Hora
Tem hora que a única saída é olhar com frieza, cortar o laço e encarar a verdade: isso tá atrasando a vida que eu nasci pra viver.
Quem realmente te quer, não enrola com desculpa de fase ruim ou hora errada. Encontra espaço até no meio da bagunça da vida, porque quando o interesse é verdadeiro, o esforço vira natural.
O vazio que você deixa em minha alma é
a presença que mais incomoda nesta hora que não passa.
Arranco os ponteiros da minha solidão e
ela vocifera com gritos que dilaceram meus olhos.
Lições pingadas manchando as mãos que acenam com gestos desiludidos.
Passo.
Outro fim sem começo.
Que o tempo indefina a definida angústia da hora que passa sem retrocesso... Que a tristeza se torne inconcebível nestes vazios que encenam o adeus do tempo findo.
Visualizo o semblante de um sonho nascendo nesta hora.
Viçoso e com o sorriso aberto colorindo a tarde.
Olho como se o nascimento fosse o fenômeno impar da vida ida e
vinda como derradeiro sopro de alegria.
Abraço-te com os olhos fixos na eternidade... o imorredouro dia sonhado insculpe o amor como a certeza da vida.
Ame e o resto será simples complemento dessa graça.
Tento não fazer verso do reverso desta hora que fecha os olhos para mim.
Outro dia bocejando e me oferecendo o seu abraço.
Não posso me dividir... Vou esperar pelo seu abraço.
Queria não querer nada e, tampouco, sentir os pingos ácidos desta hora que me provoca repensar sobre a vida que se me passa.
Idílio complacente de tantos pingos caídos no rosto da biografia que se passa sem avisos.
O aviso é a própria vida que chega e me impele à vivê-la com o tempo (im)próprio para renascer querendo outros doces pingos de amor.
Inspiro-me!
Inspirados os sonhos, certamente, expirado o tempo!
Realizar a hora no tempo da inspiração!
Inspiro para sobreviver vivendo os tantos jeitos de aspiração!
Multidão estupenda e, nada, oferece lampejos de risos!
Reunidos os solfejos da hora anexados às saudades...latejam o coração!
Solidão!
#Lembranças #de #dias #frios
Na noite que se anuncia...
Em hora que não é mais dia...
Frio intenso, garoa em lenta agonia...
O vento sopra...
Faz a árvore balançar...
Folhas velhas, já quase mortas...
Em meu caminho com poças d'água...
Para eu passar...
Pessoas correm abrindo guarda-chuvas...
O céu escuro vai ficando...
Na voz do pássaro...
Que frio!
Caminho...
Observo a calçada molhada...
Um brilho em toda paisagem...
Um passo atrás do outro...
Tudo isso é belo...
Em festa meu coração...
Espírito cheio de vontade...
Sentimentos sempre me aquecem...
Até a vil traição...
Depois de lágrimas quentes...
Sempre surge em mim o perdão...
Eu me preparo e espero a chuva que há de vir...
Já sinto o vento e o frio que a anuncia...
Sinto mais uma vez o sopro da vida...
No dia que já vai...
Meus passos seguem sozinhos...
Deixo a minha alma encontrar...
Com meu destino ninguém mais se importa...
Tudo vai e vem, tudo vem e vai...
Lembranças doces que escorrem...
Dias que não voltam mais...
Eu menti naquela hora...
E disse que não sabia...
Mas vou-lhe dizer agora...
A ingratidão pesa...
E para chegar não tem hora...
Em meio ao sol e ao riso da manhã...
Tudo isso existe...
Tudo isso é triste...
Nesse engano das horas...
Como alguém que tivesse esquecido...
Que assim sempre tem sido...
Ah ingrato...
Como será seu destino?
A noite, que o pesar...
Ao fim de cada dia...
Irá sempre me lembrar...
Que não sobrou nada...
Apenas cinzas frias...
Quero que saibas...
Se de súbito me esqueceres...
Também não me procures...
Porque já te terei esquecido...
O que outrora tenha sentido...
Minhas raízes sairão
em busca de outra terra...
A noite infinita enfrenta a vida...
Sem temer a ingratidão...
Silêncio...
Hora morta...
Desfolhada...
Quando ouvi de seus lábios que eu não sou nada...
Hora inútil e sombria de abandono...
Um punhal em minhas costas...
A certeza cruel...
Do meu engano...
Sem rumo para os meus passos...
De que me serviram seus abraços?
Desiludido ainda me iludo...
Diante cruel mundo...
A quem devo dizer o contratempo...
Do solavanco desse destino...
Sandro Paschoal Nogueira
Que horas são?
Hora dos abandonados...
Hora dos degredados...
Hora dos apaixonados...
Hora dos que andam à noite...
Hora dos papos furados...
Hora dos perdidos, desavisados...
Hora dos mal acompanhados...
Dos que buscam encontrar...
E não são encontrados...
Que horas são?
Hora em que o tédio abate sem cessar…
Hora das conversas vazias...
Das conversas dos bêbados em sofreguidão...
Hora daqueles que escondem suas tristezas , de sua solidão...
É a hora que vejo tantos sorrisos...
E que percebo tantos corações contritos...
Que horas são?
Hora dos que morrem sem amar…
Hora daqueles sempre a procurar...
Hora dos que se entorpecem...
Dos que gargalham alto...
Hora dos copos cheios...
Dos trabalhadores assalariados...
Que escondem sua insatisfação...
Hora das mesmas mesmices rotineiras...
Das almas e sombras alheias...
Que horas são?
É a hora de quem sonha...
De quem a tudo ama...
De quem tem a inocência...
De planejar e poder crer...
Que tudo será bom...
Mesmo que nada aconteça...
Que horas são?
É a hora do mistério...
De acreditar que tudo será bom e diferente...
E que no meio de tanta gente...
Hora que o doente...
Pede para sarar...
Que horas são?
Hora da saudade...
Do flete sem maldade...
E se há, disfarça...
Hora das sombras que se formam...
Dos hipócritas cheios de santidade...
Perante a realidade...
Que fingem ignorar...
Que horas são?
Das conversas vazias, sem precisão...
Hora perante o que os homens fazem...
Escondendo-se atrás da sobriedade...
De todas as vidas, abstratas ou concretas...
Verdadeiras ou falsas...
Eu sofro sem penar a vida...
Parado no cais de onde nunca parto...
Ao acaso, sem âncora...
Vagando no tempo...
Apenas sonhando...
Em ser mais amado...
Sandro Paschoal Nogueira
Estive pensando sobre a "espera"...
Eu a conheci e nos apaixonamos, mas não era a hora certa e nos separamos. Então, anos depois, temos a chance de nos reencontrarmos.
Contudo, eu me pergunto: Será que já se passou tempo demais? Será que não esperamos muito? Não seria tarde demais... como é que pode dar certo?
Sozinhos, já chegamos tão longe! Se bem que, começando de novo, poderíamos chegar a um outro lugar. Você acredita em segundas chances?
