Fui
Eu não estava preparado para ter certeza, que eu fui apenas uma marionete do seu último show. Sempre chega o momento que o palhaço sai de cena.
- Kenrick
Sempre fui uma pessoa muito franca, não escondo o que sou, o que penso, a maneira como vejo o mundo.
Fui criada de maneira regrada, limitada, asséptica, diria até assexuada. Filha única, mimada e cobrada, o exemplo a ser seguido, o bibelô de uma família de errados. A única linha reta escrita até o momento. Hoje, inconscientemente me vejo esquecendo o freio, me jogando sem defesas em uma paixão que me fez fora de mim, imersa em um outro, outro a qual já nem sei mais. Uma paixão sem fôlego, sem fim, sem meios, sem regras e sem freios. Um desejo que não cala, berra o tempo todo, fala através da angustia e do medo.
Eu já vivi, eu já sorri e já fui feliz de perder até o ar,
hoje eu apenas sobrevivo perguntando quando esse inferno vai acabar.
Desculpe, fui fraca demais e logo me rendi ao abismo que a vida me ofereceu. Eu cai do precipício mais alto e não obtive nem sequer um aranhão. Não apenas escolhi o precipício mais alto como escolhi o errado. Escolhi o precipício da alma onde infelizmente meu estado de espirito se acolheu ou melhor adoeceu. Evitei por um longo período de tempo pessoas e quaisquer maneira de contato com as tais. Evitei a academia, o bar, a praça, supermercados e até a esquina de casa. Desliguei meu telefone e apaguei a agenda do meu celular, para assim eu não recorrer a ninguém. E não recorri até agora. No tempo em que estive afastada, ninguém me procurou, nem um recado na caixa postal, nenhum telefonema .. nada. Sou um tanto faz na vida das pessoas, sou como um enfeite pra mesa cuja serventia é apenas destaca-lá. Pelo menos, posso garantir que fui uma boa filha de Jesus, sem envolvimento com drogas ou bebidas alcoólicas. Sem dizer nenhuma palavra ”feia” sobre o teto dos meus pais e acima de tudo, virgem. Você deve ter notado que isso está longe de ser uma ”despedida” ou uma simples nota de suicídio. A questão é que nunca me senti inteira ou completa, que a verdade seja dita nunca senti como se pertencesse a esse mundo. Tal dor, magoa e rancor apagaram de mim qualquer sentimento bom ou puro relacionada a minha forma de agir ou viver. Papai e mamãe sempre me deram tudo, nunca deixaram me faltar alimento ou cobertor no frio. Mamãe até me ensinou a falar e o papai me ensinou a andar de bicicleta. Papai e mamãe não perceberam que a filha deles tinha algo de errado, que talvez precisaria de umas 12 sessões com uma psicologa que só traria mais problemas, como se eles já não fossem o suficiente. Teriam que bancar uma clinica de reabilitação ou até um reformatório. Decidi me tornar uma atriz, sucumbi meus sentimentos mais prolíferos no canto mais obscuro que havia em mim, e lá os tranquei. Sobre tudo, passei um longo tempo sorrindo quando meus demônios internos me dilaceravam por dentro. Diga-me papai e mamãe vocês perceberam? Não. No momento em que me dopei, me dei conta que as coisas nunca mais seriam a mesma, que estaria deixando pra trás todo sofrimento e angústia que habitava em mim. Dei-me conta também que aquela garotinha que ficou toda contente com o presente de aniversário de 10 anos, morreu. A ”eu” de agora nunca se sentiu tão viva e perplexa, meus órgãos internos estão mortos á muito tempo, as olheiras embaixo dos meus olhos entregavam isto. Por favor não chorem sobre meus restos mortais, nem ao menos sussurrem que farei falta. Comprem apenas um caixão que me caiba. Estou ansiosa pra conhecer o céu.
Eu mesma fui vítima de abuso (vim saber a pouco tempo) e, realmente esse esquema explicativo que justifica inconscientemente o fato (só deve emergir na consciência através de pesadelos que a pessoa nem lembra o que se passou mas acorda gritando ou correndo sem rumo) é um mecanismo de defesa em que a pessoa possui elementos destrutivos a sua volta e as pessoas a vêem com uma imagem bem distorcida do que ela é, como se ela conscientemente tivesse vontade de se auto punir pelos mesmos meios pelos quais foi violentada. O agressor é a pessoa doentia, insensível e que só pensa em continuar machucando, mas que também precisa de tratamento!
ADAPTAÇÕES
Sou o que o amor deixou
Fui entrega sem reservas
Sou produto das decepções
Fui dedicação e cuidar
Sou descrença e frieza
Fui guerreiro e coragem
Sou surdez emocional
Fui súdito de um sorriso
Sou apatia e silêncio
Fui dança na alegria
Sou escravo em liberdade
Fui calor em noite fria
Sou grilhão sem chave
Fui aconchego e carinho
Sou mão sem companhia
Fui aceno solidário
Abandonei meu eu, vivi você
Tropecei na vida, caí em mim
01/11/2012
Sempre fui muito verdade, muita explicita...sempre me entreguei de bandeja, tá na hora de me cobrir de mistérios, me guardar em segredos...tente decifrar-me !
...
Eu estava aflita,sabia que nunca conseguiria, mas fui ate o fim sem ter toda certeza.Tinha esperanças, mas não tinha amor, tentava ser alegre diante das pessoas mas meus gestos eram desagradáveis.No meio de todo aquele povo,se sentia mal tentava fazer amizades mas nunca deu certo,todos me excluiam como se eu fosse LIXO.Um dia me perguntaram porque você é tão diferente,não fala com ninguém,não se expressar... Eu' humildemente respondi."A arte maior é o jeito de cada um vivo pra ser feliz não vivo pra ser comum"!
Me reinventei só pra te merecer. Porque nada do que eu era, nada do que eu fui era o suficiente, vc merecia mais de mim: o meu melhor.
Sei o que hoje sou sem ter vergonha alguma daquilo que um dia fui. Sei que já errei, julguei e até maltratei aqueles que me deram amor, mas finalmente posso dizer com toda a paz que adquiri com o tempo que realmente eu consegui mudar. Aliás não foi eu, mas a vida que me mudou. Na verdade ela me deu algo que eu jamais pensei que poderia novamente alcançar: Aceitação própria. Tal afirmação pode ser um pequeno progresso para o mundo e para todos aqueles que já sofreram pelo meu passado. Mas sem dúvida alguma é um grande passo para a minha alma. E é isso o que verdadeiramente importa.
Por causa de uma mulher eu fui ao fundo do poço, depois ao fim do mundo.
Quanto mais longe, melhor...
Invadi o campo inimigo, fui render e ser rendido, sem a menor cerimonia, sem medo do sentimento, sem convite, sem umbigo. As veias não mais enferrujam, o óleo quente e doce do sangue passeia, dando alimento ao corpo, dando luz à vida e adoçando a alma.
Não fui um grande piloto de caça como sempre quis na minha infância, mais hoje tenho um grande orgulho de poder ser o medico de alguns deles!!!
