Há olhos que não sabem esconder. Mesmo... Jorgeane Borges

Há olhos que não sabem esconder.


Mesmo quando a boca silencia,
mesmo quando o corpo continua,
mesmo quando a vida parece seguir no lugar de sempre,
há coisas que transbordam pelo olhar.


E talvez seja por isso
que algumas pessoas nos chamem de fortes
sem perceber o quanto estamos cansados.


Não é que a dor esteja escondida.
Às vezes, ela está justamente ali,
cristalina,
diante de quem olha.


Mas nem todo olhar enxerga.


É preciso alguma coisa além dos olhos
para reconhecer a tristeza no brilho,
o cansaço no silêncio,
a solidão onde ninguém imagina haver vazio.


É preciso alma
para olhar outra alma.


Porque há pessoas que perguntam se estamos bem
e há aquelas que simplesmente percebem.


E, às vezes,
tudo o que uma alma cansada precisa
não é de alguém que diga
você é forte.


É de alguém que olhe demoradamente
e diga, sem precisar dizer:


eu vi.