Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Sou egoĂsta, nĂŁo se engane. Fico calado e evito dar o mĂnimo de atenção, mas se por acaso eu disser que gosto de vocĂȘ ou pensar que fui com a sua cara, jĂĄ Ă© meio caminho andado. Pessoas Ășnicas sempre acabam completando umas Ă s outras, atĂ© mesmo no silĂȘncio.
Diz que nĂŁo se importa, que superou as perdas e que as conversas diĂĄrias do passado jĂĄ nĂŁo fazem a menor falta. Mas todos os dias depois de acordar se apega Ă s crises de orgulho e deseja que um raio parta a todos aqueles que lhe ofenderam sem pensar. Quanta indecisĂŁo, a noite chega e vocĂȘ se pergunta a razĂŁo de estar tĂŁo sĂł, tĂŁo solitĂĄrio, mas eu te dou uma boa razĂŁo: ignoramos tanto alguĂ©m, que acabamos falando com nosso prĂłprio desprezo.
Jå tentei lançar minhas decepçÔes contra o vento, mas elas sempre voltam⊠Possuem asas, brotam do nada ou se arrastam pelo chão da alma como bem entendem.
à foda achar alguém que não troque de alguém tão fåcil, que perdoe, espere, aguente, mesmo sem saber no que as coisas irão dar. à foda encontrar alguém que ame, não finja, respeite e não tenha medo de se doar. à foda, admitir que falta algo que some, que viva, que não tenha a menor intenção de lhe machucar. à foda, se sentir tão vazio, sem lugar nenhum para se encaixar.
Pessoas⊠Existem aquelas que fazem vocĂȘ sentir falta em poucos minutos, outras, que nem levando uma vida inteira mudariam o pouco que sentimos por elas. Mas de alguma forma, mantenha por perto quem vocĂȘ ama e quem vocĂȘ odeia tambĂ©m. Pegar um galĂŁo de gasolina e queimar tudo nĂŁo resolve, Ă s vezes, atĂ© piora de espalhar as cinzas de quem nĂŁo merece respeito algum.
As pessoas poderiam trancar umas Ă s outras em seus coraçÔes e jogar as chaves fora, mas acredito que nĂŁo seria uma boa ideia. Começariam a surgir parasitas, iriam tentar controlar o reflexo de si mesmas e viver segundo o que acham sensato, pensando ser donas de atitudes que nem elas possuem. Por isso, defendo que cada um se tranque em seu prĂłprio mundo, sendo conveniente de vez em quando abrir as janelas da alma. HĂĄ muito mais liberdade e, em Ășltimos casos, se jogar contra a vidraça Ă© uma boa alternativa.
DĂĄ para entender um pouco a humanidade quando desejamos passar uma borracha no nosso passado e esquecer alguĂ©m, as pessoas sempre tentam esquecer algo que as machucou. A questĂŁo Ă©: quem deseja ser esquecido? A partir dai começamos a ser egoĂstas, nĂŁo querendo que aconteça com nĂłs o mesmo que fizemos com alguĂ©m. NĂŁo Ă© querer ser sarcĂĄstico nem nada, mas chutamos flores todos os dias, esperando que elas nĂŁo sangrem nem murchem.
Estou chutando o balde, pouco me importando se vou quebrar a cara de novo. As lågrimas caem, é claro que caem⊠mas mal aprendendo, bem aprendendo, sempre encontramos um jeito certo de amar o jeito errado.
Quantas vezes eu jĂĄ senti vontade de ir atrĂĄs de alguĂ©m e gritar afirmando a falta que sinto dessa pessoa, embora sempre encontramos um motivo para dar meia volta e ignorar a segunda chance. Idiota, vocĂȘ teve uma oportunidade para deixar tudo bem e chutou a esperança para longe, rolando ela contra um precipĂcio, transformando sua distração em apenas mais uma memĂłria que corre pelas suas veias. Mas tudo bem, ao ficar sozinho e pensativo de nada adianta reclamar, nĂŁo hĂĄ ninguĂ©m que admire a paz das palavras quando elas machucam dentro do peito.
Se odiar nĂŁo Ă© uma opção, continuar tirando as pedras do caminho Ă©, e sem dĂșvidas, algo ĂĄrduo de se fazer.
Esqueceram de me falar que viver era como acordar de um pesadelo. VocĂȘ sabe que estĂĄ sufocado e que algo estranho aconteceu, mas nem sempre Ă© capaz de perceber o que estĂĄ lhe sufocando. Sabe que seria fĂĄcil coçar seus olhos e espantar esse devaneio para longe, mas ainda assim, prefere manter as luzes apagadas e viver essa doce ilusĂŁo. EntĂŁo, aprende que nem todo pesadelo adormece, mas torna-se real.
Lendo uns garranchos antigos percebi que tinha muito de âvocĂȘâ no meio das palavras. Deveria ter escrito ânĂłsâ ou âeuâ, nĂłs que embolaram, eu que fiquei.
Tenho visto meu mundo mudar, enquanto me desapego das obsessĂ”es inĂșteis da vida. Digo com clareza que cansei de buscar por respostas, entendendo que as velhas perguntas jĂĄ nĂŁo servem mais. NĂŁo hĂĄ nada para se arrepender, muito menos adorar. AliĂĄs, arrependimento Ă© uma palavra que os vivos conhecem? Pois sinceramente, falamos de possuir uma histĂłria, ser honestos e entender alguĂ©m, mas o que fazer com essa batalha interna que existe em nĂłs? SĂł hĂĄ um jeito, superar. Se as pessoas desejam partir, elas que escolham o sentido contrĂĄrio, pois de tanto dar voltas, sempre acabam se encontrando diante do mesmo caminho. E olhar com desprezo nĂŁo resolve, se odiar tambĂ©m nĂŁo. Em vez disso, o chĂŁo torna-se o tĂŁo aguardado consolo, pronto para dizer o que os olhos insistem em negar: sua falta foi superada e as lacunas de solidĂŁo se fecharam. Agora seu amor nĂŁo tem sentido algum, vocĂȘ foi uma covarde, a antĂtese de um amigo. E eu decidi partir antes que fosse tarde demais, sem cartas, nem lĂĄgrimas, tudo secou, e as poucas palavras aprisionadas revelam o sacrifĂcio que eu faço: sobreviver.
Errou? Tudo bem. As pessoas sempre odeiam umas as outras tirando conclusÔes precipitadas. As verdadeiras ficam e vasculham um pouquinho mais a beleza das coisas.
VocĂȘ conhece alguĂ©m e pergunta para si mesmo: nossa, onde essa pessoa esteve antes? Ou ainda: qual a razĂŁo dessa pessoa estar na minha vida? Mas eu te digo a resposta: seus questionamentos chamam-se superação. Amor por quem ficou, força por quem continua amando. Vai por mim, se apegar causa sofrimentos inevitĂĄveis. Quanto mais a pessoa faz vocĂȘ sorrir, mais ela farĂĄ vocĂȘ sofrer na hora do adeus, e o fato das pessoas ficarem relembrando algo que as feriu torna as coisas ainda mais insuportĂĄveis do que a prĂłpria razĂŁo que as fez chorar.
