Houve um Tempo
Houve um tempo em que não havia espelhos e a própria imagem era algo inviável de se imaginar... Houve um tempo em que os sons eram de uma única vez, de várias vezes que fosse, mas sem gravação e sua farta audição em qualquer momento e lugar. Como, pois, ouvir a mesma música mais de uma vez a não ser que se voltasse ao ambiente onde ela poderia ser escutada ou se, em tendo como, o próprio ouvinte lha tocasse? Difícil... Ouve o tempo? Não! O tempo é a régua do andar do espaço e não pode ser ouvido. Importantíssimo e quase inócuo, ele é o tecido que encobre a entretela do suposto acaso. Estamos aqui e, se não há limites ao ser, há uma direção que emerge, ou se alimenta, do ocaso. A vida é, também, medida pelo tamanho da morte de cada vivente.
Para onde está indo a família? Houve um tempo em que os pais exerciam autoridade apenas com um olhar. Hoje, além de não serem mais tidos como exemplos, ainda são desrespeitados pelos próprios filhos. Em muitas famílias irmão com irmão já não se entende mais a mão, parece que o ódio e a inveja não permitem mais pedidos de desculpas e reconciliação. Se não bastasse o desgaste da família por conta das drogas, bebidas e ganância por mais dinheiro e poder, ainda temos a televisão contribuindo para o fim da família e a banalização dos valores morais e cristãos (Nelson Locatelli, escritor)
Houve um tempo em que meninas queriam ser princesas.
Houve um tempo em que meninas esperavam um príncipe com um cavalo.
Houve um tempo em que meninas eram presas em castelos em torres.
O tempo passou.
Meninas se tornaram "minas", "novinhas", peladas no espelho.
O tempo passou.
O príncipe se tornou um "cavalo" montado num possante.
O tempo passou.
Castelo e torre hoje é chamado de cativeiro.
Meninas geram princesas que não poderão ter um castelo.
Meninas geram príncipes que não montaram cavalo.
Meninas não apreenderão amar.
Meninas querem ser mulher.
Menina apreenda que para ser mulher é preciso ser menina, que seja menina faceira, encrenqueira ou bagunceira mas nunca queira ser antes do tempo aquela mulher que vai chorar por ter adiantado uma vida inteira....
Houve um tempo que no campo de trigo, havia alguns joios misturados. Hoje há um campo de joio, onde procurando você encontra alguns trigos que ali ainda resistem...
houve um tempo em que eu era um mulher e ele,um homem.
mas,nosso amor cresceu,ate nao existir mais nem ele nem eu;
lembro-me apenas,vagamente,que antes éramos dois,e que o amor,intrometendo-se,tornou-nos um so.
Ilusão
Já houve um tempo, no florir da idade,
em que juntos, a ver o pôr do sol,
tecíamos o futuro com as cores do arrebol
e sonhávamos que o amor
era feito, na verdade,
de nuvens cor de rosa,
sem nenhuma outra cor.
Hoje eu sei!
Não é de nuvens.
Muito menos cor de rosa!
Houve um tempo em que eu me divertia. Tempo de infância, infância esta de que eu não posso reclamar; corria pela rua só de cueca, brincava de peão, pipa, jogava de bola no campo. Descalço eu corria de um lado para o outro. De uma coisa eu sinto mais saudades, quando somos crianças não sabemos o que é a falsidade, não sabemos o que é mentir, não temos vergonha, somos sinceros o tempo inteiro. Saudades desse tempo de ingenuidade, despreocupação e liberdade. Queria revivê-lo, senti-lo mesmo que por poucos instantes. Ficaria feliz por ter essa chance. Feliz por não precisar fingir ser algo que eu não sou, quer dizer: este sou eu, mas não por completo.
Houve um tempo onde todos temiam a mudança, o novo tudo aquilo gerava um ar de preocupação, se realmente daria certo fazer algo que jamais alguém havia tentado que era considerado impossível. Mas apareceu alguém que sem dar atenção ao que os outros pensavam foi lá e fez! Esse deve ser você, na sua vida sempre terá aqueles que vão lhe dizer para não tentar algo e que não valerá a pena, que você não vai conseguir, a sua felicidade depende apenas e unicamente de você. Então não fique aí parado pensando no que pode dar errado e faça!
Houve um tempo em que eu achava que tudo não passava de uma mera ilusão. Houve um tempo que eu ainda acreditava que as estrelas, que Deus, poderia trazê-lo de volta pra mim. Houve um tempo em que eu, não entendendo a triste realidade, tinha a esperança de senti-lo pela última vez me abraçando, olhando nos meus olhos e refletindo a sua bondade, a sua humildade e o seu amor. Houve um tempo em que eu não tolerava mais esperar ele chegar, foi aí que eu tentei achá-lo por mim mesma. Procurei no meu quarto, na casa, nas ruas, nos velhos telefones em que ele me ligava quando tinha a rara oportunidade. Procurei até mesmo em outras pessoas. Não o achei. Tive a impressão de que ele simplesmente tinha ido embora, tinha fugido de mim e de todos. Houve um tempo muito ruim, o pior. Pensei em largar tudo, deixar minhas esperanças e aceitar que tudo aquilo era verdade, que eu nunca mais o veria, o sentiria, o teria. Durante esse tempo, uma parte de mim ficou seca, ficou abandonada e fria. Tive medo de demonstrar o meu amor novamente a uma pessoa e achar que ela me abandonaria também. Resolvi guardar tudo em mim, minha alegria era forjada e o meu eu... o meu eu estava preso em minhas lágrimas. E tudo isso me designou à solidão e à raiva. Nesse ínterim, foi que eu me liguei que as pessoas ao meu redor que eu tanto amava não estavam conseguindo se entreter comigo, não tinham mais disposição e sabedoria para me entender, estavam tristes, eu os deixei tristes. Resolvi mudar radicalmente por eles. E com todas as minhas forças, eu me dinamizei, liberei o meu eu, porém, tudo que eu passei, tudo que eu sentia e guardava mantinha intacto e escondido, e eu ainda tinha a ingênua certeza de que não sentiria a essência do meu pai em mim mais. Todo esse tempo eu tinha escondido a constante saudade que eu sentia dele, no entanto, ao mesmo tempo, eu não queria sentir nem saudades e nem dor, por esse motivo, eu tentava esquecer. Foi um longo tempo esse, e, como eu disse, o mais difícil. Mas aí, com a solidão e a raiva suprimida, adquiri novas emoções e sentimentos. Conheci alguém. Esse alguém foi quem mudou completamente minha vida. Esse belo alguém se chama Deus. Com o tempo, eu percebi que dependia dele para tudo, precisava dele para me manter bem e feliz. Mas Deus não era só isso em minha vida. Ele me amava, e eu o amava também. Deus me mostrou um outro lado muito diferente do que eu estava vivendo. Ele queria que eu me libertasse de tudo que me desanima e me deixava triste. Fui um pouco teimosa, mas de pouco em pouco eu fui confiando mais e mais a cada dia. Entreguei tudo a Deus e minha vida foi transformada. Pude ver além de mim, além da minha dor. Ele mostrou-me o amor pleno, a felicidade constante, a esperança e uma visão positiva do mundo. Também me disse que eu poderia sim sentir meu pai, e tê-lo sempre em minha vida, bastava eu fechar os meus olhos e senti-lo. Esses foram os maiores presentes que Deus me proporcionou. O amor e a cura interior. E A essência do meu papai nunca se foi. Ele sempre esteve comigo. Todos os dais, no meu coração, nas minhas lembranças, no meu caráter, e até mesmo na minha fisiologia – todos dizem que eu me pareço com ele-, (risos). Pai, mesmo não estando fisicamente perto de ti, quero que saiba que o pouco que você esteve presente em minha vida foi o suficiente para eu conhecer o grande, o guerreiro, o simpático e o homem apaixonado pela vida que você é. E, assim como você, almejo experimentar tudo de bom que este mundo tem a oferecer, principalmente a essência de cada SER.
Beijo de outrora
Houve um tempo em que o beijo
Era recompensa.
Hoje nem se pensa
Num beijo delicado,
Recatado.
É beijar sem critério
Sem mistério
Por beijar.
Não tem namoro
Tudo sem decoro
É só ‘ficar’.
Onde estão os enleios,
Os anseios,
Das mãos tocadas de leve.
Amar já não se deve,
Nem existe mais paixão.
Se foram os doces momentos,
Com o vento.
Amor é ‘breguice’,
Foi um jovem que disse,
Hoje, não tem mais ilusão.
Houve um tempo em que o Homem tinha uma mais valia!
Era o tempo do eu com o tu, formávamos o nós.
havia fraternidade por entendermos que éramos necessários, um ao outro.
Concatenados sem pedir provas, tínhamos honra!
Houve um tempo em que poderíamos dizer...a paz bate na porta...hoje eu posso dizer Jesus bate a porta e se você abrir ele entra e ceia contigo
Houve um tempo em que tivemos que esperar, sem parar.
Caminhar, sem correr.
Cumprimentar, sem tocar.
Compartilhar, sem um obrigado esperar.
Sorrir, sem se mostrar.
Se despedir, sem abraçar.
Chorar, sem as lágrimas enxugar.
Revoltar, sem ter a quem culpar.
Orar, sem saber o que pedir.
Cuidar, sem a certeza da cura.
Acreditar, sem jamais desistir.
Agradecer, sem merecer.
Repensar, sabendo que o que fomos, nunca mais seremos.
Houve Um Tempo Em Que a Esfera Da Vida Se Resumia Em Som Audíveis e Sincronizados, Na Nova Era Contemporânea Tais Privilégios Foram Extintos e Tudo Se Tornou Em Cacofonia.
Houve um tempo em que gostava tanto de você, que fingia não gostar. Me doía gostar tanto e não te ter, que eu enganava meu coração para que ele pensasse que tudo isso não existia. Eu fugi, mas em todas as saídas seu rosto estava lá, e foi nesse dia que entendi que por mais que tente, eu não consigo deixar de te amar.
Houve um tempo em que eu era forte
Coisa alguma abalava meu porte
Proibia lágrima e medo
E o riso encobria o enredo
Verdade descortinada
Força existe em aceitar a dor
É preciso coragem para ser vulnerável
Cavalgar a onda, pedalar na corda bamba
É preciso coragem para mostrar a paixão
Fortaleza é não fingir
Revelar o coração, saber gostar de si
Orgulhar-se de Ser
Engolir a empáfia e estender a mão...
Houve um tempo que em que eu era forte!
Confessei-me e fui absolvida
Saúdo com gratidão minha sorte
Agora estou promovida
Hoje sou só gente!
Houve um tempo em que eu fui feliz na minha vida, quando não existia consciência em mim, quando eu fazia minha rede de barco e acreditava em fadas. O meu quintal era mágico, com portais para diversos mundos onde eu podia ir a qualquer momento. O meu chão era perigoso, eu não podia tocar e tinha que voar com minhas asas cor de rosa.
Esse foi o melhor momento da minha vida, quando minha única preocupação era assistir televisão e tirar 100 nas provas.
Isso tudo passou, tá congelado lá no passado, essas imagens em câmera lenta onde a trilha sonora são os cds girando no rádio do meu pai.
Depois desse tempo incrível aconteceu um mundo de coisas ruins.
Depois desse tempo eu nunca mais senti que pertencia a algum lugar, tudo passa por mim como um filme. Eu olho e olho e não me vejo integrada com as pessoas, sempre tentando me enturmar mas nunca sendo o suficiente, nunca sendo nada além de uma garota legal.
As pessoas adoram dizer:" isso passa, aproveite a vida ", mas é difícil aproveitar quando cada pessoa que você conhece vai embora, quando sua ideia de vida ideal é ser cercada por gente que te ama e você olha pro lado e só vê sua mãe doente e seus poucos amigos longe demais pra te salvar.
Tudo isso é demais, a cada dia que passa isso não parece ser o que as pessoas chamam de vida, porque pra viver é preciso estar acordada e eu pareço uma sonâmbula andando por um caminho que não quer trilhar, vivendo uma vida que nunca pediu pra ter.
"Tudo vai melhorar, você é forte, você tem que se amar, você não pode deixar as pessoas verem o quão quebrada você está por dentro, o quanto suas roupas dançam pelo seu corpo.
E não se esqueça de passar a base para cobrir a mancha cada vez mais escura de baixo dos seus olhos, treinar seu sorriso no espelho por mais que esteja ficando cada vez mais artificial com o tempo, ah e para as noites tome escondido o antibiótico e o remédio para gripe de uma vez, e então o apagão.
No outro dia a mesma jornada cansativa, o mesmo medo ilógico de mecher em qualquer rede social, a mesma solidão, a mesma vida."
houve um tempo em que eu era fraco e fui tão humilhado que jurei para mim mesmo que iria ficar mais forte.
E houve um tempo em que eu amei
Mas eu sou imensidão
Cansei do meio termo
Ou é tudo ou nada
O frio e o quente
O inverno e verão
A decisão, perdida na sua indecisão
Colocando um ponto final, na vírgula que existia
Esfriando o que eu sentia
Jamais voltando pro que não me cabia
