Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Lembro de minha infância querida
Mesmo que dinheiro não tinha
De uma folha de papel um avião fazia
Chamava a moça que ensinava de tia
E acreditava que super-herói existia
Lembro de uma infância feliz
Sei que muitas coisas erradas eu fiz
Vivia a tirar coisas do nariz
Chamar o colega de bobo era errado
E acreditava que era pecado
Lembro de uma infãncia sadia
Era o Pelé quando o gol eu fazia
Na rolemã o Senna quando Vencia
Mas com o tempo eu crescia
E acreditava que um deles seria
Lembro de minha infância com carinho
Ficava feliz só com um carrinho
Mas enjoei de ser pequenino
Não via a hora de crescer
E acreditava que saudades não iria ter
Sofria de uma doença grave e sem cura chamada romantismo-sem-endereço. Amava quem ainda não se fazia presente, inventava planos, falava ao telefone sem ter ninguém na linha. Sonhava com um sujeito sem rosto, sem tato e sem voz. Criava uma vida, uma personalidade, umas histórias conturbadas, e vivia disso. Vivia das manias, dos defeitos e de umas brigas que nunca existiram. Admirava gravatas nas vitrines. Dizia um sobrenome de casamento. Guardava presentes na gaveta, colecionava cartas que mandava para si próprio. Nunca trancava a porta do quarto antes de dormir. Escrevia para ninguém. Chamava e esperava o futuro para que assim fosse.
Ela realmente estava um pouco acima do peso, mas não fazia diferença alguma. Melissa era linda, incrivelmente linda e se sentia completamente bem desde que João a conquistou. Mas antes disso ela já se valorizava. Melissa não se importava com o peso do seu corpo, pois sabia quão grande era o peso do seu coração.
Sofria de uma doença grave chamada romantismo-sem-endereço. Amava quem ainda não se fazia presente. Sonhava com sujeito sem rosto, sem tato e sem voz. Escrevia para ninguém. Chamava o futuro
E ainda me lembro de quando ela, era apenas mais uma desconhecida
Não fazia parte do meu dia, não fazia parte da minha vida
eu não á conhecia
seus sorrisos fotografados, agora me trazem verdades que não condiziam
acanhados são nossos abraços
Afugentando parte do passado
Sintetizo o que sinto em uma punhado, enrolado e amassado
nesse encontro que foi consolidado
No presente que se tornou passado, mas ela ainda continua ao meu lado
Tanta gente que não conhecia, se tornaram poesia
Perdoai-me minha intransigência, se foi tido como pecado.
Lá fora a chuva não parava de cair e isso me fazia pensar em nós dois. A música passeava por meu corpo, me invadindo pouco a pouco. As batidas do meu coração iam aumentando a medida que as lembranças surgiam. Eu pensava em tudo; quando te vi a primeira vez, a certeza que nós ficaríamos naquela noite, o seu sorriso me envolvendo tão rapidamente e o seu olhar. Aquele olhar penetrante e ao mesmo tempo protetor, um olhar que mais parecia um abraço. O vento levou tudo isso, mas eu sei que na hora certa uma brisa leve vai trazer cada momento de volta. O que me da essa certeza? As suas palavras que todos os dias ecoam na minha cabeça: "Você ainda será parte permanente na minha vida! Não sei quando, nem onde, só sei que será".
Quando começamos a compreender coisas que antes não fazia sentido e descobrimos outras que até então parecia não querer revelar-se. Está aí o que denominamos crescimento; evolução.
Quantas vezes disse que não fazia falta, querendo ouvir: Você é tudo que preciso, se te perder, perderei a mim mesmo, mas ao invés disso não ouvi nada, apenas o silêncio. Isso é o que mais machucava.
E ela me fazia muito bem quando estava presente, não só um corpo ocupando um lugar mas sim um coração preenchendo todo o vazio...
No velório:
– Era vegano, não bebia, não fumava, fazia academia, fazia pilates... Morreu de quê?
– Overdose de rivotril.
Amanheceres
A luz do amanhecer já não fazia diferença para Olga, se não fosse o velho despertador de corda, presente de Camilo, (irmão mais velho). Olga vive entre crenças e caridades realizadas e na companhia do seu fiel escudeiro, o cãozinho Pipoca.
Nunca, nem um dia era igual ao outro.
Enquanto o apito da chaleira não avisa a fervura da água, Olga liga o rádio: as notícias não param...
O telefone toca (..trim...trim...trim..)...
Olga caminha até a sala para atendê-lo: "Alô?, Alô?: Quem fala?"
Do outro lado a voz rouca tesponde: sabe quem fala? Ao mesmo tempo responde, é Ava sua sobrinha. Alegrias, saudades expostas, assuntos em dia.
O relacionamento com seu(a) ex fazia a sua vida ser melhor? Se a resposta for não, não volte de jeito nenhum e nem cogite a possibilidade de voltar.
Não importa onde você estava e o que fazia durante esta sucessão de eventos. Esse momento em que algo nos conecta é tão único quanto todos.
Não fazia sentido dizer que não queria se casar. Ia acontecer. "Querer" não faria diferença.
Ela não ficava com ele porque ele a fazia sentir-se feliz. Ficava com ele porque ele a fazia sentir-se amada. Existe sensação melhor?
Você veio como rio,
Lavando tudo que havia em mim,
Tirou tudo o que não me fazia bem,
Para me preencher de amor,
Engraçado dizer,
Que em nenhum momento,
Fiquei sem perceber,
Esse seu jeito,
Tão perfeito,
Mais parece que foi feito,
Na medida,
E no jeito,
Com um encaixe perfeito,
Com o vazio do meu peito,
Do jeito,
Que sempre havia sonhado,
Até em ser engraçado,
Amável,
Não poderia ser melhor,
E agora eu já viciei,
E já não sei,
Viver sem.
Não olhe pra trás se resolveu sair de onde algo lhe fazia mal. Olhe para a frente e siga leve, esquecendo tudo que não deu certo. A vida ensina e mostra novos momentos e que sejam melhores.
Já não sei se volto ou se não volto a fazer as coisas que fazia antes a unica coisa que sei, é que pouca coisa hoje em dia me agrada, me deixa realmente feliz.
