Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
"talvez eu precise de uma terapia especial... pra me destraumatizar e tirar esse rolo de fios, do peito e da garganta... que antes não me deixava respirar e agora não me deixa falar, nem cantar..."
Por que mudei?
Ahhh…
me perguntam por que mudei.
E eu simplesmente digo:
mudei porque já não cabia
dentro das minhas antigas versões.
A pele que um dia me serviu
começou a apertar,
os caminhos que antes me encantavam
já não levavam para onde eu queria chegar.
Então, precisei me despir
de algumas certezas,
de velhos medos,
de quem eu achava que deveria ser.
Não foi de repente.
Foi aos poucos,
como quem aprende a respirar
depois de passar muito tempo
tentando caber em espaços pequenos demais.
Mudei porque cresci.
Porque me ouvi.
Porque descobri que permanecer a mesma
só para não incomodar os outros
também é uma forma de se abandonar.
Hoje, não sou quem fui.
E ainda bem.
Carrego minhas antigas versões comigo,
não como arrependimento,
mas como raízes.
Afinal,
foi preciso ser todas elas
para chegar até aqui.
Não mudei para ser outra pessoa.
Mudei para, finalmente,
caber inteira dentro de mim.
Cristo vai voltar e perguntar
Quantas almas você evangelizou?
Cadê os dons que eu te emprestei?
Quantas caridades você praticou?
A pessoa Dirá: Toma o dinheiro que eu ganhei
e as almas que eu enganei!
"Ninguém é como Deus, nem Cristo ousou se comparar ao Pai, quando Ele disse, Eu e o Pai somos um, Ele não disse Eu Sou o Pai, mas sim, quem vê a Mim, vê aquele que me enviou"
- Quem lê entenda.
Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.
"Se eu conseguir salvar uma alma, já ganhei o dobro da minha vida, se eu conseguir ganhar duas, então eu ajudei a derrotar o inferno"
"Se neste instante, essa fosse a minha última palavra, eu diria a você, adore ao Senhor, nada mais importa, nada é mais valioso"
Eu pensando sobre livre-arbítrio, quando Deus diz que tu tens o livre arbítrio dentro de ti segue um código milenar em que todos eles são em pares compete a ti através do teu conhecimento seja ele empírico, seja ele factual, seja ético ou moral, bem ou mau, certo ou errado, justo ou injusto, em resumo o livre arbítrio compete a cada ser humano em buscá-lo através do que é certo ou errado para sua vida, e respondendo por estas consequências, pior ainda responder por tudo que podes a vir fazer pelo teu próximo, as consequências sempre virão por causa do livre-arbitrio.
Talvez eu deva ficar aqui
Isolada, trancada, amuada.
Talvez eu deva ser assim:
Ser o que eu nunca fui em mim.
Ou talvez eu deva fazer isto:
No meu viver dar um sumiço.
Os pássaros de Brasília
Certo dia, eu caminhava pela mata virgem que existe cerca da minha casa. Pássaros tamborilavam em ritmo de uma canção desconhecida de roça. Um deles, aparentemente o líder, separou-se do grupo e voou até uma árvore distante, pousando no mais baixo dos galhos. Ele parecia não gostar da canção que seu bando entoava; talvez ela fosse simples demais para seus ouvidos modernistas, ou exacerbadamente complexa a seus olhos de Brasil contemporâneo. Sentada em um banco florido de madeira desgastada pelo tempo, eu não conseguia retirar do meu campo de visão aquele interessante ser, que devagar começava a assobiar uma nova canção. Foi então que enxerguei nele um espírito renatista, russo-brasileiro, transbordando os enlouquecidos pensamentos sobre uma certa geração coca-cola. O trovador solitário se juntou a outros pássaros loucos como ele, formando uma Legião que pairava em cada alma revolucionária deste país da Brasília que não muda.
Meus pecados
Eu nunca imaginei que uma noite tão perfeita
pudesse começar com uma taça de vinho.
Bebemos ao som de nossas músicas favoritas,
sentados frente a frente
num sofá que mal cabia nós dois,
embalados pelo olhar um do outro
e sem nos darmos conta de que não tínhamos brindado.
Que pecado perder a chance de brindar a nossa vida.
Que pecado não ter usado aquele vestido vermelho que você gosta tanto. Que pecado você ter me ganhado tão depressa.
Mas foram estes pecados que contradisseram os limites da criação e me trouxeram ao paraíso desta madrugada que acaba de começar.
Enquanto você dorme ao meu lado, eu me recuso a fechar os olhos.
O silêncio da noite me permite ouvir sua respiração,
ora lenta, ora apressada,
e me lembra de que essa mudança de ritmo nos acompanha em tudo:
nos beijos, nas brigas, nas tardes de caminhada,
e até nas músicas que a gente gosta de dançar
mesmo sendo péssimos em matéria de expressão corporal.
Reparo que você quase não se movimenta pela cama
e que não fez questão de virar pro outro lado;
logo me ocorre que você talvez saiba que eu estou te observando
e queira contribuir com minha doce redenção,
mas minhas suspeitas caem por terra quando você murmura algo
que eu não consigo entender e puxa o cobertor pra mais perto de si.
Fosse eu essa manta velha e me atreveria e roubar um beijo seu.
Mas essa manta nunca vai te ter como eu te tenho.
Ela nunca vai ver você sorrir enquanto dorme como eu estou vendo agora. Me pergunto se é comigo que está sonhando.
Talvez, no seu sonho, é você quem me observa dormir.
Mas eu continuo acordada.
Não posso perder nenhum momento do seu sono.
Queria viver essa noite pro resto da minha vida, deitada ao seu lado e sentindo seu coração bater.
Que pena que o tempo não ouve o meu clamor, já está amanhecendo e a sensação que eu tenho é de que esta madrugada durou apenas 10 minutos. Eu ficaria aqui pelo resto dos meus dias, juro.
Sei que jurar é um erro, mas são os pequenos pecados que vez ou outra me proporcionam esses 10 minutos com você.
