Grito
"Não pensar em nada me faz feliz, as memórias do mundo é como um grito aos meus tímpanos que nada veem."
SOBRE A POESIA DA ORQUÍDEA
Neste grito contra pessoas que arrancam orquídeas, as palavras se ligam em rima e direção.
A parte alta do texto é o solo, o chão onde temos a flor plantada, a barriga que mastiga e o verme.
No começo do meio, a já florida flor ainda está antes da vingança. Pois, quando ela estava florida, foi devorada. A vingança vem depois.
A vingança é pensada como um ato nobre e forte. A orquídea brota no tronco. Brota alto, iluminando um mundo novo e bonito.
No topo, no céu, a nova flor estará protegida. Uma escada com armadura, fruto da guerra, afastará os vermes. Uma escada de casca-grossa colorida, igual às próprias orquídeas que conduzirá.
doces melodias...
Lancei meu grito silencioso através dos ventos
Como posso ter amado alguém inverossímil?
Por que esta dolorida dor continua encravada em mim
Já se passou tanto tempo...
Mas, eu caminho por entre arvores procurando uma réstia de luz...
Um verde de esperança...esquecer que te conheci...
E vi muitos pássaros... Invejei lhe as asas
Poderia voar...
Mas cantei na madrugada imitando-as...
doces melodias...
Esperando com meu canto acordar o dia!
O silencio da minha alma!
Tenho um grito de pássaro que vem da alma
Sou uma gaivota perdida no espaço
Muitas vezes exalto o amor
Noutras carrego nos meus voos uma grande dor...
Neste momento me visto de poeta só para escrever versos...
São palavras que vem no torpor dos sons...
Um poema delirante
Onde escuto melodias silentes... No final das tardes...
E vou tingindo os céus e o horizonte com pincéis
- de uma cor dourada -
E sorrio ao recordar o teu sorriso num lento entardecer ...
E viajo batendo as asas... Hesitante... Para depois deixar chegar à escuridão...
E guardar este momento dentro do silencio da minha alma!
Não sei se eu grito, não sei se choro ou se sorrio, não sei o que estou sentindo, sinceramente não sei se queria ter existido, não era para eu ter nascido.
É assim que as pessoas com o pensamento destruído pensam antes de dar seu último suspiro, sem ter a oportunidade de ver a luz, se juntar às estrelas...
Angustiado bradei meu brado
Ao infinito gritei meu grito
Que o silêncio acolheu
Sendo então o nada-ali
Resignadamente me calei
Na solidão, encontrei a intensidade de minha própria alma; cada lágrima derramada é um grito emocionado por amor, uma busca incansável pela conexão que faz meu coração pulsar mais forte. A solidão me ensinou que, na dor, reside a beleza de se sentir profundamente.
É um grito silencioso de quem já se perdeu e se reencontrou, de quem soube o peso da dor e o alívio de aprender a não se deixar apagar. Cada palavra é um eco de experiências que não se esquecem, de um coração que, apesar de ferido, continua pulsando com uma força inesperada. Falar de sentimentos nunca foi fácil, mas é no desabafo que a alma se liberta. O passado pesa, mas não é mais um fardo. Ele se transforma em memória, e a memória não tem poder sobre quem escolhe viver com intensidade, sem medo de se rasgar por dentro, mas sabendo que, depois do sangue, sempre vem a cura. A arte de olhar nos olhos é mais do que ver, é entender, é absorver a verdade não dita, é saber que todos somos, de algum modo, outra pessoa depois de alguém.
Ele ouve dia grito ao sussurro.
Ele conhece o íntimo do seu coração, a tristeza e alegria que pairam no teu olhar.
Ele nos quer tão bem!
Converse com Deus.
Por pensamento, louvando, fazendo o bem...
Deus nos ama muito, é só quer nos ver sorrir.
Às vezes aparece umas nuvens escuras pairando sobre nós, é inevitável.
Mas quando Deus nos faz uma promessa, o céu se abre num lindo tom de azul.
Aparece um sol brilhando e até o arco-íris vem nos encantando.
Deus é Pai.
Ele te segura no colo, se precisar.
Ele caminha ao nosso lado, segura as nossas dores e nos enche com o Seu amor.
Fique em paz.
Logo logo, os pássaros na sua janela estarão á cantar.
Já vejo até o sol no céu raiar.
Ninguém iluminou o meu caminho apagado,
Ninguém ouviu o meu grito calado,
Ninguém escutou o meu desabafo abafado,
Ninguém segurou e saltei do penhasco.
O GRITO
Ouvia-se o grito.
Na noite do vendaval,
Duma garganta, saía aflito
O ronco de algum mortal.
Terrífico
Horrífico,
Que entrava pela janela
Fechada pelo medo
De entrar nela,
Mau credo ou até bruxedo.
O vendaval amainou.
O grito parou.
Aberta a janela,
Ao perto, à luz da vela:
Era uma voz de fome,
Um homem sem nome,
Sem idade de vida ou ser,
Que só pedia a esmola do comer.
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 03-04-2023)
O canto de um pássaro engaiolado é para muitos, uma suave música para seus ouvidos, mas um grito de dor para essa ave que pede pela sua liberdade
