Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
No julgamento das ações humanas, tempera-se a verdade com hipocrisia para que o sabor da mentira seja mais doce.
Quando o pão se justifica
com as botas que lambemos,
muito pouco dignifica
as açordas que comemos.
I
Em tão grande liberdade,
os homens parecem meigos,
pra que os filhos sejam leigos
de uma outra sociedade...
Todos andam à vontade
numa regra que se aplica
a quem teme e não critica
as tais botas obscuras,
ignorando as ditaduras
quando o pão se justifica.
II
Entre bola e pouco mais,
sobram livros nas escolas,
porque faltam sempre bolas
às justiças sociais.
Foram filhos, serão pais
neste chão onde vivemos,
onde rimos e aprendemos
a cartilha dos descrentes,
quando a vida nos dá dentes
com as botas que lambemos.
III
É assim, estão na moda
essas línguas produtivas,
criam calos nas gengivas
e lambem com a boca toda...
São tacões da alta roda,
sugadores de uma só bica,
arraial que não se explica,
sementeira da nação,
mas aqui, onde há bom pão,
muito pouco dignifica.
IV
Alentejo, este celeiro
nobre, digno, tão honrado,
não deixa de estar minado
por quem lambe o dia inteiro...
Lambe quem chega primeiro
o calçado que aqui temos,
e assim o que colhemos
são os danos desse fruto,
que tempera sem conduto
as açordas que comemos.
Entre crentes e ateus,
alguns humanos, a meu ver,
entregam-se às mãos de Deus
quando o Diabo já não os quer.
Não é difícil mandar com abertura e civismo. Difícil é controlar todos os que querem mostrar fome de protagonismo.
A mandado do coração
faço aqui esta homenagem
ao Bombeiro e à missão
que se cumpre com coragem.
I
Sempre em luta pela paz,
segue em frente, destemido,
num dever agradecido
pelo aperto das horas más...
Se um sorriso o satisfaz
depois de cada emoção,
segue em frente campeão
das urgências que coordenas,
que as palavras são pequenas
a mandado do coração.
II
Na missão benevolente,
quando o dever recomeça,
há o tempo a pedir pressa,
destemido, segue em frente...
É amigo, é combatente,
é um anjo de passagem,
nesta grande aprendizagem
é esperança que se expande,
e com uma vénia grande
faço aqui esta homenagem.
III
Altruísta e voluntário,
Sopra as chamas do abismo,
ante as leis do cataclismo
e do auxílio humanitário...
Sendo sempre solidário
com os azares do cidadão...
Em sinal de gratidão
aos socorros imediatos,
devemos ser sempre gratos
ao bombeiro e à missão.
IV
Sempre a luz do sinistrado
num farol omnipresente,
presta ajuda a um doente,
ilumina o alquebrado...
Ser Bombeiro é ser prendado
com uma linda tatuagem,
onde há uma mensagem
que nos diz "vida por vida",
como a sorte aqui cumprida
que se cumpre com coragem.
Quando um dia deixar este mundo, não vou partir triste com os poucos que me censuraram, mas sim com os muitos que aplaudiram e foram coniventes com a minha censura.
O meu entendimento tem alguma dificuldade em compreender o motivo de existirem atualmente tantas recriações históricas referentes à Idade Média no Alentejo e um pouco por todo o país. Provavelmente muitos dos seus figurantes e intervenientes não sabem que foi um dos períodos mais negros da nossa história, pois além dos trajes característicos da época e de alguns brandos costumes que nos são apresentados nos eventos, queimava-se gente viva e o povo fazia disso uma festa. Milhares de inocentes foram condenados à morte por tudo e por nada, por invejas, por supostas bruxarias, por maldade ou por perseguições políticas. Os doentes e os loucos eram enjaulados e muitos outros ainda foram vendidos como escravos para África, para a Índia e para o Brasil. Foi esta a nossa idade das trevas onde o medo e a ignorância condenaram muitos portugueses desse tempo a uma escravidão permanente sob a égide de tiranias religiosas e de macabras ostentações senhoriais. Hoje evocam-se esses tempos com orgulho um pouco por todo o lado em feiras, em festas e em tudo o que faça parecer bonito o que de bonito tem muito pouco. Será que não houve um período da nossa história que pudemos evocar os avanços das ideias que nos tornaram mais livres e mais conscientes do nosso papel como agentes transformadores de um mundo melhor? Que legado queremos deixar aos nossos filhos e às novas gerações?
Perdoar é como dar aquele respiro de fôlego ao emergir de um mergulho profundo.
Pois, sem que percebamos, a mágoa vai nos afogando, e o rancor, nos sufocando.
O perdão é um bem que se faz não apenas ao outro. É a forma mais justa e sincera de amar o próximo como a si mesmo.
É na família
A família é a célula da sociedade, dessa forma podemos dizer: É na família que aprendemos os primeiros passos como pessoa. Valorize sua familia!
Amizade verdadeira
não se põe na geladeira,
no clima da indiferença;
amizade de verdade
é aquecida na bondade,
no calor da lealdade,
não se omite da presença.
O amor é uma qualidade impressionante, e mais impressionante fica quando é direcionando a alguém que sabe retribuir. Nada disso não seria possível se essa qualidade não existisse...
Há maneiras e maneiras de calar. Há maneiras de dizer calando. Às vezes a única é calar o que todos entendemos que deveria ter sido dito.
Às vezes seu maldito coração o fazia andar, imprudentemente, mais depressa que a cabeça. Em outras ocasiões sua língua disparava com as verdades que a queimavam. E eles as dizia, mesmo sabendo que sofreria as consequências.
Os deuses cegam aqueles a quem querem destruir.
Não revire o passado. O passado é pesado para todos. Dê-nos futuro, um ar transparente.
As pessoas têm direito a ser felizes, mesmo que não tenham permissão.
A angústia é a outra face da miséria. Se a miséria nos deixa angustiados, devo lembrar que a angústia também nos deixa miseráveis.
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