Fui
Eu nunca fui militante, mas como observadora da cena, compreendo que ser militante não é espantar as pessoas, e sim atrair as pessoas, e penso que o divergente que não cruza a linha da falta de respeito pode se tornar um aliado, e até mesmo um amigo.
O Primeiro Abrigo
No seu ventre, estive no meu primeiro abrigo,
Cheio de amor.
No seu colo, fui consolado inúmeras vezes,
E hoje, ainda encontro conforto nos nossos abraços.
Ter o mesmo riso frouxo
Foi, e continua sendo, imprescindível.
Sem dúvida, sou abençoado por tê-la como mãe;
Não conseguiria ter pedido a Deus uma melhor.
Errei e erro muito,
Mas busco ser um bom filho.
Pois tudo o que eu fizer será, de fato,
Apenas o mínimo.
**Outra, ainda eu**
É tanto o que mudei,
e tanto o que ainda mudo,
que olho para quem fui
e reconheço apenas partes.
Há algo meu naquela mulher,
mas já não visto seus gestos,
já não demoro os olhos
nos mesmos lugares.
A essência permanece,
mas os trejeitos, não.
Mudou o olhar,
e, com ele,
a forma de enxergar o mundo.
Às vezes, mergulho em mim
para saber onde estou.
Procuro minha voz
entre tantas que já tive,
até ouvir alguma coisa
que ainda soa como casa.
Às vezes, volto a quem fui.
Sento ao lado dela,
escuto o que tem a dizer.
Há lembranças que só ela
sabe me contar.
Mas, quando volto à superfície,
retomo quem sou agora,
com um gesto que ela não conhece,
com uma vontade
que antes não era minha.
Sou outra,
e ainda sou eu.
Talvez me reconhecer
seja isso:
encontrar minha essência
sem exigir de mim
o rosto de antes.
Eu fui criado em uma família em que dizer “eu te amo” nunca foi uma prática. E eu sei que isso vem de antes, porque a geração anterior também não aprendeu a demonstrar o amor dessa forma.
Talvez por isso eu tenha crescido acreditando que amar era algo que se demonstrava de outras maneiras, mas que nem sempre precisava ser dito.
Hoje, depois que minha mãe se foi, uma das coisas que mais me machuca é pensar em todos os “eu te amo” que eu poderia ter dito a ela e não disse.
Dói saber que existiram tantos momentos em que eu poderia ter falado, mas deixei para depois. E agora não existe mais o “depois”.
Eu daria qualquer coisa para poder olhar para ela mais uma vez e dizer, mesmo que apenas uma vez, tudo aquilo que tantas vezes ficou preso dentro de mim:
“Eu te amo, mãe.”
O que eu diria à criança que fui, se pudesse me encontrar…
Ahhh, Ana Gelma…
Minha pequena, com esses olhinhos pretinhos e pequenos, você nem imagina quantas histórias a vida ainda vai escrever nas páginas da sua existência.
Quantas experiências vão te transformar, quantas lágrimas você vai derramar em silêncio, debaixo das cobertas, tentando entender sentimentos grandes demais para um coração tão pequenino.
Quantas vezes você vai sentir medo, insegurança e a falta de um abraço, de um carinho, de um afeto justamente de quem você mais desejava receber.
Quantas vezes você só vai querer ser ouvida… ter alguém que se sente ao seu lado, olhe nos seus olhos e diga: “Eu estou aqui, minha pequena. Você não precisa enfrentar tudo sozinha.”
Ah, Ana… se eu pudesse voltar no tempo, te daria os abraços que faltaram, te levaria mais vezes para brincar, ouviria com atenção cada palavra sua e acolheria até os sentimentos que você ainda não sabia explicar. Te daria mais colo, mais presença, mais afeto. Porque criança também precisa ser ouvida, compreendida e amada nos pequenos detalhes.
Mas sabe, minha pequena? Apesar de tudo o que doeu, você nunca esteve sozinha.
Deus sempre esteve ali. Nos dias em que você chorou escondida, nas noites em que o coração ficou apertadinho e nos momentos em que nem você compreendia a própria dor. Ele conhecia cada lágrima, cada silêncio e cada fragilidade sua. Enquanto você crescia sem entender tantas coisas, Ele cuidava de você, preparando seus passos e fortalecendo sua alma.
Você é a menina dos olhos DELE, protegida e guardada por um amor que tantas vezes te sustentou quando os braços humanos não conseguiram te alcançar.
E olha só para nós agora, minha pequena… Nós crescemos!
Aquela menina sensível se tornou uma mulher que observa, analisa, pensa antes de agir e aprendeu a ter cautela com os passos e com as pessoas. Não porque deixou de acreditar na bondade, mas porque a vida lhe ensinou que nem todo abraço acolhe e nem toda palavra traduz a verdade.
Ainda assim, você não permitiu que as ausências roubassem sua capacidade de amar. Não deixou que as dores apagassem sua gentileza, nem que as decepções levassem embora sua essência.
Você cresceu com um coração que sente profundamente, com uma verdade que não se curva às aparências, com uma bravura que se levanta diante das injustiças e com valores que não estão à venda.
Aprendeu a ser forte, mas ainda está aprendendo que também merece descansar. Aprendeu a cuidar, mas está descobrindo que também merece cuidado. Aprendeu a acolher tantas pessoas, mas hoje começa a compreender que aquela menininha também merece ser acolhida por você.
Se eu pudesse te encontrar agora, não te pediria para ser forte o tempo todo. Apenas te abraçaria e diria:
“Obrigada por ter resistido, minha pequena. Obrigada por não ter desistido dos nossos sonhos, por ter preservado nossa essência e por ter chegado até aqui. Você não precisava ter sido tão forte tão cedo. Você merecia colo, proteção e amor. E, se em algum momento a vida te fez acreditar que era pouco, quero que saiba: você sempre foi muito mais do que imaginava.”
Hoje, sou eu quem segura a sua mão. Sou eu quem pode olhar para trás, reconhecer suas dores e te oferecer o acolhimento que tantas vezes faltou. Não posso mudar o passado, mas posso cuidar de você no presente, honrando cada lágrima, cada conquista e cada parte da nossa história.
Feliz Dia das Crianças para a menina que eu fui, para a mulher que me tornei e para a criança que ainda vive em mim.
Que Deus continue nos guiando, nos protegendo e nos lembrando de que, mesmo quando a vida deixa marcas, o amor pode nos ensinar a florescer novamente.
Com todo o amor que aquela menina merecia receber,
Da mulher que ela se tornou,
Ana Gelma.
"Já fui pisado e humilhado por ser quem sou, mas a minha honestidade e a força do meu trabalho me mantêm de pé, de cabeça erguida."
05:55 da manhã 18 de setembro de 2024
Sonhei pegando um ônibus em uma rodoviária, fui em Teresina, comprei vários vestidos e algumas bolsas pretas que estavam na promoção, eu não gostei muito das bolsas depois, comprei, mas depois estava em dúvida se realmente era para ter comprado, eu pensei em vender elas, mas não sabia como, porque tinha que alugar um ponto e no marketplace do Facebook, já não dava mais, porque estava restrito pra mim.
Depois parei em uma casa, onde eu estava apressada para ir há algum lugar, porém eu tinha que preparar o almoço para meus irmãos, eu estava cozinhando uma carne muito macia, para guardar e preparar depois, resolvi adiar a ida e preparar logo a comida, que não levaria muito tempo, então acordei enquanto despedaçava a carne para preparar o almoço.
Bons profissionais, fazem toda a diferença. Hoje, fui tirar meus pontos da cirurgia. Não senti nenhuma dor, o enfermeiro me distraiu conversando, contando histórias. Colocou um suporte para meus pés, não senti nenhuma dor, estava aflita e com os olhos fechados. Quando percebi ele já havia retirado sem eu perceber, já há alguns segundos. Caímos na risada, eu minha cunhada e ele.
Todo mundo havia relatado nos relatos que li, que quando foram foi retirar os pontos de hérnias, falaram que dói muito.
Acho que depende do profissional.
Minha tia já estava me esperando. Eu fui para a casa dela, passei 3 meses com ela, depois fui morar com a minha avó paterna.
Com ela, passei 2 anos.
Depois, no último mês! Eu tive que sair da casa dela, porque meu tio era um drogado e violento, então saí, porque ele começou a ameaçar meu namorado, hoje, meu marido.
Então, fui pedir abrigo na casa de uma cunhada da minha avó, ela disse "tú pode ficar, mas não quero nem saber de macho aqui na minha porta".
Eu tinha 19 anos, e esse macho que ela falava estava me esperando e ouvia tudo. A gente tinha marcado o casamento, faltava um mês.
Era só disso, que eu precisava.
Mas, ela fechou a porta para mim.
Eu tinha umas amigas que já não estavam tão próximas de mim, mas foi a minha única solução.
Pedir para a mãe delas, para eu ficar lá por 1 mês!! Até casar.
Foi o que aconteceu.
Fiquei 1 mês!!
Trabalhando, feliz, sendo cuidada por aquelas pessoas, e no dia do casamento, me levaram de carro e ainda participaram comigo.
Recebemos 1 almoço surpresa.
Foi o melhor período da minha vida!!
Continua...
Tem dias em que eu acordo com a sensação estranha de que fui colocada aqui sem nem ter concordado com os termos de uso. Tipo aqueles aplicativos que a gente aceita tudo sem ler, só que nesse caso… não tem como desinstalar, nem voltar pra versão anterior, nem reclamar no suporte. E aí eu fico nesse meio-termo curioso, quase filosófico, quase dramático, meio cômico também, porque olha a situação: eu não queria ter nascido, mas também não quero morrer. Eu só queria… sei lá… um intervalo. Um botão de “pausar existência” pra respirar sem ter que existir tanto.
E é engraçado perceber como essa ideia desmonta aquele discurso bonitinho de que viver é sempre um presente. Presente pra quem exatamente? Porque tem dias que parece mais uma entrega surpresa que ninguém pediu, embrulhada com expectativa, boleto e uma leve crise existencial de brinde. E ainda assim, eu fico. Eu continuo. Eu escovo os dentes, tomo café, respondo mensagem, faço planos, reclamo do calor, rio de meme. Uma rotina inteira construída em cima de alguém que nunca pediu pra estar aqui, mas também não tem coragem de ir embora. Olha que ironia elegante.
E aí vem a outra parte, aquela que pesa mais do que parece. Eu nunca quis dar essa experiência pra ninguém. Não por falta de amor, não por falta de vontade de cuidar, mas por uma lucidez meio incômoda: existir é bonito, mas também é cansativo. É um pacote completo, com alegria e angústia no mesmo combo, e eu fico pensando se é justo colocar alguém nisso só porque eu quis. Tem gente que chama de egoísmo não ter filhos, mas, sinceramente, às vezes me parece mais egoísmo trazer alguém sem garantir que o mundo vai ser gentil com ela. E o mundo… bom, o mundo acorda de mau humor com uma frequência preocupante.
Só que no meio desse pensamento todo, existe uma coisa que me segura, quase silenciosa. Uma curiosidade. Um “já que estou aqui…” meio despretensioso. Já que estou aqui, deixa eu ver o que acontece amanhã. Já que estou aqui, deixa eu sentir mais um pouco, rir de novo, me decepcionar de novo, amar de novo, reclamar de novo, porque reclamar também é uma forma de continuar. Eu não pedi pra nascer, mas já que nasci, eu vou observar essa bagunça toda como quem assiste uma série longa demais e pensa “agora eu quero saber como termina”.
No fundo, talvez não seja sobre querer ou não querer. Talvez seja só sobre estar. E ir lidando com esse estar do jeito que dá, com humor quando possível, com paciência quando necessário, e com aquela sinceridade crua de quem não romantiza tudo, mas também não desiste de tudo.
Agora me conta, você também já se sentiu assim?
Ontem fui um rebelde sem causa, hoje sou uma causa sem rebeldia e amanhã serei um rebelado causador de causas rebeldes!
Não é pressa, é imensidão.
Sempre fui o silêncio que repara,
o olhar que filtra e separa
o que é ruído da real canção.
Se antes eu olhava a vida da janela,
hoje eu transbordo e ocupo o salão.
A maturidade me fez seletiva,
me deu a régua, o prumo e a direção:
só entra o que soma, só fica o que é chão.
Dizem que o tempo acalma os passos,
mas em mim ele acelerou o sentir.
Fiquei mais viva, mais inteira, mais densa;
ganhei o mundo ao expandir.
Minha mente é um universo sem fronteira,
onde o conhecimento faz morada e raiz.
Sou o mistério de quem observa na beira,
e a certeza de quem sabe o que diz.
Créditos _ Amanda Tamiris da maia
👑Sempre fui princesa, mas cansei das batalhas que não eram minhas. Guardei a armadura, mudei o roteiro e agora escrevo minha própria história
🛡️⚔️📜🪖
Sempre fui raridade por aprender cedo
o valor da vida.
Minha mente evolui diariamente
e meus frutos se triplicam
porque minha raiz é forte.
Posso não ser a mesma de amanhã, mas o meu caráter, o meu amor
e a minha sede de conhecimentosão eternos.
💚🎻✨️
PENSAMENTO DE UM MERCADOR PERSA.
EU JÁ FUI VAIDOSO QUANDO JOVEM.
PENSEI QUE EU ERA UM ILIMITADO.
HOJE EU PENSO NISSO.
E FICO PASMO.
15/10 🇧🇷 Dia do Professor
Na minha jornada no magistério,
nunca fui tão aluna
quanto quando lecionei.
Para além de professora,
tornei-me mãe dos meus alunos,
especialmente daqueles
que traziam mais carências e feridas.
✍@MiriamDaCosta
