Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Sei que Ă© errado. Estou esperando um amanhĂŁ, uma pessoa certa, um dia que pode nĂŁo chegar. Talvez um dia eu esteja com 50 anos, sem amor, sem ninguĂ©m, aguardando pĂ©talas caĂrem do teto por tentativas que nunca fiz. NĂŁo haverĂĄ uma famĂlia para relembrar de mim ou alguĂ©m para sussurrar meu nome. E tempo nĂŁo volta, muito menos arrependimento pra corrigir algo.
Minha vida estĂĄ no silĂȘncio. NĂŁo tenho problema algum em falar com pessoas ou ouvir mĂșsicas com letras agitadas, mas eu sei que em determinado momento a faixa perde a graça e a humanidade torna-se um grande poço de chatice. Quero estar sĂł, sem ninguĂ©m para me perturbar. O sol sĂł se esconde de verdade quando eu o transformo numa sombra.
Qualquer felicidade dura apenas um pequeno momento. Ela se vai como uma folha carregada pelo vento ou como um raio que ilumina o horizonte. A felicidade que me refiro nĂŁo cabe numa Ășnica palavra, Ă© um abraço seu que pode simplesmente desaparecer como um pĂĄssaro no cĂ©u. E quer saber, essa felicidade estĂĄ muito distante, mas para toda distĂąncia existe um ponto de encontro. Ă esse ponto que eu preciso alcançar.
Basta fechar seus olhos para desaparecer em si mesmo, uma linha tĂȘnue a ser traçada entre o mundo dos sonhos e da realidade. Ă fĂĄcil se entregar ao sofrimento, quando as feridas abertas expĂ”em a nossa vĂŁ inocĂȘncia. Ă ĂĄrduo saber que metade da sua luz se apaga, quando a frĂĄgil arte da existĂȘncia significa persistir. Ă incĂŽmodo se calar e sentir saudade de discutir com alguĂ©m, quando vocĂȘ sofre por nĂŁo sofrer. A minha mente nĂŁo Ă© minha. O corpo cansa e a alma diz chega. Sou como um filĂłsofo maldito que sabe muito sobre absolutamente nada. O tudo nĂŁo Ă© nada e o nada significa tudo. Olhos sĂŁo uma vidraça para teorias que caem sobre pensamentos limitados e mentiras sĂŁo histĂłrias clichĂȘs de atitudes patĂ©ticas. Julgamos sem conhecer uma dor e almejamos o que nĂŁo Ă© nosso. E no final das contas, somos apenas cegos que guiam uns aos outros.
Olha sĂł, vocĂȘ sempre disse que nĂŁo darĂamos certo por causa das diferenças, por menores que elas fossem. E por ironia, foi esse julgamento que nos afastou. NĂŁo era preciso ser nenhum gĂȘnio para perceber que a diferença entre um remĂ©dio e o veneno Ă© a dose, a diferença entre vencer e perder Ă© a vontade e que a diferença entre os opostos Ă© apenas uma questĂŁo de aceitação. Mas agora, quem nĂŁo quer juntar as extremidades e entender sobre fatos sou eu, afinal, passamos a ser distantes quando a falta de igualdade vira falta de interesse.
Diariamente eu chego Ă conclusĂŁo de que a melhor forma de viver em uma pessoa nĂŁo Ă© necessariamente ao lado dela, mas nela em si. Quando damos algo a alguĂ©m, somos praticamente um parasita que nĂŁo se vai atĂ© o Ășltimo suspiro. Corroemos memĂłrias, vivemos em feridas que cicatrizam e renascemos a cada carta retirada do fundo da imaginação. Cuidado com esses rostos cansados, ali se escondem sonhos que se foram, sorrisos que nunca mais se entrelaçaram e beijos que caĂram no inevitĂĄvel. Pois de fato, tudo o que dissemos e fizemos Ă© marcado para sempre em alguĂ©m. Somos como poetas mortos que eternizam no que nĂŁo se pode mais tocar.
Quando se estĂĄ sĂł por muito tempo, Ă© perigoso demais buscar companhia sem entender o que se deseja, Ă© como enfiar seu braço numa caixa cheia de serpentes esperando tirar de lĂĄ felicidade. NĂŁo adianta, o veneno da solidĂŁo corrompe seu ego se vocĂȘ nĂŁo amar a si mesmo. E outra, Ă© inviĂĄvel estar com alguĂ©m somente por estar, a confiança torna-se uma droga alucinĂłgena.
Esse Ă© o meu mundo, me mostrando que existem sonhos longe daqui. E veja bem, tudo que eu passei foi um ontem, um passado, um dia que pode atĂ© nĂŁo ter chego ao seu fim, mas que me abriu os olhos. Humanos indecisos. Seres sarcĂĄsticos que vĂŁo e voltam achando que somos os mesmos, procurando em quantos cacos ainda nos cortamos. Mas eu te digo, nĂŁo somos. Queremos coisas melhores, dias melhores, amores melhores. Sofremos como um enjoo devido Ă orientação do juĂzo. E que juĂzo, pensamentos nostĂĄlgicos, solidĂŁo, noites sem dormir, pessoas que nĂŁo se tocam sobre o quanto eram importantes em nossas vidas e que agora, nĂŁo passam de um fundo de gaveta. Quero demolir as rejeiçÔes, anestesiar o tempo, ver com quantas mĂĄgoas se cria um caminho de decepção. Ă uma vontade de se jogar no vento e ver se esse vazio vai embora. Mas nĂŁo Ă© eu, Ă© alguĂ©m, e acho bom saber voar. Era um ciĂșme, um pequeno egoĂsmo, um medo bobo de te perder que se transformou em indiferença. Ă ĂĄrduo refazer pontes, Ă© cansativo. Percebemos que nĂŁo Ă© amor quando isso nĂŁo esquenta mais o peito, mas queima num sentimento de querer abandonar tudo. Ă uma dor, Ă© uma fase chata, Ă© uma vontade de sair do prĂłprio corpo e encarnar algo sem vida. NĂŁo Ă© drama, nĂŁo Ă© frescura, Ă© realidade, Ă© um pedido de esquecimento. Pessoas que escolhem umas as outras nĂŁo merecem confiança, muito menos companhia. Ă querer nada mais, Ă© sumir do mapa, Ă© um adeus. As pessoas sĂł nos procuram quando sabem onde nos encontrar.
A verdade Ă© que se vocĂȘ for fundo demais, nĂŁo existe ninguĂ©m que nĂŁo seja tocado com palavras. DĂĄ para derrubar uma muralha muito bem com o assobio certo.
Foi muito bonito ver vocĂȘ sorrindo, sou apaixonado por isso. Ă imaginação, Ă© real, Ă© ilusĂłrio, Ă© sentimento. Ă tudo que acontece de verdade sem ninguĂ©m para dizer o contrĂĄrio. Sorrisos sĂŁo como torres que me protegem dos destroços de mais um dia inĂștil. Ă, nĂŁo posso negar, nĂŁo mesmo. Um atĂ© mais foi a coisa mais gentil desde que seus olhos se perderam nos meus.
NĂŁo dĂĄ para saber se o mundo Ă© um rĂ©quiem ou uma parte do inferno. NĂłs temos lugares agradĂĄveis, mas nem sempre possuĂmos Ăłtimos amigos. Como saber se Ă s vezes nĂŁo somos apenas um tijolo no muro sustentando um ego vazio? Por trĂĄs do sorriso das pessoas, sempre existe algo frio que nĂŁo condiz com aquilo que pensam sobre nĂłs. Sempre hĂĄ alguĂ©m pintando uma parede com todo o Ăłdio possĂvel, nunca se achando bom o suficiente para continuar. Sempre existe alguĂ©m se remoendo no chapisco de um muro, procurando vida entre os cacos que cortaram durante um dia inteiro. Sempre hĂĄ alguĂ©m procurando uma pessoa perfeita, encontrando-se numa milha milagrosa de ilusĂŁo. O chĂŁo do seu quarto torna-se um abismo, transgredindo sua falta de vida e a atenção que ninguĂ©m soube te dar. Atenção que nĂŁo se implora, mas que se abre no peito igual uma ferida acesa pelo tempo. Todos nĂłs queremos ser algo para alguĂ©m, sem sequer dizer ou demonstrar isso. E depois de tanto suportar, mudar, chorar, rir, gritar ou sufocar, vocĂȘ entende que precisa se amar enquanto Ă© possĂvel. Entende que falar sobre desconfianças gera apenas mais dĂșvidas e que nĂŁo se apegar Ă© a melhor forma de sobreviver. Tudo que Ă© demais pesa e agir de menos nĂŁo leva a lugar nenhum. Quando tudo passa, percebemos que era inĂștil se preocupar tanto por algo banal. Afinal, vocĂȘ estava chegando ao fundo do poço sem saber que sempre existe mais um palmo para se afundar.
O tempo passa e as lembranças ficam. Muita coisa que deveria ter virado pĂł, mas que insiste em arrancar alguns sorrisos amanhĂŁ serĂĄ apenas um motivo para seguir em frente, assim como toda tristeza serĂĄ um porto seguro para se atracar. Perdoar e ser perdoado Ă© ĂĄrduo, mas nĂŁo impossĂvel. SĂł o simples fato de recostar a cabeça no travesseiro deveria trazer alguĂ©m de volta, mas nĂŁo traz. Ă assim mesmo! NĂŁo adianta gritar para a saudade, ela Ă© um silĂȘncio que se desperta com o primeiro bocejo de bom dia.
VocĂȘ nunca se arrepende por tentar algo. VocĂȘ se arrepende por nunca tentar. A dor de se machucar passa, a dor de nunca mais voltar no tempo e mudar algo Ă© eterna.
E entĂŁo, eu nĂŁo sentia culpa, muito menos falta. Percebi que nĂŁo eram as pessoas que estavam indo embora, mas eu que jĂĄ havia partido faz muito tempo.
Ă assim que me sinto. Depois de pensar que as pessoas estariam te abraçando, elas estavam lĂĄ numa festa, rindo, te abandonando. Ou sei lĂĄ, homens, mulheres, quantas vezes dizem que amam vocĂȘ e mais 10 pessoas junto? Eu nĂŁo sei. As pessoas que enchem tua paciĂȘncia porque vocĂȘ sequer diz bom dia sĂŁo as mesmas que se esqueciam de dizer boa noite lĂĄ atrĂĄs. Esse amor que nĂŁo dĂĄ pra suportar, tĂŁo falso que uma solidĂŁo junta do chĂŁo do quarto Ă© a melhor coisa a se fazer.
Acontece esse mal, essa tristeza, esse desùnimo de carregar os cacos pra ver se mudamos algo. E sempre mudamos, mudamos ao olhar a chuva cair na janela, ao caminhar, ao pensar que somos os mesmos, ao sorrir com a chegada de um novo alguém. Sempre faremos esse papel de trouxa, mas de vez em quando då vontade de dobrar ele, guardar no bolso e ir atrås de abraços como o seu. Eu sei que sou idiota também, eu sei, eu preciso de algo pra me sentir assim.
Ăs vezes me lembro de quem partiu. Um, dois. Silenciosos, sem dizer adeus algum. Essa era a triste verdade, todos viraram pĂł na memĂłria. Mas por fim, eu nĂŁo saberia dizer se eles me procuraram, sentiram minha falta ou fingiram nĂŁo precisar. Essas trĂȘs verdades absolutas nĂŁo explicavam grandes coisas. AliĂĄs, nĂŁo explicavam absolutamente nada. E eu? Eu tentando entender de tudo, sabendo de menos.
Algumas pessoas vivem pedindo para que eu escreva sobre a felicidade e lĂĄ vou eu encontrar razĂ”es para expressar ou comprovar isso. Mas a dura verdade Ă© que a paz nĂŁo pode ser explicada, pois na maioria das vezes Ă© um estado de espĂrito onde voltamos Ă estaca zero cravando adagas no coração. E sim, me referi Ă paz. O seu olhar Ă© como um lar e a sua companhia uma dĂșbia realidade, talvez doce, talvez amarga. E Ă© isso que na maioria das vezes ninguĂ©m percebe, nĂŁo Ă© preciso dizer eu te amo para provar que se ama, nĂŁo Ă© preciso sorrir para demonstrar algo que estĂĄ explĂcito perante dois olhos. Felicidade verdadeira Ă© como o inverno ou o verĂŁo, sempre vai ter um meio termo ou um oceano de dĂșvidas entre as emoçÔes. Mas eu prefiro acreditar que ser feliz nĂŁo depende de algo, pois nunca se sabe o que se soma ou some.
