Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
meus professsores, e MEUS PAIS.MESMO EU NAO GOSTANDO DS ESCOLA.VAI STRAY KIDSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
Hoje eu percebi que eu parei de cair. Não que eu esteja de pé, firme e forte, mas eu parei de despencar.
Hoje eu preciso de uma bebida que não tenha história, que não tenha safra e que não me lembre de nenhum brinde que a gente deixou de fazer.
Para qualquer outra pessoa, é lixo; para mim, era a prova material de que o que eu vivi não foi um delírio da minha cabeça.
O soco no estômago é saber que, enquanto eu vou passar o dia evitando as redes sociais pra não ver foto de casal feliz, ela provavelmente vai estar ganhando flores...
Geometria do Encontro
Eu não contava os dias por horas,
mas por versos que o acaso não leu.
Havia um deserto onde hoje repousa
o mapa de um tempo que ainda nem nasceu.
Chegaste como quem não pede licença
à casa vazia que o silêncio alugou,
e a parede fria, na tua presença,
aprendeu o calor que a cor não pintou.
Dizem que rio se forma gota a gota,
que o carvalho não brota do chão de manhã,
mas o mar que me invade a garganta e a rota
veio inteiro, de sal e de espuma, de ti, de manhã.
E não é sobre os meses que somamos à mesa,
nem sobre os calendários que a pressa riscou.
É sobre a tua voz sendo a estranha certeza
de que o "sempre" é um lugar, não um tempo que voou.
Cada passo contigo desenha um caminho
que a minha sede de ti faz de novo nascer.
Antes de ti, eu morava sozinho
no avesso do mundo, com medo de viver.
Agora, teu riso é a fechadura
de uma porta que eu nunca soube que havia.
E se a vida me der essa imensa aventura,
quero mais do teu lado, ir mais fundo, mais um dia.
Não me perguntes o "quando", pois o relógio
desaprendeu a correr quando te viu passar.
Ficou preso no instante em que o teu relógio
resolveu, sem saber, me ensinar a ficar.
Pouco tempo no mundo, imenso no peito.
Raiz que se alastra num chão recém-feito.
É que a beleza de estar onde estás
não se mede em segundos, se mede em ficar.
E eu fico. E eu volto. E eu me perco e me encontro.
E quanto mais fico, mais quero morar
nesse azul que teus olhos desenham no encontro
entre o que sou e o que quero ser: o teu lar.
Se não levar nada de você um dia, que leve sua amizade a qual eu roubei com carinho só para você me notar.
Como pensador e autor eu defendo que o "grande autor" não é necessariamente quem dá as respostas cientificas ou ficcionais, mas sim, quem instiga o leitor a buscar suas próprias verdades e contextualiza las em seu meio.
Costumo tratar muito bem a tudo e a todos pelos caminhos da minha vida mas não confundam, que eu seja insensível, apático ou pouco inteligente.Assim o faço por que é da minha essência e sempre quero o melhor para minha vida, e o grande caminho dos caminhos nos revela, uma única verdade, em sempre ser bom, ofertar o bem e semear
a harmonia, primeiro.
*EU ME QUERO DE VOLTA*
Saí de casa sem saber para onde ia. Não era exatamente uma viagem. Viagem pressupõe algum compromisso com a chegada. Eu só queria andar.
Peguei a moto cedo, antes que a cidade começasse a cobrar de mim as coisas que eu já não sabia se queria pagar. Uma mochila pequena, pouca roupa, documentos, algum dinheiro e aquela sensação conhecida de que talvez, se eu ficasse longe o bastante, certas coisas dentro da cabeça perdessem o endereço.
A estrada de serra estava quase vazia.
Subi sem pressa. Curva depois de curva. Pinheiros, barrancos, casas isoladas, pequenas vendas onde ainda se podia tomar café sem alguém perguntar se você queria açúcar. Em alguns lugares, o mundo parecia ter esquecido de atualizar a paisagem.
Eu gostava disso.
Talvez porque passei boa parte da vida fazendo exatamente o contrário.
Atualizando.
Mudando de emprego. De cidade. De mulher. De opinião. De planos. Trocando certezas velhas por certezas novas, como quem troca uma camisa suja e acredita que ficou limpo.
Quando somos jovens, ninguém nos explica direito o tamanho da brincadeira.
Dizem para estudar.
Trabalhar.
Construir.
Casar, talvez.
Ter filhos.
Comprar uma casa.
Ser alguém.
A gente acredita.
Depois descobre que existe uma diferença enorme entre cumprir o figurino e caber dentro dele.
Eu cumpri algumas partes.
Outras fiz pela metade.
E algumas fiz tão bem que quase consegui destruir a pessoa que deveria ter sido.
Foi só muito depois que percebi isso.
Na juventude, eu achava que as decepções eram acidentes de percurso. Uma mulher que não ficou. Um amigo que virou estranho. Um projeto que morreu antes de nascer. Uma porta que não abriu. Um sonho que parecia grande demais para o quarto onde eu dormia.
A gente sofre.
Depois chama aquilo de experiência.
É uma maneira elegante de não admitir que não entendeu nada.
Continuei subindo.
Em determinado ponto, parei a moto num acostamento. Havia uma venda pequena, dessas que parecem ter sobrevivido por teimosia. Pedi café. O homem atrás do balcão devia ter mais ou menos a minha idade. Talvez um pouco mais.
Ele não tinha pressa.
Fiquei olhando enquanto ele limpava o balcão com um pano que provavelmente já tinha visto dias melhores.
Pensei em quantas pessoas eu havia observado durante a vida.
Homens cansados.
Mulheres que desistiram de certas coisas sem anunciar.
Gente que bebia todos os dias.
Gente que trabalhava todos os dias.
Gente que dizia estar feliz com a convicção de quem precisava convencer a si mesmo.
Eu costumava olhar para essas pessoas de fora.
Agora começo a reconhecê-las por dentro.
Essa talvez seja uma das partes menos agradáveis de envelhecer.
Você começa a encontrar nos outros os mesmos defeitos que passou anos condenando.
O homem que você julgava acomodado.
Você.
A mulher que você achava que tinha desistido.
Você.
O sujeito que dizia não esperar mais nada da vida.
Você.
É uma espécie de justiça tardia.
A vida não manda boleto.
Manda espelho.
Voltei para a estrada.
Desci a serra em direção ao litoral. O ar mudou primeiro. Depois a paisagem. A estrada se abriu e o mar apareceu entre uma curva e outra.
Parei.
Fiquei olhando.
Não senti nenhuma revelação.
Ainda bem.
Tenho desconfiança de revelações.
Quase sempre elas duram até o próximo problema.
O que senti foi uma coisa mais simples.
Cansaço.
Um cansaço antigo.
Não do corpo. O corpo estava funcionando.
Era outro.
O cansaço de carregar perguntas que aprenderam a se reproduzir.
Quando somos jovens, procuramos respostas.
Depois de algum tempo, percebemos que algumas respostas apenas criam perguntas melhores.
E algumas perguntas não querem resposta.
Querem companhia.
Segui pela estrada litorânea.
Pequenos lugarejos apareciam e desapareciam. Uma igreja. Uma praça. Dois cachorros dormindo na sombra. Um bar aberto numa quarta-feira à tarde. Um velho sentado numa cadeira de plástico olhando para lugar nenhum.
Talvez ele soubesse alguma coisa.
Talvez não.
Essa é outra mentira da idade.
A gente imagina que quem chegou mais longe sabe mais.
Nem sempre.
Às vezes só chegou mais longe.
Foi então que lembrei de algumas coisas que eu tinha deixado para trás.
Não pessoas exatamente.
Momentos.
A adolescência.
Aquele período estranho em que a vida ainda não tinha apresentado a conta.
Eu sinto falta de coisas que, na época, pareciam insignificantes.
Uma rua.
Um quarto.
Uma conversa idiota.
Uma música tocando num rádio ruim.
Uma tarde sem obrigação.
A sensação de que ainda havia muito tempo.
É curioso.
Quando temos tempo, queremos futuro.
Quando o futuro já está parcialmente ocupado pelo passado, começamos a querer de volta algumas tardes.
Não quero voltar a ser adolescente.
Isso seria uma estupidez.
Quero apenas recuperar alguma coisa daquele sujeito que acreditava que a vida podia ser diferente.
Não necessariamente melhor.
Diferente.
Talvez seja isso que eu tenha perdido.
Não a juventude.
A capacidade de acreditar antes de exigir garantias.
Passei anos tentando viver de acordo com aquilo que parecia correto.
E algumas coisas corretas fizeram estragos.
Essa talvez seja uma das coisas que ainda não compreendi.
Como alguém pode fazer tudo conforme o figurino e, mesmo assim, terminar diante de uma vida que não reconhece?
Você trabalha.
Paga contas.
Cumpre compromissos.
Evita escândalos.
Engole algumas vontades.
Adia outras.
Diz “depois”.
Diz “agora não”.
Diz “é o melhor”.
E, quando percebe, existe uma distância entre aquilo que você construiu e aquilo que você era.
Não houve uma explosão.
Não houve música triste.
Ninguém percebeu.
Foi acontecendo.
Depois que sangra, seca.
O problema é que a pele fica diferente.
Talvez algumas coisas tenham morrido em mim em dias que eu achei que tinha apenas perdido.
Uma relação.
Uma amizade.
Uma possibilidade.
Uma versão de mim.
Aquilo não me matou.
Mas algo naquele dia morreu em mim.
Demorei para entender.
Ou talvez ainda não tenha entendido.
A diferença entre amadurecer e se acostumar é uma das perguntas que continuam me perseguindo.
Porque existe gente madura.
E existe gente apenas cansada.
Existe gente tranquila.
E existe gente que desistiu de discutir com a própria vida.
Existe gente que aprendeu a viver.
E existe gente que aprendeu a não reclamar.
Às vezes eu não sei em qual grupo estou.
Talvez nos dois.
Continuei rodando.
O vento batia no capacete e levava embora qualquer possibilidade de pensamento organizado.
Foi bom.
Minha cabeça sempre foi um lugar pouco recomendável.
Sou de carne, osso e uma confusão de pensamentos.
Nunca fui exatamente uma pessoa simples.
Durante muito tempo achei que isso fosse um defeito.
Hoje já não sei.
Talvez a simplicidade seja apenas uma forma eficiente de esconder aquilo que não conseguimos compreender.
Eu sempre vou ser uma confusão.
Não digo isso com orgulho.
Também não digo com vergonha.
É apenas um diagnóstico sem médico.
No fim da tarde, parei perto de uma praia pequena.
Não havia quase ninguém.
Tirei o capacete e sentei num banco.
O mar fazia aquele trabalho antigo de ir e voltar sem precisar justificar nada.
Pensei que talvez eu tivesse passado tempo demais tentando resolver a minha vida.
Talvez a amnésia resolvesse o problema.
Esquecer algumas coisas.
Esquecer algumas pessoas.
Esquecer certas versões de mim.
Mas logo percebi que seria inútil.
Porque não é o passado que continua nos perseguindo.
Somos nós que continuamos voltando até ele.
Voltei para a moto.
Ainda não sabia para onde iria dormir.
Também não sabia o que faria no dia seguinte.
Pela primeira vez em muito tempo, isso não pareceu uma ameaça.
Talvez porque eu tenha finalmente entendido que planejar tudo não me protegeu de nada.
Tudo correu como eu não planejei.
E, apesar disso, cheguei até aqui.
Não é uma vitória.
Também não é uma derrota.
É apenas o lugar onde estou.
A estrada continuava pela costa.
Eu podia seguir.
Podia parar.
Podia voltar.
Não havia placa dizendo qual das três opções seria a mais correta.
Ainda bem.
Passei anos demais obedecendo placas.
Naquela noite, enquanto o céu escurecia sobre o mar, pensei numa frase que não parecia minha, embora viesse de dentro:
eu me quero de volta.
Não o homem que fui.
Isso seria impossível.
Quero de volta alguma coisa que existia antes de eu começar a negociar comigo mesmo.
Antes de transformar desejo em obrigação.
Antes de confundir responsabilidade com abandono.
Antes de aprender a dizer “é assim mesmo”.
Talvez viver seja justamente isso.
Perder algumas versões de si.
Encontrar outras.
E, de vez em quando, reconhecer uma antiga no acostamento.
Parar.
Olhar.
Não tentar trazê-la de volta.
Apenas agradecer.
Depois subir na moto e continuar.
Porque existir é pouco.
É preciso viver.
Mesmo sem saber exatamente como.
Mesmo carregando perguntas.
Mesmo fazendo errado.
Mesmo descobrindo tarde demais que algumas respostas não estavam na estrada, na cidade, nas pessoas ou nos lugares para onde fugimos.
Estavam naquilo que a gente evitou olhar enquanto ainda tinha tempo.
O motor pegou na primeira tentativa.
Pus o capacete.
Acelerei.
Vamos, vida.
Me surpreenda.
Dessa vez eu não vou exigir que você faça sentido.
Talvez eu não tenha medo de morrer. Talvez tenha apenas curiosidade para descobrir se, finalmente, alguma coisa terá coragem de ficar.
Não confie demais no meu sorriso. Algumas pessoas usam lágrimas para pedir ajuda; eu aprendi a usar o riso para esconder o endereço.
Ambiguidade
Não confunda alhos com bugalhos!
Ontem eu encontrei você.
Estava linda,
pronta pra sorrir.
E lembrei da carta
que lhe escrevi.
Eram só palavras,
sem qualquer significado especial.
Mas você nem leu.
Nem sorriu pra mim.
Era só um sonho.
Às vezes, existe em mim uma sensação que não sei nomear — como se eu tivesse me afastado de mim mesma sem perceber. Continuo vivendo, sorrindo, conversando, seguindo os dias, mas há momentos em que tudo parece acontecer diante dos meus olhos, e não exatamente comigo.
É como assistir à própria existência sentada na última fileira, reconhecendo o rosto no palco, mas sem sentir que aquela pessoa sou eu por inteiro. Conheço minha voz, meus gestos, minhas histórias, mas ainda assim existe algo profundamente estranho em habitá-los.Como se eu estivesse presente apenas pela metade, observando de longe uma vida que deveria sentir como minha.
E o mais inquietante é não saber de onde vem esse vazio, nem por que, mesmo estando dentro de mim, às vezes me sinto tão distante de quem sou.
Quando Eu Não Sou Apenas Eu
Às vezes, não sinto que exista apenas uma pessoa dentro de mim. Sinto como se minha mente fosse uma casa com quartos que não conheço completamente, e, de vez em quando, alguma porta se abre sem que eu saiba quem está do outro lado. Continuo sendo eu — mas, ao mesmo tempo, parece que não sou inteiramente eu.
Há momentos em que olho para minhas próprias lembranças e elas parecem pertencer a alguém que conheço apenas de ouvir falar. Reconheço os acontecimentos, mas não reconheço a sensação de tê-los vivido. Algumas palavras que digo parecem não ter nascido de mim; algumas emoções chegam sem que eu saiba de onde vieram. E existem momentos em que percebo que alguma coisa aconteceu, mas não consigo encontrar dentro de mim o caminho que levou até aquilo.
É estranho dividir a própria existência com partes de si que parecem ter vontades, sentimentos, maneiras de pensar e até vozes diferentes. Mais estranho ainda é tentar explicar isso sem parecer que estou inventando. Porque como explicar a sensação de estar dentro da própria cabeça e, ainda assim, sentir que existe uma distância entre você e aquilo que pensa?
Às vezes, sinto que estou apenas observando. Meu corpo continua seguindo a rotina, falando, sorrindo, respondendo às pessoas, enquanto uma parte de mim permanece atrás de tudo, como uma espectadora silenciosa. E quando volto a me sentir completamente presente, fico tentando juntar os pedaços: o que eu fiz, o que eu disse, o que senti, quem estava aqui antes de mim.
Talvez o mais solitário não seja sentir que existem partes diferentes dentro de mim. Talvez seja não saber quando elas aparecem, não entender completamente quem são e carregar a sensação de que, enquanto o mundo enxerga apenas uma pessoa, dentro de mim existe uma história muito mais complicada do que qualquer um consegue perceber.
