Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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O amor é como a guerra: depois de declarado não há paz.

Há horas em que não se quer ter sentimentos.

Clarice Lispector
Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Nota: Trecho do conto A menor mulher do mundo.

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Há tempos carrego uma espera.


Não uma espera vazia, dessas que apenas contam os dias. É uma espera que me transformou. Que me ensinou a olhar para dentro, a compreender meus desejos, meus limites e os propósitos que Deus foi revelando ao longo do caminho.
Durante esse tempo, aprendi que esperar não é ficar parada. É preparar o coração para aquilo que se deseja viver. É cuidar da alma enquanto o tempo faz o seu trabalho silencioso. É permanecer fiel ao que acredito, mesmo quando a saudade de algo que ainda não aconteceu insiste em visitar meus pensamentos.
Tenho anseios. Tenho sonhos. Tenho o desejo de construir uma história bonita, de encontrar alguém com quem eu possa compartilhar a vida, os silêncios, os risos, os desafios e as conquistas. Alguém que compreenda que o amor verdadeiro não se sustenta apenas no encanto dos encontros, mas na decisão diária de permanecer.
Também tenho desejos que habitam meu corpo e minha alma. Sou humana. Sinto. Espero. Mas aprendi a não permitir que a pressa seja maior que o propósito. Porque algumas promessas florescem melhor quando respeitamos o tempo necessário para que criem raízes profundas.


Por isso sigo.
Nem sempre com a mesma força. Nem sempre sem questionamentos. Mas sigo. Acreditando que aquilo que Deus prepara não chega para preencher vazios, mas para somar caminhos, fortalecer propósitos e multiplicar alegrias.
Enquanto esse dia não chega, continuo cultivando quem sou. Continuo aprendendo, amadurecendo e me tornando a mulher que desejo ser quando o encontro acontecer.


Porque a minha espera não é ausência.


É preparação.


E cada dia vivido com propósito me aproxima não apenas de alguém, mas da versão de mim mesma que estará pronta para viver, com verdade e inteireza, tudo aquilo que hoje entrego em oração. 🌷




24 de janeiro 2024

Há tempos escolhi esperar.


E às vezes as pessoas confundem a minha espera. Pensam que é ausência de desejo. Que é medo. Que é excesso de cuidado. Que é uma renúncia amarga feita por quem desistiu de viver.


Mas não.


Eu espero justamente porque sinto. Talvez mais do que deveria. Talvez porque tudo em mim sempre tenha sido intenso demais para caber nas superficialidades que o mundo oferece.


Eu não sinto falta de qualquer abraço. Não desejo qualquer presença. Não anseio por qualquer toque. O que me falta não é um corpo ao lado do meu. É uma alma que saiba permanecer.


Porque o toque, sozinho, nunca foi suficiente para mim. Meu coração sempre desejou aquilo que vem antes dele: a conversa que atravessa a madrugada, o interesse genuíno, a admiração silenciosa, a paz de poder ser quem sou sem precisar diminuir minhas profundezas para caber nos espaços de alguém.


Eu quis alguém que me encontrasse por inteiro. Alguém que compreendesse que meu corpo faz parte de mim, mas não é tudo o que sou. Que enxergasse a mulher por trás dos sorrisos, das fotografias, dos textos e das fortalezas que construí ao longo da vida.


Por isso me guardei.


Não porque me considero forte o tempo todo. Há dias em que a solidão pesa. Há noites em que a espera parece longa demais. Há momentos em que meus desejos me lembram que sou humana, que sinto, que sonho, que também gostaria de ter alguém para dividir os silêncios e repousar a cabeça depois de um dia difícil.


Mas, ainda assim, permaneço. Porque descobri que algumas esperas não são castigos. São cuidados.


E Deus sabe quantas vezes escolhi preservar aquilo que existe de mais precioso em mim, mesmo quando ninguém estava olhando. Quantas vezes troquei a facilidade de um momento pela esperança de uma história. Quantas vezes recusei o vazio disfarçado de companhia.


Eu não espero por perfeição. Não espero por um conto de fadas. Espero por verdade. Por uma conexão capaz de alcançar lugares que nenhuma aparência consegue tocar. Espero por alguém que compreenda que amor não é urgência. É construção. É presença. É escolha.


E se a minha espera tem sido longa, talvez seja porque meu coração nunca procurou qualquer pessoa. Ele sempre procurou lar.


E lares não são encontrados às pressas.


São reconhecidos.




29 de Janeiro de 2024

14 de junho de 2026


Há escolhas que o mundo não compreende porque foram feitas em silêncio.


Ninguém vê as conversas que tivemos com nós mesmos. Ninguém presencia as renúncias que acontecem longe dos olhos alheios. As pessoas enxergam apenas o resultado e, muitas vezes, o confundem com ausência, quando na verdade é presença.


Eu não me afastei daquilo que desejo.
Eu apenas aprendi a honrá-lo.
Porque existem encontros que não cabem na pressa. Existem entregas que não suportam superficialidades. E existe uma parte de mim que acredita que algumas experiências da vida carregam peso demais para serem vividas sem significado.


Talvez por isso eu tenha escolhido caminhar devagar.
Não por medo de sentir, mas porque sinto profundamente.


Não por falta de coragem, mas porque compreendi o valor daquilo que ofereço quando permito que alguém se aproxime.
O tempo me ensinou que afinidades não são raras. O que é raro é encontrar alguém disposto a permanecer depois que os encantos imediatos passam. Alguém interessado em conhecer os territórios que existem para além da aparência, para além das conveniências, para além das expectativas que costumamos projetar uns nos outros.


É isso que espero.
Não uma pessoa para ocupar espaços vazios.
Mas uma presença capaz de compartilhar espaços já preenchidos.


Alguém que compreenda que intimidade não começa quando as distâncias físicas desaparecem. Ela começa muito antes, quando duas pessoas deixam de se esconder atrás das versões que mostram ao mundo e se apresentam como realmente são.


Eu poderia viver muitas histórias.
Mas escolhi preservar a possibilidade de viver uma que faça sentido.


E essa escolha nunca significou ausência de desejo. Pelo contrário. Quanto mais consciente me tornei de quem sou, mais compreendi a profundidade dos meus anseios. Eles não desapareceram. Apenas deixaram de conduzir minhas decisões.


Hoje, aquilo que busco não pode ser medido pela intensidade de um instante, mas pela capacidade de sustentar o que vem depois dele.


Porque existem conexões que passam.
E existem conexões que transformam.
São essas que espero reconhecer quando chegarem.


E até lá, sigo cuidando daquilo que um dia pretendo entregar: minha verdade, minha inteireza e a capacidade de amar sem me abandonar no caminho.

Há dias em que a saudade chega sem aviso.


Não faz barulho. Não bate à porta. Apenas ocupa os espaços, senta-se ao meu lado e me acompanha em silêncio.


Nesses dias, tudo continua igual por fora. O mundo segue seu ritmo, as pessoas seguem seus caminhos, os compromissos continuam existindo. Mas por dentro, algo caminha mais devagar.


Sinto falta de presenças que nem sempre estiveram perto, mas que encontraram morada em mim.


E é estranho como algumas pessoas conseguem permanecer mesmo quando estão ausentes.


Talvez a solidão não seja a falta de companhia. Talvez seja a distância entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos dizer.


Por isso me recolho.


Não porque queira me afastar do mundo, mas porque existem sentimentos que precisam ser ouvidos antes de serem explicados.


E enquanto escuto o que meu coração tenta me contar, sigo.


Com saudade, com esperança, com dúvidas às vezes.


Mas sigo.


Porque algumas ausências doem, é verdade.


Mas também revelam o tamanho daquilo que um dia tocou a alma e decidiu permanecer.

Há olhares que percorrem paisagens, atravessam rostos e encontram beleza nas coisas mais simples. Mas existe um olhar ainda mais difícil: aquele que se volta para dentro.

Nem sempre temos coragem de sustentá-lo.

É mais fácil observar o mundo do que visitar os cômodos esquecidos da própria alma. Mais fácil apontar imperfeições ao redor do que reconhecer aquelas que silenciosamente habitam em nós.

Olhar para dentro exige silêncio.

Exige fechar os olhos para tudo o que distrai e sentir. Sentir o que dói, o que constrange, o que precisa partir e também aquilo que precisa permanecer.

É nesse encontro que descobrimos nossas falhas, mas também nossas virtudes. Nossos excessos, mas também nossas ausências. As feridas que pedem cura e os sonhos que ainda esperam coragem para florescer.

Quem nunca olha para dentro corre o risco de viver distante de si mesmo.

Mas quem se permite esse mergulho encontra mais do que imperfeições. Encontra verdades.

E são elas que nos transformam.

Porque todo recomeço nasce primeiro de um olhar sincero lançado para dentro de nós mesmos.

Entre o excesso e o vazio

Gosto do equilíbrio:
nem tanto, nem tão pouco.

Há coisas que não podem perder a cor,
porque o colorido também é uma forma de alegria.

Outras não precisam de excessos.
O minimalismo tem sua própria calmaria,
e não precisa ser ausência de detalhes.

Porque simplicidade também pode ser rica:
em cor, em textura, em calor,
em tudo aquilo que, mesmo sem exagero,
faz os olhos permanecerem.

Há olhos que não sabem esconder.


Mesmo quando a boca silencia,
mesmo quando o corpo continua,
mesmo quando a vida parece seguir no lugar de sempre,
há coisas que transbordam pelo olhar.


E talvez seja por isso
que algumas pessoas nos chamem de fortes
sem perceber o quanto estamos cansados.


Não é que a dor esteja escondida.
Às vezes, ela está justamente ali,
cristalina,
diante de quem olha.


Mas nem todo olhar enxerga.


É preciso alguma coisa além dos olhos
para reconhecer a tristeza no brilho,
o cansaço no silêncio,
a solidão onde ninguém imagina haver vazio.


É preciso alma
para olhar outra alma.


Porque há pessoas que perguntam se estamos bem
e há aquelas que simplesmente percebem.


E, às vezes,
tudo o que uma alma cansada precisa
não é de alguém que diga
você é forte.


É de alguém que olhe demoradamente
e diga, sem precisar dizer:


eu vi.

Há uma paz que só nasce depois de muitas despedidas


Nem tudo o que deixei para trás era ruim. Algumas coisas eu amava profundamente. Mas a vida me ensinou que crescer também exige coragem para soltar aquilo que já não pode caminhar ao meu lado. Há dores que não desaparecem; apenas encontram um lugar mais silencioso dentro de nós. E talvez seja essa a forma mais bonita de seguir: continuar, sem negar o que foi vivido, mas sem permitir que o passado impeça o futuro de florescer. Porque a maior força não está em nunca cair, e sim em preservar a delicadeza do coração, mesmo depois de tudo.

Há um rio dentro de mim
que não aprende a ter margem,
carrega luas sem fim
e se alimenta de coragem.
Quando a noite me atravessa,
não sei se é dor ou passagem.


Guardo estrelas no silêncio,
como quem guarda oração,
há mistérios que florescem
sem pedir explicação.
E há verdades que só chegam
quando escutam o coração.


Já fui casa de tempestade,
já fui janela e clarão,
já fui barco sem destino,
procurando direção.
Mas descobri que até o caos
pode ensinar navegação.


Há quem procure respostas
como quem procura um chão;
eu aprendi que certas coisas
não cabem na explicação.
Às vezes, Deus escreve torto
para endireitar a visão.


Tenho cicatrizes antigas
que não pedem compaixão;
são mapas de outros tempos,
são vestígios de travessão.
Quem olha apenas a ferida
não conhece a reconstrução.


E quando penso que termino,
alguma coisa principia:
uma esperança pequenina
acendendo a noite fria.
Como a flor que rompe a pedra
sem anunciar que nascia.


Talvez eu seja esse enigma
que o tempo tenta entender:
um pouco de maré e terra,
um pouco de perder e ter.
E quanto mais me descubro,
mais aprendo a não me prender.


Se a vida é uma parábola,
não quero a moral no fim.
Prefiro seguir a estrada
que ainda não falou de mim.
Pois há caminhos que só existem
quando a gente diz: “enfim.”

Onde o toque acontece

Há quem confunda pele com presença.
Beijo com encontro.
Desejo com conexão.

Mas há um abismo entre encostar em alguém e realmente tocar alguém.

Porque o toque que importa não começa nas mãos.
Começa na atenção.
No olhar que permanece.
Na escuta que não tem pressa.
Na vontade de conhecer o outro antes de atravessá-lo.

Eu acredito no toque que encontra ritmo.
Que não invade, não exige, não toma.
Que percebe.
Que espera.
Que responde.

Porque quando existe verdade, dois corpos não apenas se tocam: eles se reconhecem.

E talvez seja isso que tanta gente não perceba.

Há pessoas que passam uma vida inteira roçando em outras sem jamais alcançá-las.
Beijam bocas, mas não encontram almas.
Abraçam corpos, mas permanecem distantes.
Trocam calor, mas não presença.

Eu não quero um toque que apenas percorra minha pele.

Quero aquele que saiba chegar até onde ninguém chega.
Que encontre em mim o que não se entrega a qualquer mão.
Que compreenda que meu corpo é território de confiança, e que só se abre verdadeiramente quando existe algo maior do que desejo: conexão.

Porque, para mim, tocar alguém é uma forma de dizer:

eu estou aqui.
eu vejo você.
eu sinto você.
e, por um instante, não existe distância entre nós.

Talvez seja por isso que eu ainda espere pelo toque certo.

Não porque tenha medo de ser tocada,
mas porque sei a diferença entre ser tocada
e ser alcançada.

A Linha do Extremo


Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.


De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.


Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.


Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.


Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.


E talvez seja essa a parte mais inquietante:


saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...


e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.


Não quero alguém que me arraste para o extremo.


Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.


Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.


Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.


Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.

Estamos juntos há tanto tempo agora
A música, música e eu
Não ligo se todas nossas canções rimam
Agora música, e eu

Só sei que quer que eu vá
Estamos tão perto quanto dois amigos podem estar
Houve outros
Mas nunca dois amantes
Como a música, música e eu

Pegue uma canção e venha comigo
Você pode cantar sua melodia
Em sua mente, você encontrará
Um mundo de doce harmonia

Aves emplumadas vão voar juntos
Agora música, e eu
Música e eu...

Se há algum tipo de proveito em nossas pequenas tragédias é de nos repertoriar com um cardápio de empatias.

Carla Madeira
A natureza da mordida. Belo Horizonte: Quixote, 2018.

Não há algo pior que oferecer sabedoria a quem só pode pagar com ignorância

"Toda a minha vida não passa de conflitos. E se não há conflitos por aí, ora, invento um, num piscar de olhos. Ontem eu disse que não estava mais amando? Estou mais apaixonado hoje do que nunca. Tudo voltou… […] Ela é tão jovem, tão bonita e tão triste que eu seria capaz de chorar. Esse é meu sentimento. […] Em seu mundo, todos penduram um Picasso em um local de destaque. Então está muito bem, por ela eu também penduraria um Picasso em um local de destaque. Como meu conhecimento da decadência do modernismo e a loucura cega do progressivismo como um estado de ânimo, uma rebelião estúpida e óbvia contra ressentimentos imaginários, medida contra meu amor por uma garota de 50 quilos? O que importa se eu alcancei grandes verdade sociais & espirituais na solidão do meu quarto e em meu livro enorme e em anos de meditação cuidadosa e compreensão psicológica - o que é minha arte? Meu conhecimento? Minha poesia? Minha ciência? - comparado a seus pezinhos? Sim, sim, sim, acabei de notar a “ondulação de seus dedinhos”. O velho Dimitri, já falei? Aqui não sou Dimitri, sou maior que Dimitri, porque sou o pai de Dimitri, o próprio pai Karamazov. Sou eu desperdiçando fortunas e o amor dos filhos por uma garota - e olhando com ansiedade da janela de minha miséria esperando por ela. Picasso… eu gostaria mesmo de pendurar Ticiano e Grant Wood. Paris… o que quero mesmo ver é Montana. O balé… são os filmes que passam a noite inteira na Times-Square que quero ver. Mozart… O que quero mesmo ouvir é Allen Eager. Mas por ela eu usaria um cavanhaque e fingiria ser um gênio literário, e faria observações proustianas, e seria, é óbvio, sensível."

Há, então, dois princípios contrários, um bom e outro mau? Perguntaram os discípulos de Manés. Não, os dois princípios do equilíbrio universal não são contrários ainda que opostos em aparência, porque é uma sabedoria única a que opõe um ao outro.O bem está à direita, o mal à esquerda; porém a bondade suprema se acha acima de ambos e ela se servirá do mal para o triunfo do bem, e do bem para a reparação do mal.

Fragmentos que Ecoam


Há instantes que o tempo não leva.
Eles permanecem, suspensos,
como se aguardassem o toque de um olhar
para voltarem a existir.


Não é sobre a imagem em si.
É sobre quem escolheu parar,
sentir, priorizar e preservar um pedaço do mundo.
Sobre quem decidiu que aquele segundo
não poderia se perder no esquecimento.


Cada fotografia é uma ponte:
não liga apenas o passado ao presente,
mas reconecta o coração
às sensações que moldaram quem somos.


No fim, não é sobre a foto,
mas sobre o ato de lembrar.
Sobre guardar, dentro de si,
as marcas invisíveis das emoções
que insistem em ecoar.

A Miragem


Há caminhos que só os olhos da alma conseguem ver.
À distância, parecem tão nítidos quanto um sonho desperto,
mas quando nos aproximamos, dissolvem-se,
como areia levada pelo vento.


A miragem não engana, ela revela.
Mostra a sede que carregamos,
o desejo escondido por trás do horizonte, um destino que criamos aqui dentro do peito.
Ela é o reflexo do que buscamos,
mesmo quando não temos nome para o que sentimos.


Talvez não seja sobre chegar até ela,
mas sobre o quanto caminhamos por acreditar que existe.
Porque é no percurso, entre o real e o ilusório,
que descobrimos nossa própria essência:
somos feitos de passos e esperanças,
mesmo quando o chão parece infinito
e o oásis nunca chega.


A miragem é um lembrete silencioso:
há beleza também naquilo que não se toca,
há verdade até mesmo na ilusão
que nos faz continuar a andar.