Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
NĂŁo prometa coisas que irĂŁo lhe arremessar contra o precipĂcio da incerteza, muito menos diga palavras ilusĂłrias que serĂŁo lembradas por alguĂ©m. Ah meu amor⊠para de sorrir, afasta esses lĂĄbios envenenados dos meus.
Sentir a falta de alguĂ©m Ă© horrĂvel, dĂłi e nĂŁo Ă© pouco. Em determinado momento, sua alma se sente letĂĄrgica, praticamente adormecida pelo peso do abandono. Em seguida, quase explode ansiando por algo a mais, um sustento, uma liberdade, um sinal qualquer capaz de demonstrar vida. E sim, vocĂȘ permanece de pĂ©, vivenciando essa descrença vergonhosa, sabendo que algo se foi e que agora, nĂŁo volta mais.
A vida costuma embrulhar nossa orientação numa caixa de papel e devolver a lugar nenhum. E para encontrar o que foi perdido Ă© simples: basta procurar, compreender algumas palavras, perguntar por pessoas, sobreviver Ă s curvas do acaso e revirar a complexidade de existir. Em algum momento ou outro, vocĂȘ sempre encontra os embrulhos perdidos por aĂ. A questĂŁo Ă©, para onde a orientação leva um ser humano?
Cuidado, as pessoas respeitam o que lhes parece convincente atĂ© quando nĂŁo precisarem mais. Pensamos que somos a torre principal do castelo, mas nunca sabemos o que se passa na imaginação de alguĂ©m. Quando menos esperamos, as pessoas vestem as mĂĄscaras de lobo e implodem o edifĂcio da confiança, sem dĂł nem piedade.
Joguei-me dentro do vĂŁo da alma, enquanto contemplei cuidadosamente um sudĂĄrio de sombras. Por um instante, considerei a hipĂłtese de ouvir alguĂ©m gritando meu nome. E certamente, alguĂ©m gritava meu nome. Prossegui ao leste, admirando os cacos que surgiam no chĂŁo. Depois de duas horas, descobri meu prĂłprio ser aprisionado num gancho, feito uma verdadeira marionete humana. Seu rosto estava coberto por uma pele de tristezas e costurado por medos. As costuras sangravam, enquanto eu pensava⊠coitado, apenas outra vĂtima da vida. Assustador? Ă pode ser. Mas antes de julgar eu sugiro que faça uma coisa: tente olhar para si mesmoâŠ
Quando pensamos em pessoas, cada uma irĂĄ agir de uma forma Ășnica e especial, talvez egoĂsta. NĂŁo existem tradutores para expressar as diferenças existenciais. O inferno de alguĂ©m pode ser apenas o pedaço do cĂ©u em outra pessoa, nunca se sabe. E claro, nesses becos da alma nem nĂłs nos entendemos por completo. Mas o que custaria alguĂ©m chegar e arrumar um pouco da nossa bagunça?
AlguĂ©m chega, faz vocĂȘ acreditar que Ă© Ășnica, diz coisas bonitas no seu ouvido e depois de um tempo essa pessoa bate a porta da saĂda deixando uma bagunça interminĂĄvel. EntĂŁo, vocĂȘ se pergunta enquanto as lĂĄgrimas correm diante dos olhos: Ă© uma bela bagunça, nĂŁo Ă©? Sim meu bem, Ă© uma bela de uma porcaria.
Sou chato e me desapego nas piores situaçÔes, mas se por acaso eu disser que gosto de vocĂȘ: confie, fique e sobreviva no meio do caos. Sempre mudamos apĂłs a falta ou o nascer de um sentimento, nunca sendo os mesmos aguardando um amanhĂŁ que pode nunca chegar. O que eu preciso ganhar com a sua pessoa nĂŁo importa, desde que eu saiba o que eu significo para vocĂȘ. Ainda que eu veja estrelas caindo do cĂ©u e o sol nascendo no leste, nada mais importarĂĄ, pois eu sei que vocĂȘ Ă© tudo que vale a pena viver.
Iludiu o mundo com uma bravura fosca, mas por dentro, sabia muito bem que precisava de alguém para se apoiar.
Nem toda palavra bonita significa algo, assim como nem todo rosto bonito define um conteĂșdo. AtĂ© mesmo o diabo parece fabuloso quando começa a iludir.
NĂŁo dĂĄ para confiar nos seus olhos, no que vocĂȘ fala, na forma como me faz rir, nos minutos que me pego pensando em nĂłs, nos porĂ©ns que nunca eternizam, nos abraços que criam uma felicidade passageira e muito menos, nas bobagens que viram paranoias. Definitivamente, nĂŁo dĂĄ para confiar nem no que estou sentindo por vocĂȘ.
Continuo criando expectativas, enquanto tento me encontrar nos olhos de outra pessoa. Uma fraqueza que nĂŁo me completa, algo que me cega, inviĂĄvel para amores que sĂŁo embrulhados e devolvidos sem correspondĂȘncia alguma. Ătimo, que os pacotes se percam na ilusĂŁo, jĂĄ que sou incapaz de entender a humanidade. NĂŁo irei procurar pela chave do coração de alguĂ©m, eu sei que isso nunca funcionou. Em contrapartida, talvez seja o momento ideal de pegar um clips e destrancar Ă tentativas⊠Nunca se sabe.
Não irei procurar pela chave do coração de alguém, eu sei que isso nunca funcionou. Em vez disso, talvez seja o momento ideal de pegar um clips e destrancar à tentativas⊠Nunca se sabe.
NĂŁo consigo negar o que sinto por algumas pessoas, mas nĂŁo irei falar. Irei me mutilar por dentro, esperando que elas nĂŁo percebam o quĂŁo triste eu estou por elas nĂŁo estarem aqui.
Um dia eu ainda voltarei a te ver e direi ao coração: cuidado, se segura ai, nada de sair correndo e se apegando. Ir atrĂĄs de quem nĂŁo te deu valor nĂŁo presta, guardar essa saudade dentro do peito tambĂ©m nĂŁo. EntĂŁo vocĂȘ se pergunta: tĂĄ, mas e agora? Agora vocĂȘ reflete e se acalma. Perder alguĂ©m Ă© um prejuĂzo do qual nĂŁo sabemos os danos, mas na vida, quem disse que precisamos recuperar todos os bens perdidos? Ăs vezes, Ă© bem melhor seguir em frente, apagando uma memĂłria do que nunca fomos.
Depois de um tempo Ă© praticamente impossĂvel nĂŁo conviver com si mesmo. O espelho do seu quarto reflete uma prisĂŁo da qual vocĂȘ nĂŁo pode fugir, apenas admirar. Seus olhos tornam-se respostas confusas, com certezas praticamente abstratas. Ă inegĂĄvel deixar de lado o pouco que te faz feliz, aprendendo que o pouco na verdade, pode nĂŁo ser tĂŁo suficiente assim. E claro, vocĂȘ sente falta de algo, num sentimento Ăąmago que se arrasta pelo insuportĂĄvel, desejando os lĂĄbios de alguĂ©m.
