Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
"Eu era como a chuva serena que caía em silêncio. Mas algo mudou, e a calmaria deu lugar a uma tempestade cheia de raios e relâmpagos."
equiparo as cicatrizes como marcas
marcas que fisicamente se eu olhar, consigo sentir exatamente a dor do que lhe causou
olho para o meu joelho e ela está lá aparente
as vezes, e na maioria das vezes, esqueço que ela está lá, mas quando a olho consigo sentir naquele instante tanto o motivo, quanto a dor.
existem cicatrizes que não conseguimos olhar, como essa do meu joelho, mas analisando a situação, consigo sentir intrinsecamente exatamente onde dói, geralmente a lembrança da dor tem olhos lindos, aqueles que um dia já jurei admirar para o resto da minha insignificante vida.
acho que cicatriz é sobre isso, é sobre saber que existe e que deixou marcado, foi vivido, foi real e a marca muito das vezes deixa uma feridinha, que se você cutucar porque as vezes por instinto temos essa intenção, ela pode sangrar novamente, ou, se você esquecer por bastante tempo ela pode sarar de vez e só virar uma marca.
refletindo sobre cicatriz, percebo que meus domingos que eram melancólicos agora estão se tornando apenas “domingos de descanso”, um corpo para se entrelaçar, sentir o cheiro, dar um beijo na testa de eu to aqui cuidando de você, e acordar de madrugada somente para admirar o rosto da pessoa em calmaria dormindo, virou o “pô, tenho bastante espaço pra dormir e liberdade aqui”.
o que era sufocante causado por uma falha na história, e que causava carência pela falta, está virando a parte normal da vida. e sabe o que é mais louco? não deixo de sofrer nenhum momento, tanto quanto sofria pela falta, como agora acostumando com ela.
talvez as cicatrizes não deixam eu esquecer que tenho alma, mesmo a deixando em segundo plano, talvez tudo o que a gente tenha se transformado ecoe na minha cabeça as vezes, mas tudo bem porque você está bem, não é?
eu não preciso estar bem, somente devo pagar com juros o que eu lhe devo, e estou pagando com correção monetária e impostos.
te deixar ir daqui de dentro também é desesperador e olha só que irônico, o que eu mais pedia pra acontecer está acontecendo e eu não gosto dessa ideia, achei que nosso adeus não seria tão prévio.
Querida,
eu gostaria que o mundo estivesse acabando amanhã.
Então eu poderia pegar o próximo trem, atravessar Portugal inteiro, cruzar o mar até a Inglaterra e bater à sua porta sem precisar explicar nada. Quando você abrisse, eu não perguntaria se ainda há espaço para mim. Apenas estenderia a mão e diria:
Venha comigo.
Nós vamos nos amar sem medo, sem orgulho, sem o peso das palavras mal colocadas, sem o receio de quem vai embora primeiro.
Porque o mundo está acabando amanhã.
E, quando o mundo acaba, ninguém precisa fingir que é forte.
Ninguém precisa esperar o momento certo.
Ninguém perde tempo tentando vencer uma discussão que, no fim, nunca importou.
Se o mundo acabasse amanhã, eu não teria vergonha de dizer que senti sua falta todos os dias em que permaneci calado. Não esconderia que, por muitas noites, imaginei como seria ouvir sua voz outra vez, nem confessaria isso com a esperança de mudar alguma coisa. Apenas porque algumas verdades merecem existir antes do fim.
Nós caminharíamos sem destino.
Entraríamos no primeiro café aberto, pediríamos qualquer coisa e riríamos do absurdo de ainda existir café quando o céu estivesse desmoronando.
Você seguraria minha mão.
E, pela primeira vez em muito tempo, nenhum de nós precisaria perguntar o que o outro está sentindo. O fim do mundo teria nos devolvido uma simplicidade que a vida insistiu em roubar.
Eu olharia para você como olhei tantas vezes antes, mas dessa vez sem pensar no passado, sem medo do futuro, porque ambos deixariam de existir em poucas horas.
Só haveria o agora.
E o agora seria suficiente.
Se o mundo acabasse amanhã, eu pediria perdão por tudo aquilo que descobri tarde demais. Pelas vezes em que o meu silêncio falou mais alto do que o meu amor. Pelos instantes em que o orgulho venceu o desejo de permanecer.
Você talvez me dissesse que também errou.
E eu responderia que já não importa.
O mundo está acabando amanhã.
Não existem culpados quando o relógio decide parar.
Existem apenas duas pessoas que se encontraram tarde demais para um tempo curto demais.
Talvez, quando o último trem deixasse a estação, nós estivéssemos sentados lado a lado olhando a paisagem desaparecer pela janela. Não conversaríamos muito. Algumas pessoas foram feitas para dividir o silêncio, e o nosso sempre disse mais do que qualquer palavra.
Quando a noite chegasse, eu encostaria minha cabeça no seu ombro e pensaria que a eternidade nunca significou viver para sempre.
A eternidade, às vezes, cabe em alguns minutos vividos da maneira certa.
E, quando as luzes do mundo finalmente se apagassem, eu não pediria mais um dia.
Não pediria mais um ano.
Não pediria outra chance.
Porque você estaria ali.
E descobriria, no último instante da existência, que o único fim que realmente me assustava não era o do mundo.
Era o nosso.
Com amor,
Gabriel.
Conheço meu potencial e tudo o que posso entregar, mas eu me pergunto: você é digna?
Tem que ter disposição. Prometa-me a sua alma e eu a faço arder como chamas meteóricas. O meu afeto não cabe em medidas humanas. Quis compará-lo a um astro, pensei em Netuno. Netuno, não. Netuno ainda é um lugar, ainda conhece fronteiras. O que eu ofereço não orbita, invade. Alimentaria você para além do espaço e do tempo, até que confundisse a minha presença com a gravidade que mantém os corpos de pé.
E então, no dia em que eu diminuísse a intensidade por um único instante, você chamaria isso de ausência. Não porque eu tivesse ido embora, mas porque acostumar-se ao excesso transforma qualquer sobra em abandono. É assim que nascem os dependentes: primeiro recebem o infinito, depois aprendem que o infinito também cansa.
Eu sei o que causo. Em mim, antes de qualquer outro. Toda luz exagerada cobra seu preço de quem a acende. Não existe estrela que queime sem consumir a própria matéria.
Mereço passar por isso? Claro que sim. O karma que carrego eu mesmo financiei. Assinei cada parcela sorrindo, como quem acredita que algumas dívidas nunca vencem. Hoje pago tudo com juros compostos de memória.
E eu já sabia. Sabia quando prometi mais do que um coração consegue sustentar. Sabia quando fiz do afeto um espetáculo, como se amar fosse incendiar tudo ao redor para provar que havia calor. No fundo, sempre soube que quem transforma o próprio peito em sol acaba condenado a viver cercado de planetas frios.
Talvez o meu maior castigo nunca tenha sido perder alguém. Foi ensinar as pessoas a sentirem falta de uma versão minha que nem eu consigo habitar para sempre.
há dias em que eu me convenço de que existe uma conta aberta em meu nome. uma dívida antiga que eu nunca lembro de ter feito, mas que a vida faz questão de cobrar todos os dias.
talvez eu mereça. talvez cada ruína tenha sido construída pelas minhas próprias mãos. eu sempre encontro um jeito de tocar no que amo com tanta força que, sem perceber, também encontro um jeito de quebrar. construo casas para depois assistir ao teto desabar sobre mim. e o pior é que, mesmo conhecendo o roteiro, eu continuo acreditando que dessa vez será diferente.
já tentei me absolver. sentei diante dos meus erros como quem visita um velho amigo, esperando ouvir que tudo ficou para trás. mas eles nunca respondem. apenas me olham em silêncio, como espelhos que insistem em refletir a pior versão de mim.
o que mais me machuca não é perder. é nunca entender a lição. se toda dor existe para ensinar alguma coisa, então por que eu continuo repetindo o mesmo capítulo? quantas tempestades ainda faltam para que o mar finalmente aceite que eu já aprendi a afundar?
carrego um oceano de raiva que nunca encontra a praia. e uma tristeza tão antiga que às vezes parece ter nascido antes de mim. ambas dividem o mesmo peito, disputando espaço com um coração que ainda insiste em acreditar nas pessoas, mesmo depois de colecionar ausências.
eu não queria milagres. nunca quis promessas impossíveis. só queria experimentar, por um instante, a estranha sensação de receber na mesma intensidade em que entrego. descobrir como é estender a mão e encontrar outra vindo na direção contrária, em vez de mais um adeus.
mas existe uma crueldade silenciosa em continuar remando quando a maré parece ter escolhido o lado oposto. você se esforça, sangra as mãos nos remos, perde o fôlego, e ainda assim termina exatamente onde começou. às vezes até mais distante da margem.
e talvez seja isso que mais destrói o gabrieu: não o peso das derrotas, mas a dúvida de não saber se está lutando contra o mundo… ou contra si mesmo.
Eu quero aquilo que interrompe o funcionamento normal das coisas.
o tipo de acontecimento que faz os velhos instintos parecerem obsoletos. que invade sem violência, mas quando vai embora leva junto a pessoa que existia cinco minutos antes.
não procuro conforto.
conforto conserva.
eu quero uma força que torne meus antigos refúgios inutilizáveis, que faça meus excessos perderem o gosto sem que eu precise travar guerra contra eles. quando a mudança é verdadeira, o esforço vira detalhe.
quero desaprender naturalmente.
como quem esquece um idioma porque encontrou outro mais bonito para pensar.
quero ser confrontado por algo que me obrigue a crescer na mesma velocidade em que destrói minhas desculpas. que embaralhe minhas certezas até eu não reconhecer mais o mapa que passei anos desenhando.
e, quando tudo terminar, que não reste a satisfação de ter vencido.
quero restar diferente.
há transformações que parecem acidentes.
as melhores sempre foram destino disfarçado.
porque existe um ponto em que insistir na antiga versão de si mesmo deixa de ser fidelidade.
e passa a ser desperdício.
ou talvez não.
talvez eu queira exatamente o contrário.
que nada me alcance fundo o bastante para exigir uma reconstrução. que tudo passe como passam os estranhos na calçada: vistos por um instante, esquecidos na esquina seguinte.
quero permanecer intacto.
que meus hábitos sobrevivam a qualquer novidade. que minhas convicções envelheçam comigo. que nenhuma experiência seja convincente o suficiente para mudar a direção dos meus passos.
não quero perder o gosto pelas velhas fugas.
nem descobrir um idioma novo se isso significar esquecer o primeiro.
prefiro os mesmos erros pela intimidade que construí com eles.
prefiro reconhecer o teto das minhas limitações do que correr o risco de descobrir que ele nunca existiu.
há uma tranquilidade quase elegante em jamais ser surpreendido.
em nunca precisar rever.
em nunca precisar ceder.
no fim, talvez a maior ambição seja essa:
atravessar a vida sem deixar que ela atravesse de volta.
Há quem diga que esquecer é questão de tempo. Eu desconfio. O tempo só aperfeiçoa a memória; ensina ela a usar máscaras melhores.
Sem perceber, eu continuo te procurando.
Não em fotos. Essas eu já conheço de cor. Te procuro nas coisas que nunca te pertenceram, mas que aprenderam teu idioma.
Quando o primeiro acorde de Arctic Monkeys atravessa o silêncio, meu peito ainda olha para a porta, como se alguma parte de mim acreditasse que certas músicas continuam sabendo o caminho de volta. Oasis faz pior: transforma saudade em paisagem. É como caminhar por uma rua antiga onde ninguém mora mais, mas todas as janelas permanecem acesas.
Eu te encontro nos livros que compro sem motivo. Há sempre uma frase que teria arrancado um sorriso teu, e, por um instante, leio em voz baixa para alguém que já não está. Fecho a página como quem fecha uma conversa interrompida.
Também te procuro nas pessoas.
Não porque elas se pareçam contigo. Seria injusto com elas e impossível contigo. Mas existe um gesto, um silêncio, uma maneira de inclinar a cabeça enquanto escutam, um riso que dura meio segundo a mais... e, por um instante vergonhoso, meu coração pergunta se finalmente te encontrou de novo. Nunca encontrou. Eram apenas desconhecidos carregando pedaços que a minha memória decidiu roubar.
Há cidades que conspiram.
Volto a lugares onde estivemos e eles insistem em manter tua ausência exatamente onde você a deixou. A mesa continua pequena demais para duas pessoas. A calçada ainda sabe a direção dos nossos passos. O vento atravessa a mesma esquina com a mesma delicadeza, como se ignorasse que agora sopra apenas contra um corpo.
É estranho viver assim.
Como alguém perseguido por um fantasma que não assombra a casa, mas os detalhes. Um perfume na rua. Um casaco da mesma cor. Uma música tocando ao fundo de um café. A dedicatória esquecida na primeira página de um romance. Nada é suficiente para trazer você de volta, mas tudo parece suficiente para lembrar que um dia esteve aqui.
Talvez seja esse o verdadeiro peso de amar alguém.
Não é sofrer pela ausência da pessoa. É perceber que ela contaminou o mundo inteiro. As músicas deixam de ser só músicas. Os livros deixam de ser só livros. As ruas deixam de ser ruas. Tudo passa a existir em dois tempos: antes de você e depois de você.
E eu sigo vivendo.
Converso, sorrio, conheço rostos novos, aperto outras mãos. Mas existe uma parte de mim que continua fazendo comparações em silêncio, como quem procura uma constelação específica num céu cheio de estrelas. Não porque as outras sejam menores, mas porque meus olhos aprenderam, há muito tempo, exatamente onde repousava aquela luz.
Talvez um dia eu pare de te procurar.
Ou talvez não.
Talvez algumas pessoas não terminem quando vão embora. Elas apenas se espalham. Ficam escondidas entre acordes, páginas, esquinas e olhares alheios, transformando o mundo inteiro numa coleção discreta de lembranças.
E o mais cruel é que ninguém percebe.
Só quem continua procurando.
Título: Protesto
Até quando eu vou ligar minha TV e ver mais um inocente morrer?
Até quando eu vou ver que, lá no morro, mais uma bala encontrou um corpo?
Corpo esse que sempre foi explorado e morreu sem dignidade, com seu sangue escorrendo no asfalto.
Até quando o negro trabalhador vai ser confundido com bandido e traficante?
Até quando o sistema da injustiça vai afastar o preto e pobre para a periferia?
Até quando eu vou ouvir os gritos de uma mãe que chora pelo seu filho?
Filho esse que o sistema julgou estar envolvido com coisas que essa mãe repudiou desde o início.
Sei que parece clichê, mas nem todo morador é do tráfico, pode crer.
Lá em cima tem um povo que luta pra sobreviver entre o esgoto,
Vive situações difíceis de se crer e ainda se ergue pra um futuro poder ter.
Tem gente que luta só no trabalho,
Outros ousam e, além do trampo, estudam no busão lotado.
Por isso eu te pergunto: até quando essa violência vai acontecer?
Quero um lugar melhor pro povo viver!
Talvez exista quem coleccione cartas. Eu colecciono silêncios que nunca tiveram coragem de pronunciar o meu nome
A INVEJA DO MEU EU: -- Ao entrar, a cena me paralisou: ela estava sentada à mesa com duas crianças. Um garotinho de três anos e uma menina de seis. O que me aterrorizava não era a presença deles, mas a verossimilhança brutal que compartilhavam comigo. Nos gestos pausados, na inclinação do rosto e no brilho do olhar, eram versões latentes de mim mesmo.
Lembrei-me do meu verdadeiro lugar: sempre defendi a ideia de que todos os personagens e lugares que sonhamos são imposição dos nossos desejos e vontades; cada pessoa é nada mais que um reflexo de nós mesmos.
Juliano Assis
Eu trato o meu corpo duramente e o obrigo a ser completamente controlado para que, depois de ter chamado outros para entrarem na luta, eu mesmo não venha a ser eliminado dela.
Metamorfose
Eu trilhei vários caminhos
Já tive vida severa
Eu vivia a reclamar
Mas dominei minha fera
Hoje eu vivo bem melhor
Mudei, não sou mais quem era.
Santo Antônio do Salto da Onça/RN
23/11/2023
Às vezes rindo sozinho
Sem saber qual o motivo
Eu fico sem entender
Mas dá pra vê que estou vivo.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
09/04/2024
Quando estou meio perdido
E triste, sem alegria
Eu me encontro e me alegro
Nos braços da Poesia.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
10/04/2024
Energias negativas
Delas eu sou desprendida
E das coisas impossíveis
Enfrento, sou destemida.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
26 Março 2025
Eu já peguei trem errado
E fiz uma descoberta
Quando achei tá enganado
Cheguei na estação certa.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
Eu acho muito bonito
E também muito decente
Ver alguém ajudar outro
Desinteressadamente.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
07/09/2025
Se você ficar calado
E nunca questionar
Você vai parar no tempo
E o seu EU vai acabar
E virarás múmia humana
Sem atitudes, insana
Serás Zumbi sem pensar.
Gélson Pessoa
Santo Antôniodo Salto da Onça RN
22/02/2026
Faça o melhor do seu Eu
Sem nunca se preocupar
De lhe tacharem ridículo
E tentarem derrubar
Tome sempre atitude
Com sua magnitude
Que sempre irás brilhar.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
25/02/2026
Nesse te amo silencioso eu te abraço em segredo, te sonho em minhas noites e te vejo em meus dias. Assim esse amor se torna possível!
