Fantasia e carnaval
A melhor e mais fascinante fantasia humana é sua esquizofrenia espiritual, a criação lírica do imanente. Se a inteligência transcende a carne inerme, o homem pode vislumbrar, não apenas um paraíso florido e um rio calmo e permanente. O espírito virá a conhecer o supremo dom do pensamento, poderá explorar, fora dos limites da alma atômica, toda a substância cósmica do universo.
Quem vive de ilusões e fantasias o tempo todo pode contar a mesma história duas vezes que elas entram em contradições.
Crianças produzem milhões de fantasias, distrações, imagens mentais, afetividade; mas, quando se tornam adultas, muitas perdem o encanto, a simplicidade, por não cuidar de suas decisões, escolhas e propósitos pessoais, perdendo a paz, alegria de viver abençoada e determinada.
Melhor é o diálogo conjugal para estimular as emoções
e fantasias sexuais com seu cônjuge do que substitui-lo
por prazeres momentâneos.
Muitas fantasias e ilusões têm milhares de homens,
mas quando vier a realidade poucos ficarão com ela.
As pessoas parecem atuar em uma peça de teatro. Vivendo o artista plenamente sua fantasia. Seja de dor, seja de amor ou azar.
Sobre a fantasia e a afantasia:
Pessoas com forte capacidade de visualizar imagens mentais tendem a ter os episódios passados mais claros em sua construção subjetiva, isso influencia a construção da personalidade delas, logo os eventos passados que não existem mais formam uma percepção fantasiosa delas próprias.
Eventos passados podem ter uma forte influência na construção de uma percepção mais fantasiosa de si mesmo, especialmente se esses eventos forem lembrados de maneira distorcida ou idealizada. Por exemplo, se alguém relembra repetidamente um evento passado de uma maneira que exagere suas próprias realizações ou virtudes, isso pode contribuir para uma percepção fantasiosa de si mesmo. Da mesma forma, eventos passados traumáticos podem levar a distorções na percepção de si mesmo se forem lembrados de maneira que minimize ou ignore o impacto do trauma.
Pessoas com afantasia, que têm incapacidade de visualizar imagens mentais, tem uma percepção diferente de si mesmas em relação às suas memórias passadas. Como não conseguem criar imagens mentais dos eventos passados, sua percepção da realidade
são distorcida em relação aos demais.
Isso influencia a construção da personalidade deles de uma maneira diferente daquelas que têm uma capacidade mais vívida de visualizar imagens mentais, e como tudo é sobre reconhecimento e identificação, pessoas com afantasia se adaptam a uma sociedade que não as compreende, sendo extremamente doloroso a convivência com a sociedade neurotipica e neurodiversa e a saga pela busca da própria identidade.
Enquanto alguém com afantasia pode se basear mais em fatos objetivos e do momento presente para construir sua percepção de si mesmo, aqueles com uma capacidade mais forte de visualização mental podem ter uma percepção mais influenciada por interpretações subjetivas dos eventos passados, o que pode incluir elementos fantasiosos.
Só existe o presente. O resto é parte de uma fantasia que podemos carregar como uma âncora que nos atrasa, ou assumir a vida com a forma que ela se apresenta e fazer alguma coisa que justifique a existência.
Que tal começar por algo que te faça se sentir viva? Não viva pra ninguém, mas saiba reconhecer o valor no outro.
Uma vida com um grande amor compensa, sentimento tem degrau e só entende a experiência do topo quem caminhou junto lado a lado ao longo do tempo, da jornada de duas vidas entrelaçadas em exclusiva cognição e conação.
Se você começar a treinar ou fazer dieta, precisa esperar 6 meses pra fazer resultado, as coisas não são imediatas.
A vida é uma aventura finita, e ela acontece apenas na sua simulação e apenas na sua simulação tens um corpo único, com instintos de vida e de morte, capaz de compreender percepções jamais vistas, dentro de você.
Então se ame e respeite a simulação do outro, desta forma você sempre saberá que ninguém terá direito de desrespeitar a sua simulação.
Viver com Afantasia em uma Sociedade de Fantasias
Imaginar o mundo ao nosso redor é algo que a maioria das pessoas faz naturalmente, mas para mim, isso é uma impossibilidade. Vivo com afantasia, uma condição onde o ato de visualizar imagens mentais simplesmente não acontece. Enquanto outros conseguem projetar lembranças, cenários e sonhos com vivacidade, minha mente opera em um plano puramente conectado à realidade objetiva. Minha realidade é feita de informações (memórias semânticas), sem o colorido de imagens mentais. Isso já cria uma distância imensa entre como eu experiencio o mundo e como os outros parecem vivê-lo.
Além disso, existe outra camada de complexidade. Vivo também com autismo e outras neurodivergências, condições que moldam ainda mais minha percepção e interação com o mundo. E uma parte fundamental dessa vivência é o fato de que, objetivamente, só consigo experienciar o sentimento do agora. Não tenho uma herança sentimental que me ajude a filtrar o valor das coisas. Vivo de forma intensa e imediata, cada momento sem referências do passado, sem scripts mentais, não importa quantas experiências eu tenha tido. As decisões importantes que tomo são baseadas nesse único sentimento presente e na frieza do conhecimento semântico, porque não consigo conectar essas decisões a uma compreensão emocional do passado ou do futuro.
Essa ausência de uma herança emocional faz com que eu não entenda o valor das pessoas da forma como a sociedade espera. Sentimentos como gratidão me escapam, assim como os comportamentos sociais derivados disso. Eu não sei o que é "puxar saco", não faz sentido para mim, e nunca vou participar de padrões de comportamento que considero desprezíveis, apenas porque as pessoas rotuladas como "normais" dizem que isso é uma fórmula para o sucesso – sendo que é claramente parte da trajetória que levou a humanidade a construir um sistema podre.
Para mim, o que chamam de "sucesso" e "meritocracia" são lendas urbanas. A realidade é outra: é uma sociedade movida por aprovações sociais e fantasias, onde o que importa é a adequação a normas, expectativas e imagens mentais compartilhadas – algo que, na minha experiência, não faz sentido e nunca fará. Vivo desconectado desses padrões, porque, para mim, eles simplesmente não se aplicam.
Essa desconexão se torna ainda mais intensa em uma sociedade que insiste em vender a ilusão de que todos têm as mesmas oportunidades e opções. O positivismo, com sua insistência na superação individual, ignora as limitações reais que muitas pessoas, como eu, enfrentam diariamente. Para mim, que sou misantropo por questões cognitivas, o positivismo soa vazio. Ele ignora as limitações reais da vivência de grande parte da população, que sofre por ignorância e miséria, sem oportunidades reais – e de uma minoria de neurodivergentes que sequer compreende as regras sociais forjadas para manter a ilusão.
No final, o que resta é a busca por um espaço onde minha existência, sem fantasias e sem ilusões, seja reconhecida. Não me interessa seguir roteiros sociais que só reforçam comportamentos vazios. Vivo em um mundo que valoriza essas fantasias, mas para mim, o presente, com toda a sua objetividade e limitações, é tudo o que eu conheço. E nesse espaço, eu não encontro sentido nos padrões sociais que outros consideram normais.
Estar adaptado a uma sociedade que valoriza indivíduos com transtorno de conduta não é um bom sinal de saúde mental.
Poesia fantasia de amor
Emanuel Bruno Mota Veiga Andrade
Lisboa 2024
Acordei de madrugada
Encontrei o canal de inspiração
A sua pessoa
Nesta consciencia de luz
Entre descernimento
Do que é certo e errado
Encontrei o outro lado
Assim fiz
Estes versos
No que concerne ao amor
Que perdura no coração
Lembranças de louvor
Que nos dão maior noção
Da realidade
Verdade expressa
Pela emoção
Recalcada pela razão
Que apela pelas certezas
A procura de nossos seres
Perdidos em duvidas
Que são culmatadas
Com as almas unidas
Por momentos de alegrias
Para afugar o tédio
Sair da monotonia
Quebrar a rotina
Saindo da fadiga
Dando um abraço a vida
Amando e desenjando
Nessa cumplicidade do respeito
Num ardor que faz transpirar
Estar afugante amor
Que faz corta o respirar
Unos em relação ao universo
Ao terreno e ao celeste
Dar ao nosso ser por inteiro
Sem partes
Nem metades
Um outro destino
Ser um reflexo para o outro
Amando-o
Sendo um hombro amigo
Obrigado e parabéns aos dois
Depois virá dias de disporas
Teremos que se manter unidos
Na inspiração
No amor que clamo
Embalando o eu
Com balsamo
Para nesta poesia
Sonhar
Em verso ou em prosa
Para fantasiar
transladando
Para vida.
Com um BEM HAJA
Emanuel Andrade
Migalhas de amor era o que eu vivia uma fantasia, migalhas, migalhas todos os dias me dava a sujeira que vivia em mordomia sem pudor e provavelmente sem alegria!
Chocolate, minha essência,
Doce extravagância, pura indulgência,
Meu exagero, minha fantasia,
Prazer supremo, que alegria!
Veludo e brilho, és meu poder,
Luxúria intensa, meu renascer,
Balada eterna, infância perdida
Canção de amor, minha vida.
Lina Marano
O sorriso de Deus:
É o mais bonito que eu já vi.
E não estou fantasiando.
Ele me sorri todos os dias.
Sempre que levo amor a quem falta.
E faço o bem a quem precisa.
Posso não ter muito, mas o pouco, eu divido.
Muitas vezes, um gesto de carinho, e uma palavra bendita, salva uma vida.
Assim, entre um sorriso e outro, ele me abençoa.
E eu sou só gratidão.
Vivemos uma fantasia
onde o futuro é o nosso
objeto de desejo.
Ao desejar esquecemos
que o mais importante
é o viver.
Cerro meus olhos todo dia
Na esperança de guardar aqui
A toda fantasia
E poesia que se encerra
No final de cada olhar ao longe
E também cada alegria não vivida
Que eu dividi comigo mesmo
Nos tempos mal vividos
Que o caminho abrange
Pois a sorte desta vida
Não consiste em deparar
Com o diamante bruto
Que a cada um de nós
Há de esperar pelo caminho
E, sim, reconhecê-lo
Agradecer-lhe, com o devido zelo
Pois cada um de nós
Um dia há de encontrá-lo
Mas, nem sempre
Vê-lo
E lapidá-lo
Longe de toda malícia
Distante de qualquer olhar astuto
Somente a mansa gratidão
Que qualquer criança
Encerra dentro de si mesma
Quando tem na mão
Um brinquedo de papel
Um desenho que ficou bonito
E um coração escrito
E cerra os olhos
Na esperança de guardar ali
A sensação de fantasia
Que todo dia finge em reviver
No final de cada olhar ao longe
Que o tempo não deixou guardar.
Edson Ricardo Paiva.
