Davi Salles
Eu sou apenas um rapaz latino-americano,
Sem dinheiro no banco,
Sem parentes importantes.
Mas nesse instante,
Eu faço emergir todo o amor que há na terra,
Falo para aqueles, por aqueles e para ela...
Todo amor que há na terra,
Mas nem todo amor que possivelmente encontro
Em jantares à luz de velas.
Pois seu amor por mim vela,
Mas vela numa imensidão que me carrega e me leva,
Mesmo sem a sua percepção,
Que parece ser uma cor fraca na sua aquarela.
Nesse vazio demográfico, país tropical,
Todo mal cai por terra ao avistar o teu astral.
Me sinto preenchido, me sinto sensacional!
Sujeito de sorte: Ano passado eu morri,
mas esse ano fiz um cavalo de pau.
Não satisfeito, lembro de São João Paulo
E sinto a solidão original.
Se tua aquarela se estendeu ao ponto
De eu não tê-la totalmente decorada,
Então me abraça, me leve
E me faça da sua fantasia.
Fantasia que vem do Grego,
Mas se agregou ao Latim.
Se eu te amo, eu te vejo
E se eu te vejo, eu choro por ti
Porque se um dia precisar
Hei de regar, hei de cuidar do teu jardim
E enquanto não chega a morte, ou coisa parecida, ou coisa parecida
Aparecida, rogai por mim!
Se eu gosto que a minha língua roce a língua de Luís de Camões
Não lhe diz respeito, não lhe explico os autos do processo
O que há na minha boca, há de ficar na cabeça dos outros
Do meu corpo, eu posso dizer que só me espanta as emoções
Apesar de que tudo, tudo nessa sociedade está em aberto
Não sou carioca
A minha voz não ressoa se eu gritar "Alô Mangueira"
Eu sou da terra de Juscelino,
Nascida pela desorganização da riqueza
Mas ninguém nunca ousou organizar a pobreza
60 anos de Tropicália, outros 80 de Velô
16 anos que eu reclamo, reclamo, mas reconhecendo o poder do amor
O poder que nos segurara há tão pouco tempo
Contra ódio, um precedente tão bárbaro, um presente que não nos encanta
Um sistema em vertigem, 8 milhões de quilômetros quadrados andando em corda bamba
Se eu posso cantar, se eu posso escrever
Estarei expressando o meu Quereres
Mas sempre ao final do dia
Me lembrarei de que os homens estão exercendo seus podres poderes
Tudo o que eu faço
Eu faço com medo de perder
Dispensaria a Rua, a chuva e a Fazenda
Para ter somente a casinha de Sapê
