Fado

Cerca de 237 frases e pensamentos: Fado

⁠Outro fado -

Adeus gentes, minha terra
adeus campos, adeus serras
que em criança me viram;
adeus versos que escrevi
aos amores que não vivi
adeus fados que me ouviram.

Meu coração como louco
sente triste, pouco a pouco
que ao partir não volta mais;
e no meu peito de espuma
esta dor é só mais uma
outra dor entre as demais.

e o meu corpo feito lume
já não tem quem o inunde
d'ilusões, esperanças fagueiras;
e entre pedras e cansaços
caem penas pelo espaço
como cai água das beiras.

E a saudade que me amarra
prende minh'Alma à guitarra
numa angustia de deixar-te;
e toda a história perdida
e toda a vida sem vida
vai nos olhos de quem parte.

Ó minh'Alma onde vais?!
Porque sofres tanto e mais
se o destino está marcado?!
Diz adeus a quem ficou
diz adeus a quem passou
parte em busca d'outro fado ...

Inserida por Eliot

Nas margens do Tejo a brisa dança,
Entre azulejos, a história avança.
Cantos de fado ecoam na cidade,
Saudade no peito, alma de verdade.

Do Porto ao Algarve, terra a vibrar,
Vinhos a contar segredos do lugar.
Campos dourados, sol a sorrir,
Em cada pedra, a história a persistir.

No falar macio, poesia a nascer,
Entre colinas, o olhar a perder.
Portugal, tesouro de encanto e cor,
Em cada verso, eterno amor.

Inserida por DrikaLeone

⁠Abre a Janela -
(Para Maria João Quadros)

Nunca mais sentirei o teu abraço nas noites de fado
nas vielas escondidas, nas travessas tortuosas,
nunca mais saberei do teu coração cansado
dando voz às guitarras virtuosas...

Para onde foi o timbre da tua voz?!
A suavidade com que me tocavas o rosto?!
Não ouves ... mas estou aqui ... a sós ...
ausente de mim, sem vontade nem razão, dentro do corpo.

Incapaz de voltar atrás ... a morte chegou ...
... sinto-me impotente ... cheio de frio e solidão!
Mas a vida é um ciclo, não pára nem parou
e em nós bate ainda o teu coração...

Teu rosto, teu perfil, tudo endureceu
alumiado à chama de uma vela,
não deixes quem te ama e não morreu
"meu amor abre a janela!"


(Na Basilica da Estrela em Lisboa.
À minha querida Maria João Quadros com todas as saudades possiveis e imaginárias tipicas de quando nos afastamos ... guardo-a no coração ... para sempre.)

Inserida por Eliot

⁠⁠"Registo no tempo"

Num momento de pausa
Como se fosse ouvir um fado
Uma história de saudade
Cantada na voz do sol
Num tom grisalho chamado vida
Em cada rima do poema
Reflecte a luz da vida
Onde cada grão de areia
Faz a melodia do por do sol
A bengala suporta o tempo
Das horas de um longo percurso
Onde as lágrimas de ontem
Bailam nas ondas
Do mar sempre presente
Lembrando um trajecto de amor
Que faz bater o peito
Num sorriso perfeito
Registo o instante
Sentindo os acordes da guitarra
Da vida que me faz sorrir
A cada aurora presente

Inserida por Nut-Hapi

⁠Vós que sois juízes do meu fado,
aqui no resplendor das antefaces,
protegei a minha vida com cuidado,
sem essa aberração das subclasses.

Dizei tudo o que sou e o que não sou,
velai a minha acção a descoberto,
e vede que meu mal não se acabou,
aqui neste arraial de peito aberto.

Por isso, olhai o circo, em traje puro,
os bons malabaristas e os palhaços,
mirai alguns funâmbulos do futuro
fitando os movimentos que aqui faço.

Defendei o meu feitio rude e tosco,
com esse bem-querer que vos conheço,
e sei que poderei contar convosco
enquanto eu divagar neste endereço.

Inserida por AntonioPrates

Perdoar é a forma formidável de evitar fado que não nos pertence.

Inserida por DamiaoMaximino

⁠Só percebe o fado quem tem saudade, quem não tem mais quem já perdeu. Tem-se o fado na alma.

Inserida por JaneSilvva

⁠FADO

Poeto triste cansado, inspiração vazia
Os versos sangrando de muito sentir
Atrás duma atração dentro da poesia
E que não pude na poética conseguir
Na ilusão, imaginei, ideei noite e dia
Sem nunca da rima sentimental fugir
Fraquejar, não, pois a fé o meu guia
Na narração a melancolia vem residir

Poema exausto, sussurrante, lento
Cheio de censura, dor, de lamento
Saem da prosa em soturna fornada
Assim o desengano grifa o conteúdo
Cutucando a alma com canto agudo
E em um talvez, não encontrei nada!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
15 abril, 2024, 19’44” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠DE SONETO EM SONETO

De soneto em soneto vai o tempo já passado
Do versado fado, as ilusões, na ridente aurora
Dos cânticos encantados, e canto enamorado
De uma poética cheia de sensação de outrora
O tom que no estorvo se sentiu abandonado
O perfume na lembrança, que lembra agora:
O amor perdido, a infância ida, ali arruelado
Na recordação. Ah! tudo vivente a toda hora

Apressado, fugaz, e o versar vai observando
Cada linha, um toque de memória, morrendo
No tempo, guardado na emoção, até quando
For somente uma lembrança, ainda sendo!
E, de rima em rima aquela ocasião rimando
O soneto na saudade e a toada desvalendo.

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
24 abril, 2024, 07’39” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Fado Humano

Será que somos nós que realmente tomamos as decisões? será que traçamos os próprios caminhos? Ao que parece, estamos fadados de tudo aquilo que estar por vir.

The Vincit (Klaus)

Inserida por JACKSONVINCIT

Sigo adiante, resignado à vontade do fado que nos conduz por múltiplos rumos, pois cada passo é uma decisão e há quem tendo percorrido por trilhas similares, compreenda os porquês subjacentes às nossas escolhas.

Inserida por Bissueque

⁠Pranto e sorriso (fado)

No pranto da alma um sorriso
De ilusão. Pesar não, encanto
Pois, haver a crença é preciso
Toda a doçura do amor, tanto!
Se bem, a risada é um paraíso
Cheio de cor, de cheiro e canto
Entanto, na dor chorar é inciso
Aliviando o coração, conquanto,

Nem sempre, a regra é a hora
Portanto, tenha o querer afora
Da renúncia, te soltes da tolice
Tem muito mais, creia, confie
E, com a satisfação... contagie!
Pois, o tempo traz já a velhice!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20 janeiro, 2024, 12’12” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠EM CURSO

Nosso fado é uma poesia inacabada
Uma sedução de pluralidade na vida
Rimas indefinidas e epopeia velada
Arrematada de chegada e de partida
Nos inspiramos a cada uma alvorada
Em cada poética há palavra incontida
Cheia de sentimento, contos de fada
Ou não, talvez, uma cadência ferida

É a narrativa do tempo num existir
A estória num sentido inteiramente
Mesmo que não saibamos, sentir...
E tudo é breve, prosápia, vai tendo
Quanto caso tem em uma saudade
Quanto drama em cada odes sendo

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 setembro, 2022, 15’17” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Retracto de Celeste -


És filha do Fado! Irmã do Tejo ...
Um verso de Poema! Uma guitarra ...
És silêncio de seda, Lisboa de mil beijos,
que sobre a vida se debruça e amarra!

És a glória do meu punho de poeta
que treme ao sentir o coração ...
És a cor de uma imensa aguarela
que alguém pinta ao vencer a solidão.

Teu cantar é de cetim, em mim, é saudade,
de Camões, a voz, num semblante Portuguez!
És poema inacabado, tempo sem idade,
que repousa no regaço da eterna D. Ignês!

Óh Celeste derradeira, Fonte de Leanor,
descalça pela cal da madrugada,
pisando lirios, alabastros, sobre a dor,
indo e caminhando pela vida, tão amada ...

tão amada ...


(Para Celeste Rodrigues)

Inserida por Eliot

É bestial este fado bem falado, é um fado que se cantou, nas tacas mais rascas e bairristas, Uns cantavam com os olhos fechados, num ambiente
rançoso, a cheirar a iscas, outros com óculos escuros e gravata,jogavam à
Sueca, à batota ou à Bisca



Não terminado

Valentim Casimiro

Inserida por valentim_casimiro_2

⁠um pensamento diabólico

Roer tremoços rijos.para quem me quere cantar ao ouvido o fado falado 'a capela

Inserida por valentim_casimiro_2

⁠PORTA-VOZ

Cada naco do fado de que eu vivi
Resumido, desvairado e disperso
Suspirei, chorei, contentei e senti
E tudo o mais sussurado no verso
Amei, dos não amores sobrevivi
Em um trovar poético e diverso
Alguns com exatidão os escrevi
Amoroso, na imaginação imerso

Tudo passa, fugaz e tão fecundo
Poesia é vida e vive eternamente
E não é minúscula e ou teoremas
Tende. Intui. No inspirado segundo
Em cada sensação ali está presente
Deixo de porta-voz, os meus poemas

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
24, novembro, 2021, 20’07” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Mãe -

Se escutasses este fado
minha mãe a esta hora
esse teu olhar cansado
não teria ido embora.

Tu partiste e eu perdi
teu regaço doce e quente
minha mãe quanto eu sofri
ao partires para sempre.

Esse teu último olhar
foi p'ra mim último beijo
minha mãe vi-te a chorar
numa ânsia, num desejo.

Minha mãe, ó minha mãe
se na vida tudo passa
por que não passa também
esta dor que ainda me abraça.

Inserida por Eliot

⁠"Somos incompletos, não por defeito ou fado, exceto um atributo inerente a nossa diminuta condição humana.
Compreender esse engenho é a senha do cultivo e crescimento,
menos da angústia pelo que nos falta, e mais da gratidão pelo que temos."

Inserida por wandermedeiros

⁠LIBERTO ...

Não choro mais! Irei por este fado seguro
Cantar em outro peito, um soneto nobre
Adeus! Levo o teu cheiro, meu amor pobre
Na alma a sensação vazia e encanto escuro

Levanta-te sentimento, exitoso, desdobre
As asas da poesia, escreva teu verso puro
Declame todo sempre o afeto que venturo
Assim, um dia, a sorte especial o descobre

Então, cada verso o versar do meu sonho
Fanar-se na raiz, ir em frente, fé criativa
Ferindo e parando o devaneio enfadonho

Tu não finjas a inspiração tão figurativa
Não! Respeita cada um verso tristonho
Agora liberto! E cheio de emoção viva! ...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26/01/2021, 20’30” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol