Flor Murchando
Cemitério.
Madrugada.
O orvalho fede a lembrança e carne velha.
E eu tô ali.
Com flores murchas na mão
e esperança enfaixada em gaze suja.
Sabe o que é amor?
É escavar a terra com as unhas
porque a pá ficou leve demais.
É sentir o cheiro de formol
e ainda assim achar perfume.
É abrir o caixão devagar,
como quem desembrulha um presente proibido.
E lá está ela.
Minha musa cadavérica.
Rainha do silêncio.
Pele cinza como as manhãs que eu perdi.
Lábios rachados,
mas o sorriso?
Mais sincero que o de muita gente viva.
Dizem: “isso é doente.”
Mas eu te pergunto:
e aquele cara que finge amar só pra não dormir sozinho?
Ou aquela que sorri por obrigação no jantar de família?
Quem é mais doente?
Eu amo cada verme que beija tua carne.
Cada lasca do teu osso que brilha na luz da vela.
Eu passo os dedos pelas costelas
como quem dedilha um piano
e ela me canta, em silêncio.
Uma ária morta.
Um sussurro do além.
Te vesti com seda e desespero.
Te deitei no lençol da minha culpa.
E fiz juras que até Deus viraria o rosto.
Mas ela não.
Ela me olha com olhos secos
e ainda assim me vê por inteiro.
E sim, a cama geme.
Não de prazer.
Mas de peso, de passado,
de pactos que não têm volta.
As flores murcharam, pétalas caídas,
O orvalho molhando as terras feridas.
Do suor do guerreiro tem-se a vitória,
Lombo surrado, nem se valoriza a memória.
Violão guardado, sem valor, sem sua melodia,
Tal qual, faz falta o brilho do sol no meu dia.
CUIDE DO SEU AMOR
Autora: ( Profª Lourdes Duarte)
Quem não cuida das flores, irá vê-la murchar
Da mesma forma é um grande amor a quem a vida negar
Plante seu jardim, entre espinhos, as rosas brotarão
O amor quando é amor, os espinhos vencerão.
As flores refletem bem o que é vida e o amor
O tempo que não volta atrás e os amores que se vão
Decore sua alma conserve seu jardim
Com flores, rosas e jasmins, mas não te esqueças de mim
A rosa é a rainha entre as flores a mais bela
Mas quando chegar o inverno não terá o perfume dela
Da mesma forma é o amor quando não é alimentado
Para continuar vivendo com coração amargurado
Mesmo despedaçadas as rosas exalam seu perfume
Assim como o amor guardando no coração destroçado
Como as pétalas a cair no chão num jardim descuidado
Cuide do seu amor como flores no jardim.
Se andas triste em meio a dias chuvosos e tenebrosos , se as flores do seu jardim estão murchas, arranque-as, plante outras sementes, cuide com carinho e espere seu jardim florir outra vez.
Por que preoculpar-se tanto com o jardim ao lado se tuas flores podem estar secas,murchas e precisando de água?!
Flores familia e tristeza
Ela é tão linda que flores murcham a lua lhe quer imitar,
E o sol sai de trás das nuvens para vê-la e fustiga-la.
Mais parece o nascer do dia do que seu findar.
Talvez a tristeza volte para inveja-lá.
E se as flores do jardim tiver humildade
O nascer do dia será uma perfeita aurora.
Asterales a família das Florescidade
A tristeza para, passa e vai embora
Flores murchas no meu jardim, não há água nem pra mim
Quando eu pensei que me achei, me perdi
Cochilei eu passeia estação, voltei…
Às vezes é necessário retroceder, pra reaver, e renascer
Existe uma força que atrai
Contrai contrários insanos
Profanos às vezes enganos
"As flores que te foram as mais belas,
murcharam sem adeus no adeus que se fez.
Eram flores da última primavera,
do outono, talvez..."
#Sétimo_Sentido
Não deixem as flores murcharem
Enquanto a água estiver ao seu leito
Deixem elas ser o que sonharam ser
Se simplesmente ser um ser vivo não bastar
Deixe que a respiração as torne humanos
Noite tão fria quanto as madrugadas
Tão dolorido quanto mergulhar aos rios com luzes apagadas
Medo concentrado a volta como um culto
E as lembranças do passado novamente me tornando um puto
Energias em poemas desperdiçada
Estrofe tão hilária que não pode ser explicada
Isso é como uma Bandeira sem corda
Pois não pode ser içada
Vida dupla vivida num instante
Alucinações a volta permanecendo constante
Não me prendo ao passado
O ontem se foi
E hoje a página pode ser virada
Maurodarg
Flores Murchas
Desmaiadas na vida
Pálidas desabrochadas
As cores de partida
As pétalas cansadas
Ainda com viço
Afadigadas...
Murchas flores
Flores murchas
Tristes louvores
Versadas...
De perfume postiço
E as forças exiladas
Feitiço
Da existência traçadas
Do fado mortiço
De inevitáveis jornadas
Murchas flores
Flores murchas
Tristes louvores
Desenganadas...
Perfazendo o curso
Revoadas
Incurso...
Flores murchas
Murchas flores
Tristes louvores
Encantadas!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02 dezembro, 2022, 18’52” – Araguari, MG
Versão musical para o poema “Flores Murchas”
Para onde vão os amores depois que as flores murcham, as lágrimas brotem e os sentimentos viram lagos de dores?
Ninguém consegue sustentar pensamento positivo o tempo todo, assim como as flores eles murcham. Mas se você quer manter o vaso sempre bonito faça com eles o mesmo que você faz com as flores: substitua-os cada que vez que eles murcharem.
as flores
caem as pétalas
murcham
vira adubo
fica o pedúnculo
do receptáculo ao ovário
com a sépala como testemunha
renasce as pétalas
Entre pétalas e espinhos, teu nome dança:
Flores que brilham na glória, flores que murcham na derrota.
Na alegria, no luto, no sussurro da vingança…
Mistérios se escondem nas raízes do tempo.
Quem és tu, Dona Flor?
A cicatriz da morte ou o perfume da vida?
Sob a superfície calma, os segredos fervem —
são atos imensos em silêncio,
são mapas de luz e ruína.
Teu véu é feito de paradoxos:
nasces do mesmo solo que consome.
És a guerra e o refúgio,
o fim que se disfarça de início.
Dona Flor:
na tua mão, um jardim de perguntas.
O que plantaremos hoje —
a semente ou o adeus?
não quero flores que murcham,
nem promessas vazias ao amanhecer,
quero a brutal honestidade
de um amor que não teme a verdade.
Assim como as flores que desabrocham e murcham, pode parecer que
o tempo não muda, nem o cenário, mas sempre há uma luz no fim do
túnel. O ponteiro que alterou o curso das coisas transformará cada
situação, e aqueles que escolheram o caminho da crueldade serão
derrubados pela força implacável da natureza. Há uma terra radiante,
cheia de sorrisos, onde os bondosos se banham na fonte da
verdadeira paz.
