Fazenda
Botina amarela
Na fazenda espinilho
Num lindo salpicado rosilho
Como regalo de criança
Guardarei essa linda lembrança
Uma boina de gaiteiro
Com seis anos muito faceiro
Um Galdério bem pilchado
Naquele corcel sem alguém do meu lado
Sorriso de jacaré esparramado
Um piá mais que arretado
Ganhei essa prenda singela
Trotando com estilo num embalo
Controlando o pomposo cavalo
Uma vistosa botina amarela
"Sobre o solo da fazenda"
No solo rude da fazenda, o sol a adentrar as frestas a luz ilumina o chão.
Elos incondicionais de mãe e filho, fortalecem os laços ancestrais,a pele escura, a genética é o patrimônio do amor imensurável ,há sorrisos na casa pois há tambem muitas alegrias à serem compartilhadas.
Tantas historias,mas nenhuma outra poderá ser vivida apenas contada pois os tempos são outros e a voz dos antepassados sobre as novas gerações hão de serem ouvidas.
Sobre os corações e mãos e abraços há uma força misteriosa que não se pode medir.
Corre a criança livre como um pássaro deixando rastros de risadas no ar .
A mãe cultiva sonhos com doçuras à enfeitar os fatos históricos de uma um povo que não mostrou apenas para que veio mas também por que veio.
"Nessa guerra de valores, os gatos querem governar a fazenda para ficar com o leite e deixar os ratos sem queijo."
“O fazendeiro quer alimento livre para todos e não vai deixar isso acontecer.”
"Os pássaros podem voar e cantar livre sem ser presos em gaiolas."
O tempo livre
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No tempo busquei, perdido em anseio,
Teus passos ecoando em cada instante,
Achei-te no brilho virtual, sem receio,
Um laço sincero, um afeto vibrante.
Nos diálogos curtos, as almas se encontram,
Nos bytes, trocamos palavras e sentimentos profundos,
Desafiamos o tempo, e assim nos despontam
Sonhos e anseios em outros mundos .
Oh, doce miragem, o amor do presente,
No toque da tela, a chama ressurge,
Que o tempo não pare, que siga essa corrente.
Em cada mensagem, a vida quw surge,
E mesmo distantes, nossos corações,
Fortes em conexão, tecem novas
Alianças.
EAC fragmentos
26092024eac
Poesia do campo
Aqui tem paz, tem ar puro, tem águas limpas. Pela manhã o cheiro do café é um convite para agradecer pelo dia e ser grato por tudo! Aqui os vizinhos dizem "bom dia", "boa tarde" e uma maravilhosa noite! Se ouve ao longe musicas, aqui a gente sai nas noites quentes para ver as estrelas e o luar, e nas noites frias fazemos uma fogueira para aquecer ao som da viola e comemos milho-verde tomando chá de amendoim! Aqui tem alegria porque a alegria está nas coisas mais simples vida. E só aqueles que conseguem ser gratos pelo quem tem consegue enxergar a felicidade na simplicidade.
Há quem queira sair da dependência deste mundo e voltar ao campo e serem direcionados por Deus. Plantar e colher; há muitas verdades nessa curta frase. Tantos outros estão trocando a independência pela dependência e abrindo mão de suas terras em troca de gaiolas de concreto no meio da cidade.
O agricultor é o resultado da evolução do homem em seu meio socioambiental. É viver sob o sol e produzir sustentavelmente, dando continuidade ao ciclo da vida.
o Erro.
O erro no meu ponto de vista é = a construção.
Se algo se atravessa meu caminho e destrói a construção vejo que é parte dela.
Nos últimos anos da minha vida, quando olho para trás, sempre que aconteceu o erro, ouve uma renovação da historia, um começo novo; depois olhando outra vez não era exatamente um começo novo, era uma virgula, e necessária,.
Agora a construção eu posso tentar controlar para errar o menos possível, sigo desta forma hoje com meus erros.
sigo como Samuel Beckett,
“Tente de novo, falhe novamente. Falhe melhor."
“ O nosso `spread bancário` é alto porque os juros são exorbitantes, ou os juros são exorbitantes porque o `spread` é alto ? É a mesma coisa da bolacha que ninguém sabe afirmar se vende mais porque está sempre fresquinha ou se está sempre fresquinha porque vende mais. “
O Roceiro
Pelas paredes gretadas
Mugidouras vacas deitadas
Paciente e ruminante
Observava, ele via
O amanhecer no horizonte
Lá vem a barra do dia.
Acorda mulher, acorda Lia
O algor cobria de neve o chão
Que frio!... Virgem Maria
Levanta mulher, coragem e opinião
No poleiro, não tem mais galinha
Façamos junto a oração
Salva-nos, ajuda-nos oh!... mãe rainha
Opinião! Opinião! Exclama
Com mãos calejadas o rosto lava
Descalço, pisa n' água, na lama
Se não fosse ele, homem chorava
Sorrindo, alegre, a vida leva
Mulher!... este frio é geada
Mas enquanto o café côa
Amolo minha enxada
Pois, não gosto, não fico a toa
Também trato das bicharadas
Dos porquinhos e da marrôa
Marido o café tá coado
Vem beber senão esfria
O roceiro vem afoitado
Não vim antes, não sabia
Bebe e pega seu machado
Nossa lenha não vai ao dia.
É triste; não sei ler, sou tapado
Amanhã preciso de arrogo
Marido!... me dá licença
Vou por feijão no fogo
Desculpe, arrogo não é doença
Fala logo com seu sogro
Meu pai tem clemência.
A tarefa d' manhã terminada
O roceiro vai sossegado
Cachimbo na boca e na mão a enxada
Também no ombro o machado
Derrubar a matarada
Onde tudo é plantado
Descalço, nos trieiros, na saroba
Alegre, cantando, não tango
Pula, um bicho, é cobra
Foi engano é um calango
Que bela mata e gigante peroba
Roço, queimo e planto morango
O céu, a serra enfumaçada
Dos roceiros a história narra
Árvores deitadas, folhas esturricadas
Por todo lado zumbido de cigarra
É tempo agora de queimadas
Quase tristeza o roceiro agarra
Vamos urgente aproveitar
Chegou a flor do mandacaru
O sol não vai mais esquentar
Que fumaça! Foge o inhambu
Nossa roça vou por fogo, queimar
Essa chuva não vai pegá-la cru
Mulher!... Vamos agora plantar
Arroz, milho, mandioca e feijão
Se o pai do céu nos ajudar
Vamos fazer um farturão
A nossa fé não pode, não vai faltar
Não esquecendo da oração
Na roça tudo é dureza
Lá dá praga pra chuchu
O prejuízo é quase certeza
Corre perigo da cobra urutu
Formiga, cupim é da natureza
Destruidores, passo preto e tatu
Quando planto, sou feliz
O tatu, mandioca e milho ranca
O roceiro não maldiz
E por Deus, não adianta
Formiga nas folhas, cupim na raiz
E vem o sol virgem mãe santa
Chega então a colheita
Houve grande resultado
Labuta, sofre, não deita
Corajoso, alegre vai o coitado
Uma boa cama ele enjeita
Foice no ombro, fazer novo roçado
A história do roceiro
Ela é indeterminada
Bolso limpo sem dinheiro
E a ele não falta nada
Veste algodão e sempre caseiro
Crê em Deus, crendice e fada.
João e o Oceano
Nasci com o sorriso do meu pai
E nos braços da minha mãe.
Ela teve que ir embora cedo,
Disseram que foi cuidar de uns anjos lá no céu.
Quando criança, aprendi a trabáia,
Aprendi a ser forte até quando o corpo não aguenta o peso do esforço.
Parei de contar as gotas do meu suor
Quando toda aquela água represô e virô um rio.
Meu pai não se demorô pra ir embora
Fiquei triste, mas aliviado em saber que minha mãe tinha uma companhia.
Não aprendi a ler porque não tive tempo,
E o pouco que me restava mal dava pra descansar à noite.
Ai, quando tudo pareceu ficar sem sentido
Apareceu uma companheira, trabalhadeira igual eu.
Não tinha medo de pegar pesado
E o rio dela se encontro com o meu.
A gente era jovem quando arrumamos um emprego
Na fazenda de um sinhô.
Tínha casa e trabaio não faltava.
A pele da cara tava tão grossa que nem o sol a gente sentia mais.
Eu fui feliz e sabia.
A dignidade me deu filhos
E ao contrário dos pais, eles foram para escola,
Depois para a universidade.
Nuunca tiveram que trabaiá até então.
Eu acostumei a dormir pouco e fazer o dinheiro render.
Nas férias dos estudos, eles nem vinham nos visitar
Colocavam a culpa no tédio
Dizem que roça num tem festa
Ficô eu e minha muié, de novo, sozinhos.
Tenho medo do tempo passar
E às vezes penso que meu pai e minha mãe
Estão em algum lugar a me esperar.
Mas sabe de uma coisa?
Nessa altura, juntando todo o meu suor com o da minha muié
Já dá pra fazer um oceano
Que deixo pros meus filhos
E o azul é tão bonito
Que dá até vontade chorar.§
“ Realitys não é um programa de caridade não é uma clínica de reabilitação, não é uma clínica pra doidos e muito menos um retiro, ali é um jogo e vence que da mais valor e se entrega por inteiro, ainda que pague depois pela consequências. “
As aves observam o homem do campo arando o solo, e voam rapidamente em busca do alimento resultante disto. A terra é o início de todas as coisas, Deus está no controle.
Farfalham a cabeleira da pata -de-elefante, o abacateiro, o pé-de-jabutica...
Chuveriscam gotículas mágicas no céu de setembro.
Atônito, eu respiro o vapor molhado da tarde,
baloiçando na rede da varanda. Lá-e-vem a verdosa esperança
me colorir os meus olhos de outono,
já-e-vem-vindo uma alegria àtoa, me empurrando pr'algures
tanta desilusão sedimentada.
O gado ri
e a vida na roça segue,
alheia a qualquer vão vaticínio.
É domingo.
Outro, nos anais da freguesia de Santo Antônio do Lageado.
