Hannah Arendt

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Hannah Arendt (1906-1975) foi uma teórica política alemã, uma das maiores pensadoras do século XX.

Escravo de Si Mesmo

A suposição de que a identidade de uma pessoa transcende, em grandeza e importância, tudo o que ela possa fazer ou produzir é um elemento indispensável da dignidade humana. (...) Só os vulgares consentirão em atribuir a sua dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescendência serão «escravos e prisioneiros» das suas próprias faculdades e descobrirão, caso lhes reste algo mais que mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo é tão ou mais amargo e humilhante que ser escravo de outrem.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'

A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele.

O Perdão e a Promessa.

Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único acto do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos - trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'

A Realidade da Vida e a Realidade do Mundo.

A nossa crença na realidade da vida e na realidade do mundo não são, com efeito, a mesma coisa. A segunda provém basicamente da permanência e da durabilidade do mundo, bem superiores às da vida mortal. Se o homem soubesse que o mundo acabaria quando ele morresse, ou logo depois, esse mundo perderia toda a sua realidade, como a perdeu para os antigos cristãos, na medida em que estes estavam convencidos de que as suas expectativas escatológicas seriam imediatamente realizadas. A confiança na realidade da vida, pelo contrário, depende quase exclusivamente da intensidade com que a vida é experimentada, do impacte com que ela se faz sentir.
Esta intensidade é tão grande e a sua força é tão elementar que, onde quer que prevaleça, na alegria ou na dor, oblitera qualquer outra realidade mundana. Já se observou muitas vezes que aquilo que a vida dos ricos perde em vitalidade, em intimidade com as «boas coisas» da natureza, ganha em refinamento, em sensibilidade às coisas belas do mundo. O facto é que a capacidade humana de vida no mundo implica sempre uma capacidade de transcender e alienar-se dos processos da própria vida, enquanto a vitalidade e o vigor só podem ser conservados na medida em que os homens se disponham a arcar com o ônus, as fadigas e as penas da vida.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana

“Visto que a autoridade sempre exige obediência, ela é comumente confundida com alguma forma de poder ou violência. Contudo, a autoridade exclui a utilização de meios externos de coerção; onde a força é usada, a autoridade em si mesma fracassou. A autoridade, por outro lado, é incompatível com a persuasão, a qual pressupõe igualdade e opera mediante um processo de argumentação. Onde se utilizam argumentos, a autoridade é colocada em suspenso. Contra a ordem igualitária da persuasão ergue-se a ordem autoritária, que é sempre hierárquica. Se a autoridade deve ser definida de alguma forma, deve sê-lo, então, tanto em contraposição à coerção pela força como à persuasão através de argumentos. (...) A autoridade implica uma obediência na qual os homens retêm sua liberdade”.
(Entre o passado e o futuro)

"É justamente para preservar o que é novo e revolucionário em cada criança que a educação deve ser conservadora. Ela deve proteger a novidade e introduzi-la como uma coisa nova num mundo velho, mundo que, por mais revolucionárias que sejam as suas ações, do ponto de vista da geração seguinte, é sempre demasiado velho e está sempre demasiado próximo da destruição."

"Fluindo na direção da morte, a vida do homem arrastaria consigo, inevitavelmente, todas as coisas humanas para a ruína e a destruição, se não fosse a faculdade humana de interrompê-las e iniciar algo novo, faculdade inerente à ação como perene advertência de que os homens, embora devam morrer, não nascem para morrer, mas para começar."

⁠"O mal só se torna possivel, não somente por causa daqueles que o querem de forma consciente... mas, também por aqueles que o BANALIZAM!"

Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade, embora possa ainda ser útil como caridade organizada ou como ato de solidariedade.

Hannah Arendt
A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.

O súdito ideal do governo totalitário não é o nazista convicto nem o comunista convicto, mas aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção.

Hannah Arendt
Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia de Bolso, 2013.

Pensar e estar completamente vivo são a mesma coisa.

Hannah Arendt
A vida do espírito. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995.

O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso.

As mentiras sempre foram consideradas instrumentos necessários e legítimos, não somente do ofício do político ou do demagogo, mas também do estadista.

Hannah Arendt
Filósofa alemã

Por Ant
Biografia de Hannah Arendt
Hannah Arendt (1906-1975) foi uma filósofa alemã, uma das raras vozes femininas de destaque na filosofia do século XX.
Hannah Arendt (1906-1975) nasceu no subúrbio de Linden, em Hannover, Alemanha, no dia 14 de outubro de 1906. Quando tinha três anos sua família muda-se para a Prússia. De origem judia, "Johannah Arendt", foi uma menina precoce. Tinha sete anos quando o pai morreu, mesmo assim procurou consolar a mãe: “Pense – isso acontece com muitas mulheres”, disse ela para espanto da viúva. Com 14 anos leu a obra de Kant, Crítica da Razão Pura.
Em 1924 ingressou na Universidade de Marburg, onde foi aluna de Martin Heidegger, com quem iria iniciar um complicado relacionamento amoroso, uma vez que seu professor era casado. Em 1926 decidiu trocar de universidade, indo estudar na Universidade Albert Ludwig em Freiburg. Em 1928 se doutorou em Filosofia na Universidade de Heidelberg, com a tese “O Conceito de Amor em Santo Agostinho”.
Em 1929, Arendt ganhou uma bolsa de estudos e se mudou para Berlim, onde reencontra Günther Anders (pseudônimo de Günther Stern), que conhecera em Malburg, e se tornou seu primeiro marido. Em 1933, quando Heigegger aderiu ao nazismo e se tornou o primeiro reitor nacional-socialista da Universidade de Freiburg, Arendt se afastou da filosofia para lutar pela resistência antinazista. Nesse mesmo ano, foi presa pela Gestapo e depois de passar oito dias na prisão, resolveu deixar seu país natal.
Hannah Arendt passou por Praga e Genebra, até chegar a Paris, onde permaneceu durante seis anos trabalhando com crianças judias expatriadas. Em 1941, já unida a outro homem, o filósofo Heinrich Blücher, e depois de uma estada em Portugal, conseguiu chegar aos Estados Unidos, onde fixaria residência, naturalizando-se americana em 1951.
Foi nos Estados Unidos que ela escreveu duas obras importantes para aquele que quer compreender o que foi o século XX, no plano filosófico e político: “Origem do Totalitarismo” (1951) e “Eichmann em Jerusalém” (1963). Na primeira, dividida em “Antissemitismo”, “Imperialismo” e “Totalitarismo”, ela procura analisar de que modo se forjou na Europa uma verdadeira máquina de destruição, capaz de levar ao horror do holocausto. Na segunda, que nasceu de uma série de artigos publicados na revista The New Yorker, Hannah trata da “banalização do mal”, a partir do julgamento de um nazista.
Em 1963 Hannah Arendt passa a lecionar na Universidade de Chicago, onde permanece até 1967. Nesse mesmo ano, muda-se para Nova Iorque, onde é contratada pela New School for Social Research, onde permaneceu até 1975. Sua última obra – “A Vida do Espírito”, só foi publicada após sua morte.
Hannah Arendt faleceu em Nova Iorque, Estados Unidos, no dia 4 de dezembro de 1975.
Veja também as biografias de:
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Inserida por Ant54

De acordo com Hannah Arendt, (...) uma sociedade totalitária é aquela em que uma ideologia procura substituir todas as tradições e instituições anteriores com o objetivo de colocar todos os aspectos da sociedade sob o controle dessa ideologia. (...) Como Arendt escreveu, Onde quer que a filosofia totalitária tenha governado, "ela começou a destruir a essência do homem".

Rod Dreher
Live Not by Lies (2020).
Inserida por Poliana16

Prematuridade Focal.

Se quando leio Hannah Arendt, filósofa alemã e que assumiu posições polêmicas e firmes, inclusive sua relação com o filósofo e membro do partido nazista Martin Heidegger, mas isso é problema dela e não meu, o amor é a cura e esta cura é dela. ⁠Quando ela diz que se foram as mágoas, raivas, e as coisas da vida, e as situações são como tapeçaria, e que ela era responsável por tudo dali Pra frente. Essa compreensão é de uma lucidez incrível, da vacuidade e impermanência humana, vazio não existencial e prematuridade focal.

Inserida por samuelfortes

⁠As possibilidades de que o amanhã seja como o hoje são sempre esmagadoras.

⁠...a própria humanidade do homem perde sua vitalidade na medida em que ele se abstém de pensar...

⁠O revolucionário mais radical se torna um conservador no dia seguinte à revolução.

Hannah Arendt
New Yorker, 12 set. 1970.

⁠...a verdade fatual, se porventura opõe-se ao lucro ou ao prazer de um determinado grupo, é acolhida hoje em dia com maior hostilidade do que nunca.

Inserida por Magnoferreiraal