Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Dizem que felicidade não se compartilha. Eu acho que se sorriso gera sorriso, bocejo gera bocejo e lágrimas geram lágrimas, felicidade só pode gerar felicidade.
Não posso ser aquilo que eu não sou
Não posso ver o caminho se eu não souber por onde ir
Não posso ter aquilo que eu não vi
Da terra sagrada eu olho pro céu
Procuro conexão
Eu quero pra sempre
Eu quero mais longe
Eu quero mais alto
Alcançar as estrelas e todo o infinito
Eu quero sentir o vento em minhas asas
A vida é tão frágil, o tempo é tão curto
Eu quero tudo.
Quer saber o que queria hoje? Eu queria não querer nada.
Tudo que eu quero é não querer e nem lembrar o que eu queria.E se quisesse querer algo, era não querer nada e ninguém.Talvez sem querer o que queria, tivesse algo.
Comboio
Sorriu... algo que eu mencionara... não lembro bem, mas percebi, aquele sorriso ainda levava-me à adolescência, às lembranças mais doces que jamais se esquecem, porque são rebuscadas da ansiedade que só a adolescência pode proporcionar; aos pormenores mais insignificantes, mas, não se esquece porque tudo é só um conjunto do que chamamos de paixão. Três dias atrás, pedira o divórcio como quem pede o guardanapo ou um paliteiro na mesa de uma lanchonete; há meses dormíamos em camas separadas; de vez em quando eu olhava os meus filhos e tinha a impressão de que eles me viam como um ET. Parecia uma situação insustentável, no entanto olhando aquele sorriso, percebia ainda um resquício de felicidade; algo vindo de muito longe e que resistira a todas as tormentas do convívio entre um homem e uma mulher, era um fiozinho muito frágil que sustentava o comboio com todos os vagões do nosso relacionamento. Sei que esse trem foi se desgovernando por excesso de zelos, por um super protecionismo, por um medo de um mundo cruel agressivo e traiçoeiro e não me dei conta que as crianças foram crescendo, que suas necessidades foram mudando; um dia um rapaz chegou na minha casa pedindo pra namorar minha filha, fui ignorante, xinguei o rapaz e o expulsei deixando a minha filha triste e ofendida, pois minha filha já contava com mais de dezoito anos; transformara-me num tirano tentando proteger meu lar; e assim de uma forma ou outra fui tolhendo seus passos com medo das agruras e perversão dum mundo exterior; posso pegar minhas poucas roupas e objetos pessoais e sair pela aquela porta e sei que isso seria motivo de comemoração para todos e de uma forma, ou de outra eu os estaria libertando, mas isso seria bom para eles? Deus nos deu o livre arbítrio, e isso foi bom? Sei que provavelmente a essas alturas minha esposa sonha com alguém, que, provavelmente lhe faz promessas e juras de amor; não vejo isso como uma traição, e até imagino que no começo, ela até que seja mais feliz, mas e depois? o desgaste com a rotina, as dificuldades do cotidiano, O cuidado com os meninos? Meus filhos não são filhos dele, e isso complica mais ainda um relacionamento. Não esqueci as agruras, acusações gratuitas e infundadas, palavras ríspidas e pesadas tão somente para magoar; relevo e compreendo que foram momentos de uma ira insana de parte a parte, mesmo sabendo que magoaram, compreendo. Poderia sair por aquela porta sem que o peso dessa separação pesasse somente sobre os meus ombros, onde estaria me esperando um campo de presas fáceis que satisfariam este meu ego de predador comum em todos os machos...mas não posso, pequei por excesso de zelo, por amor, para protegê-los de um mundo cruel, mas não posso pecar por omissão; ligarei para o Duílio, o rapazinho apaixonado pela minha filha, e que provavelmente anda se encontrando com ela por aí... Sei como são esses casos de paixão na adolescência... Permitirei o “face” pra mais nova, sei que “cairão”, machucar-se-ão, um arranhão ou outro... É a vida. Quanto a Sophia, minha esposa, ou ex, bem, tudo começou numa praia... Hoje é domingo, manhã ensolarada, maré cheia, um belo dia para um recomeço...
Tadeu G. Memória
Nenhum movimento
Eu não quero o meu nome
Em nenhuma rua,
Eu não quero ir a lua ou a marte,
Eu não quero ir a nenhuma parte,
Não quero fazer nenhuma revolução,
Não quero fazer parte
De nenhum movimento,
Não quero saber de sem terra,
Apartheid, klu, klux, klan...
Eu não quero saber de greve,
Da queda da bolsa, do islã,
Ou do afã de qualquer religião ou mito
Maomé já foi pra montanha,
Jesus Cristo mostrou seu amor
E os filhos de Gandhi não ficarão órfãos
John deu a chance que a paz pedia...
E eu só quero fazer poesia...
Tadeu Memória
CRIANÇA
Enquanto eu não escrevo o verso
eu não me reinvento,
Porque ao contrario do que penso,
Eu sou sistemático e perverso,
Enquanto eu não escrevo
o poema eu não aconteço
Porque o silêncio e uma granada
Assim como a própria terra
espera o seu tempo pra explodir
Por isso antes de mais nada
me da teu seio
Como se eu fosse uma criança
Me da a esperança
De acreditar e prosseguir
Isso completa a minha estrofe
Depois eu ateio fogo em Roma
E ponho a culpa em Nero...
A primeira vez que vi o mar
aos quatro anos, na ilha do governador,
Eu não podia entender tanta imensidão...
A segunda vez, eu já sabia o que era paixão...
Agora eu vejo o mar e o mar me ver
E eu sei o que é o amor...
EPÍSTOLA APOCALÍPTICA SOBRE ESSA BOLHA DE OCEANOS
Não fosse eu um corpo etéreo, um alien grafite,
Na nebulosa; labirinto intracelular cósmico,
Um vírus, um bacilo no azul marinho gasoso
Da inviável via láctea, efêmera vaidade,
Desfilando colar de constelações
E jogando poeira de estrelas nos nossos bolsos...
O terror cósmico dessa solidão intergalática,
Trazendo auroras boreais
De tempestades solar apocalípticas...
Rebelde sagitário se dilui na acidez sideral
E júpiter se avoluma em gases, aqui no meu quintal...
Atormenta-me a fobia de te ver na esquina,
pefil frágil e andrógino,
Túnica lilás, bastão incandescente e cabelos de ouro,
Cantando “chuva púrpura” profetizando um armagedom,
Fazendo-me imaginar,
Praga, New York e Belford Roxo, roxas de melancolia
Solidão e medo da alcaida,
E possíveis ataques norte-coreanos...
Mas não é isso que me leva a consultar
O zodíaco e previsões climáticas,
Que me fazem supor catástrofes e cataclismas
Sobre a caatinga esparsa e escaldante
De Jericoacoara e quixeramobim...
Se eu não fosse essa lua de insegurança,
E assimilasse ensinamentos de epístolas, salmos
E o sermão da montanha...
Mas sou apenas um cervo feérico, numa floresta primitiva,
Contemplando estrelas sob a noite eterna
Há mil anos luz de um dinossauro,
Tentando entender a ternura débil e insana de um t-rex
Estudando a sua caça e farejando sangue
Percebo que o que me sustenta sobre esta esfera,
Sobre esta bolha de oceanos,
Que viaja trágica e inconsequente,
Entre meteoros, meteoritos e cometas reluzentes,
Na harmonia do sistema planetário
E no descompasso de moléculas de hidrogênio e oxigênio
Realizando o milagre da vida...
Ainda é essa eterna e inexplicável força estranha...
Quando eu quis acreditar no amor...
já não era manhã...
já não tinha o sabor de hortelã,
os desejos já tinham dormido...
pescaria
enquanto eu tento entender
o que eu não percebo
enquanto eu tento
ouvir o que é gritado
os peixes saltam na lagoa
querendo ser pescados
palavras são peixes,
poesia é pescaria
meu barco está abarrotado...
VINTE ANOS DE MENTE
Mas se não for eu,
seja feliz assim mesmo
nem tudo é completo...
completo vinte anos
no ano que vem ,
vinte anos de mente, de mentalidade...
e se essa cidade fosse minha,
galerias de jóias seriam suas,
seriam suas as sorvceterias...
meu maior prazer é tua alegria ,
é o teu prazer,
mas se não for eu,
seja feliz assim mesmo,
nem todo amor
tem o mesmo tamanho
o mel dos meus olhos castanhos
aliviam a dor,
meu coração tem o suporte
para qualquer adeus,
mas se não for eu
será alguém com muita sorte
seja feliz do seu jeito..
nem tudo é perfeito guarde
no peito a lembrança
do que é ser criança.
E se a esperança ainda arde,
se a paixão te consome
aguarde, tenho todo amor
pra matar essa fome...
Acabou o show, todos já saíram; eu fiquei aqui no meu cantinho, melancólico pensando, porque não deu certo o amor? Porque não um final feliz como Janete Clair? Fiquei olhando os olhos rasos da platéia, conjecturando um final onde dissessem: “e foram felizes para sempre.” Um lanterninha se aproxima e pede que eu me retire. O teatro está silencioso; ouço apenas murmuro nos camarins, provavelmente atores e atrizes se descaracterizando. As luzes vão se apagando lentamente; o lanterninha está diante de mim, terno preto de designer anônimo como uma imposição, uma ameaça; o show acabou, a pipoca murchou, o refrigerante esfriou, vou saindo triste e decepcionado de um espaço arquitetônico com perfeita estética e funcionabilidade. Meu celular emite o som inconfundível das mensagens; abro ansioso e percebo; é julieta; leio com alívio e indescritível alegria: ”te amo, Romeu!”
A OUTRA MARGEM
Se eu soubesse de mim há muito tempo
não teria perdido tantos ocasos;
me perdi nos olhos de gurias farsantes, acanhadas e recatadas;
em seus sorrisos de pérolas,
ou nos perfumes de rosas campestres de suas presenças.
Do outro lado do rio, onde caía todas as pipas,
onde se escondia o resto do arco- Iris
e o sol cochilava no final de tardes tépidas de verão
morava um outro eu.
Mas vovó falava de um lobisomem daquele lado.
Eu chegava à sua margem e acenava àquela silhueta magra do outro lado;
a noite sonhava com uma trilha de pegadas gigantes
e imaginava uma figura horrenda
acordava afobado, rezava o credo
e corria pro lado de mamãe na outra cama .
um dia um balão caiu no outro lado do rio
e incendiou parte das minhas fantasias,
mas eu já conhecia o perfuma campestres de rosas
e o sorriso de pérolas de algumas gurias.
Agora percebo que as pipas gostam de transpor fronteiras
e as vezes o vento sopra para o nosso lado;
os ocasos jamais se perdem,
eles ficam de uma forma ou de outra guardados em nossos olhares
e quanto aquela silhueta magra
que me acenava do outro lado do rio;
o meu outro eu, me impõe uma única dúvida:
quem é a outra margem??
