Indiferente
“...Para dominar, você tinha de ser indiferente – à imposição da dor, à privação do prazer, à diminuição dos direitos...”
Pare de olhar
Pare de olhar com esse olhar tão incomum,
tão indiferente daquilo que era a gente.
Pare de olhar, com esse arrependimento.
Se eu, que sou eu, já nem mais me lamento.
Garoto, pare de olhar, o tempo não irá voltar.
Fez tudo o que fez, sem obrigação alguma.
Não foi jogo, não foi sorte nenhuma.
Tomou a decisão certa.
Agora estou aqui, de porta e janela aberta,
Não guardo nada, nenhuma lembrança tua em minha mente.
Estou aqui, esperando o amor bater novamente,
Se é que me restou algum,
Comparado ao que eu era, me sinto incomum.
Você veio e ficou.
Você ficou e passou.
Passou.
E foi só isso.
Ainda bem.
Já não guardo mágoa, nem rancor.
Não guardo nada.
Nem lembro qual o teu sabor.
A cor do teu cabelo...
Você veio pra estragar tudo.
Veio pra apagar meu brilho.
Agora, estou oscilando.
Sofrendo, continuarei cantando.
Andando.
Correndo.
Pra onde o vento levar.
Seguirei sem rumo,
Assim mesmo,
Sou desse jeito, feita de defeito.
Vivendo apenas o hoje, com a certeza de que o amanhã pode nem aparecer.
Temos que viver o hoje, e o passado, esquecer.
Haverá um menino e tornar-se-á bem sabido, verá tudo se repetindo... Sorridente - indiferente e a alcunha de sobrevivente, sentará feliz lá na praça jogando milhos pras garças
O mundo está tão indiferente.
Parece que ninguém significa nada um para o outro.
O que vemos é amor e amizade por interesse ou conveniência.
E, no momento em que você deixa de servir, é descartado… como se não houvesse nada dentro de você.
Hoje, o medo é tão grande que eu mesma afasto as pessoas.
Não permito que se aproximem, que se tornem íntimas — e faço isso sem perceber.
Quando me dou conta… continuo sozinha.”
Num tempo em que o amor se desfaz em fragmentos, como folhas secas sopradas pelo vento indiferente…
Num tempo em que os corpos se encontram, mas as almas não se reconhecem,
em que o prazer se tornou moeda fria e o desejo, um artifício sem essência…
Ali, no meio do deserto emocional de uma época árida, dois seres foram colhidos pelo sopro misterioso do destino.
Ela, mulher já moldada pelo rigor dos estudos e pela solidez das escolhas;
ele, homem simples, que caminhava com a esperança nos ombros e a dignidade como única bagagem.
E então, como quem não teme o improvável, a vida — com seus dedos invisíveis — conduziu-os ao mesmo instante, ao mesmo espaço.
Ele buscava apenas um trabalho.
Ela, serena e altiva, conduzia os trâmites das contratações.
Mas o que se deu naquele momento fugiu à lógica das funções e papéis.
Os olhos dele encontraram os dela — e nesse breve cruzar de olhares, o tempo pareceu deter sua marcha.
Um frio, suave e lancinante, percorreu-lhe o ventre;
o coração, em súbita rebelião, disparou, como se quisesse anunciar-lhe que havia acabado de adentrar outro universo:
um mundo de possibilidades jamais sonhadas, de beleza não prevista, de encantamento silencioso.
Ela, com um sorriso que parecia carregar toda a luz ausente daquele mundo tão sombrio, o acolheu com uma delicadeza que não sabia ter.
O tempo, então, os envolveu com sua rede sutil: as mensagens foram nascendo, os diálogos se multiplicando, a amizade se firmando como quem finca raízes em solo fértil.
Mas, aos poucos, algo mais delicado, mais tênue — e por isso mesmo mais perigoso — começou a despontar.
Ele, envolto em desejos calados e vontades que jamais ousara confessar, percebeu-se enamorado.
Ela… ah, ela, embora casada, embora presa aos laços que o tempo e a história haviam tecido, pressentia, em cada palavra trocada, que aquele homem guardava para ela um sentimento que transcendia a amizade.
Mas, com a altivez de quem conhece o peso das escolhas, permaneceu firme, limitando-se à candura da amizade e ao respeito que ainda tributava ao casamento, apesar das dificuldades que o atravessavam como ventos insistentes.
E assim, ambos permanecem, suspensos…
Como folhas que o outono ainda não decidiu deixar cair,
como estrelas que se olham de longe, cientes de que, embora se reconheçam no brilho mútuo, jamais poderão colidir sem que o universo se parta em dois.
E fica, então, a pergunta que apenas o tempo poderá responder:
Será que o mesmo destino que os fez se encontrarem ousará, também, uni-los?
Ou será este um amor que deverá permanecer, para sempre, no território do não-dito, do suspenso, do que poderia ter sido, mas não foi?
O tempo — este velho escultor de verdades e silêncios — dirá…
Pois o amor, quando é verdadeiro, não conhece pressa: ele é paciente como quem sabe que, mesmo no mais árido dos desertos, sempre haverá uma flor a nascer.
Um amor assim: belo, intenso… e, quem sabe, perigosamente eterno.
Lockdown Mental
Mentalmente
Impermeável
Insensível
Indiferente
Na contramão
Da história
De arrogante
Um primitivismo
Assustador
Atingindo
Os limites
Da estupidez
Não satisfeito
Prosseguindo
Lockdown mental
Uma boa porção
Desta humanidade atual
Estão a precisar de um alto falante
Pra sua indiferente
E vazia voz da consciência.
***
"Lutar com o seu melhor, indiferente às circunstâncias adversas que encontrar no caminho, essa é a única fórmula para o sucesso pessoal, medido não pelos resultados, mas pelo seu empenho durante todo o processo."
"Entregar o melhor de si, indiferente as intempéries ou injustiças que cometam contra si, aí está dentre tantos os segredos para o êxito, o maior e mais necessário para se alcançar esse último."
Eu amei
E o tempo me fez parar
Eu me senti bem
E o tempo me fez indiferente
Eu queria aquela sensação
Mas o tempo sempre rouba
O que nasce em meu coração
Indiferente à sua ideologia, posição social, econômica ou nível de sabedoria.
Ganhe mais vida inspirando e não recriminando.
ꔛ୭͓ꦿ݉ᐧᨗ🍒 ⃝༘🍒´݈{raiva incessante} 𝐏𝐨𝐞𝐦𝐚 𝐗𝐗𝐈𝐗
Como é engraçado ver você tão indiferente
Como você consegue ser tão inconveniente?
Tão irritante ver você sendo insolente
É lamentável demais ver que eu me submeti a alguém assim
Quando eu sabia que merecia uma pessoa melhor para mim.
Não se passa indiferente numa vida, quando o amor é presente. Há lembrança na saudade da gente...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 02 2022 - Araguari, MG
