessa doce linha a tristeza mesclar-se com alegria, num amargo prazer de recordar. Renunciar... Ă colorir, de inĂșmeras matizes os sorrisos que escondem as cicatrizes, no mais fundo recĂŽndito do ser. Ă agradecer, a cada instante, a inabalĂĄvel fĂ©, a fĂ© constante, que nos dĂĄ tanta força para viver... Renunciar...
Devo estar com uma aparĂȘncia pĂ©ssima mesmo. Fui dar uma volta na rua de chinelo, e meu pĂ© ficou igual do menino carvoeiro. Mas Ă© porque transpiro muito no pĂ© e ele começa a sambar na borracha do chinelo e fica todo cagado...Fui entrar na agĂȘncia do ItaĂș pra sacar dinheiro, e uma senhorinha correu da porta com medo de entrar sozinha comigo, achando que eu fosse assaltĂĄ-la. Tudo bem, nĂŁo estava com meus melhores trajes... Mas, quando fui ao seu encontro para dizer que ela poderia ir no banco, que eu nĂŁo era bandido, sem me dar qualquer chance, ela gritou o rapaz da Cet-Rio que estava em frente a capela do colĂ©gio Zaccarias, no Catete, dizendo que estava sendo assaltada O cara me abordou enquanto chamou um carro da guarda municipal, que, estava exatamente parado em frente ao restaurante de frutos do mar BerbigĂŁo, certamente esperando o arrego do dia embrulhado numa quentinha, enquanto tinha gente na rua gritando que ia me bater... SĂł fui liberado porque, graças a Deus, com a chegada da Guarda, por sorte, eu estava com o crachĂĄ do globo no bolso... Me pediram desculpas, e eu respondi que eles poderiam ficar com o carro parado na porta do banco, em vez de vegetarem esperando comida em frente ao restaurante. Antes que eles me dessem um fora, Dona Lurdes concordou e perguntou porque o carro estava em cima da calçada em frente ao restaurante, e nĂŁo em frente a agĂȘncia bancĂĄria, do outro lado da rua... eles ficaram sem graça de contrapor a velha e calaram a boca...Ali, estava estabelecido uma primeira relação de afeto e reciprocidade entre eu e minha nova "vovĂł". Inclusive, a dona Maria de Lurdes, muito sem graça, nĂŁo sabia o que fazer para se desculpar... Eu, claro, perdoei...Talvez ela tenha razĂŁo em julgar e achar que, a qualquer momento, possa ser esfaqueada na rua... Que triste, vivemos um momento horrĂvel na cidade onde todos se sentem ameaçados atĂ© mesmo por pessoas de bem....Consegui, pelo menos, dar um beijo carinhoso na bochecha da dona Lurdes antes de ir embora, pois ela começou a chorar por ter sido injusta comigo, e reconheci que era de coração. Descobri tambĂ©m que a Dona Lurdes mora aqui no Catete desde quando GetĂșlio presidia o Brasil aqui do palĂĄcio. JĂĄ aceitei o convite e amanhĂŁ vou comer uma broa de milho na casa da dona Lurdes, que mora hoje aqui na Bento Lisboa. Segundo ela, estĂĄ acesa como se fosse ontem as passagens de GetĂșlio pelo bairro. e ela quer me contar tudo o que lembra... Quero escutar suas histĂłrias e ver as fotos que ela diz ter pra me mostrar dessa Ă©poca, "ao jornalista desleixado"..., jĂĄ tomei esporro da Dona Lurdes por ser jornalista e estar andando com os pĂ©s sujos na rua... entĂŁo, acho que, no meio dessa violĂȘncia toda, nasceu uma nova e bonita amizade, onde a diferença de idade de dezenas de anos Ă© um mero detalhe superficial...JĂĄ lavei os pĂ©s... Agora, depois do primeiro plano executado com sucesso, preciso colocar a cabeça no lugar e pensar direitinho como roubarei a casa inteira dela, nessa oportunidade Ășnica, e de que maneira vou assassinĂĄ-la, em seguida, para que tudo pareça um acidente, depois de trĂȘs dias, pois jĂĄ descobri que ela nĂŁo tem parentes aqui no Rio ...
Estava tudo calmo, atĂ© que avistei uma pantufa azul com nuvens brancas estampadas. Imediatamente olhei tudo que rodeava o meu quarto e que pudesse entrar em sintonia com essa pantufa. Estaria ela isolada da minha existĂȘncia, ou algum motivo teria para me chamar tanta atenção? Comecei entĂŁo a observar meu quarto, e notei que, assim como as cores daquela pantufa, meu lençol tambĂ©m Ă© azul de bolinhas brancas. Olhei em seguida de forma mais abrangente o meu quarto, cenĂĄrio onde passei os Ășltimos momentos na infĂąncia e prĂ©-adolescĂȘncia, antes da partida para os insondĂĄveis e misteriosos planos e objetivos profissionais. O local estĂĄ exatamente como deixei. Abrindo a janela, esta que ainda Ă© protagonista constante nos textos feitos durante as minhas fĂ©rias, notei, nas montanhas, o mesmo verde de sempre. No ar, a mesma brisa que caracteriza o clima paradisĂaco de Friburgo. SĂł o cĂ©u parece agora mais azul e com as nuvens mais brancas depois que parei para observar as pantufas. Ao lado da janela, o espelho de sempre; porĂ©m, o reflexo mudou. Percebo um corpo mais maduro pela idade, mas, mesmo assim, com o mesmo vigor de alma. E Isso me deixou mais ansioso, agora, para chegar atĂ© vocĂȘ. E vem daĂ a minha grande dĂșvida. Como tanta reflexĂŁo pode partir apenas da observação de uma simples pantufa azul com estampas de nuvens brancas? Tento sair entĂŁo da redoma desse quarto e volto novamente Ă janela; e vem aĂ a incerteza de que nossos respectivos carmas se processem. E isso, por si sĂł, jĂĄ me faz vibrar, assim como acontecia nos tempos quando olhava minha infĂąncia nesse mesmo espelho, cheio de expectativas acerca do colĂ©gio. EntĂŁo me pergunto: serĂĄ que, por sentir essa sensação novamente, isso nĂŁo merece uma continuidade? Por mais que eu pense a respeito, nĂŁo encontro, por mim mesmo, o caminho para um esclarecimento, ainda que imperfeito, mas que traga um pouco de qualquer coisa. Dizem que a Ăąnsia de exteriorizar o que sentimos por nĂłs mesmos pode assustar as pessoas. Mas acho que nĂŁo... Nada mais natural numa fase de adaptação de uma alma ainda em plano material. Nesse ponto divirjo de certos pensadores que afirmam que devemos ficar mais em paz com nossos pensamentos. NĂŁo concordo, repito. Estou certo de que uma reflexĂŁo sincera e vibrante Ă© um pensamento em forma de prece e que pode atingir para o bem, de alguma forma, aquilo que nos inspira a refletir. Espero apenas deste mundo, que em breve possa encontrar respostas para estas dĂșvidas, decorrentes, certamente, de uma simples pantufa azul com nuvens brancas estampadas.
NĂŁo tem jeito. Quando perceber, Ă© vocĂȘ, sozinho, apenas com vocĂȘ. Isso enquanto vocĂȘ achar que o amor acabou; ou, pelo menos, voltou a sair da rota, naquele momento. Mas hĂĄ surpresas incrĂveis neste caminho. Por exemplo, procure os seus amigos. E vocĂȘ tambĂ©m pode chorar. Escute uma mĂșsica para fazer isso; vai ajudar. E confortar tambĂ©m. SĂŁo os momentos registrados na lembrança por meio da mĂșsica. Ă a nossa trilha sonora. Depois, mergulhe num bom livro; pode ser, atĂ© mesmo, um bom livro de auto-ajuda. Mas o principal: comece a organizar uma viagem. E capriche na mĂșsica que vai ser o pano de fundo desta escolha. Ela serĂĄ o seu roteiro musicado pro resto da vida. E tambĂ©m irĂĄ virar uma lembrança. E quando estiver tudo certo, beba um chope, num barzinho, para comemorar. Se estiver sem companhia, poderĂĄ fazer isso sozinho. Ă uma comemoração sua. E lembre-se: um amor grande nunca se vai. Mesmo que distante e finito, fica na lembrança. Conviva com isso. Ă justamente o amor que sustenta o mundo diante de tantas coisas ruins. E a lembrança Ă© a forma como carregamos o amor. A lembrança Ă© a parte boa do amor que guardamos para nĂłs; aquele amor que nĂŁo se perdeu.
