A Linha do Extremo Há uma espécie de... Jorgeane Borges
A Linha do Extremo
Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.
De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.
Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.
Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.
Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.
E talvez seja essa a parte mais inquietante:
saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...
e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.
Não quero alguém que me arraste para o extremo.
Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.
Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.
Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.
Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.
