Há olhares que percorrem paisagens,... Jorgeane Borges

Há olhares que percorrem paisagens, atravessam rostos e encontram beleza nas coisas mais simples. Mas existe um olhar ainda mais difícil: aquele que se volta para dentro.

Nem sempre temos coragem de sustentá-lo.

É mais fácil observar o mundo do que visitar os cômodos esquecidos da própria alma. Mais fácil apontar imperfeições ao redor do que reconhecer aquelas que silenciosamente habitam em nós.

Olhar para dentro exige silêncio.

Exige fechar os olhos para tudo o que distrai e sentir. Sentir o que dói, o que constrange, o que precisa partir e também aquilo que precisa permanecer.

É nesse encontro que descobrimos nossas falhas, mas também nossas virtudes. Nossos excessos, mas também nossas ausências. As feridas que pedem cura e os sonhos que ainda esperam coragem para florescer.

Quem nunca olha para dentro corre o risco de viver distante de si mesmo.

Mas quem se permite esse mergulho encontra mais do que imperfeições. Encontra verdades.

E são elas que nos transformam.

Porque todo recomeço nasce primeiro de um olhar sincero lançado para dentro de nós mesmos.