Eu Errei me Perdoa Poesia
Quando eu nasci, um anjo torto
desses que são iguais ao cerrado
Disse: vai, e pelo devaneio seja absorto
(Luciano Spagnol
poeta mineiro do cerrado)
*parodiando Carlos Drummond de Andrade
NÃO SEI SE VIRÁS... MAS EU TE ESPERO!
Foram tantas as palavras trocadas durante o nosso silencio...!
Tu foste a historia que escrevi em versos durante toda a minha vida
Paginas e páginas escritas... Falando deste amor e desta dor...
Mas aprendi nas tuas ausências que cresci... Com essas lembranças...
E evolui com toda esta saudade que senti...
Descobri então que não sei se eram de ti ou de mim...
De como eu me amava o suficiente para não deixar que a paixão
Fosse maior que a minha vida!
Desisto de mim quando me envolves e esqueço-me da dor...
Morre em meus lábios uma lágrima de amor...
Fecho os olhos e o meu pensamento voa até ti
Aguardo-te...
E volto a te esperar...
Não sei se virás... Mas eu te espero!
O que eu não faria pelo prazer da sua companhia
Que em meu peito faz moradia
Sinto saudade do brilho dos seus olhos
Da luminescência do seu sorriso
Da excitação da sua alma clarinha
De nossas conversas tão atemporais
Você transita nas estradas do meu coração
Me tira a razão
Sobrando só emoção
Anestesiado nessa paixão
Onde quer que você esteja
Sempre leva meu coração
OLHE COM O CORAÇÃO
Eu conto mais pássaros do que antes.
Sinto que perdi foi muito tempo.
Já que eles sempre estiveram no céu.
Mesmo que distantes.
A ti contemplo! Feito réu.
Somente com o coração poderá ver.
Seja na simplicidade da alma,
Conseguirás ver meu brilho!
Assim, reluzir teu ser.
Enquanto os desafortunados
Enxergaram somente meus defeitos.
Que perfeito, nada ira me conter.
Não me peça para ser normal.
Por que não sou!
Não me olhe com olhos comuns,
Pois assim fico escondido de ti.
Poupe-me da dor que senti.
Do tempo que perdi!
Estou além da música de tua audição,
Estou acondicionado em seu coração
Quando me olhar?!
Olhe nos olhos.
Janelas ou barreira oculta.
Revelará meu íntimo.
Mas lembre-se:
Somente com o coração poderás me ver.
''Eu que sou um sonhador,
Encontro minha
Alma na dor.
Na dor de um lamento,
De um universo
Imenso.
Meu coração é
de um rasta,
Minha alma
De um cristão.
Minha arte
É escrever poesias e transmitir
Informações, ou ate mesmo convicções,
Por que não?
Nessa vida somos um em um milhão,
Querendo chamar atenção.
A bondade esta coração de poeta,
Seguindo sua meta.
Escrevendo poesia,
Pra ver se algum dia,
Alguém se interessa,
Essa é a dor de um poeta.
Esquecido no mundo,
Fingindo ser cego surdo e mudo,
Essa é dor de um poeta,
Que segue sua meta.
...sou um pescador ...nesse vasto mar.
...minhas redes, joguei no além, onde Deus descansa e eu também, pesquei sonhos pro mundo inteiro, trouxe amor e não havia dinheiro que pudesse pagar !
- Cadê Maria? - Foi pro mar
- Cadê João ? - Foi trabalhar, nos acordes da construção de uma nova canção, sob o sol e o mar, de um dia de verão.
- ... cadê João ? -Foi pro mar.
- cadê Maria ? - Foi buscar, poesias pro jantar.
Árido
Eu estou vazio,
Todo o mundo ecoa
Dentro de mim.
O mesmo som que entra,
Sai sem tocar em uma gota de sangue.
Saem apressados,
Pelos olhos anestesiados,
Pelos ouvidos exaustos.
E são levados pelo vento.
Nada floresce,
Mas ao menos,
Não há nada para estragar.
Mas existe uma sensação
De que algo poderia mudar.
E isso entoa ameaça para minhas mazelas,
Que em raiva atiram-me ao chão.
E as enfermidades da terra árida são tantas,
Que cada golpe de enxada
Parece só fazer um novo buraco sem sentido.
Os anos são lentos como sementes,
Principalmente quando se aprende a senti-los com os dedos.
E para de vê-los passando com os olhos.
Mas realmente é difícil,
Sentir o pesar dos anos nas costas,
Mas imaginar com ternura
Que ainda são poucos!
E não senti metade do que há em mim,
Pois sou poeta.
PERSPECTIVA
Para cada dia
Uma perspectiva…
Ontem eu era raiz:
Sugava a água
Para irrigar o amor.
Hoje sou pétala em flor
Que precisa ser regada
E sentir o seu calor!
A vida precisa do sol!
E eu do coração bondoso do vento.
É sempre bom estar perto de ti,
para que nada se perca no espaço e no tempo.
Aflora meus versos
que de tão belos...
são expressos
pelos meus andejos;
da mágica poesia que é amar...
Que só faz sentido
para quem dela compartilhar
a sagacidade do querer.
Façamos do hoje o melhor dia, vivendo com se não soubéssemos do amanhã, vamos cirandar e brindar esse lindo amanhecer.
Estou adormecido
Mas meu sonho n é eterno
Qq hr eu acordo
E saio desse inferno
Prq estou aqui?
Quem criou isso p mim?
N vejo a luz do dia
Aqui é sempre inverno.
Na vrdd eu já sei
Foi aquele homem de terno
Q come o bolo inteiro
Pra mim só o farelo.
Oh gigante adormecido
Até quando ficarás deitado
No berço esplêndido inanimado?
É td o q ele almeja
Tua inércia é a sua fortaleza!
Mas um dia irás perceber
Que de ti emana o poder
E mudaras tua conduta
Homem de terno agr escuta:
Verás q um filho teu n foge à luta!
BENQUERENÇA
O afeto que você me deu
para mim, é algo reto
Tu não sabe...
Eu, não presto,
tenho pena desse afeto
Porque?
Eu, todavia longe
você...
Sempre, sempre perto.
Antonio Montes
Em Que pensamento estou eu
Entre o mar das infinitas percepções
Entre o pensamento em que estou à procura
Mais não consigo encontrar o pensamento que esta a deriva
Perdido no mar das ilusões entre a morte e a vida
Carrega em si a solidão pronta para ser encontrado
Entretanto descontrolado nas ondas do mar encantado
Que só em mim pode ser achado
Na escolha do ser ou não ser pode ser eu a questão?
Como encontrar o que não esta perdido
Como se perder ao encontrar
Encontrando eu estarei perdido
Me perdido eu irei encontrar
Aquilo que apenas no seu olho
No olhar que era só meu
Poderei eu encontrar
O que a muito se avia perdido
Mas que nunca sumiu de lá
E que lá sempre esteve
Pronto para se dar
Pois o mesmo não se pode guardar
Se não é o amor do seu amado
Quem será amado por seu amor.
Eu tento te desenhar
Mas tamanha beleza,
Não consigo esboçar
Perco-me em cada curva,
Em cada olhar
Estou eu a me apaixonar
Em cada forma
Em cada sussurrar
Perco o folego não consigo respirar
Perdido em mim não consigo explicar
A beleza que só posso contemplar
Eu só consigo imaginar
Que estou a sonhar.
SENTIMENTO PRESO
Como passarinho...
Me prende na gaiola, só para ouvir
o meu cantar, e eu canto.
Em troca, você...
Prende-se em mim,
me dá: Comida, água,
vontade de ser livre, e voar,
e você, quando vai se soltar?
Antonio Montes
Como eu vou falar pra ela
Que agora é só ela que eu quero
Se todos que já foram dela
Não foram assim tão sinceros
Eu piro quando ela chega
Eu piro quando ela vai
Eu piro quando ela se entrega
Quando ela se esfrega e quando a roupa cai
Anjo Negro
Eu filho da crença e esperança
Dono de luz e paz
Acalanto mordaz
Escondido nessa temperança
Eu que sou de fala mansa
E discípulo de um solarengo
Mudo palavras de realengo
Do senhor da Hamsá
Recôndito nessa ânsia
Em suma instância
Envolto ao impossível
Como tudo que é invisível
Anjo resoluto e voraz
Da luz que não possuo mais
FEITOS DE UM POEMA
Eu tenho um poema...
Que fala de penas
que fala de asas e liberdade,
de musica leves tocadas
de sonhos nascidos do nada
das alegrias e felicidades.
Eu tenho um poema...
Que fala de versos e rimas
do cheiro da casa simples
das tranças d'aquela menina
que fala do rancor e da irá
do amor vivido em flor
do rancor causado pela dor
do amanhã e da doce vida.
Eu tenho um poema...
Já feito no fim da tarde
falando do alvorecer
da lua prata da noite
do vento e seus açoites
horizonte e por do sol
da solidão e seu anzol.
Eu tenho um poema...
Nascido de prosas e palavras
com boiada e boiadeiro
da vida mansa e canseira
do menino e da peteca
do ranger da velha porteira
e a moeda na gibeira...
Fala do velho caminho
das flores d'aquelas margens
das remadas na canoa
a brisa do amor na proa
os feitos de gente boa
dos desfeitos e das vantagens.
Eu tenho um poema...
Que também fala das espadas
das guerras desenfreadas
feita para lucro de facínoras,
um poema cheio te temas
com suas penas e lagrimas
suas magoas e suas tremas
nele contem as façanhas
e contendas de um poema.
Antonio Montes
FRUGALIDADE
Da milharada eu quero milho
p'ra fazer um mungunzá
com mais puro sentimento,
socado a pilão, sem casca
as quais caíram ao chão
com peneiradas ao vento.
Da peneira a peneirada
com furos e suas águas
cheia de partículas no ar,
e esse cheirando a verde
orvalho matando a sede
de um sonho ao sonhar.
Quero também o aroma
do café quente da manhã
... Toalha xadrez na mesa
bule e xícara e a beleza
dos olhos da natureza
e a cesta cheia de maçã.
Já da roda, a ciranda
e quadrados do amarelinho
a corda eu pulo de banda,
e de manhã na manhãzinha
pego o ovo da galinha
antes que o dia me tromba.
Antonio Montes
