Inconstante
A meditação inconstante
da alma,
que busca
no cotidiano do viver,
encontra o que deseja
num simples abraço.
A paixão é mesmo essa tempestade de fogo inconstante que nos ensina, quando pacientes, a voar em turbulência.
E se eu soubesse o que fazer pra te agradar, já teria feito. Mas não sei! Você é tão inconstante, tem um lado tão misterioso...! Infelizmente não consigo desvendar.
E o senhor dos acontecimentos se chama TEMPO! Mas não terei todo o tempo do Mundo. De coração aberto esperarei qualquer reação, seja ela qual for.
A vida é inconstante, cheia de altos e baixos, cabe a nós revidar cada ameaça de queda, tentando manter-se em equilíbrio. Costumo compará-la com um livro de aprendizagem, por suas várias lições, que ao longo de cada página tentamos decifrar a mensagem. Só que há uma diferença: no livro usamos a teoria; na vida requer os conhecimentos teóricos e a prática deles. E é justamente nesse ponto que erramos - na prática. Por mais que a gente conheça o erro de co e salteado, acabamos cometendo-o inúmeras vezes, quase inevitável e sem querer, é claro.
Sou inconstante e não sei lidar com a inconstância alheia;
Dificilmente consigo expressar tudo o que eu sinto, eu gostaria que todos me dissessem exatamente o que sentem o tempo todo;
Me pego tentando encontrar algo ou alguém para culpar, para justificar a minha (única constante) avidez, mesmo sabendo que ela nasceu comigo;
Minhas emoções, boas ou ruins, excedem o "exagero", me entristeço de não conseguir fazer as pessoas sentirem o mesmo, mesmo admirando tanto a beleza do "equilíbrio";
Mesmo amando e me importando com muita gente, dificilmente deixo isso claro, me esqueço de procurar por elas, de perguntar sobre elas, de demonstrar preocupação e interesse, não sou boa na receita de manter laços, embora eles me façam o maior bem;
Afeto as pessoas ao meu redor, quando me sinto na liberdade de "ser eu mesma", sem analisar antes se estou no "direito" de ser, me preocupo somente em falar o que penso, dificilmente ouço, na necessidade de ser "compreendida", dificilmente compreendo;
Isso tudo é egoísta e injusto da minha parte, e eu sei.
Para compensar um pouco, meus conselhos quase sempre se voltam contra mim, uma voz me insultando claramente de "hipócrita", isso é muito justo.
Quando você não está comigo
Eu adoeço, fico impaciente, inconstante
Perco a referência de muitas coisas
E a fé no amor.
Quando você volta
É como um renascer
Naquilo que eu acredito
Um encontrar daquilo que eu gosto de ser.
Mas se você precisa ir sempre, vá
Só não me tire as canções que eu gosto de ouvir
Não me tire essa verdade inventada
Que insiste em dizer que me ama.
Quando você me ilude
Eu vivo mais feliz
E é bem possível que eu te ame
Por toda a minha vida...
Felicidade inconstante é se entrelaçar com o amor que o coração deseja para si próprio, mas acariciar o coração de quem você gosta é ainda mais sedutor;
De Peixes
Mora na superfície, e nada na profundeza
É Inconstante, de difícil localização
Está intensamente afastado
Seu lugar, é a contradição.
Querido peixe, tenha mais exatidão.
Reluz em seus olhos a obsessão,
Cuidado peixinho, a ansiedade devora!
Teimoso, não me ouve, abocanha mais uma isca
Sorte que você ainda é pequeno!
E teve a chance de escapar.
Mas, peixinho você está crescendo
E o mar não é só diversão.
Tenha mais cuidado, você não é tubarão.
Peixe fui nadar,
Te cuida!
- Acreditas em mim?
- Não! És muito inconstante, nunca sei se o que dizes é verdade ou é fingido
- Se eu te disser que o que mais desejo é que sejas feliz acreditas?
- Não!
- Pois, mas é verdade
A felicidade é inconstante e variável, muitas vezes até momentânea, por isso é sempre bom aproveitar cada segundo desse sentimento, para que em dias tristes a sua lembrança possa me trazer um sorriso...
A constância da matemática é inconstante perante os desafios de uma nova humanidade. A holística de um mundo novo e quente por informação nova.
Não seja inconstante, pois a cada vez que você muda de desejo, Deus lhe encaminha para o final da fila correspondente.
CALABOUÇO (soneto)
Ah! quem há de amar, amor inconstante e criado
O que o coração sofre, e a poesia cria impotente
Sangra, chora, pena e arde o sentimento da gente
Nas lágrimas poetadas num recanto aprisionado
O pensamento escreve, e o desagrado fica ao lado
Catucando a alma com seu olhar tão descontente
Quando nos versos teria que ser o trovar diferente
E, insistente, se faz a melancolia hospedada no fado
Ó palavra pesada, rude, fria e espessa, que penaliza
Abafa a ideia leve, e do sonho põe-se num paralelo
Onde refugia a solidão, numa escuridão governanta
Quem pode achar a expressão tenra, tal afável brisa?
Que sopre rimas que nunca foram ditas, de teor belo
E venha ao amor confessar agrado preso na garganta!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07/01/2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
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