Os pássaros de Brasília Certo dia, eu... Bruna Meireles de Andrade

Os pássaros de Brasília


Certo dia, eu caminhava pela mata virgem que existe cerca da minha casa. Pássaros tamborilavam em ritmo de uma canção desconhecida de roça. Um deles, aparentemente o líder, separou-se do grupo e voou até uma árvore distante, pousando no mais baixo dos galhos. Ele parecia não gostar da canção que seu bando entoava; talvez ela fosse simples demais para seus ouvidos modernistas, ou exacerbadamente complexa a seus olhos de Brasil contemporâneo. Sentada em um banco florido de madeira desgastada pelo tempo, eu não conseguia retirar do meu campo de visão aquele interessante ser, que devagar começava a assobiar uma nova canção. Foi então que enxerguei nele um espírito renatista, russo-brasileiro, transbordando os enlouquecidos pensamentos sobre uma certa geração coca-cola. O trovador solitário se juntou a outros pássaros loucos como ele, formando uma Legião que pairava em cada alma revolucionária deste país da Brasília que não muda.