Galo
Um é sal o outro açúcar
Um é sol o outro lua
Um é arroz o outro feijão
Um é galo o outro Cruzeiro
Um é frente outro verso me completam eu preciso dos dois.
Irmãos
Já te disse não tentes cantar de galo
tu à minha veira ainda és um chavalo.
Deixa-me estar na minha a rimar e aprender
para mais tarde eu poder-me surpreender.
Um homem no chão da minha sala
alonga sua raiz
galo que estufa o pescoço
cana-de-açúcar e bronze
poças, chuva, telha-vã
rio que escorre na velha taça empoeirada
O homem no chão da minha sala
cidades de ouro
castelos de mel
velhas metáforas
sinos línguas gelatina
O céu no chão da minha sala
Esse homem no chão da minha sala
provoca o veneno da cobra
pulgas atrás das orelhas
mexeu nos meus bibelôs
consertou aquela estante
revirou a roupa suja
desenterrou flores secas
fraldas
chifres
quatro cascas de ferida
um disco todo arranhado
e um punhado de pelos
Aquele homem no chão daquela sala
me fez cruzar o ribeirão dos mudos
estufa de tinhorões gigantes
no piso do meu mármore
ele acordou a doida
as quatro damas do baralho
uma ninfeta de barro
e a cadela do vizinho
Daquele homem no chão da minha sala
há meses não tenho notícia
desde que virei a cara
saltei janela
fugi sem freio ladeira abaixo
perdi o bonde
estraguei tudo
Amanhecer
A madrugada se esvai
deixando adentrar o dia...
Ouve-se o galo a cantar,
os pássaros fazem a festa
com tamanha cantoria...
Parece que estão a dizer:
- Queremos alegria ao acordar,
olhe da janela pela fresta!
Vamos dar as boas vindas.
Prenúncio do amanhecer!
para o silêncio do poeta
quando você se cala o silêncio fala
canta o galo zumbe a abelha
mia o gato pia o pinto ruge o leão
quando você se cala o silêncio fala
a baleia bufa o burro zurra
o bezerro berra o bode bala ladra o cão
quando você se cala o silêncio fala
grasna o ganso o rato guincha
o cavalo rincha bate meu coração
quando você se cala o silêncio fala
a cigarra estrila a hiena gargalha
estalo os dedos e canto esta canção.
Lá fora o trupé da bicharada:
Gansos, angolas, galo, cachorro, passarada...
O bezerro querendo manar
A vaca querendo seu úbero esvaziar.
O jeito é levantar e o cafezinho tomar...
Bom dia pra quem acabou de acordar!!!
mel
Dilema de brasileiro que escuta o galo cantar:
De longe eu vi, igual rapina, é irmão nem toda alma aqui é negra ou branca, todas o mesmo valor, só que alguns esquecem da cor... da vida. Igual ao meu primo, só conseguiu ser gente fina porque escondeu bem sua dor.
Sequela da pátria a favela, sua mãe mulher que mata um leão, mais de um por dia, e porquê, se é o que viemos pra ser na selva
Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.
Falar até papagaio fala, cantar galo canta, dançar foca dança,o que Precisamos é de homens de Carater
