Filho Morto
Filho do meio
Formar um céu a partir de mentiras, deslumbrar a morte da inocência nesse foco de realidade, morte, assim vivo pútrido e sagas, a águia perdeu suas penas, mas o urubu real vive, por estar abaixo da morte e acima das estrelas, viva com o veneno criado em suas entranhas, pensamento maldito da destruição que forme a vida de amanha, arranque o sangue para dar a beber sua prole, vinda do escuro a luz do êxtase tocará sua fronte e saberá que és um filho do meio.
Não viva de qualquer forma, pois a graça de Deus é um assunto sério que custou a morte do seu Filho.
Como a mãe que perdeu seu filho para a morte, ou a que o perdeu para algum "desvio" de vida, ambas enlutadas, amargam profunda dor.
DEUS/JESUS/UM…
Quando um filho e pai, UM só são;
ambos UM, em ALMA havida;
nem a morte, terá não;
poder, pra a tais, tirar vida.
Porque um matando, outro fica;
no tal UM, sempre bem vivo;
logo do mesmo erradica;
o matar, por ela havido.
Por ser filha, A Alma, não nossa;
tal não o é, da natureza;
daí, que a mesma não possa;
matar em nós tal Beleza!
Pois por do CRIADOR, ser;
Tal lindo SER, quando em nós;
transfere-nos um viver;
que jamais, nos deixa sós.
Talvez pra nos mostrar, NELE A Aparência;
vamos em bom meditar, pensar nisto:
será, que o por nós feito, a JESUS CRISTO;
terá sido, UM mostrar-nos; DELE A Essência?
Será que foi: para O Em Dois, SEU UM provar,
que um dia, por nós SE Deixou matar;
pra de seguida, em TAL ressuscitar;
pra O invisível, de SI, nos Amostrar?
Oxalá, que ESSE DEUS, Aparecido;
Tenha Querido, Viver e Morrer;
pra não ver morrer, um FILHO, querido!...
Oxalá, que isso Tenha Resolvido;
Fazer, a tal deixar acontecer;
pra nos mostrar: Esse UM, tão DELE Havido.
Com a alegria da FÉ;
Fui filho sem pai,
com um pai vivo.
E isso, por mais estranho que soe,
dói mais que a morte.
Porque a ausência escolhida tem outro peso:
o da rejeição.
Aprendi cedo a não esperar.
A construir minha identidade sem referência,
a ser homem sem espelho.
E mesmo assim, segui.
Hoje não te culpo.
Mas também não te carrego.
Só levo seu nome no papel.
Na alma, carrego a coragem de não repetir sua história.
Eu vi muita morte nessa vida (...), mas nada se compara à dor de perder um filho, porque dói muito.
A morte que mata duas vezes.
Como farei para não pensar em meu filho?
Fecharei os meus olhos para não ver as coisas dele?
Deixarei de sentir o cheiro do quarto dele?
Deixarei de fazer as comidas que ele gostava?
Não tem como não pensar em meu filho...
Somente a morte poderá tirar isso de mim.
Então morro dia após dia.
Bruno Soalheiro morreu. Isso doeu tanto em mim. A dor que senti na morte do meu filho. Ele tinha tanto para realizar, ideias maravilhosas, vontade de mudar de fazer, de acontecer, de trazer a existência. Há muito que não ouvia alguém tão espetacular querendo transformar a psicologia brasileira.
O pai se foi
O filho ficou
A mãe
O que aconteceu?
A morte levou
A tristeza é vazia
Que tristeza é uma partida certa que nunca é desejada
Parece que somente a morte sabe a hora marcada
O neto pergunta: onde está meu avô?
Não sei ao certo, mas é certo que a morte o levou.
Entenda, não se supera a morte de um filho.
Não se preenche o espaço deixado por um filho.
Não se esquece da voz do cheiro do rosto de um filho.
Mensagens de otimismo do tipo " Deus me dará algo melhor do que já perdi" não se encaixa a mim... Pois jamais haverá algo melhor que um filho.
Jamais pense que eu esqueci do meu filho,sorrio por fora mais por dentro a cada batida do meu coração cada segundo do meu dia minha alma chora pelo filho que partiu.
“Avante, Brigada Ligeira!
Atacai com as armas!” disse ele:
Para o vale da Morte
Cavalgavam.seiscentos soldados
“Avante, Brigada Ligeira!”
Por acaso um homem amedrontado havia?
Não, embora soubessem os soldados
Que alguém a verdade não falava:
Eles responder não podiam,
Eles argumentar não podiam,
Eles obedecer e morrer podiam apenas:
Para o vale da Morte
Cavalgavam .seiscentos soldados
À direita, canhão,
À esquerda, canhão,
À frente, canhão
Atiravam e rimbobavam;
Com tiros e granadas fulminados,
Sem medo audazmente avançavam
Da Morte para as garras,
Do Inferno para a boca
Cavalgavam seiscentos soldados.
Num átimo, os sabres desembainhavam.
Os quais, no alto, cintilhantes,
Canhoneiros ali golpeavam,
Um exército atacando, diante
De um mundo atônito:
Da bateria pela fumaça sufocados;
Cossacos e russos,
Vacilantes ante os sabres dos golpes,
Destroçavam-se e partiam-se.
Recuaram em seguida, mas não –
Não os seiscentos soldados.
À direita, canhão,
À esquerda, canhão
Atrás, canhão
Atiravam e atroavam;
Por tiros e granadas fulminados,
Enquanto caem cavalos e heróis,
Logo eles, combatentes aguerridos,
Nas garras da Morte cair foram,
Da boca do Inferno de regresso,
Foi tudo o que restou
Desses seiscentos homens.
Pode, algum dia, sua glória se apagar
Oh, temerário esforço despendido!
O mundo inteiro se pergunta.
Honra à luta travada!
Honra à Brigada Ligeira,
Nobreza de seiscentos heróis!
