Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Sempre existirå um fim, uma triste regra que não irå mudar a lógica da vida. Só que ficar nesse vai e vem, nessa agonia e nessa indecisão não faz o meu tipo. Basta bagunçar ainda mais, porque apesar de existirem poucas razÔes para prosseguir, ao prosseguir, encontramos coisas para aproveitar. As pedras que alguém atirou, as palavras que alguém disse e as oportunidades que tantos outros perderam são verdadeiras liçÔes de como aprender a ser uma pessoa melhor. à isso que nos torna humanos.
Se existe algo que os erros nĂŁo podem esconder Ă© o inevitĂĄvel. Por menor que seja, a luz estarĂĄ sempre um passo atrĂĄs de vocĂȘ. Fugir do que os outros podem ou nĂŁo gostar Ă© como julgar a si mesmo. Esconde-se o que Ă© verdadeiro, para demonstrar o dolorido cicatrizado no peito. Uma hora ou outra, o futuro que desconhecemos nos obrigarĂĄ a reviver os mesmos defeitos sem um dia sequer sonhar, sequer vencer.
A coragem da tristeza golpeia minhas escolhas e jorra um ciclo de dor dentro de mim. O orgulho torna-se inquestionĂĄvel quando a raiva flui do coração. HĂĄ um mundo de luto que conserva o silĂȘncio da vida e paralisa o vĂłrtice da ignorĂąncia. Convicção inabalĂĄvel que despenca sobre o rio do tempo e ecoa atĂ© a dĂĄdiva da culpa. Lacunas de solidĂŁo que ocultam rostos e nomes e forjam o inverno da alma. ManhĂŁ fria que me aquece em seus braços e empunha o segredo dos sonhos. Vergonha do passado que despedaça as paredes da confiança e condena o reflexo da vida. Vazio que preenche o sussurro do vento e envenena o sangue corrente nas veias. InteligĂȘncia que jaz ao gosto de mentiras e transfigura o inexorĂĄvel poder Ăąmago do tempo.
Penso com certo receio que minhas palavras sĂŁo incompletas. Vou fazendo de conta que tudo estĂĄ em ordem - meu quarto, minha vida amorosa, meus pensamentos. Mas que engano, meu coração deve ter uns mil anos de idade, uma pedra, um imĂŁ que atrai com fascĂnio pessoas indecisas. Sinto como se estivesse de mĂŁos atadas, tentando assistir quarenta e quatro canais ao mesmo tempo. A luta e a confusĂŁo me encurralam. NĂŁo hĂĄ como se esconder. NĂŁo hĂĄ como ignorar.
As pessoas pensam dominar as outras de um jeito completamente inusitado. Pluralidade nĂŁo Ă© o meu forte, a minha vida sempre foi uma caixa selada por medo. Quanto menos as pessoas souberem o que eu faço, menor a probabilidade delas me derrubarem. Caio e me levanto com meus problemas, procuro ver se existe alguma graça em continuar. Sei que me aprisiono em minha mente, embora viajo para alĂ©m dos portĂ”es densos da solidĂŁo. Abro-os perante minha prĂłpria vontade e dou o comando, fecho-os se achar necessĂĄrio. Sua presença Ă© bem vinda, embora esses apegos quase gritam adeus. NĂŁo Ă© como uma simples saudade. Primeiro vou abrir todas as janelas e depois as portas. Vou deixĂĄ-la entrar, e entĂŁo espero que vocĂȘ nĂŁo derrube todas as paredes e arranque o telhado como um tornado. Essas tempestades que me provam atĂ© onde caĂmos e quebramos dentro de nĂłs mesmos. O abismo nĂŁo Ă© real, mas somente alguĂ©m que me toque profundamente irĂĄ saber a imensidĂŁo dos penhascos que eu carrego. Ă inviĂĄvel jogar as pedras e a ironia sobre as minhas costas, talvez elas rolem e te acertem no meio do caminho. Culpar alguĂ©m somente o farĂĄ responsĂĄvel por algo que vocĂȘ nĂŁo pode lidar.
Ă inviĂĄvel jogar as pedras e a ironia sobre as minhas costas, talvez elas rolem e te acertem no meio do caminho.
Quem tenta entender segundas impressĂ”es cai na quebra da confiança e se despedaça, adoecendo na prĂłpria imunidade. Estive pensando, as pessoas buscam julgar aquilo que se assemelha muito a elas. Nossos defeitos aparentemente nĂŁo sĂŁo os nossos defeitos, sĂŁo evidĂȘncias nunca percebidas a sĂłs diante de um espelho, como se a porta da sua alma fosse um universo paralelo. NinguĂ©m entende quem Ă© quem, infelizmente. VocĂȘ serĂĄ usado por vocĂȘ mesmo, tentando jogar a culpa do outro lado. A corda irĂĄ romper, criando uma fissĂŁo entre o mundo dos sonhos e da realidade. Pode parecer loucura, mas apenas quem sente o Ăłdio e a fĂșria por muito tempo sabe como Ă© explodir em outro alguĂ©m, blasfemando algumas verdades com tom de ironia para depois repensar nas respostas que poderia ter dado. VocĂȘ pensa que as mĂĄgoas sĂŁo dissolvidas no rio da saudade, mas nĂŁo sĂŁo. VocĂȘ pensa que perdoou de tudo, mas nĂŁo perdoa. Somente quem deseja esquecer o passado sabe que as impressĂ”es futuras despedaçam qualquer tentativa frustrada de mudar algo.
Agonia⊠Talvez esse seja o lado bom da vida que faça alguém sobreviver até encontrar um rastro de paz feito por si mesmo.
Desprendido, isso que eu penso sobre transformar algo ruim em apenas uma memĂłria. Minhas preocupaçÔes nĂŁo sĂŁo mais as mesmas, estĂŁo seladas numa sepultura que resiste Ă anos sozinha perante a rejeição, a mentira e os julgamentos. SolidĂŁo incompleta, humanos abstratos, pessoas que pensam semear vento em uma tempestade para conquistarem o que mais precisam. Companhia. Um vulto de ar seco que se desfaz perante o Ășltimo grito de ajuda. Todos partem e todos quebram, essa Ă© a triste realidade. Acostume-se com isso, obter conforto com o aborrecimento, com o que se foi, tornou-se pĂĄlido ou virou pĂł em meio ao nada. Ă a vida me dizendo para prosseguir, sem ter motivos para recuar. Existe fĂ© suficiente para sair do poço da ilusĂŁo escalando atĂ© o Ășltimo degrau de agonia. AtĂ© mesmo as pancadas diĂĄrias da vida sentem a força com que batem, e apanham. Palavras possuem atitudes, mas quem disse que toda atitude dura para sempre? Ă o engano, o deplorĂĄvel, o lado ridĂculo que todos tentam ocultar. Atitudes tambĂ©m sĂŁo carregadas pelo vento num passe de mĂĄgica, simples assim. Nunca acreditei em mĂĄgica, aliĂĄs, nunca gostei de nada que faça meus olhos brilharem e depois desapareça sem entendimento algum.
Nunca acreditei em mågica, aliås, nunca gostei de nada que faça meus olhos brilharem e depois desapareça sem entendimento algum.
Existe uma porta na parede do tempo, existe uma fenda na prisĂŁo da alma. Eu sou eu, vocĂȘ tem certeza que vocĂȘ Ă© vocĂȘ?
Depois de transformar alguém em apenas um vulto, não é tão fåcil escapar dos próprios fantasmas.
Exausto, sem saber para onde ir. Mas nem Ă© algo fĂsico, Ă© um cansaço, Ă© ver que muito mais poderia ter sido feito, sem sequer pensar em como agir. Pode parecer que hĂĄ algo errado, mas nunca conseguirĂĄ encaixar um retalho de alegria e outro de frustração. Tem uma caixa inteira de opçÔes ao seu dispor, Ă© sĂł contar uma de cada vez. Pessoas, sentimentos, questionamentos. Sempre hĂĄ um miserĂĄvel, procurando nas cinzas o que sobrou das insistĂȘncias nunca ditas. Sempre hĂĄ um arrependido, preenchendo seu vazio existencial com as crises de negação. DĂĄ vontade de cavar um tĂșnel, e sair do outro lado da mente. Crescer com impaciĂȘncia, nĂŁo resolve. Olhar com sarcasmo, tambĂ©m nĂŁo. As coisas possuem o seu tempo, uma lĂłgica esquisita meio que forçando a barra, insinuando mil e uma maneiras de como destorcĂȘ-la. Viva um pouco, deixe o desespero de lado. Sempre existe esperança enquanto o sol nascer. Ao menos, sempre existirĂĄ vida enquanto vocĂȘ conseguir ver esse monstro de luz.
Talvez eu tenha perdido a vontade de falar com muita gente nos Ășltimos tempos, talvez elas tenham se tornado apenas o repĂșdio que tanto julgavam em mim. Queimei pontes, e agora elas iluminam o meu caminho. Vou para alĂ©m de toda essa porcaria que colocaram num cortiço de mĂĄgoas, e vejo a luz que me cega. NĂŁo importa quem vocĂȘ Ă©, seu ego Ă© apenas um maço de cigarros de marca, e vocĂȘ fuma suas atitudes atĂ© o fim. Ser popular nĂŁo faz de vocĂȘ um artista, assim como ser rico nĂŁo faz de vocĂȘ alguĂ©m importante. Mas ser honesto com o que vocĂȘ acredita pode tornĂĄ-lo perigoso. As pessoas criam monstros, reinventam ilusĂ”es e despedaçam amores que secam como flores num deserto maldito e assombrado. E no fim, nunca aceitam receber das mesmas pancadas que doaram.
DestruĂmos nĂłs mesmos quando tentamos uma situação que nĂŁo tem mais jeito de viver feliz ou que passou do ponto, nos fazendo perder a confiança e a admiração. DestruĂmos o nosso amor prĂłprio, quando mendigamos uma reconciliação por desespero, porque Ă© mais importante do que um recomeçar.
A nudez da mentira nos magoa e nos faz descrentes, mas melhor assim do que o vestir insensato da falta de lealdade.
Encontro com a poesia
Se estes versos te encontrassem
Perdida, sem rumo, te chamassem
Eis a libertação dos teus entraves
Em poesia, verso, rima e frases
Siga-os, adentre num mundo a parte
Navegue na escuridĂŁo dos pensamentos
Desembarque na clareza dos sentimentos
Esqueça seus planos, antes que seja tarde
Faça do seu destino uma consequĂȘncia
Mas nĂŁo se culpe por essa influencia
E somente agradeça a essa oportunidade
De mostrar ao mundo a sua outra metade
Mostrar-se de dentro pra fora; desnudo
De todo tipo de inverdade e destituĂdo
Dos medos que atormentam o mundo
Respirando a arte e vivendo destemido
Recuperando os sentidos jĂĄ esquecidos
E destruĂdos pela pobreza da modernidade
Desumanizados, segregados pela sociedade
Que sempre nos tornarĂĄ seres desconhecidos
Vou construir uma casinha de sapĂȘ
no mais alto daquelas
colinas.
Mas lĂĄ nĂŁo haverĂĄ
cama e nem colchĂŁo
TĂŁo pouco fogĂŁo
Nem se quer, ar condicionado.
Pois a minha rede pelos
pilares de madeira irĂĄ balangar
O meu fogo sobre brasas ei de me servir
A brisa gelada entre as fresta da janela,
ressoarĂĄ.
Aquele riacho que hĂĄ lĂĄ em baixo, a fome
e a sede nele cessarei
Para lĂĄ levarei a bela menina,
Dela meu horizonte ĂĄ farĂĄ deusa.
Ă tanta falsidade e interesse que estou trocando muita coisa... por meia duzia de coxinhas... pelo menos estas eu pago como e nĂŁo me iludo...
