Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Se vocĂȘ tivesse uma mĂĄquina do tempo e ela voltasse apenas dois dias atrĂĄs. O que vocĂȘ mudaria? Seria menos ansioso, mais calmo? Iria abraçar alguĂ©m, diria que sente falta? Jogaria seu arrependimento no lixo, faria as pazes consigo mesmo? Arrumaria seu quarto? Visitaria um amigo de longa caminhada? Escreveria uma frase de Ăłdio ou amor? Tomaria um sorvete qualquer? Convidaria a pessoa dos seus sonhos para sair? Mas nĂŁo, vocĂȘ nĂŁo pode voltar no tempo, nĂŁo pode apagar uma lembrança sem antes perdoar suas atitudes. E por que nĂŁo recomeçar agora?
Talvez paz seja isso, trilhar um caminho Ășnico em vocĂȘ mesmo. Ă chegar num beco sem saĂda tentando escalar uma barreira de fraquezas, ou ainda, quando vocĂȘ nĂŁo encontra por onde subir, abrir um buraco no chĂŁo nem que seja com uma pĂĄ. Talvez paz seja isso, Ă© esgotar suas forças para se afogar numa represa de emoçÔes e fluir sinceridade, nĂŁo almejando inveja. NinguĂ©m precisa trilhar o caminho dos outros. Algumas pessoas andam sobre a fama, a ganĂąncia ou a mentira, e nem sempre elas estĂŁo indo para o lugar certo. Elas nĂŁo andam, rastejam. EstĂŁo sempre sendo sufocadas por pessoas falsas e nĂŁo por abraços verdadeiros.
Brigas, silĂȘncios, diferentes pontos de vista e retornos que incitam as mesmas desculpas de sempre. Ă, sĂŁo vocĂȘs dois. Dois orgulhosos. Se algo bate uma vez, nĂŁo adianta ficar dando porrada na insistĂȘncia. Os dois se destroem, os dois quase se odeiam no amor. E se o tempo nĂŁo souber o que fazer, os dois se arrebentam do mesmo jeito. SĂŁo apenas dois teimosos provando que nĂŁo precisam um do outro.
Um dia vocĂȘ perceberĂĄ que quem te ignorou e vocĂȘ tanto se importou, na verdade, nĂŁo era a alma gĂȘmea da sua vida. Um dia vocĂȘ descobrirĂĄ que para ser feliz com uma pessoa, Ă© preciso, acima de tudo, nĂŁo precisar dela. Um dia vocĂȘ entenderĂĄ que a pergunta âhĂĄ vidas sem valorâ nunca fez tanto sentido antes. Um dia vocĂȘ olharĂĄ para o espelho e se perguntarĂĄ o que aconteceu - odiando a si mesmo. Um dia vocĂȘ saberĂĄ que o entendimento sufoca e a vida se vai. Enfim⊠Um dia vocĂȘ aprenderĂĄ a renascer com a respiração tortuosa do tempo.
O lado bom de alguĂ©m fazer vocĂȘ amar Ă© que vocĂȘ abre seu peito igual uma gaiola, espalhando sentimentos. E caso essa pessoa pouco se importe, vocĂȘ estĂĄ a dois passos de abandonar um cativeiro. A dĂșvida Ă© se vocĂȘ se torna um pĂĄssaro livre ou um animal desesperado. Vai tomar novos ares ou ficar se debatendo contra as mĂĄgoas?
NĂŁo adianta trancar as portas, o medo faz do seu mundo uma prisĂŁo horrĂvel. Essa sua confiança forjada nĂŁo te protege de nada.
Havia acontecido tanta coisa esquisita, que a vida lĂĄ fora refletia uma prisĂŁo e o espelho de seu quarto uma alma cansada.
A vida Ă© uma nebulosa de dĂșvidas onde pouco se vĂȘ e pouco se entende. NĂŁo adianta desdobrar um roteiro para ler o seu futuro, nĂŁo adianta revirar uma gaveta com a intenção de ressuscitar o seu passado. Certas portas nĂŁo possuem uma chave e Ă s vezes, viver de cacos e rabiscos pode ser a melhor das fugas.
Fico contente ao admirar pensamentos que transbordam uma emoção incrĂvel, onde duas linhas sĂŁo suficientes para reanimar uma vida. Agradeço de coração a aqueles que escrevem com a alma e nunca por aceitação. Esses sim, esses sĂŁo realmente capazes de serem poetas sem fazer poesia. Gosto do fato de saber que grandes pensadores suportam uma dor maior do que podem carregar, mesmo que isso seja ĂĄrduo e inexplicĂĄvel. O maior desafio de ser escritor nĂŁo Ă© escrever, mas preencher o peito de alguĂ©m com palavras tĂŁo belas que nĂŁo cabem num papel.
Somos como um livro esquecido nas areias do tempo. Somos pó, um pedaço de papel, a magia em forma de palavras. Fazemos parte do desconhecido, adormecemos na penumbra perpétua. Somos ignorados, somos a capa cor de vinho que não condiz com as letras douradas. Talvez não somos nada, nem ninguém, para alguém. Mas sempre existe um outro alguém e esse ninguém nos encontrarå. Seremos folheados e nossos låbios dirão o que as palavras insistem em negar: um romance, que se desvenda além do corpo e da mente. Não é para ser lido, mas sentido.
Eu preciso disfarçar que nĂŁo sinto mais falta. Ă sombrio isso, a saudade nĂŁo Ă© um parque de diversĂ”es, Ă© como um fĂłsforo riscado diante do combustĂvel. Tudo explode, a vida torna-se uma pilha de cascalho e vocĂȘ se arrasta entre os cacos da dor refletida em milhares de espelhos. O vazio te alcança e a pessoa em questĂŁo desaparece de vista no outro lado da alma.
Ser confiante em algo tem lĂĄ suas desvantagens. O fato de confiar nas pessoas que estĂŁo presentes em seu cĂrculo vicioso faz de vocĂȘ um ser ingĂȘnuo. Mas se isso Ă© algo bom, restam algumas montanhas para serem escaladas e objetivos para se cumprir. VocĂȘ certamente nĂŁo deixou todas as suas cicatrizes neste planeta, estĂĄ apenas começando.
Apesar de negar o contrĂĄrio, eu sempre desejei cada pedacinho da sua atenção. Provavelmente vou enlouquecer sentindo o cheiro da sua pele assombrando meus pulmĂ”es. Talvez eu tente convencĂȘ-la a voltar, ouvindo um nĂŁo, que ilusoriamente serĂĄ o feito mais saudĂĄvel desde que vocĂȘ me jogou nesse tĂșmulo de lembranças. Sairei quando for possĂvel, empurrando palavras contra minha garganta, sabendo que o pior jĂĄ se passou. Sinto a saudade em meus ossos, em cada cicatriz impregnada na parede, em cada pensamento descrito na porta. Ficarei sĂłbrio, enquanto eu tentar salvar a mim mesmo. E quanto a esse orgulho, nĂŁo se sinta negligente ou imprudente, nĂŁo tente refazer seus passos igual um fantasma, o passado estarĂĄ sempre lĂĄ para te assombrar.
Tenho desistido de muitas coisas, mas nĂŁo de mim mesmo. Sei o que nĂŁo vale a pena, o que nĂŁo me completa. E se continuo indo a algum lugar Ă© porque restaram alguns sonhos. NinguĂ©m vive sĂł de pessoas e reciprocidade, elas se vĂŁo e amor enche de erva daninha. NĂŁo Ă© uma dor fĂsica, Ă© algo que rasga a alma e rabisca o papel. Simples assim, as palavras saem como um tiro de canhĂŁo, nĂŁo desejam mais nada, apenas vitalidade. Amor prĂłprio Ă© aquele que vocĂȘ encontra quando tenta carregar um peso vazio, um peso que nem sempre condiz com a sua tristeza.
Quem me dera fosse drama o que estou sentindo, embora passe bem longe disso. São crises de orgulho misturadas com doses de incerteza. à saber que tanto me importei com alguém que pouco se lixou. Meu bem, eu tenho vontade de revirar essa sua cabeça de borboleta e deixar um recado nada gentil lå. Seria algo assim: sua idiota, eu te amava.
Vejo o espelho e encontro eu mesmo. Nesta jaula mental eu permaneço aprisionado. Olho para minha criança interior e sussurro: cuidado com os sonhos. E eu seguro ela para ela não chorar, diante de olhos que se tornaram geleiras. Minha fraca respiração guia o vento, enquanto eu destruo o inquebråvel. Liberdade, para um coração que é um oceano e pensamentos que são uma galåxia. Apenas observo os imbecis, porque é assim que me sinto: perdido, nessa selva sådica onde todos falam, mas ninguém entende nada.
NĂŁo, seu imbecil, vocĂȘ Ă© apenas um humano imperfeito procurando perfeição entre cacos e flores.
Acredito que vocĂȘ precise chegar no fundo do poço para entender, que Ă© fĂĄcil qualquer um dizer que jĂĄ chegou atĂ© lĂĄ. Embora nunca se pegou olhando para essa coisa chamada Ăłdio e gritou com toda a sua fĂșria, saia daqui.
