Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce
Ela amava o mar,
assim como eu amava o rio
mas a estrada do destino
não cruzou nossos caminhos,
assim o mar ainda a espera,
o rio que era meu sonho,
virou um deserto de quimera.
ELA FINGIA
Ela fingia entender tudo o que eu dizia.
Ela fingia saber o que não sabia,
enquanto eu tentava explicar,
enquanto eu tentava explicar
o caos deste mundo,
a falta de amor,
a busca da paz,
o inferno e a dor.
Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia, de Pessoa ou Drummond.
Ela tampouco sabia de democracia,
ou de anarquia de Foucault a Proudhon.
Mas ela sempre aceitou minha fantasia.
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia:
de me achar tão sabido
e o sentido da vida não ter entendido,
que, segundo ela, era viver
bem distraído,
que, segundo ela, era esquecer
o mal sofrido.
A Canção em Valparaíso
Eu tinha vinte e seis anos e usava um anel que não significava nada.
Nem amor.
Nem compromisso.
Apenas hábito.
Tocava piano em um bar pequeno, escondido nas encostas de Valparaíso — um lugar onde os telhados se inclinavam em direção ao mar e as noites carregavam cheiro de sal, vinho barato e vidas inacabadas. O piano era meu altar. A noite, minha cúmplice.
Já havia estado ali antes, visitando um amigo — músico, livre de um jeito que eu não era. Ele morava com o irmão numa casa que sempre cheirava a pão quente e conversas silenciosas.
Foi ali que a vi.
Helena.
Cabelos escuros. Olhos que não olhavam — atravessavam. Tinha dezoito anos, mas nada nela era inacabado. Havia um fogo contido em seus gestos, como se soubesse exatamente o que podia causar — e escolhesse quando.
Já tínhamos nos cruzado antes.
Um almoço.
Um olhar sustentado um segundo a mais.
Nada além disso.
Mas naquela noite, dividíamos o mesmo espaço. O mesmo silêncio.
Então toquei.
Uma canção que raramente me permitia — uma das poucas que eu podia executar sem me esconder. Não toquei para o ambiente. Toquei porque algo em mim precisava ser ouvido.
As pessoas falavam. Copos se moviam. A noite seguia.
Ela não.
Deu um passo à frente.
Não o suficiente para chamar atenção.
Apenas o bastante para escutar.
Quando a música terminou, não houve aplausos.
Apenas um sorriso pequeno — inteiro, definitivo.
E aquilo bastou.
A casa foi se esvaziando devagar, como todas as noites fazem.
Corpos desapareceram em colchões e cobertores improvisados. As conversas se dissolveram em respiração. As luzes se apagaram sem cerimônia.
Ficamos.
Uma televisão acesa ao fundo mostrava algo que nenhum de nós via.
No começo, nada.
Um ombro tocando o outro.
Uma pausa longa demais.
Então ela virou o rosto.
Sem perguntar.
Sem hesitar.
Permitindo.
O beijo veio sem negociação.
Não havia inocência ali —
mas também não havia culpa.
Apenas reconhecimento.
Não fomos para um quarto.
Não houve necessidade de distância, preparo ou significado.
Ficamos ali mesmo — entre almofadas, entre horas — dentro desse território frágil onde o desejo se torna imediato e a linguagem deixa de ser necessária.
Foi intenso.
Não por ser selvagem.
Mas por ser certo.
Há noites que acontecem.
E há noites que decidem algo.
Essa decidiu.
De manhã, não havia nada a dizer.
Nenhuma promessa. Nenhuma pergunta. Nenhuma ilusão de continuidade.
Ela se vestiu em silêncio.
Eu não pedi que ficasse.
Ela não fingiu que ficaria.
E talvez essa tenha sido a única verdade que fomos capazes de oferecer um ao outro.
Para ela, pode ter sido curiosidade.
Um instante.
Um desvio.
Para mim, foi outra coisa.
Não amor.
Nem memória.
Reconhecimento.
O momento em que entendi que aquilo que eu carregava — nas mãos, na voz — podia alcançar alguém além da superfície.
Que, por um breve instante, eu não estava apenas tocando.
Eu estava sendo sentido.
Às vezes, quando toco aquela mesma canção — com o mesmo cuidado, a mesma precisão silenciosa — não lembro do rosto dela.
Nem do corpo.
Nem da voz.
Lembro de outra coisa.
Do exato instante em que me tornei inesquecível
na vida de alguém que nunca ficou.
Sempre me colocaram no topo e eu quis descer de lá; quero viver a minha vida e não às expectativas dos outros.
Eu chorei por alguém que não morreu.
E isso parece loucura para quem nunca sentiu.
Mas quem viveu sabe:
existem partidas silenciosas
que deixam marcas mais profundas
do que muitos adeuses definitivos.
Porque a esperança demora para morrer.
E enquanto ela respira,
o coração continua esperando
o que já não vai voltar.
Eu aprendi cedo a ser forte,
dessas prendas que seguram o mundo no peito
e não desmontam na frente de ninguém.
Mas tu foi diferente.
Tu me deixou vivendo um luto silencioso,
desses que ninguém percebe,
porque não tem enterro,
não tem despedida,
só um vazio quieto tomando conta dos dias.
E mesmo tentando seguir,
tem partes minhas que ainda esperam teu retorno
como quem espera chuva boa depois da seca.
Estilhaços do Espírito
Eu tenho que esconder,
Esconder o que eu sinto
Por não conseguir
Contar todas, completamente,
Contar todas as feridas.
Todos os cortes e machucados,
As lesões que eles me deram,
Todos os algozes,
Todos os que prometeram me proteger.
Pois estou com minha própria sombra,
Com minha própria espada,
Com minha própria mente,
Como sempre estive.
Até quando pensei que não.
Mas, agora, está pesado demais.
Não há quem salve,
Não há quem permaneça.
Os assassinos foram embora,
Os traidores riram.
Deixaram as consequências,
E a culpa foi transferida para os inocentes.
Vou nadar de volta até a superfície novamente.
Vou puxar os passos
Mesmo com o peso dos ferros nos meus tornozelos,
Vou forçar a mente
Mesmo com as feridas de chumbo.
Mesmo com lágrimas de sangue,
Seguirei lutando.
Pois ainda há fôlego de espírito,
Até o meu descanso chegar.
Minha alma ainda está aqui.
- Ramile Godon
Sobre o Vazio (Diálogo)
"Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas sei que devo procurar.”
— “E como pretendes procurar por algo que nem sequer sabes definir?”
“Não sei. Talvez certas buscas existam antes mesmo da compreensão delas.”
— “Ou talvez estejas apenas tentando dar sentido a um vazio comum.”
“Talvez. Mas ignorá-lo parece pior do que me perder tentando compreendê-lo.”
— “E se não houver nada para encontrar?”
“Então ao menos terei descoberto isso por mim mesmo.”
— “E se essa busca apenas te frustrar?”
“A frustração talvez seja inevitável para quem pensa demais sobre a própria existência.”
— “Então procuras respostas?”
“Não exatamente. Respostas costumam encerrar as coisas… e há algo em mim que não deseja um fim, apenas compreensão.”
— “Compreensão do quê?”
“Do vazio.
Dessa sensação constante de que existe algo faltando, mesmo quando aparentemente nada falta.”
— “E acreditas mesmo que encontrarás isso?”
“Não sei.
Talvez eu não encontre nada.
Talvez encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.”
— “Ou talvez percebas que tudo isso nunca passou de ilusão.”
“Sim… ou talvez eu perceba algo ainda mais inquietante.”
— “O quê?”
“Que aquilo que passei a vida inteira procurando sempre esteve comigo… e eu simplesmente era incapaz de reconhecê-lo.”
Sobre o vazio (monólogo)
Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas existe algo em mim que insiste que eu devo procurar.
Engraçado… como alguém procura por algo que nem sabe o que é?
Talvez eu esteja apenas correndo atrás de um vazio sem nome. Talvez eu esteja destinado à frustração. Ainda assim… ficar parado parece pior.
Então eu procuro.
Não porque eu saiba onde encontrar respostas, mas porque alguma coisa dentro de mim se recusa a aceitar que isso seja tudo.
Talvez eu não encontre nada.
Talvez eu encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio finalmente se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.
Ou talvez, no fim de tudo, eu perceba que nunca precisei procurar coisa alguma… porque aquilo que eu buscava já estava comigo desde o início.
E talvez seja isso que mais me assusta.
Não o vazio…
mas passar a vida inteira procurando algo sem perceber que já o carregava dentro de mim.
Eu não sei a que velocidade anda a lei do retorno, sei apenas que ela existe e mais cedo ou mais tarde chega.
Nesses últimos dias eu fui como está árvore, cai me machuquei, fiz barulho... mesmo não tendo ninguém para escutar (e acredito que com você não foi diferente). porém pra mim mais importante do que ser ouvido, é poder voltar a te escutar, suas alegrias suas tristezas suas dúvidas seus sonhos, talvez eu não consiga te impedir de cair, mas eu sempre vou estar ao teu lado para te ajudar a levantar quantas vezes for necessário
Eu poderia discorrer sobre amar,
Mas eu não falo de amor.
Deveria falar sobre aqueles que me viram nascer;
Conseguiria lembrar dos dias da década passada.
Porém, por quê? Por que, se o verbo é sofrer?
De amor, eu não falo mais nada.
Novas rodas, novas cantigas,
Novos ares, velhos sistemas com roupas passadas...
Se o meu sofrer nada o mitiga,
De amor, não devo falar mais nada.
Lembraria da tua voz,
Desbravaria seus segredos ou recordaria das suas afeições;
Se você se foi e eu não me despedi,
Não falo de amor, tampouco de paixões.
Rejuvenesceria se eu perdoasse aqueles;
De tantos ouvi para fazer de alguém minha amada.
Mas, se em meu nariz mando eu e não eles,
De amor, eu não falo mais nada.
Incendiaria meu coração dizendo "Eu te Devoro";
São muitos amores e amigos, e todos os nomes eu decoro.
TV em cores, jornal impresso, disco, vitrola e prosas...
Eu posso dizer que vivo assim.
Se do amor eu não falo mais nada,
Talvez o amor fale por mim.
tá tão complicado pai
Eu confesso, eu to cansado e não quero mais
Tô exausto e com medo
Tem dias que o peito aperta
Tem dias que o fardo pesa
Nem que fosse arrastando eu não volto pra trás
Fica aqui comigo e não sai mais
És o meu alívio
Tudo o que eu preciso bem aqui comigo pra continuar
Que me impulsiona todos os dias pra eu não parar
Tu és o motivo, Jesus, que eu tenho pra avançar,ah,ah,ah...
Música: alívio
Cantor: Jessé Aguiar
Não desista... Recomece sempre que for preciso. Repita sempre: "Eu posso, eu consigo!" Que em momento algum esqueças a força que tens!
Não importa se as experiências foram positivas ou negativas, elas moldaram quem eu sou hoje. Sou grata a todas as pessoas que estiveram em minha vida, mesmo aquelas que me causaram dor. Agradeço àqueles que me amaram verdadeiramente e aos que me utilizaram para benefício próprio. Agradeço também a quem disse "eu te amo" com sinceridade, bem como àqueles que disseram essas palavras de forma egoísta. Afinal, foram todas essas situações que me fizeram crescer e me tornar mais forte.
Acima de tudo, sou grata a mim mesma. Sou grata pela minha capacidade de encontrar forças para levantar e continuar, não importa quantas vezes eu tenha caído. Agradeço por nunca desistir e sempre acreditar em mim mesma. É essa resiliência que me permite superar qualquer obstáculo e seguir em frente, independentemente das circunstâncias.
Portanto, sim, agradeço a todos aqueles que fizeram parte da minha jornada até agora. Seja para o bem ou para o mal, cada experiência contribuiu para a pessoa que me tornei. E continuarei a agradecer, mesmo que nem todos compreendam o impacto que tiveram em minha vida. No fim das contas, sou grata por ser quem sou hoje, com todas as cicatrizes e aprendizados que trago comigo.
- Edna Andrade
Não importa quantas vezes eu tenha duvidado de mim mesma, Deus nunca me abandonará. Ele estará sempre ao meu lado, aplaudindo minhas vitórias e me amparando nas derrotas. Ele é a minha força inabalável, minha luz nas trevas, minha certeza nas incertezas. Nele eu sempre confiarei...
- Edna Andrade
QUE NÃO SEJA COMO EU QUERO…
MAS COMO TU QUERES, DEUS.
Porque às vezes, o que eu peço é pequeno demais pra o que o Senhor sonhou pra mim.
Às vezes, o que eu acho ser o melhor… é só o começo.
Eu entrego, confio e aceito.
Mesmo sem entender o caminho, eu sigo.
Mesmo sem ver o final, eu creio.
Porque eu sei…
Quando é Deus quem guia, até o improvável floresce.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Tem dias em que eu me canso...
Mas não do mundo, nem das pessoas.
Me canso de mim.
De sempre saber o que dizer.
De sempre ter a palavra certa, o acolhimento pronto, o colo disponível.
Porque, às vezes, eu só queria ser o que ninguém espera:
alguém quieta, alguém que não dá conta, alguém que apenas exista… sem ser farol, sem precisar ser luz quando está escuro aqui dentro.
A verdade é que já me acostumei a ser porto —
e talvez por isso, poucos percebam quando sou mar agitado por dentro.
Eu sei que transbordo cuidado.
Mas, em silêncio, carrego a dúvida que não conto a ninguém:
e se ninguém souber me cuidar com a mesma delicadeza?
O mundo me conhece inteira.
Mas quase ninguém viu o que sobra de mim quando todo mundo já foi embora.
E eu fico ali…
Firme, mas exausta.
Serena por fora, mas com o peito pedindo socorro baixinho.
Porque existe um peso que não aparece na balança:
o peso invisível de ser forte o tempo todo.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Tem dias em que eu só fecho os olhos
e agradeço.
Não sei explicar como,
mas Deus sempre chega —
no detalhe que ninguém vê,
na força que me levanta por dentro,
no silêncio que me acalma
quando tudo parece desabar.
A mão d’Ele me sustenta.
Seu amor me cobre de cuidado.
E a graça…
ah, a graça me dá coragem
pra continuar sendo flor
mesmo em meio a tantas podas.
Obrigada, Deus.
Pelo que já fez,
pelo que está fazendo,
e por tudo que, no tempo certo,
há de florescer.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
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